Dia: 26 de novembro de 2007

Quanto vale uma pessoa?

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Vivemos num mundo de consumo e mercadorias. Os bens de produção são manufaturados exageradamente, a saúde passa a ser negociada, a educação deixa de ser dever do Estado, a moradia é fantasiada pela opressão, e, por conseguinte, o trabalho passa a ter valor desonesto e resultado injusto. A situação fica ainda mais agressiva à medida que a própria pessoa torna-se produto cotado, lucrado e vendido pelo sistema neoliberal. Uns podem custar R$ 5 por dia; outros, R$ 380 por mês. Eis que se estabelece diante de nós a massa desumana daqueles que valem aquilo que o trabalho produz. São os chamados “filhos da pobreza”: fruto de miséria imerecida ocasionada pela desigualdade social.

Hoje o Brasil tem crescimento de 2,3% no Produto Interno Bruto (PIB), o que elevou para 130 mil o número de milionários que detêm o poder financeiro da nação. Segundo pesquisa da Fecomércio de São Paulo, feita a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a despesa total de algumas famílias do País é igual ou superior à despesa de toda a Região Norte, incluindo o Estado de Alagoas. São mais de 91 milhões mensais gastos com jóias, brinquedos e jogos, enquanto número espantoso de analfabetos e de subalimentados em termos quantitativos e qualitativos é privado do mínimo de dignidade humana e responsabilidade moral.

O clamor dos pobres precisa romper os tímpanos dos poderosos. Todos têm direito ao desenvolvimento econômico e político. Ninguém pode ser excluído do justo progresso social. Os emudecidos pela miséria não podem continuar sendo vítimas do sistema, uma vez que possuem a missão de agir como protagonistas da história. Sem ideologias, temos que combater todas as formas de realidades que desumanizam o valor incomensurável dos filhos de Deus! Esta importância Divina é totalmente distinta das cifras e lucros selvagens que violam a vida dos sofredores e lesam sua existência.

No coração dos excluídos há o sonho de ser liberto da pobreza, de possuir emprego que o valorize como pessoa e não como mercadoria, de trabalhar em condições dignas e de desenvolver-se social e intelectualmente. Não podemos falar só de desenvolvimento econômico, mas, sobretudo, de desenvolvimento integral, capaz de abranger todas as dimensões do humano, a saber: alma, corpo, mente e espírito. No entanto, são muitas as situações que coisificam a pessoa, fazendo com que ela se torne alienada e comerciável. O trabalho infantil e o comércio de prostitutas para o estrangeiro, ao lado do desemprego cruel e da exploração dos idosos, revelam a situação escandalosa em que a pessoa humana deixa de ser o princípio, o centro e o fim das instituições sociais (Cf. Const. Gaudim et Spes, nº. 25).

Para tal, não faltam os fatalistas pós-modernos que almejam justificar por meio de estatísticas e até mesmo biblicamente a diferença gritante entre ricos e pobres. A riqueza passa a ser interpretada como fruto da bênção prosperante de Deus. Assim sendo, não ter o que comer, onde morar ou o que vestir é sinal da maldição divina. Mas o que fizeram tantos pobres para merecerem tamanha maldição? Que tipo de pecado realizaram as criancinhas para serem torturadas e massacradas pela fome? Que expiação é essa, meu Deus, capaz de tirar o valor da pessoa humana, a ponto de transformá-la em um tipo de empecilho ao desenvolvimento dos ricos?

Na mesma direção aparecem outros que têm discursos superficiais, colocam o problema da pobreza no êxodo rural e na rápida urbanização das cidades em metrópoles. É problema da densidade demográfica. Mas a solução para que o valor do homem e da mulher seja resgatado não está no controle da natalidade e nem no aborto. Não se trata de matar vidas para salvar outras, mas de assumir histórias para promover pessoas. É opção existencial que se apresenta diante de nós: ou assumimos a comunidade fundamentada no valorativo da pessoa e no amor incondicional, ou escolhamos a sociedade maravilhada pelo êxito e pelo lucro à custa da morte dos pobres. Estamos entre a lei do amor e a da selva! Não sejamos como os Pilatos ou os Césares da história, prontos para lavar as mãos dizendo não ter nada a ver com isso. Solucionar a pobreza é missão que passa pelo Estado e se estende a todos nós!

Por isso, precisamos assumir a postura de testemunhas proféticas do Evangelho. Não podemos nos omitir frente à globalização transnacional, marcada pela injustiça no trabalho, em nível salarial e de direito. Não é lícito continuar assistindo “as pequenas empresas e os grandes negócios” em que até mesmo os funcionários são escolhidos graças às suas características físicas e não pelo monitoramento positivo na liderança ou por capacidade diretivo-intelectual. Aos patrões, chefes e empresários, cabe readquirir o valor dos seus trabalhadores na distribuição de salário que lhes conceda condições dignas de vida, para que ela se torne verdadeiramente humana! Que as situações cruéis de miséria, a opulência do sistema, o esplendor da riqueza em nossa consciência não nos façam réus perpétuos quando estivermos no tribunal da misericórdia, sendo valorizados pelo mais pobre dos pobres: Jesus de Nazaré!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

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