Para além do jejum de palavras, Maria nos ensina o dom do silêncio

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Em nossas comunidades paroquiais pode haver silêncios que necessitem ser rompidos e barulhos que precisem ser cessados. “Silêncio! Cala-te! E cessou o vento e seguiu-se grande bonança” (Mc 4,39). Às vezes, falamos demais e escutamos de menos. Antes do benéfico direito de falar, nos foi dado o dever de ouvir, inclusive, para que compreendamos uns aos outros. É o que fazem as crianças, ao desenvolverem primeiro a audição e só depois a linguagem. Ruídos, em excesso, geram toda sorte de boatos. Já boatos demasiados suscitam verdadeiros estardalhaços. É um ‘disse que me disse’ de cá e um ‘zum-zum-zum’ de lá. Ambos parecem desproporcionais. Talvez, por não abraçarem a medida da misericórdia derradeira.

Cultivar o silêncio, da Quaresma para a vida, não tem nada a ver com comportar-se de modo isolado, permanecendo recluso na indiferença ou distante dos compromissos comunitários. Pelo contrário, é afastar-se de todo e qualquer burburinho, apto a comprometer a nossa fé na comunidade. Em alguns momentos, acontece da história de uma pessoa ser exposta, não só em conversas informais, mas até mesmo em eventos comunitários, quando o maior interessado do assunto não se encontra ali presente. Mesmo um culpado possui o direito da ampla defesa e do acesso à informação que pesa sobre ele. Como tal, não pode ser o último, a saber, daquilo que lhe diz inteiro respeito.

Tal comportamento gera uma atmosfera de intriga e desconfiança entre os fiéis, como se todos vivessem rodeados por certos espiões ou delatores (Cf. Zc 8,17). A ninguém foi outorgada a incumbência de analisar, às escondidas, os passos, as conversas e os comportamentos dos demais. Afinal, Jesus não nos pede para sermos agentes secretos, mas, em contrapartida, irmãos (Cf. Jo 13,34-35). Não havendo nada de bom a proclamar, também não há nada de ruim a acrescentar.

Existem circunstâncias nas quais precisamos guardar muitas palavras em nossos corações: seja porque não possuem um sentido de resposta, seja para dizermos na ocasião propícia, de acordo com a lição instruída por Maria (Cf. Lc 2,19). Seguindo o exemplo da Virgem do Silêncio, principalmente na Quaresma, é importante cobrir o outro com o manto do cuidado. Isso nada tem a ver com omissão ou cumplicidade. Trata-se de um comportamento pacífico, conciliador, cheio de boa vontade para com os outros, sem sabatiná-los, mas exortando-os, acima de tudo, ao amor (Cf. Tg 3,17).

Servimos às palavras, em especial, aquelas do bem dizer. Se, por algum motivo desconhecido, temos nos focado na tarefa, cansativa e enfadonha, do maldizer, então, algo está seguindo no sentido equivocado. Nosso tempo deve ser gasto com a evangelização, não com questões vãs e infrutíferas. Quem ama de todo o coração, se preocupa e vai ao encontro dos demais, sobretudo, os feridos desde mundo (Cf. 1 Pd 1,22). Caso alguém esteja perdido, em nossas comunidades, precisamos suportá-lo, não no sentido pejorativo, mas servindo de auxílio e suporte para que ele possa reencontrar o caminho da fé (Cf. Cl 3,13).

Adiante disso, o desassossego com a vida do outro não está no medo de que a Igreja fique mal afamada. Isso é corporativismo. Também não se detém na inquietude de que a reputação pessoal seja perdida. Isso é a publicidade de quem vive empenhado em produzir apenas boas notícias. Igualmente, não permanece na suspeita, nas opiniões infundadas ou no julgamento explícito. O que conta não é a sua verdade nem a minha verdade, mas a nossa verdade, decorrente dos fatos. A preocupação cristã se encontra no bem-querer, naquela afeição de irmãos e no zelo pelo bom êxito da evangelização (Cf. Mc 16,15).

Quem olha para o ícone do Perpétuo Socorro, também conhecido como Senhora da Paixão, na Tradição Oriental, percebe a Virgem de lábios apequenados e cerrados. Com humildade, miremos Nela. Suas palavras não são espessas nem amargas. Apenas apontam para o silenciamento de Jesus. Que, juntos de Maria, aprendamos a ser tão comprometidos com o silêncio, assim como o somos com as palavras. Permitamos, portanto, que Ela nos ensine, em todas as coisas, a primazia do amor e do amar, superando a violência, inclusive aquela proveniente do mau uso das palavras.

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás e Presidente-fundador da Afipe

Em Cristo Redentor somos todos irmãos (Mt 23,8)

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Vivemos em um mundo ferido e violento. Independente de quem causou a lesão, precisamos reconhecer que ferimento se cura com o remédio da fraternidade. A dimensão fraterna da vida não se faz apenas com ajudas ocasionais aos mais próximos, com laços isolados de amizade ou, ainda, com simples partilhas de ideias. Isso soa como superficial. Fraternidade tem a ver com um movimento de encontro consigo e com os outros, sem esquecer de que o fundamento desse encontro está no amor de Deus Pai. Vinculados a Ele aprendemos a nos vincular aos outros, sem maiores reservas e sem requisitos prévios. Não há imposição de condições para o bom exercício da fraternidade. “Quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele” (I Jo 4,16b).

Quisera Deus que não precisássemos discorrer sobre a fraternidade tamanha fosse a nossa persistência nela, muito menos necessitássemos de uma Campanha da Fraternidade para nos recordar da violência e da indiferença para com nossos irmãos. Mas, somos falhos e limitados. No caminho da honestidade pessoal e comunitária é possível perceber a fragilidade de algumas relações que construímos. Faz-se necessário peregrinar, durante toda a Quaresma, se quisermos ultrapassar os possíveis desacordos do dia a dia. É forçoso o movimento de saída para que encontremos, no rosto das pessoas, a face amorosa de Cristo.

Se os nossos afetos estiverem orientados para o Pai Eterno não temeremos tratar aos demais como irmãos, pois acima de tudo está a comunidade de oração, a comunidade de missão e a comunidade de fraternidade com as quais nos comprometemos lá no Batismo. Já que a fé nos deu asas, nos esforcemos para que as diferenças não nos criem gaiolas. A salvação passa primeiro pela reconciliação e pela perseverança “no amor fraterno” (Hb 13,1).

Sabemos bem que, antes de sermos cristãos, somos todos irmãos. Não possuímos laços sanguíneos, nem parentesco próximo. Nosso único vínculo é Cristo e Ele nos diz: “todos vocês são irmãos” (Mt 23,8). O mesmo Novo Testamento também nos orienta: “Vivam em paz entre vocês. Por favor, irmãos, corrijam os que não fazem nada, encorajem os tímidos, sustentem os fracos e sejam pacientes com todos” (I Ts 5,13-14). A Quaresma também nos pede para ‘amarmos’ mais e nos ‘armarmos’ menos. Na verdade, cada vez menos. Até que a violência, nas suas mais variadas formas, seja definitivamente sepultada.

A ocasião solicita que cessemos as contendas entre nós. O acúmulo de mágoas e o cultivo de ressentimentos só fazem adoecer a fraternidade que nos move. No lugar do maldizer, o bendizer. Em vez de intrigar, devemos congregar. Ao invés de enfraquecer-nos uns aos outros, precisamos nos fortalecer mutuamente no Senhor. “Tenhamos consideração uns com os outros, para nos estimular no amor e nas boas obras. Procuremos animar-nos sempre mais” (Hb 10,24-25). Somos um corpo eclesial, cuja cabeça é Cristo. É um engano supor que podemos fazer algo a sós ou por iniciativa própria. Tudo o que realizamos parte da fraternidade, dela depende e para ela retorna.

Pessoas machucadas geram feridas aos mais próximos. Comunidades feridas também machucam os seus membros. Uma realidade não se separa da outra. Estão fortemente vinculadas, tanto nos avanços quanto nos retrocessos. Enfim, a saúde da vida cristã está sujeita a uma convivência fraterna, capaz de unir a todos, mesmo na diferença que nos constitui. De bom grado, aceitemos que as diferenças geram plenitude e pluralidade, jamais nos enfraquecem.

Por outro lado, é preciso recobrar a esperança que supera a todo desânimo. Se a vida é ferida pelo sofrimento é ela quem vai cicatrizando cada desgosto e contragosto, cada dor e dissabor. A esperança não é apenas uma virtude teologal, usada no exercício do bem ou na renúncia do mal. Junto disso, ela se apresenta como uma disposição pessoal no transformar de sonhos em realidade. Sonhos carregados de verdade: da nossa verdade mais profunda!

Que, partindo da Quaresma, possamos passar da estranheza à fraternidade, principalmente, pelo exercício da não violência. Tendo a missão evangelizadora como caminho, descobriremos que o nosso lar é um mundo sedento de Deus.  É no serviço que nos encontramos enquanto cristãos. Com o Pai estabelecemos uma devotada parceira, a ponto de vislumbrar que viemos para servir, especialmente aos mais abandonados. Eles podem estar aí do nosso lado, nesse exato momento, dividindo da mesma necessidade e precisando do mesmo pão. Boa Quaresma a todos!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás e Presidente-fundador da Afipe

 

Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus

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É tempo de esperança. Para os bons e maus. Acaso o nosso Deus, o Divino Pai Eterno, é um Deus que encontra prazer e gozo na morte do ímpio, do pecador? Naturalmente que não. Antes, deseja que todos se convertam dos maus caminhos, se voltem para Ele e vivam eternamente (cf Ez 18,23). É tempo de conversão de vida, de praticar a caridade, de exercitar a penitência e o jejum, de intensificar a oração, de preparar bem o coração para a vivência da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, o Tríduo Pascal, centro de todo o Ano Litúrgico da Igreja.

São quarentas dias que nos fazem recordar dos 40 anos de caminhada do povo hebreu pelo deserto rumo à Terra Prometida. É o tempo que Jesus passou no deserto superando todas as tentações de sua natureza humana antes de iniciar o plano de salvação de Deus a que foi enviado. O numeral 40 simboliza uma vida toda. Um tempo necessário para que conheçamos a Deus, nós mesmos, saber de onde viemos e para onde vamos.

O dicionário Aurélio da Língua Portuguesa define a palavra deserto como um lugar ermo, desabitado, despovoado e estéril. Já a Geografia define como uma região em que ocorre pouca quantidade de chuva, com baixíssima umidade e pouca vegetação. Lugar onde a vida torna-se complicada para seres humanos e outras espécies animais.

Para a Biologia o deserto se caracteriza por apresentar vegetação esparsa com um ciclo de vida muito curto, solo extremamente árido e pluviosidade baixa e irregular. Temperatura muito alta durante o dia e excessivamente baixa durante a noite. Em todas essas definições, o deserto se apresenta como o lugar da transição, do incerto, do duvidoso, do desafio, do contraste, da exigência, da superação e, por vezes, o lugar da morte fria, cruel e impiedosa.

Para o contexto bíblico, deserto é, ao mesmo tempo, o lugar da tentação e o lugar da esperança. Lugar da reflexão e do silêncio interior. Do confronto de si para consigo mesmo. Lugar apropriado para ouvir a voz de Deus. Também para ouvir a voz da própria consciência e os anseios do coração. O lugar da decisão sincera, autêntica, verdadeira, profunda. Da partida consciente, convicta. Do recomeço forte. E, finalmente, o início de uma nova vida e missão.

O Pai Eterno deu Sua vida por nós. O desejo dele é que o justo continue progredindo em seus caminhos e que o injusto se arrependa de seus pecados, se converta e tenha a vida eterna. A gratuidade de Deus para conosco nos coloca em uma condição privilegiada em relação a todas as outras criaturas, pois Ele mesmo nos chama de amigos: “Eu já não chamo vocês de empregados, pois o empregado não sabe o que faz o seu patrão; eu chamo vocês de amigos, porque comuniquei a vocês tudo o que ouvi de meu pai” (Jo 15, 15). Somente a um grande amigo dá-se tudo a conhecer de si mesmo, sem subterfúgios, máscaras e rodeios.

O Pai Eterno é um Deus bondoso, paciente e misericordioso. Bom porque distribui Seu amor em igual proporção para todos. Paciente porque nos chama, com um amor de Pai, quantas vezes forem necessárias até que ouçamos Sua voz a ressoar dentro de nós. Misericordioso porque a Sua misericórdia se estende de geração em geração sobre todos os que O temem. Ele nos faz grandes em Sua presença, pois assim como depositou em Jesus todo o Seu amor, Ele credita também em nós toda Sua esperança.

O Pai eterno é um Deus bondoso e misericordioso. Devido a tanto amor a nos oferecer, e justamente por isso, Ele sabe guardar e cultivar em Seu coração a dor que lhe causamos quando transgredimos Suas ordens e ensinamentos. Todos temos nossas misérias. Com certeza, muitos com situações bem piores que as nossas. E, com certeza, por ignorância ou rebeldia, muitos escondem essas misérias. Elas nos enfraquecem, nos mutilam, nos crucificam, mas o Pai de Jesus e nosso Pai é muito maior em Sua bondade e compaixão que o tamanho de nossas misérias.

Absurdamente incomparável.  Ter medo de Deus? Qual nada. Confiar e esperar, pois “a verdade é que Cristo foi crucificado em razão de sua fraqueza, mas Ele está vivo, pelo poder de Deus. Nós também somos fracos nele, mas com Ele viveremos, pelo poder de Deus para conosco” (2Cor 13,4).

“Voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns e gemidos; rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o senhor vosso Deus” (cf Jl 2,12-13). Este é o grande apelo que vamos ouvir do Pai Eterno durante toda esta Quaresma. É preciso “rasgar” mesmo o coração como fez o céu da Judeia logo após Jesus sair das águas do Rio Jordão para ouvir a voz de Deus a nos dizer: “Este é o meu Filho muito amado; nele depositei todo o meu agrado” (Mc 1,11). E, deixar que a Palavra abra o nosso coração, pois é nele que Deus quer morar.

Pe. Edinisio Pereira

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

 

 

 

Epifania do Senhor

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Quando nós finalizamos a oitava de Natal, celebramos a grande Festa da Epifania do Senhor. Em sua etimologia, é uma palavra que vem do grego Epiphaneia e do latim Epiphania. Segundo o dicionário Michaelis, quer dizer “festa litúrgica dos cristãos, que comemora a apresentação de Jesus Cristo à humanidade, representada pela visita dos reis magos no décimo segundo dia após o Natal manifestação”. E é exatamente esse o sentido para nós, cristãos católicos.

O Pai Eterno manifestou-se ao Seu povo, se fez presente em nossas vidas. A Festa da Epifania do Senhor vem nos lembrar que Ele cumpriu Suas promessas e realizou a Sua obra de salvação, plenificando-a e tornando realidade tudo aquilo que foi predito pelos profetas. Essa verdade se tornou visível, palpável, a partir do momento em que Deus veio ao nosso encontro e se revelou às nações.

O Senhor se manifestou de uma maneira extraordinária em nossas vidas, muitas vezes, de modos que nós não podemos entender. E a cada ano, durante a celebração de Natal, a Igreja Católica nos traz a cena do presépio. Jesus em uma manjedoura, na simplicidade e na humildade, onde Ele foi adorado por representantes de povos do oriente.

No presépio, estavam os reis e os pastores, além de José, Maria e ainda os animais daquele estábulo. Todos adoravam a Deus que ali se manifestou, se fez homem para vir ao mundo trazer o amor verdadeiro e a salvação. A solenidade da Epifania do Senhor representa isso, esse Deus que chega em nossas vidas, trazendo esperança de um mundo novo, de paz, amor e fraternidade. Mais que isso, Ele vem e se faz encontrar por todos os povos, todos os homens de bem que acreditam Nele e O acolhem em suas vidas e em seus corações.

Mas, não foi esse o primeiro local em que os reis buscaram pelo Menino Deus. (cf. Mt 2,13).  “Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém. Perguntaram eles: Onde está o Rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a Sua estrela no oriente e viemos adorá-Lo” (Mt 2,1-2). Nesse contexto do nascimento de Jesus, a Bíblia nos traz também a figura de Herodes, um homem perverso que acolhe os reis, com a má intenção de encontrar Jesus para matá-Lo.

E foi a Herodes que, inocentemente, os reis perguntaram pelo Senhor dizendo que queriam adorá-Lo. Contaram-lhe sobre a estrela, que deu a eles a certeza de que a profecia estava se cumprindo. Herodes se sentiu ameaçado e, de forma articulada, os recebeu bem e pediu que eles indicassem exatamente onde estava esse Rei para que ele próprio pudesse também adorá-Lo.

Herodes simboliza todo o mal deste mundo de trevas, um mundo egoísta, que nega a presença do Senhor e faz tudo o que for possível para ignorá-Lo e até mesmo destruí-Lo. Seu coração estava cheio de maldade e ambição, portanto, sua única preocupação era a de ser derrubado e perder o seu poder.

Porém, Jesus não é e nunca foi esse rei da visão humana. Seu reinado vai muito além da nossa forma racional de entender. Ele não veio com cetro, nem coroa, nem riqueza. Mas, sim, na simplicidade, na pobreza e total despojamento. Na própria Palavra de Deus vemos que nem mesmo aqueles que acreditavam no Senhor, tiveram um coração aberto para acolhê-Lo e permitir que Ele nascesse em um lugar especial e digno de toda Sua majestade.

Essa, no entanto, foi a vontade de Deus. O Altíssimo, o Patrono do universo, o Criador do Céu e da Terra, nos enviou Seu próprio Filho para nascer na simplicidade com o objetivo de nos mostrar que se nós queremos que o Senhor se manifeste em nossa vida, devemos ter humildade, bondade, caridade, misericórdia. Devemos acolher a Palavra do Senhor para que tenhamos nossas vidas transformadas e sejamos pessoas diferentes neste mundo.

Tudo isso para que, por meio de nós, no nosso testemunho de vida e de fé, Ele mostre a Sua glória, Sua força, Seu amor e Sua luz. Sejamos como os reis magos e os pastores que acreditaram e foram em busca de Jesus. É isso o que Ele quer, se manifestar em nossas vidas e nos trazer a alegria, o júbilo e a força para vencermos as trevas e termos condições de realizar a Sua obra.

Precisamos guardar a mensagem e o significado de sermos filhos amados de Deus. Ofereçamos a Ele aquilo que é o melhor de nós, reconhecendo a divindade Daquele que estava ali naquela manjedoura. Peçamos a Deus que tenhamos a capacidade e clareza de mente e espírito para reconhecer a Deus em nossos irmãos e para manifestar a Sua luz e glória na vida deles.

Não sejamos como Herodes, egoístas, para continuar vivendo na vaidade, como pagãos. Que aquilo que eu realizo em minha vida, como filho de Deus, seja de fato fruto daquilo que eu creio, professo e adoro: a glória de Deus, a beleza de Sua bondade e a força de Sua misericórdia. Tenhamos essa convicção para que cada atitude de nossa vida seja guiada pelo Mistério desta graça que nos envolve, nos arrebata e nos envia ao amor.

 

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás e Presidente-fundador da Afipe

“Meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador!” (Lc 1,47)

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Em Maria está a mais perfeita atuação do poder salvador de Cristo, ela assim o nomeia: “meu Salvador”. De fato, ela foi a primeira criatura a ser tomada plenamente pela obra da salvação que Deus, em seu desígnio de bondade, estabeleceu ante o pecado humano. Do mesmo desígnio divino de que brota a Encarnação do Filho, brota também a eleição de Maria como Mãe do Verbo encarnado. Ela está, desde então, associada ao mistério da salvação, não como mera participante, mas como ativa colaboradora.

É em virtude da vocação à maternidade divina que Maria foi revestida de toda sorte de graça. Ao proclamar a Imaculada Conceição de Maria, nós, cristãos, não estamos afirmando que a Virgem, por não ter pecado, não necessite da graça de Cristo, mas, ao contrário, afirmamos que o próprio Deus, ao criá-la “cheia de graça”, também a redimiu de modo perfeito, antecipando sobre ela o efeito da redenção, “pois para Deus nada é impossível”.

Assim, a Igreja professa solenemente aquilo que desde sempre foi matéria de fé e de culto litúrgico entre os cristãos: “Que a beatíssima Virgem Maria foi preservada imune de toda mancha da culpa original no primeiro instante de sua concepção por singular graça e privilégio de Deus Onipotente, em atenção aos méritos de Cristo Jesus Salvador do gênero humano” (Bulla Ineffabilis Deus).

A concepção imaculada da Virgem Maria explicita o poder e a misericórdia de Deus. Recorramos à Sagrada Escritura, ela nos faz contemplar esse mistério com maior propriedade: “Porei inimizade entre ti e a Mulher” (Gn 3,15). O termo inimizade aplicado entre o tentador e a Mulher, de cuja descendência virá o vencedor da serpente, implica uma total, absoluta e radical separação.

“Alegra-te, cheia de graça” (Lc 1,28). “Cheia de graça” quer dizer plena de uma única coisa: graça. Em Maria não há nada além de graça e a ela nenhuma graça falta; a graça da salvação já a encontrou e, por isso, mesmo antes que seu Filho se oferecesse na cruz pela salvação dos homens, ela pôde cantar: “Meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador”.

“Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre” (Lc 1,42). Com a mesma bendição com que Isabel louva o Senhor, ela o faz a Maria. A exaltação à Virgem procede da excelência do Filho. E como neste Filho não cabe, de nenhuma maneira, a maldição hereditária do pecado original, do mesmo modo acontece com Maria. Ambos estão guardados sob a mesma bênção, livres do poder do pecado. O Filho por ser o Santo dos Santos; a Mãe, em virtude do Filho.

No centro do livro do Apocalipse, no capítulo 12, se cumpre o que foi anunciado em Gênesis 3, quando narra o confronto do dragão, a antiga serpente, com a Mulher e sua descendência. À Mulher o dragão não pôde tocar, ou seja, nada que provenha do mal pode tocá-la. Uma interferência sobrenatural coloca a Mulher em um ‘lugar’ longe do alcance do dragão. Sabemos que este ‘lugar’ é a santidade plena de ‘onde’ satanás foi expulso. Maria está guardada em Deus desde o primeiro instante de sua existência: “O Senhor é contigo!” (Lc 1,28).

“Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo tua palavra!” (Lc 1,38). Em Maria, atua a obediência plena à vontade de Deus. E essa obediência só é possível pela graça de Cristo que venceu a desobediência de Adão. Está claro que a graça de Cristo atua em Maria por antecipação. Sua obediência revela que ela não está sujeita ao pecado e às suas consequências. Ela foi preservada do pecado para que a glória de Deus fosse plenamente estabelecida em Cristo Jesus.

A obediência de Maria é o primeiro sinal de que a obediência redentora de Cristo é eficaz e alcança o gênero humano: “De modo que, pela desobediência de um só homem, todos se tornaram pecadores, assim, pela obediência de um só, todos se tornarão justos” (Rm 5,19).

Esta justificação atua em Maria por antecipação, mas também está destinada a todos os que se fazem, em Cristo, obedientes ao Pai. E aqui reside o grande segredo da Imaculada. Um segredo divinamente revelado na Sagrada Escritura. Se alguém quer ser salvo, precisa seguir o “mandamento” de Maria: “Fazei tudo o que Ele vos disser!” (Jo 2,5). Esta é, na Bíblia, a única palavra de Maria dirigida aos homens.

Grande e maravilhoso é o mistério da Imaculada Conceição. Demos graças a Deus por tão grande dom que foi dado a Maria, mas que é aproveitado em favor de toda a humanidade. Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a vós!

Pe. Arthur da Silva Freitas

Mais exemplos, menos palavras

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Testemunhar a fé, na transparência e com honestidade, é uma das consequências diretas de quem busca viver a Palavra de Deus. Palavra que cura as feridas de nossa alma, não raras vezes provocadas pelo acúmulo de mágoas e ressentimentos. Palavra que enxerga a extensão e a profundidade dos machucados impostos pelos sofrimentos da vida. Palavra que transforma a dureza do coração humano em gestos simples de bondade, mansidão e ternura. Palavra que ilumina os nossos passos e direciona os nossos caminhos na estrada do bem (Cf. Sl 119,105). Palavra bendita que merece ser guardada na vida de cada um e colocada em prática com verdade e autenticidade (Cf. Sl 119,11).

Quem sabe, em uma visita por nossa casa, lá encontraremos as Sagradas Escrituras, logo ao lado da cabeceira de nossa cama. Eventualmente, também poderemos vê-las na estante da sala, junto de outros bonitos enfeites. Ao percorrermos as Comunidades que frequentamos, principalmente no mês da Bíblia, é possível achar muitas procissões, carregando as Escrituras por entre as mãos, de acordo com o respeito que lhe é devido. Como é significativo perceber o lugar especial que a Palavra de Deus ocupa em nossos arredores.

Mas, antes de contemplá-la externamente, é fundamental acolhê-la interiormente, por meio de atitudes sensatas, capazes de afirmar que essa Palavra é viva porque transforma a insensatez do coração humano, santificando vidas, outrora dominadas pelo pecado. Não basta à Escritura ser reconhecida por aquilo que ela é, de fato, enquanto Palavra de Deus. Mesmo que não a reconheçamos Ela continua sendo divina. Ainda assim, é preciso também vê-la atuando, a partir dos frutos que produz na caminhada de cada um de nós. Nossos comportamentos devem dar fé de que essa Palavra não é vã, pois faz sentido a nós.

A Palavra de Deus solicita a verdade daqueles que a reverenciam. Nesse sentido, acolhê-la em procissões honrosas é algo de muito bonito, ainda mais quando preparadas pela comunidade dos fiéis. Mesmo assim, é preciso venerá-la com a própria vida, no dia a dia, mediante comportamentos renovados que testemunhem a importância da esperança cristã. É fundamental, se quisermos testemunhar a fé, amar quem não merece ser amado, perdoar com a grandeza de coração, deixar de falar mal quando não se pode falar bem, romper com o ciclo vicioso e prejudicial da intriga; sendo mais pacientes e generosos com os demais. Tenhamos em conta a nossa responsabilidade diante das Escrituras: “Sejam praticantes da Palavra e não apenas meros ouvintes, iludindo a si mesmos” (Tiago 1,22).

Uma fé que se traduz na verdade. Eis o que nos pede a Palavra de Deus. Verdade essa que nos requer harmonia entre o dito e o praticado. Verdade essa que nos motiva a viver segundo a vontade do Pai Eterno, sem meios termos. Verdade essa que se verifica na fidelidade para conosco e para com os outros. Enfim, verdade que nos ensina a abandonar o caminho da mentira, deixando de lado a enganação e a ilusão. É Deus mesmo quem nos concede a promessa: “Se vocês guardarem a minha palavra, vocês de fato serão meus discípulos; conhecerão a verdade e a verdade libertará vocês” (João 8,32). Todo discipulado e toda devoção clama pela verdade. “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17,17).

Palavra vivida e transmitida de geração em geração. Só depois disso, escrita e confiada por herança. As Escrituras dão o testemunho legítimo de que Deus veio ao nosso encontro e não descansará até que a Palavra realize a sua missão. “Ela não volta para mim sem efeito, sem ter realizado o que eu quero e sem ter cumprido com sucesso a missão para a qual eu a mandei” (Is 55,11). O Deus bíblico nos visitou, não para se ajustar a nós, mas para que nos ajustemos a Ele, conforme a sua bondosa vontade. Um Pai que se aproxima, nos fala ao coração (Cf. Os 2,16) e pede sem cessar: evangelizem (Cf. Mc 16,15). Se me for possível inferir ao texto bíblico que seja então: ‘evangelizem mais com a vida e menos com as palavras’. Um abençoado mês da Bíblia a todos!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás

 

 

 

 

 

Ser Missionário, o distintivo do redentorista

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Nós, missionários redentoristas, filhos de Santo Afonso Maria de Ligório, desenvolvemos na Igreja um papel fundamental que nos diferencia dos outros grupos e ordens religiosas: “Continuar o exemplo de Jesus Cristo Salvador, pregando aos pobres a Palavra de Deus” (const. 1). A partir da profissão religiosa que emitimos na Congregação, assumimos o mandato de Jesus Cristo do anúncio da copiosa redenção de maneira livre e totalmente comprometida. Neste mês missionário, gostaria de lhes apresentar três características fundamentais da missão que desempenhamos em nossa atuação pastoral. A base do ser redentorista está ligada ao dinamismo missionário, o qual nos comprometemos a realizar.

Neste sentido, todo redentorista deve realizar a missão de Cristo Redentor. Chamados por Cristo para o anúncio do Evangelho, temos a obrigação de continuar a missão que o próprio Cristo começou. Participamos do mandato de Deus Pai e impulsionados pela força do Espírito, buscamos realizar uma ação pastoral nas diversas realidades que nos são confiadas em todo o mundo. O fundamento da atividade missionária é a vontade de Deus em “salvar todos os seres humanos e levá-los ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4).

Ser sinal e testemunho de Cristo: Vivemos em uma sociedade marcada pela desigualdade social, onde o consumismo e o materialismo imperam de modo a transgredir a pessoa humana em sua dignidade. Ser sinal é optar por não aceitar o que nos é imposto, é viver na contramão do mundo. O testemunho está ligado com a busca de uma vida de acordo com os princípios de nossa fé. Temos como exemplo os primeiros cristãos, os apóstolos, os santos, que ofereceram grande testemunho de fé e que hoje a Igreja os confirma no caminho que percorreram para a propagação e edificação da evangelização.

Realizar a missão unificadora de toda a vida: O mandato que recebemos é realizado ao longo de toda uma história. A profissão religiosa que emitimos nos compromete a uma vida reservada para o trabalho nos diversos campos missionários. Temos a obrigação de promover a unidade dos diversos carismas, congregando-os no corpo místico de Cristo, que é a Igreja. Nossos santos redentoristas, percorreram de modo confiante e seguro este projeto de escuta da Palavra e de vivência da caridade. A opção preferencial pelos pobres, que fazemos nos diversos trabalhos, dizem aquilo que nos foi ensinado pelo próprio Cristo: “Não são os que estão bem que precisam de médico, mas sim os doentes” (Mt 9,12).

O distintivo do redentorista é a missão. Porém, é preciso sempre ressaltar que na Igreja, todo cristão tem a obrigação, a partir do batismo de exercer o mandato missionário. Seja através do testemunho de vida, seja através da pregação ou outros meios eficazes de se trabalhar. Vivemos aqui na terra a esperança daquilo que acreditamos e buscamos a cada dia, estar mais próximos do céu. Nossa ação missionária não tem fim em si mesma, é a tentativa de realizar a semeadura, como o próprio Cristo nos relata na parábola do semeador (Mt 13,3). Os missionários devem perseverar no testemunho de Jesus Cristo com paciência, prudência, grande confiança, caridade e amor.

Ir. Michael Dourado Goulart, C.Ss.R

 

 

Alcançar o Céu deve ser mérito nosso

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Deus tem um desejo para todos nós: que sejamos santos, bons e agradáveis a Ele. Tudo isso para que a nossa vida corresponda ao Seu amor. E nós, que somos verdadeiros cristãos, desejamos, mais que tudo nesta vida, alcançar o Reino dos Céus. Muitas vezes, falamos que queremos ir para o Céu. Porém, as nossas atitudes não condizem com o que dizemos.

Não adianta apenas dizer da boca para fora, se eu não faço por merecer realmente alcançar essa graça. O próprio Jesus nos mostra que devemos nos esforçar, fazendo até mesmo sacrifícios, em prol daquilo que desejamos. A escolha por querer o Céu é pessoal e esse deve ser o bem maior que vai me alegrar a minha vida, e que vai me satisfazer.

Alcançar o Céu deve ser mérito nosso. Porém, muitas vezes, mesmo sem mérito, pedimos que o Senhor seja misericordioso para com a nossa pequenez e veja nosso esforço. Por isso, é importante que nós tenhamos valores em nosso coração.

De nada adianta ganhar o mundo inteiro, se eu perder a minha alma. Vemos muitas pessoas ricas, milionárias, que são infelizes. Por outro lado, existem outras que, com muito pouco, são mais felizes que muitos de nós. A felicidade é uma escolha. Dinheiro não traz felicidade. Pelo contrário, pode até trazer mais dor de cabeça, se você for uma pessoa gananciosa, avarenta, ávida.

Se nós escolhemos o caminho que nos leva ao Pai Eterno, a ganância não deve fazer parte do nosso dia a dia. Devemos fugir deste sentimento que tem o poder de afastar de Deus de nossas vidas, sendo um deus maligno, porque nos chama ao egoísmo, à cobiça. Nós sabemos que, se nos esforçarmos, Deus será misericordioso e nos dará aquilo que, até mesmo sem mérito algum, nós queremos alcançar.

A palavra de Deus fala de um pescador que lança a rede e puxa vários peixes. Daí, ele separa os peixes bons e o restante, aqueles que não são bons, joga fora. Se o Reino de Deus é o mais importante para nós, nós seremos os peixes bons que o pescador irá escolher. Seremos os peixes de melhor qualidade para o pescador, que é o Pai Eterno e, um dia, vai separar maus de bons. Ele que, um dia, vai nos julgar por aquilo que pudemos fazer e não fizemos, que tínhamos a obrigação de realizar e não realizamos.

Quando chegar este dia, Ele vai dizer (cf. Mt. 25,34) “Vinde, benditos de meu Pai, eu tenho um lugar preparado para vocês na morada eterna”. E, para os outros vai dizer (cf. Mt. 25,41): “Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos”. Se a sua vida não for uma vida de quem busca a Deus em primeiro lugar e se não houver esforço pela conversão, você será aquele peixe ruim e perderá as oportunidades que Deus nos concede.

Não podemos deixar o tempo passar, temos que refletir sobre o que estamos fazendo com a nossa vida. Devemos querer fazer tudo para Deus e com o olhar sempre voltado para o céu. Eu não devo ser bom porque tenho medo de não ir para o céu. Mas, sim, porque o Pai Eterno é o mais importante em minha vida e eu quero agradá-Lo, amá-Lo e fazer com que o Seu Reino Eterno prevaleça.

Peçamos a Deus que nos dê sabedoria. Reconheçamos a nossa pequenez diante de Sua infinita grandeza e deixemos que Ele tome conta do nosso coração, da nossa alma. Deus não desampara aqueles que são seus. Por isso, lute, meu irmão! Lute, minha irmã! Peça a Deus sabedoria e discernimento. Cure o seu coração, a sua alma, equilibre a sua vida. Seja uma pessoa honesta e correta sempre.

Faça o bem! E o Senhor vai ouvir a sua oração e ainda lhe dará aquilo que muito mais do que o que você pediu porque o Pai Eterno é bom e olha por Seus filhos, especialmente, àqueles que se voltam a Ele de coração aberto e sincero. Roguemos também à Mãe de nosso Senhor Jesus, para que ela nos ajude a ter a compreensão, o discernimento e a sabedoria daqueles que amam e temem a Deus. E que apesar das perseguições, calúnias, maldades e enganações, com sua doçura de Mãe do Céu, ela nunca permita que o nosso coração se endureça. Mas, que sejamos bons sempre e humildes para sermos, assim dignos das promessas de Cristo.

Pe. Robson de Oliveira

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás e Presidente-fundador da Afipe

Vocação: um chamado de Deus

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A iniciativa de toda e qualquer vocação para o bem vem do querer e do desejo de Deus. Essa iniciativa põe a pessoa humana em contínua comunhão de amor para com Ele. Foi o próprio Deus quem criou a cada um de nós. Por isso, não nos criou para a morte, mas para a vida. Portanto, cuidar da vida em todas as suas dimensões é nossa maior, primeira e principal missão neste mundo.

A raiz, a origem de nossa vocação vem do próprio Deus. Nenhum de nós pediu para nascer. Por amor, Ele livremente sonhou com cada um de nós. E, nos criou à sua imagem e semelhança: “Deus criou o homem e a mulher à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou” (Gn 1,27). Somos imagem de Deus porque fomos criados para o amor, para viver a caridade e “a bondade que é o amor de Deus em ação”. A vida é um dom de Deus. Como dom de amor gratuito que vem de Deus: a vida é uma bela poesia divina.

Deus é também um eterno vocacionado. Sua vocação é amar, criar e servir. Quando o invocamos em nossas necessidades, por amor a nós, Ele se torna servidor e criador ao mesmo tempo. Ou seja, Ele nos atende em todas as nossas necessidades nos fazendo novas criaturas, redimidas, curadas, salvas. Então, podemos entender a vocação como dom de Deus, é um serviço, um chamado. Uma proposta que Ele nos faz para uma missão. E a primeira de todas elas é sermos seus filhos e filhas adotivos no amor, através de seu Filho Jesus.

Ao descobrir qual missão Deus tem para nós é preciso dar uma resposta. Para responder ao chamado de Deus no seguimento a Jesus de Nazaré, o Cristo Ressuscitado, é preciso coragem. Quem se propõe a servir a Deus deve estar disponível, sem reservas e assumir as conseqüências advindas da opção feita.  Quando Deus chama, chama pra valer, pois “Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus.” (Lc 9,62).

Responder ao chamado que Deus faz a cada um de nós, exige ainda, de nossa parte um voto de confiança, amor e fé. É preciso confiar na proteção e na providência divina. Ter muito amor no coração. Amar uma causa e defendê-la com todas as forças. Até com a própria vida, se preciso for. Pois, só dá a vida por uma causa, quem acredita que ela pode favorecer um mundo melhor, mais justo, humano e fraterno.

O absurdo e a graça convivem na pessoa chamada. Por nossas próprias forças somos frágeis e limitados. Incapazes até para tomar grandes decisões. Somente à luz do Espírito Santo é que somos fortes o suficiente para dar uma resposta de fé ao chamado que Deus nos faz. “Muitos são chamados, mas poucos escolhidos” (Mt 22,14). Contudo, o homem e a mulher são chamados para crescer como pessoa humana em todas as dimensões da vida: consigo mesmo, com o outro, com o mundo e com Deus.

Ao nos criar livres, como homem e mulher, Deus espera de nós uma resposta nossa na mesma liberdade com a qual nos criou. Mas, podemos aceitar ou recusar o chamado que Ele nos faz. Por desconhecimento dela, dúvidas, medo ou insegurança. Os exemplos de Abraão, Sara, Moisés, Elias, José, Maria, Jesus, Madre Teresa de Calcutá, Santo Afonso, nossos pais, nos ajuda a superar as resistências, os medos e os fracassos de nossa vocação e missão.

O maior e mais belo exemplo de vocação livre, amorosa e humilde que o mundo já conheceu foi a de Jesus. Ele veio ao mundo com uma missão especial: tornar o amor misericordioso de Deus conhecido e amado por todos. E, salvar a humanidade inteira de sua condição de pecado e morte. Inicialmente escolheu doze para estar com ele. Depois, setenta e dois. E, outros mais para tornar concreto o Reino de Deus já aqui nesta terra.

Seguir a Cristo implica em renúncias e entrega de vida sem, contudo deixar de ser quem somos. Participar dos fatos e acontecimentos da vida nos faz perceber a realidade ao nosso redor. Por essa razão, quem se propõe a seguir Jesus de Nazaré, o Cristo Ressuscitado torna-se sensível às necessidades dos irmãos e irmãs. Sobretudo, dos pobres e abandonados, os preferidos de Deus e amados de Santo Afonso Maria de Ligório, fundador dos Missionários Redentoristas.

Podemos entender, então, que a primeira vocação do ser humano é existir, amar e ser feliz. Que a vocação é pessoal e intransferível. E, que ela é, antes de tudo, uma iniciativa amorosa de Deus para conosco. Isto significa dizer que vocação é uma convocação da Trindade Santíssima para a vida em comunhão e participação. É assumir a dignidade de filho de Deus no seguimento a Jesus de Nazaré como membro da Igreja, encarnando sua vida à Palavra e celebrando os mistérios de Cristo dando testemunho de vida e de fé!

Pe. Edinisio Pereira

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

 

 

Amar como Jesus amou

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A cada dia, percebemos mais e mais a grande necessidade que as pessoas têm de vivenciar o grande mandamento de Deus para nossas vidas: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Este é o maior de todos os mandamentos. É no amor que nós podemos perceber como está o “termômetro” de nossa fé. Em outras palavras, é no amor, que somos capazes de viver a intensidade da nossa comunhão com Deus. Quando estamos no caminho certo e na comunhão que realmente alimenta e sustenta a nossa vida, o Pai Eterno não nos abandona e se faz presente em todos os momentos.

Assim como todo pai, o Pai Eterno é amoroso, mas também é rígido. Ele nos ensina com carinho, mas também nos mostra que temos deveres que são seguir os Seus mandamentos. E é por meio de Jesus, que Ele nos dá o maior de todos os mandamentos, pois se você quer ser discípulo, você deve amar de uma maneira diferente do que o mundo ensina a amar.

O amor que Jesus nos oferece e nos ensina a viver é um amor desinteressado, amor que não guarda maldade, nem rancor, que não alimenta no coração desejos que não são saudáveis à alma. É um amor puro, baseado na fidelidade, na doação de si mesmo. É um amor que deseja sempre o bem do próximo, que me faz sair de mim mesmo para o outro.

Somente o verdadeiro amor me tira do meu egoísmo, da minha pequenez e me faz olhar o bem do meu irmão. Aquilo que é melhor para o outro, que me faz servi-lo, que me faz querer bem e me faz fazer tudo para que o outro esteja bem. Por isso que o amor é difícil, é um desafio para todos nós. É um desafio para a vida. São Pedro, nos Atos dos Apóstolos diz, de fato, Deus não faz distinção de pessoas. O Senhor ama a todos e quer bem a todos os que se voltam para ele.

Aqueles que creem Nele, aqueles que O buscam de coração sincero, se convertem para o bem e professam amor ao Senhor, Ele os retribui muito mais. Por isso, ame a sua família, os seus amigos, as pessoas à volta. Mas, principalmente, ame aqueles que me fizeram mal, ou que você nem mesmo conhece. Esse é o verdadeiro e grande desafio, amar aquele que não me ama.

Amar como Jesus amou, sem fazer distinção de cor, raça, nação ou classe social. Tenhamos todos, a graça de viver uma vida pautada no amor e na esperança de que o mundo pode ser um lugar melhor, onde reina a fraternidade e a paz. Só depende de cada um de nós. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás

Presidente-Fundador da Associação Filhos do Pai Eterno

 

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