Mais exemplos, menos palavras

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Testemunhar a fé, na transparência e com honestidade, é uma das consequências diretas de quem busca viver a Palavra de Deus. Palavra que cura as feridas de nossa alma, não raras vezes provocadas pelo acúmulo de mágoas e ressentimentos. Palavra que enxerga a extensão e a profundidade dos machucados impostos pelos sofrimentos da vida. Palavra que transforma a dureza do coração humano em gestos simples de bondade, mansidão e ternura. Palavra que ilumina os nossos passos e direciona os nossos caminhos na estrada do bem (Cf. Sl 119,105). Palavra bendita que merece ser guardada na vida de cada um e colocada em prática com verdade e autenticidade (Cf. Sl 119,11).

Quem sabe, em uma visita por nossa casa, lá encontraremos as Sagradas Escrituras, logo ao lado da cabeceira de nossa cama. Eventualmente, também poderemos vê-las na estante da sala, junto de outros bonitos enfeites. Ao percorrermos as Comunidades que frequentamos, principalmente no mês da Bíblia, é possível achar muitas procissões, carregando as Escrituras por entre as mãos, de acordo com o respeito que lhe é devido. Como é significativo perceber o lugar especial que a Palavra de Deus ocupa em nossos arredores.

Mas, antes de contemplá-la externamente, é fundamental acolhê-la interiormente, por meio de atitudes sensatas, capazes de afirmar que essa Palavra é viva porque transforma a insensatez do coração humano, santificando vidas, outrora dominadas pelo pecado. Não basta à Escritura ser reconhecida por aquilo que ela é, de fato, enquanto Palavra de Deus. Mesmo que não a reconheçamos Ela continua sendo divina. Ainda assim, é preciso também vê-la atuando, a partir dos frutos que produz na caminhada de cada um de nós. Nossos comportamentos devem dar fé de que essa Palavra não é vã, pois faz sentido a nós.

A Palavra de Deus solicita a verdade daqueles que a reverenciam. Nesse sentido, acolhê-la em procissões honrosas é algo de muito bonito, ainda mais quando preparadas pela comunidade dos fiéis. Mesmo assim, é preciso venerá-la com a própria vida, no dia a dia, mediante comportamentos renovados que testemunhem a importância da esperança cristã. É fundamental, se quisermos testemunhar a fé, amar quem não merece ser amado, perdoar com a grandeza de coração, deixar de falar mal quando não se pode falar bem, romper com o ciclo vicioso e prejudicial da intriga; sendo mais pacientes e generosos com os demais. Tenhamos em conta a nossa responsabilidade diante das Escrituras: “Sejam praticantes da Palavra e não apenas meros ouvintes, iludindo a si mesmos” (Tiago 1,22).

Uma fé que se traduz na verdade. Eis o que nos pede a Palavra de Deus. Verdade essa que nos requer harmonia entre o dito e o praticado. Verdade essa que nos motiva a viver segundo a vontade do Pai Eterno, sem meios termos. Verdade essa que se verifica na fidelidade para conosco e para com os outros. Enfim, verdade que nos ensina a abandonar o caminho da mentira, deixando de lado a enganação e a ilusão. É Deus mesmo quem nos concede a promessa: “Se vocês guardarem a minha palavra, vocês de fato serão meus discípulos; conhecerão a verdade e a verdade libertará vocês” (João 8,32). Todo discipulado e toda devoção clama pela verdade. “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17,17).

Palavra vivida e transmitida de geração em geração. Só depois disso, escrita e confiada por herança. As Escrituras dão o testemunho legítimo de que Deus veio ao nosso encontro e não descansará até que a Palavra realize a sua missão. “Ela não volta para mim sem efeito, sem ter realizado o que eu quero e sem ter cumprido com sucesso a missão para a qual eu a mandei” (Is 55,11). O Deus bíblico nos visitou, não para se ajustar a nós, mas para que nos ajustemos a Ele, conforme a sua bondosa vontade. Um Pai que se aproxima, nos fala ao coração (Cf. Os 2,16) e pede sem cessar: evangelizem (Cf. Mc 16,15). Se me for possível inferir ao texto bíblico que seja então: ‘evangelizem mais com a vida e menos com as palavras’. Um abençoado mês da Bíblia a todos!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás

 

 

 

 

 

Ser Missionário, o distintivo do redentorista

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Nós, missionários redentoristas, filhos de Santo Afonso Maria de Ligório, desenvolvemos na Igreja um papel fundamental que nos diferencia dos outros grupos e ordens religiosas: “Continuar o exemplo de Jesus Cristo Salvador, pregando aos pobres a Palavra de Deus” (const. 1). A partir da profissão religiosa que emitimos na Congregação, assumimos o mandato de Jesus Cristo do anúncio da copiosa redenção de maneira livre e totalmente comprometida. Neste mês missionário, gostaria de lhes apresentar três características fundamentais da missão que desempenhamos em nossa atuação pastoral. A base do ser redentorista está ligada ao dinamismo missionário, o qual nos comprometemos a realizar.

Neste sentido, todo redentorista deve realizar a missão de Cristo Redentor. Chamados por Cristo para o anúncio do Evangelho, temos a obrigação de continuar a missão que o próprio Cristo começou. Participamos do mandato de Deus Pai e impulsionados pela força do Espírito, buscamos realizar uma ação pastoral nas diversas realidades que nos são confiadas em todo o mundo. O fundamento da atividade missionária é a vontade de Deus em “salvar todos os seres humanos e levá-los ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4).

Ser sinal e testemunho de Cristo: Vivemos em uma sociedade marcada pela desigualdade social, onde o consumismo e o materialismo imperam de modo a transgredir a pessoa humana em sua dignidade. Ser sinal é optar por não aceitar o que nos é imposto, é viver na contramão do mundo. O testemunho está ligado com a busca de uma vida de acordo com os princípios de nossa fé. Temos como exemplo os primeiros cristãos, os apóstolos, os santos, que ofereceram grande testemunho de fé e que hoje a Igreja os confirma no caminho que percorreram para a propagação e edificação da evangelização.

Realizar a missão unificadora de toda a vida: O mandato que recebemos é realizado ao longo de toda uma história. A profissão religiosa que emitimos nos compromete a uma vida reservada para o trabalho nos diversos campos missionários. Temos a obrigação de promover a unidade dos diversos carismas, congregando-os no corpo místico de Cristo, que é a Igreja. Nossos santos redentoristas, percorreram de modo confiante e seguro este projeto de escuta da Palavra e de vivência da caridade. A opção preferencial pelos pobres, que fazemos nos diversos trabalhos, dizem aquilo que nos foi ensinado pelo próprio Cristo: “Não são os que estão bem que precisam de médico, mas sim os doentes” (Mt 9,12).

O distintivo do redentorista é a missão. Porém, é preciso sempre ressaltar que na Igreja, todo cristão tem a obrigação, a partir do batismo de exercer o mandato missionário. Seja através do testemunho de vida, seja através da pregação ou outros meios eficazes de se trabalhar. Vivemos aqui na terra a esperança daquilo que acreditamos e buscamos a cada dia, estar mais próximos do céu. Nossa ação missionária não tem fim em si mesma, é a tentativa de realizar a semeadura, como o próprio Cristo nos relata na parábola do semeador (Mt 13,3). Os missionários devem perseverar no testemunho de Jesus Cristo com paciência, prudência, grande confiança, caridade e amor.

Ir. Michael Dourado Goulart, C.Ss.R

 

 

Alcançar o Céu deve ser mérito nosso

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Deus tem um desejo para todos nós: que sejamos santos, bons e agradáveis a Ele. Tudo isso para que a nossa vida corresponda ao Seu amor. E nós, que somos verdadeiros cristãos, desejamos, mais que tudo nesta vida, alcançar o Reino dos Céus. Muitas vezes, falamos que queremos ir para o Céu. Porém, as nossas atitudes não condizem com o que dizemos.

Não adianta apenas dizer da boca para fora, se eu não faço por merecer realmente alcançar essa graça. O próprio Jesus nos mostra que devemos nos esforçar, fazendo até mesmo sacrifícios, em prol daquilo que desejamos. A escolha por querer o Céu é pessoal e esse deve ser o bem maior que vai me alegrar a minha vida, e que vai me satisfazer.

Alcançar o Céu deve ser mérito nosso. Porém, muitas vezes, mesmo sem mérito, pedimos que o Senhor seja misericordioso para com a nossa pequenez e veja nosso esforço. Por isso, é importante que nós tenhamos valores em nosso coração.

De nada adianta ganhar o mundo inteiro, se eu perder a minha alma. Vemos muitas pessoas ricas, milionárias, que são infelizes. Por outro lado, existem outras que, com muito pouco, são mais felizes que muitos de nós. A felicidade é uma escolha. Dinheiro não traz felicidade. Pelo contrário, pode até trazer mais dor de cabeça, se você for uma pessoa gananciosa, avarenta, ávida.

Se nós escolhemos o caminho que nos leva ao Pai Eterno, a ganância não deve fazer parte do nosso dia a dia. Devemos fugir deste sentimento que tem o poder de afastar de Deus de nossas vidas, sendo um deus maligno, porque nos chama ao egoísmo, à cobiça. Nós sabemos que, se nos esforçarmos, Deus será misericordioso e nos dará aquilo que, até mesmo sem mérito algum, nós queremos alcançar.

A palavra de Deus fala de um pescador que lança a rede e puxa vários peixes. Daí, ele separa os peixes bons e o restante, aqueles que não são bons, joga fora. Se o Reino de Deus é o mais importante para nós, nós seremos os peixes bons que o pescador irá escolher. Seremos os peixes de melhor qualidade para o pescador, que é o Pai Eterno e, um dia, vai separar maus de bons. Ele que, um dia, vai nos julgar por aquilo que pudemos fazer e não fizemos, que tínhamos a obrigação de realizar e não realizamos.

Quando chegar este dia, Ele vai dizer (cf. Mt. 25,34) “Vinde, benditos de meu Pai, eu tenho um lugar preparado para vocês na morada eterna”. E, para os outros vai dizer (cf. Mt. 25,41): “Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos”. Se a sua vida não for uma vida de quem busca a Deus em primeiro lugar e se não houver esforço pela conversão, você será aquele peixe ruim e perderá as oportunidades que Deus nos concede.

Não podemos deixar o tempo passar, temos que refletir sobre o que estamos fazendo com a nossa vida. Devemos querer fazer tudo para Deus e com o olhar sempre voltado para o céu. Eu não devo ser bom porque tenho medo de não ir para o céu. Mas, sim, porque o Pai Eterno é o mais importante em minha vida e eu quero agradá-Lo, amá-Lo e fazer com que o Seu Reino Eterno prevaleça.

Peçamos a Deus que nos dê sabedoria. Reconheçamos a nossa pequenez diante de Sua infinita grandeza e deixemos que Ele tome conta do nosso coração, da nossa alma. Deus não desampara aqueles que são seus. Por isso, lute, meu irmão! Lute, minha irmã! Peça a Deus sabedoria e discernimento. Cure o seu coração, a sua alma, equilibre a sua vida. Seja uma pessoa honesta e correta sempre.

Faça o bem! E o Senhor vai ouvir a sua oração e ainda lhe dará aquilo que muito mais do que o que você pediu porque o Pai Eterno é bom e olha por Seus filhos, especialmente, àqueles que se voltam a Ele de coração aberto e sincero. Roguemos também à Mãe de nosso Senhor Jesus, para que ela nos ajude a ter a compreensão, o discernimento e a sabedoria daqueles que amam e temem a Deus. E que apesar das perseguições, calúnias, maldades e enganações, com sua doçura de Mãe do Céu, ela nunca permita que o nosso coração se endureça. Mas, que sejamos bons sempre e humildes para sermos, assim dignos das promessas de Cristo.

Pe. Robson de Oliveira

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás e Presidente-fundador da Afipe

Vocação: um chamado de Deus

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A iniciativa de toda e qualquer vocação para o bem vem do querer e do desejo de Deus. Essa iniciativa põe a pessoa humana em contínua comunhão de amor para com Ele. Foi o próprio Deus quem criou a cada um de nós. Por isso, não nos criou para a morte, mas para a vida. Portanto, cuidar da vida em todas as suas dimensões é nossa maior, primeira e principal missão neste mundo.

A raiz, a origem de nossa vocação vem do próprio Deus. Nenhum de nós pediu para nascer. Por amor, Ele livremente sonhou com cada um de nós. E, nos criou à sua imagem e semelhança: “Deus criou o homem e a mulher à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou” (Gn 1,27). Somos imagem de Deus porque fomos criados para o amor, para viver a caridade e “a bondade que é o amor de Deus em ação”. A vida é um dom de Deus. Como dom de amor gratuito que vem de Deus: a vida é uma bela poesia divina.

Deus é também um eterno vocacionado. Sua vocação é amar, criar e servir. Quando o invocamos em nossas necessidades, por amor a nós, Ele se torna servidor e criador ao mesmo tempo. Ou seja, Ele nos atende em todas as nossas necessidades nos fazendo novas criaturas, redimidas, curadas, salvas. Então, podemos entender a vocação como dom de Deus, é um serviço, um chamado. Uma proposta que Ele nos faz para uma missão. E a primeira de todas elas é sermos seus filhos e filhas adotivos no amor, através de seu Filho Jesus.

Ao descobrir qual missão Deus tem para nós é preciso dar uma resposta. Para responder ao chamado de Deus no seguimento a Jesus de Nazaré, o Cristo Ressuscitado, é preciso coragem. Quem se propõe a servir a Deus deve estar disponível, sem reservas e assumir as conseqüências advindas da opção feita.  Quando Deus chama, chama pra valer, pois “Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus.” (Lc 9,62).

Responder ao chamado que Deus faz a cada um de nós, exige ainda, de nossa parte um voto de confiança, amor e fé. É preciso confiar na proteção e na providência divina. Ter muito amor no coração. Amar uma causa e defendê-la com todas as forças. Até com a própria vida, se preciso for. Pois, só dá a vida por uma causa, quem acredita que ela pode favorecer um mundo melhor, mais justo, humano e fraterno.

O absurdo e a graça convivem na pessoa chamada. Por nossas próprias forças somos frágeis e limitados. Incapazes até para tomar grandes decisões. Somente à luz do Espírito Santo é que somos fortes o suficiente para dar uma resposta de fé ao chamado que Deus nos faz. “Muitos são chamados, mas poucos escolhidos” (Mt 22,14). Contudo, o homem e a mulher são chamados para crescer como pessoa humana em todas as dimensões da vida: consigo mesmo, com o outro, com o mundo e com Deus.

Ao nos criar livres, como homem e mulher, Deus espera de nós uma resposta nossa na mesma liberdade com a qual nos criou. Mas, podemos aceitar ou recusar o chamado que Ele nos faz. Por desconhecimento dela, dúvidas, medo ou insegurança. Os exemplos de Abraão, Sara, Moisés, Elias, José, Maria, Jesus, Madre Teresa de Calcutá, Santo Afonso, nossos pais, nos ajuda a superar as resistências, os medos e os fracassos de nossa vocação e missão.

O maior e mais belo exemplo de vocação livre, amorosa e humilde que o mundo já conheceu foi a de Jesus. Ele veio ao mundo com uma missão especial: tornar o amor misericordioso de Deus conhecido e amado por todos. E, salvar a humanidade inteira de sua condição de pecado e morte. Inicialmente escolheu doze para estar com ele. Depois, setenta e dois. E, outros mais para tornar concreto o Reino de Deus já aqui nesta terra.

Seguir a Cristo implica em renúncias e entrega de vida sem, contudo deixar de ser quem somos. Participar dos fatos e acontecimentos da vida nos faz perceber a realidade ao nosso redor. Por essa razão, quem se propõe a seguir Jesus de Nazaré, o Cristo Ressuscitado torna-se sensível às necessidades dos irmãos e irmãs. Sobretudo, dos pobres e abandonados, os preferidos de Deus e amados de Santo Afonso Maria de Ligório, fundador dos Missionários Redentoristas.

Podemos entender, então, que a primeira vocação do ser humano é existir, amar e ser feliz. Que a vocação é pessoal e intransferível. E, que ela é, antes de tudo, uma iniciativa amorosa de Deus para conosco. Isto significa dizer que vocação é uma convocação da Trindade Santíssima para a vida em comunhão e participação. É assumir a dignidade de filho de Deus no seguimento a Jesus de Nazaré como membro da Igreja, encarnando sua vida à Palavra e celebrando os mistérios de Cristo dando testemunho de vida e de fé!

Pe. Edinisio Pereira

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

 

 

Amar como Jesus amou

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A cada dia, percebemos mais e mais a grande necessidade que as pessoas têm de vivenciar o grande mandamento de Deus para nossas vidas: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Este é o maior de todos os mandamentos. É no amor que nós podemos perceber como está o “termômetro” de nossa fé. Em outras palavras, é no amor, que somos capazes de viver a intensidade da nossa comunhão com Deus. Quando estamos no caminho certo e na comunhão que realmente alimenta e sustenta a nossa vida, o Pai Eterno não nos abandona e se faz presente em todos os momentos.

Assim como todo pai, o Pai Eterno é amoroso, mas também é rígido. Ele nos ensina com carinho, mas também nos mostra que temos deveres que são seguir os Seus mandamentos. E é por meio de Jesus, que Ele nos dá o maior de todos os mandamentos, pois se você quer ser discípulo, você deve amar de uma maneira diferente do que o mundo ensina a amar.

O amor que Jesus nos oferece e nos ensina a viver é um amor desinteressado, amor que não guarda maldade, nem rancor, que não alimenta no coração desejos que não são saudáveis à alma. É um amor puro, baseado na fidelidade, na doação de si mesmo. É um amor que deseja sempre o bem do próximo, que me faz sair de mim mesmo para o outro.

Somente o verdadeiro amor me tira do meu egoísmo, da minha pequenez e me faz olhar o bem do meu irmão. Aquilo que é melhor para o outro, que me faz servi-lo, que me faz querer bem e me faz fazer tudo para que o outro esteja bem. Por isso que o amor é difícil, é um desafio para todos nós. É um desafio para a vida. São Pedro, nos Atos dos Apóstolos diz, de fato, Deus não faz distinção de pessoas. O Senhor ama a todos e quer bem a todos os que se voltam para ele.

Aqueles que creem Nele, aqueles que O buscam de coração sincero, se convertem para o bem e professam amor ao Senhor, Ele os retribui muito mais. Por isso, ame a sua família, os seus amigos, as pessoas à volta. Mas, principalmente, ame aqueles que me fizeram mal, ou que você nem mesmo conhece. Esse é o verdadeiro e grande desafio, amar aquele que não me ama.

Amar como Jesus amou, sem fazer distinção de cor, raça, nação ou classe social. Tenhamos todos, a graça de viver uma vida pautada no amor e na esperança de que o mundo pode ser um lugar melhor, onde reina a fraternidade e a paz. Só depende de cada um de nós. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás

Presidente-Fundador da Associação Filhos do Pai Eterno

 

É bom ter família, família em Deus

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Ao observar a realidade diante de nós, percebemos que estamos vivendo um tempo de graves crises e dificuldades dentro de contexto histórico marcado pela desconfiança nas instituições, de insegurança diante da violência, de fragilidade em face  dos grandes problemas sociais e econômicos.

Não me lembro de outro tempo em que tenha sido tão necessário, neste “deserto” que atravessamos, encontrar um “oásis”, um lugar onde possamos descansar, nos alimentar e nos refazer para não desistirmos de nossa caminhada e não perdermos a esperança.

Cada vez mais percebo a família como essa possibilidade. Não uma família que seja um mero ajuntamento de pessoas ligadas por interesses afetivos, financeiros ou mesmo por carências. Mas uma família edificada e vivida a partir do Projeto de Deus revelado de diversos modos na Escritura e, sobretudo, na palavra de Jesus. Ele mostrou que o matrimônio não é apenas um ato humano, marcado pelo desejo e pelas necessidades inerentes ao ser humano. O matrimônio é chamado a se descobrir como um ato sacramental, marcado pelo desejo de viver o projeto de Deus e ser, por Ele, abençoado, iluminado e conduzido.

A família, cada vez mais, tem se apresentado como a realidade mais necessária tanto para a vida da pessoa, como também para a vida da sociedade. Não a família apresentada meramente sob uma ótica sociológica ou ideológica, mas a família percebida como uma proposta que ultrapassa qualquer compreensão baseada em sistemas que buscam apossar-se da vida da pessoa por meio de suas ideologias, ou em projetos particulares de certos grupos.

Existe uma música, que conheço pelo título “É bom ter família”, que tem o seguinte refrão: “Como é bom ter a minha família, como é bom!/ Vale a pena vender tudo o mais para poder comprar/ esse campo que esconde um tesouro, que é puro dom./ É meu ouro, meu céu, minha paz, minha vida, meu lar!” De fato, precisamos desse ambiente, tanto da família biológica/afetiva, como da família espiritual/afetiva (Comunidade), este é o verdadeiro tesouro que nos sustenta e ampara.

Porém, é preciso nos esforçarmos para conhecer a proposta do Evangelho do Matrimônio e do Evangelho da Família; perceber os meios de realizar essa proposta tanto na Igreja (através da evangelização), como na sociedade (através de políticas públicas); e buscar os meios de defendê-la (nos organizando, nos posicionando e agindo) em meio aos desafios e mesmo às ameaças que a família enfrenta, vindas das fragilidades humanas, como também das investidas de grupos e propostas contrários ao projeto de Deus.

A Pastoral Familiar é a resposta da Igreja para ajudar as famílias e cada pessoa, na sua realidade própria, a conhecer, acolher e viver o Evangelho do Matrimônio e da Família. Se queremos um futuro, precisamos cuidar da família; e se queremos famílias que realizem a vontade de Deus e transformem a realidade, precisamos acolher e incentivar as atividades da Pastoral Familiar. Afinal, como lembrava São João Paulo II “Acreditar na família é construir o futuro!”.

Dom Moacir Silva Arantes

Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Goiânia

 

Um minuto pela paz

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No dia 8 de junho, foi realizado em vários países o “Um minuto pela paz”, que recorda o terceiro aniversário do encontro entre o Papa Francisco, o patriarca Bartolomeu e os presidentes da Palestina, Abu Mazen, e de Israel, Shimon.  O momento histórico aconteceu em 2014 no Vaticano e marcou um encontro de oração pela paz entre cristãos, judeu e muçulmanos. O próprio Santo Padre convida todo o mundo a se unir neste pequeno momento de oração, pois existe uma grande necessidade de rezamos pela paz.

Ao homem – e nesse sentido refiro-me à raça humana, sendo homem ou mulher – o Pai Eterno concedeu o dom da inteligência, que pode ser utilizada tanto para o bem, quanto para o mal. A cada dia que passa nos surpreendemos com tantas coisas que vêm acontecendo e que podem desencadear para algo muito maior e mais sofrido, como uma guerra mundial.

Longe do Brasil, vemos pela mídia uma grande violência, que ataca povos e nações por meio de atentados, ataques terroristas. Já aqui, em nossa própria casa, nosso próprio país. É muito forte o sentimento de insegurança das pessoas quando saem às ruas. Muitos são aqueles que se aproveitam da vulnerabilidade alheia e acabam roubando, ferindo e até mesmo matando. Sem contar ainda a violência que conseguimos perceber ao avaliar o quadro político do nosso país. Muitos políticos encaram o poder, que foi dado a eles pela própria sociedade, como um passaporte para a fonte do benefício próprio.

As pessoas perderam a noção do amor. Não se preocupam mais com o outro, nem mesmo consigo mesmas. Vivem a cultura da violência física e também da violência moral.

Nós, que somos cristãos, devemos lutar pelo amor. Só ele pode transformar os corações e dar sentido à existência humana. É preciso que compreendamos o verdadeiro sentido do outro em nossas vidas para que nos tornemos mais sensíveis e humanizados. Só seremos capazes de chegar a Deus servindo ao nosso irmão.

Precisamos nos colocar no lugar do outro para que sejamos capazes de entender as suas necessidades. Somente assim, será possível encontra o caminho que leva ao amor verdadeiro que vem do Divino Pai Eterno.

A Romaria de Trindade é uma forma de encontramos o caminho que leva ao amor verdadeiro que vem do Divino Pai Eterno. Durante os dez dias de festividades, milhares de romeiros vêm a Trindade como forma de manifestar sua fé. São diversas as formas de orações, pedidos, louvores e agradecimentos. Uma oportunidade fundamental para reunir, com muita emoção, irmãos de vários lugares que, com o mesmo intuito, visitam a Casa do Pai para proclamar e reavivar a sua fé.

Aproveitemos esta oportunidade para encontrar dentro de nós mesmos a paz que buscamos no mundo. Esta pode ser uma verdadeira experiência de encontro e total entrega ao Pai, tendo como exemplo a Virgem Maria, que este ano é homenageada e nos ensina a dizer ‘sim’ para a vontade de Deus em nossa vida. Ela, que é a serva humilde e fiel ao Pai Eterno nos dá a certeza de que Ele nos ama e nos recebe de braços abertos.

Vamos fazer com que esse amor se prolifere. Amemos a Deus e também aos nossos semelhantes. Que em todos os ambientes onde estivermos nós possamos nos tornar fonte de paz e canal da graça que o Pai Eterno quer derramar na vida de nossos irmãos. E que juntos possamos fazer uma corrente de oração para fortalecer a nossa fé e pedir pelos irmãos que tanto sofrem por conta de toda a maldade existente no mundo.

Não percamos a fé em Deus e não percamos a fé também na humanidade. Aceitemos o chamado que nos faz o Santo Papa para rezar pela paz, não somente por um minuto, mas sempre. Lutemos pela paz, confiando na bondade e misericórdia do Pai Eterno e aceitando a única condição que Ele nos impõe, que é espalhar pelo mundo o amor misericordioso e incondicional que Ele mesmo oferece a cada um de nós.

Deus nos abençoe!

Pe. Robson de Oliveira

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás e

Presidente-fundador da Afipe

Maria: Serva humilde e fiel ao Pai Eterno

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Estamos em Festa! É a cidade de Trindade, o nosso querido Estado de Goiás e todo o Brasil com o olhar voltado para as maravilhas que o Pai Eterno realiza na humanidade através do “Sim” de Maria. É tempo de graça e salvação. É o coração do Brasil e o coração do povo brasileiro unido fortemente ao Coração de Deus, nosso Pai. Maria: serva humilde e fiel ao Pai Eterno, é o tema central da Romaria 2017,um tema que está em sintonia com a Igreja no Brasil que celebra o Ano Mariano e os 300 anos do achado da imagem de Aparecida, em Aparecida do Norte (SP). E em comunhão com toda a Igreja que celebra os 100 anos das aparições de Fátima, em Portugal.

Durante nove dias de Novena e Festa, vamos contemplar no Santuário Matriz e no Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, através da imagem da Santíssima Trindade, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo coroando Nossa Senhora. E, refletir cada passo dado por Deus através de Maria – que é o símbolo maior de cada pessoa que recebe um dom, um chamado e uma missão especial – para colaborar com Deus na obra da redenção da humanidade. Na contemplação da imagem, a nossa fé nos leva ao Mistério da Igreja, nascida do coração do Pai, que envia Seu Filho e o Espírito Santo, para em Maria iniciar a obra salvadora e redentora.

É o “mistério da Santíssima Trindade, o mistério central da fé e da vida cristã” (CIC nº. 234). Mistério de fé, pois “nela, Deus se revela, mas permanece mistério inefável” como nos diz Santo Agostinho. Podemos nos perguntar, então: o que a Trindade tem a ver com nossa vida? Nós estamos intimamente unidos à Trindade Santa, por intermédio de Maria, nossa Mãe Santíssima, Mãe de Deus e Mãe da Igreja. Nela está representada, a pessoa humana e ao mesmo tempo a Igreja que tem no mundo a missão de continuar anunciando Jesus Redentor a todos os povos e nações. E, um dia a vivermos eternamente no coração de Deus.

O Concílio Vaticano II, na Constituição Lumem Gentium, mostra o “mistério da Igreja como comunidade visível e temporal, reveladora do invisível e do eterno: Maria, Mãe de Cristo e da Igreja”. Na imagem, contemplamos a coroação de Nossa Senhora. É a expressão de que Ela é associada, pela Maternidade Divina, ao Mistério da Trindade. De Maria, nasce o Filho de Deus. Mãe de Jesus Cristo, participa Maria de todo o Mistério da Encarnação do Verbo e, na escuta e na meditação da Palavra de Deus, participa do surgimento do Povo de Deus a partir da própria Palavra divina: “Minha mãe e meus irmãos são os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”.

Como chave de leitura e pista para reflexão, meditação e exposição do tema deste ano, focamos no chamado que o Pai Eterno fez à Maria para ser corredentora dele no processo de salvação da humanidade. E, como Maria correspondeu a esse chamado dando-nos o exemplo de disposição livre, consciente e obediente à vontade do Pai Eterno em sua vida, que “pela sua fé e obediência, gerou na terra o próprio Filho de Deus Pai, sem ter conhecido varão, por obra e graça do Espírito Santo” (LG 63).

Antes de ser serva humilde e fiel, Maria é antes de tudo filha de Deus. Condição que a coloca em unidade perfeita de amor para com seu Filho Jesus que se fez o servo, humilde e sofredor de Isaías (cf. Is 52). Foi pensado com muito carinho, cuidado e atenção uma vez que a Romaria é dedicada ao Pai Eterno. Por isso, o destaque principal e dado à Ele do qual tudo procede, donde tudo vêm, passa por Ele e volta-se para Ele (Rm 11,36). Deus é o único Senhor (Dt 6,4). E, se não for único, diz Tertuliano, “não é Deus”.

Na Bíblia, o ser humano é o centro das atenções de Deus. Nós ocupamos, não por méritos nossos, mas por pura graça divina, um lugar especial no seio da Santíssima Trindade. Quando Deus nos chama, Ele chama porque vê em nós alguma valia. Ainda, que feitos do pó e do barro da terra, ele conta conosco para sermos colaboradores Seus na obra da redenção da humanidade. Para que Sua colheita seja farta, Ele sabe exatamente em qual tipo de solo pode semear suas sementes de forma que elas produzam frutos na proporção de cem, sessenta e trinta por um (Mt 13, 1-9).

Ao olhar para o primado de Deus que convida Maria para ser a Mãe do Salvador, vemos Nela  a representação de toda a Humanidade e também da Igreja de Cristo onde vivemos e celebramos nossa fé no Ressuscitado. E, tomamos consciência de que somos humanos, frágeis, pecadores, limitados, porém, convocados à santidade e convidados a participar no céu da comunhão sem limite e sem fim que o próprio Pai Eterno nos preparou.

Pe. Edinisio Pereira

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

 

“Eis aqui a serva do Senhor”

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Em toda a história cristã existem vários exemplos de fé e oração a serem seguidos por nós, cristãos e filhos amados do Divino Pai Eterno. Podemos dizer que Maria foi o maior deles, pois ela foi uma mulher de muita fé. Essa é uma das principais características que devemos guardar de Nossa Senhora, que foi uma mulher que viveu toda sua vida incentivada pela sua fé.

Pela fé, Maria se dispôs a servir a Deus. Com seu coração bondoso e humilde, mesmo antes de receber o anúncio de que seria a Mãe de Deus, ela já sabia que era especial, que era filha amada do Pai Eterno e que Ele tinha um plano para a sua vida. E quando esse plano veio, foi muito além de suas expectativas comuns, assim como acontece muitas vezes em nossas vidas.

O que tornou aquela jovem moça de Nazaré grandiosa foi dizer “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a Tua palavra” (Lc 1,38). A partir daquele momento, em toda a sua vida, ela viveu momentos de tensão, angústias e sofrimentos causados pelo peso da responsabilidade que ela havia assumido ao dar o seu “sim”. Mas, no meio de todos os sofrimentos e angústias que ela viveu, também houve muitas alegrias e a certeza de que o Senhor estava com ela e honraria a sua obediência.

Apesar das dores e tristezas pelas quais Nossa Senhora passou ao ver tudo o que seu Filho Jesus passou, ao se entregar, morrer na Cruz e ser sepultado; ela rezou e confiou nas promessas de Deus. Por isso, seu coração ficou vibrante de alegria, quando soube da notícia da ressurreição de Cristo. E, por toda sua fé e seu exemplo de Mãe e de serva do Senhor, ela viu toda sua vida ser coroada com a dignidade de ser proclamada Rainha dos filhos amados do Divino Pai Eterno.

Em nossa Mãezinha do Céu reside a dor, mas também o júbilo e o louvor, porque ela era uma mulher de esperança e ela nos ensina que nós também, em nossas dores, nunca devemos perder a esperança. Se passamos pelos problemas da vida sem fé no coração, tudo o que nós vivenciamos é vão. Não nos leva a nada. Não nos ensina nada, nem nos faz crescer.

Hoje, podemos contar com a intercessão de Maria para nossas vidas, nossas famílias, nosso trabalho. Ela não é maior que Deus, nem quer ser. O desejo de Maria é apenas que todos nós possamos entender que Jesus deve ser o Senhor de nossas vidas e de nossas histórias. E que, compreendendo essa verdade, possamos nos abrir ao amor Dele e deixar que Ele nos guie pelo caminho que nos leva ao Reino dos Céus.

E é pela força de nossa oração que conseguiremos estar em comunhão com Deus. O poder da nossa oração é o que age em nossa vida. A oração é uma maneira importante de nos ajudar em nossa comunicação com Deus. É o que nos ensina a ouvir o Senhor, a escutar a voz do Divino Pai Eterno que quer se comunicar com cada um de nós. O próprio Jesus orava, falava com o Pai Eterno, tinha uma intimidade muito grande com Deus. “Naqueles dias, Jesus retirou-se a uma montanha para rezar, e passou aí toda a noite orando a Deus” (Lc 6,12).

Assim como falou com Maria e com Seu Filho, o Pai quer falar com você. Ele quer que você o ouça, que abra o seu coração e abra também as possibilidades para que o Seu amor entre na sua vida e transborde dentro de você. O Senhor quer fazer de você uma pessoa diferente deste mundo, diferente das pessoas que não acolhem Sua Palavra e Seus ensinamentos. Diferente daqueles que não oram, que não buscam a Ele com alegria e com o desejo profundo de uma comunhão eterna.

Todos nós, que somos filhos amados do Pai Eterno, somos convidados a realizar boas obras e a estar em comunhão com Deus. E a seguir o exemplo de Nossa Senhora que se fez serva do Senhor, por meio da sua fé e oração. E é por meio da oração que somos capazes de estar em sintonia com Maria, com Jesus e com o próprio Deus. Essa comunhão é o que muda nossa mentalidade, nosso jeito de ser, nossas atitudes, nosso modo de julgar, de entender e nos reportar às pessoas. Comunhão que nos faz reconhecer quem somos realmente e a entender qual é a missão que Deus tem para nós, neste mundo.

Quando observamos a nossa vida, somos capazes de perceber nossa pequenez e nossa miséria humana e a grandeza do amor de Deus que, mesmo em nossas dores, fraquezas e dificuldades, abraça a nossa vida. Confiemos a nossa vida nas mãos do Senhor, por intercessão da Virgem Santíssima e reconheçamos que nada somos sem a presença de Deus em nossas vidas.

 

Pe. Robson de Oliveira

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás

“Acreditam na vida antes da morte?”

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Muito desconcertante a pergunta, não? José Tolentino Mendonça (presbítero, poeta e teólogo), em seu livro: “Nenhum caminho será longo – para uma teologia da amizade”, relata ter sentido “um baque” ao vê-la “grafitada num muro”. Ao ler tal pergunta, confesso não ter entendido muita coisa também. Instigado, quis aprofundar em sua compreensão uma vez que o autor pouco discorre sobre ela. Terá sido escrita por algum ateu cujo objetivo principal era opor-se ao cristianismo que acredita na Ressurreição e na Vida Eterna, ou afirmar que existe vida somente neste mundo?

Depois de muito refletir sobre o assunto, aplicando à pergunta um sentido cristão, cheguei à conclusão de que é tão bom quanto necessário crer na vida antes de morte. Com o objetivo de ouvir outras opiniões, fiz a mesma pergunta a várias pessoas. Algumas ficaram surpresas. Outras, em silêncio. Apenas o Seu. Vivaldino de Souza Canêdo, num sorriso largo, quase que sem pensar disse-me: “Claro que sim. Senão eu não plantava, eu não criava o meu gado, eu não tinha construído uma família”. E, finaliza: “É muito bom acreditar na vida após a morte, mas eu tenho que acreditar na vida também enquanto estou vivo senão eu não faço nada e fico parado só aguardando o meu dia de morrer”. Verdade, pois “quem não quer trabalhar, não coma” (2Ts 3,10a).

Nossa fé nos leva a crer que a vida é um grande dom recebido de Deus através do qual tudo foi criado por iniciativa d’Ele e tudo converge-se para Ele na pessoa de seu Filho Jesus com quem precisamos urgentemente aprender a viver. Pagola acentua que “a vida de um cristão começa a mudar no dia em que descobre que Jesus é alguém que pode ensiná-lo a viver”. Sendo assim, desde o primeiro milagre nas Bodas de Caná (Jo 2,1-11), à ressurreição de Lázaro (Jo 11,1-45) e sua entrega no alto da Cruz (Mt 27, 45-55), Jesus nos mostra claramente que tudo fez para devolver a vida à pessoa humana ferida em sua condição frágil, limitada e pecadora.

Deus criou a vida antes da morte. Ela, a morte, só entrou no mundo após a desobediência (o pecado) de Adão e Eva. E, quando tudo parecia perdido, enviou Seu Filho Jesus ao mundo para dar vida nova a quem estava morto, pois “assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá a vida, o Filho do Homem também dá a vida a quem Ele quer dar” (Jo 5,21). A mãe que espera o nascimento do seu filhinho, o semeador que sai pelos campos a semear, a professora a ensinar, o pai a amar, instruir e educar, o médico a tratar o paciente, o pregador a espalhar a Boa Notícia de Jesus… São apenas alguns exemplos de pessoas que acreditam na vida antes de morte.

O Pai Eterno não se cansa de nos chamar à construção de um mundo novo pautado nas coisas simples, puras, verdadeiras e despojadas de quaisquer interesses que não sejam os de sua própria vontade. Para realizar essa vontade de Deus em nossa vida é preciso crer e aprender a amar na liberdade que Cristo nos propõe, à qual é antes de tudo, a libertação da cegueira espiritual. Desde já possuímos a vida eterna. No entanto, não haverá vida futura caso ela não seja bem construída no tempo presente como consequência das boas ações solidárias que realizamos em favor dos irmãos e irmãs menos favorecidos através dos carismas, talentos e dons recebidos de Deus (Mt 25, 14-30).

O amor é a base de tudo. Ele nos faz livres e felizes. Quem acredita na vida faz as coisas acontecerem. Água de chuva que cai do céu e escorre veloz sobre a calçada não pode molhar a terra. Vida que não se permite renascer a todo o momento permanece apenas em seu estado potencial de vida sem nunca vir a ser. Jesus veio ao mundo para reconduzir de volta ao aconchego paterno àqueles que perderam o sentido de viver e estando no mundo vivem como se não vivessem: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10a).

A condição básica, então, para alcançar a Vida Eterna (a Páscoa e Ressurreição de Jesus) antes mesmo de morrer? Mendonça diz que, “alarga infinitamente acreditar que há vida depois da morte. Porém, se eu, por algum motivo, desistir de confiar que existe vida (isto é, possibilidade de vida verdadeira) antes da minha morte, tudo fica estranho, escuro e perdido”. O caminho é aprender a viver com “Jesus, o Mestre do gratuito”. Segundo ele, o “ato gratuito” que Jesus nos ensina com sua morte de Cruz “é um gesto que nos salva e subtrai-nos à ditadura das finalidades que acabam por desviar-nos de um viver autêntico e nos faz mergulhar no Ser que nos dá acesso à polifonia da vida, na sua variedade, nos seus contrastes, na sua realidade densa, na sua inteireza”!

Pe. Edinisio Pereira 

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

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