Mês: dezembro 2007

Educados para o amor

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Os cristãos hodiernos precisam renovar a paixão pela pessoa de Jesus de Nazaré. Muitas vezes a vida cristã se apresenta como um caminho de rugas e envelhecimento precoce, no qual esquecemos a jovialidade do amor e do evangelho. Quando estamos enamorados por alguém, procuramos sempre agradar, ser útil, para tal vestimos a melhor roupa, nunca chegamos atrasados, em hipótese alguma demonstramos raiva, concedemos o melhor de nós e até nos sacrificamos em função do (a) outro (a). É isso que acontece com os apaixonados. Da mesma forma, precisamos recuperar o “enamorar-se por Deus”, fazendo dEle a razão e o centro convergente da existência. Ao nos enamorarmos pela pessoa do Pai Eterno saímos de nós mesmos para irmos ao encontro do outro, aceitando-o em sua totalidade, não fazendo dele uma extensão de nós. Portanto, sem demagogias, a oração é cuidar do nosso caso de amor com Deus até nos transformarmos nAquele que amamos. “A meta de toda oração é a transformação do homem em Jesus Cristo. Qualquer relação com Deus que não conduz a esta meta é inconfundivelmente fuga alienante. Certamente a meta nunca se atinge. Mas a vida deverá ser um processo de transfiguração: a troca de uma figura por outra […]. Repetir outra vez em nós os sentimentos, atitudes, reações, reflexos mentais e vitais, a conduta geral de Jesus”(Inácio Larrañaga).

Todos os grandes místicos da Igreja, por meio da oração, descobriram o que é ser pessoa em Deus. A oração os tornou integrados, centrados, afetivos, sexualizados e não-assexuados. Na escola da oração, homens e mulheres santos aprenderam a resgatar sua respectiva masculinidade e feminilidade. E aqui falamos do segundo aprendizado na escola do amor, a saber: conversão. A conversão é lutar para ser aquilo que se é, ou seja, um retorno fiel e constante às verdadeiras raízes do existir. Conversão é tornar-se pessoa, é construir-se a partir dos próprios limites e feridas que a vida não nos poupou.

Atualmente é modismo permear a vida cristã de slogans teológicos, enfatizando, principalmente, as informações sobre a pessoa de Jesus. Só que o Cristianismo não vive somente de informações. A proposta de Jesus e de seu Evangelho vão muito além de informações, uma vez que está ligada ao campo da experiência. Destarte, no momento em que valorizamos demasiadamente as informações, nos esquecemos da experiência. Já é fato palpável nos determos com pessoas que anunciam com profetismo o nome do Senhor Jesus, que escrevem “sumas teológicas” sobre o Messias, que operam curas, milagres e prodígios e que, infelizmente, não conhecem a pessoa de Jesus de Nazaré.
Dessa forma, aqueles que assumem a conversão como um vir-a-ser na pessoa de Jesus acabam por deixar de lado os extremismos da fé, para equiprobabilizar a informação e a experiência. Precisamos da doutrina, das verdades da fé e do evangelho, da teologia, mas, sobretudo, precisamos também experimentar todos esses fatos na individualidade da experiência da fé.

Assim sendo, há algumas palavras-chaves e motoras no itinerário cristão, são elas: renovar-se, examinar-se à luz do amor e pedir perdão. Ao mesmo tempo, aparecem outras um tanto diferentes das supracitadas, como: queda, fracasso, descontentamento, injúria, ruína, derrota e, por fim, covardia. Esta última é o antônimo da conversão. Os covardes não conhecem o Reino de Deus, pois se fecharam dentro de si. Não possuem o endereço da casa do amor. Não sabem o que é conversão, uma vez que não conseguem ir ao encontro do outro para encontrar o próprio eu. Diante dos desafios da vida, eles cruzam os braços e atribuem todas as controvérsias a Deus: Ele é o culpado, Ele que castigou, que tirou a vida. E é da covardia que nasce a pergunta: o que eu fiz para merecer isso?

Na escola do amor não existem merecimentos nem retribuições. Tudo é benevolência! Valemos por aquilo que somos e não pelo que temos ou fazemos. Cada sujeito é pessoa e não um mero objeto. Educados ao amor aprendemos a amar, a perdoar a nós mesmos, a compreender a vida na ótica de Deus: isso é conversão! Contudo, enquanto nos mantermos atados às nossas mazelas e feridas continuaremos a reproduzir na vida do outro tudo aquilo que sofremos. O outro passa a ser a projeção daquilo que não aceitamos em nossa história de vida, e por isso ele incomoda tanto. Mas, na verdade, somos nós que não nos aceitamos e decidimos não assumir o itinerário da conversão, pois preferimos reproduzir os monstros que ainda existem dentro de nós. Precisamos encarar nossos monstros e fazer as pazes com eles, para cessar a guerrilha interior e entregar todas as nossas armas diante de Deus. Quantas pessoas estão em guerra dentro de si! Tristemente, em determinados acontecimentos, não permitimos que o amor visite os nossos corações, mas somente por hoje permitamos que Deus mesmo nos diga: “Homem, considera que fui Eu o primeiro a amar-te. Não estavas ainda no mundo e eu já te amava, mundo nem mesmo era. Amo-te desde que amei a mim mesmo. Amo-te desde que sou Deus” (Santo Afonso).

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário redentorista, reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno e mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

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Amar é deixar-se amar!

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De Deus viemos. Nele somos e existimos e para Ele haveremos de voltar: Nossa vida precisa ser uma expressão de louvor ao Pai Eterno. Na finitude da nossa humanidade, somos convidados a olhar para o nosso interior, reconhecendo que o Deus do Cristianismo é Amor: Misericórdia na Gratuidade, Bondade no Perdão, Caridade no sofrimento… O que dizer desse Deus? Não será Ele muito relapso ou extremamente permissivo? Não parece que Ele tudo crê, tudo espera e tudo suporta? Tudo desculpa…? Tudo perdoa? Mas, em função de quê tanto amor? Para que criar um Deus que parece mais um pedinte? Um carente? Um necessitado de amor e afeto?! “Povo meu, que te fiz eu? Em que te contristei? Responde-me” (Mq 6,3). Na verdade, precisamos concordar que o Deus do Cristianismo é um mendigo que esmola o nosso coração… É um Deus pobre e frágil, necessitado e abandonado, louco e enamorado de amor pela humanidade até o ponto de se fazer um de nós: humano, “porque eterno é seu amor por nós” (Cf. Salmo 136).

E nós quem somos? Não somos nós relapsos e permissivos diante da vida e das pessoas? Mesmo com as dificuldades interiores e sociais, continuamos crendo, esperando, suportando, desculpando e perdoando em função do amor. Na realidade, acabamos concordando com as nossas petições e com as nossas carências afetivas. Quantas vezes saímos por aí mendigando o amor das pessoas? Será que as cobranças nas relações, o ciúme como medo de perder, a necessidade de ser visto e amado, a vontade de aparecer com plumas e paetês diante dos outros não são pedidos de amor?! E até quando vamos continuar exigindo o amor das pessoas e penhorando a nossa própria vida? Inclusive continuando a buscar em outras fontes aquilo que somente Deus pode nos conceder? Olhemos para a nossa vida e reconheçamos que:

É tudo uma questão de empatia, não de simbiose. Na relação experiencial com o Pai Eterno, a pessoa continua sendo pessoa, Deus continua sendo Deus. Nenhum adota o lugar do outro, pois, do contrário, estaríamos assumindo um personagem e servindo a um deus mascarado. Quando se fala em empatia, nos remetemos ao endereço do amor, ou seja, ao coração de Deus! Adentramos à escola do Evangelho para aprendermos a olhar tanto a vida quanto as pessoas com os olhos misericordiosos do Pai. Assim sendo, somos impulsionados a calçar as sandálias do céu para descobrir a escola do amor. Para amar e ser amor são necessários alguns requisitos que descobrimos, paulatinamente, através da oração.

São muitas as definições do que é orar. Alguns irão defini-lo como cumprir ritos, rezar fórmulas prescritas, reproduzir idéias de outrem, entre outras. Contudo, a oração se coloca acima de todas as pré-definições, uma vez que ela é experiência de encontro, não com Deus diretamente, mas conosco mesmo em Deus. Por meio da oração nos encontramos com o nosso próprio eu, segundo os critérios do Pai Eterno. Justamente por isso que a primeira ordem do amor nos motiva a perguntar: Quem sou eu? E como é difícil responder a tal questionamento! Somente os mais fracos são capazes de respondê-lo, pois aqueles que se dizem fortes se debandam para o caminho da fuga do próprio ser. Têm medo de se olhar no espelho da vida e descobrir o monstro com o qual estavam lutando a vida inteira. Não conseguem nem mesmo sentar na cadeira da consciência para averiguar quão corroboradas estão suas vidas. Portanto, não é de se estranhar que a ausência de oração supõe o vazio existencial. Quando deixamos a oração para o escanteio, ocamos a nossa razão de ser e de existir em Deus. Deixamos de amar! Fraudalamos o amor e acabamos falseando o caminho rumo a Deus. Seja cristã, budista, hinduísta, maometana ou judaica, a oração nunca pode perder a sua característica peculiar de encontro consigo mesmo no Coração de Deus.

Assim sendo, enganam-se os que defendem que o gênero humano é escravo do pecado. Nunca fomos nem o seremos. A nossa única e maior escravidão é fugir do amor e o meio mais concreto para não fugir é embrenhar-se no caminho do encontro da oração intrapessoal. Por que temer tirar as sandálias dos pés e pisar nas sendas fecundas da vida? Não é a história pessoal um solo sagrado cuja sarça é o próprio Deus? Por que fugir da oração se não é ela uma experiência na qual desobstruímos a própria vida, para imprimir nela as marcas do Deus comunhão no Amor? Oração é encontro consigo por meio do Deus-conosco! É ouvir tudo aquilo que preferimos manter em silêncio, é deixar rolar a pedra de todos os assuntos que abafamos ao longo da vida, é desnudar-se diante do amor e deixar-se amar!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário redentorista, reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno e mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

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Até tu, Brasil?

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Nos últimos dias, ficamos boquiabertos ao nos informarmos sobre o caso da adolescente de 15 anos presa em uma cela com 20 homens no Pará. Tal problemática acabou criando uma ferida no coração da Justiça e da política brasileira. No entanto, não podemos ficar míopes, pois a situação vai muito além de alguns fatos como o supracitado. Na verdade, o caso da menor é apenas a ponta do iceberg de um sistema prisional em crise e sucessivamente injusto, lento e desumano. Sem generalizações, podemos afirmar que o aparelho carcerário vigorante está necessitando de atenção política e precisa ser renovado desde os seus fundamentos éticos. Mesmo assim, não devemos nos esquecer dos inúmeros juízes, desembargadores, promotores, delegados e policiais que se esforçam para fazer da Justiça uma prática séria e coerente em sua prédica e prática. Alguns chegam a arriscar a própria vida na tropa de elite do cotidiano.

No tocante à população carcerária, os números falam por si. Segundo a Agência Carta Maior, “em dois anos, 500 mil brasileiros deverão estar atrás das grades. Mantendo-se a tendência atual, seria preciso construir um novo presídio a cada 15 dias” (Marco Aurélio Weissheimer). Hoje, mais de 50% dos encarcerados possuem idade superior aos trinta anos, 95% deles, antes do delito, viviam à margem da pobreza (o que não justifica o crime), 95% são homens e 12 % compõem a massa de analfabetos sociais e educacionais. Entre os dolos mais acentuados está a prática do roubo, logo depois, vem o assassínio e o tráfico de drogas. Mas os números não param por aí. De acordo com o Censo Penitenciário Nacional, a estimativa da população carcerária é de 148. 760 aprisionados. O cálculo nos faz perceber que o sistema vive uma precária ocorrência de superpopulação, sendo que as vagas nos presídios estaduais são de 72.514 detentos. Parece ironia, mas as vagas são maiores que a demanda, não de empregos, mas de crimes.

Naquilo que se refere ao cumprimento da pena, apenas 61,4% dos delituosos chegam a cumpri-la nos presídios estaduais. O restante, 38,6%, fica aguardando a sentença em delegacias provisórias nos mais variados Estados do País. O mais impressionante acontece quando a tarefa do Estado é assumida pelo crime. Em vez dos detentos serem reeducados pelo Estado, agora, são formados pelos comparsas de cela. Ao término do estágio criminal, o Estado devolve para a sociedade pessoas de maior periculosidade que outrora. A função estatal era nos entregar pessoas reconciliadas com sua história, prontas para iniciar uma vida mais justa, e não indivíduos que têm no presídio um manual de criminalidade e uma fábrica de delitos.

Além disso, vemos um cenário efervescente de violência em um país que não consegue ressocializar seus detentos e uma população que fica à mercê do crime. A veracidade criminal protesta por soluções políticas efetivas. “A segurança, valor pela qual todos clamam, esvai-se na autoria não apurada, nas provas invalidadas do inquérito, no excesso de recursos, na liberalidade com que as punições são perdoadas. Proíbe-se, constitucionalmente, o trabalho do apenado que, quando o faz, está sendo ‘cortês’ com o contribuinte. Permite-se a visita íntima, sem a devida cautela quanto à gravidez, jogando-se o destino deste fruto às expensas da caridade pública. Tripudia-se a memória dos mortos ao permitir-se a apelação em liberdade do condenado em júri popular. As injustiças praticadas contra as vítimas são mais sutis e menos visíveis, mas não menos cruéis”(Luiz Fernando Oderich).

A segurança é um dos valores sociais mais negligenciados no País, podendo ser considerada como o adultério da boa convivência social. Contudo, a violação dos direitos humanos dos criminosos não é uma maneira salutar para resolver esta problemática. Violência gera violência! Sabemos muito bem que antecedente ao crime está a falta de emprego, a ausência de estudo, a falência da instituição familiar e a diversão de jovens opulentos nos ocasos noturnos de Brasília & Cia. Colocar fogo em pessoas tornou-se um hobby para desestressar jovens inaptos. A que ponto chegamos, meu Deus? São tantos crimes que, algumas vezes, nos tornamos indiferentes. No fim das contas, a legitimação da vida criminal só acontece quando nos acostumamos com ela. Será que o País não está se habituando ao crime? Até que ponto a Justiça fala mais alto que o dinheiro? Não seria a vida criminal uma forma concreta para chamar a atenção de algumas autoridades políticas, insensíveis ao amálgama social?

Assim sendo, estaríamos utilizando da omissão legislatória se não apresentássemos as razões dos inúmeros crimes que assolam o nosso Brasil. Iniciando na pobreza, passando pela classe média e alcançando o ápice nos freqüentes índices de corrupção do País, o crime tem se tornado a profissão emergente de alguns. Pessoas que assumiam cargos com idoneidade, agora, se deixam contaminar pelo lucro ilícito, sendo capazes de vender o juramento proclamado pelo seu próprio ofício. Tristemente, a situação vem se consolidando na sutileza do ilegal.

Por outro lado, também constatamos a falta de renda orçamentária para qualificar o sistema prisional brasileiro. Alguns falam de privatização, enquanto outros defendem o investimento empresarial nos presídios, com o intuito de profissionalizar os detentos. Atualmente, apenas 28% dos presos desempenham um trabalho, ao passo que 72% ficam na ociosidade. Na mesma via, seguem aqueles que colocam a agilidade no julgamento dos processos como uma forma de solucionar a superlotação das cadeias. Entre prós e contras, o que vale é a busca de soluções eficazes para educar humana e socialmente aqueles que se deixaram perder pelos caminhos tortuosos da delinqüência.

Sem pessimismos, mas analisando a conjetura vigente, não podemos esperar muito das autoridades. O que dizer de um país que, no dia 24 de maio, comemora o dia do preso? As grandes profissões como a Medicina, a Arquitetura, a Teologia e tantas outras acabam sendo igualadas com o crime à medida que se instaura um dia para exaltar a figura do presidiário. Meus irmãos, o crime não pode ser honrado! Deve separar bem as coisas.

Por fim, nos recordemos de Jack London (escritor americano) ao afirmar a atuação da miséria imerecida na vida do povo assolado pela criminalidade. A saber: “Os rejeitados e os inúteis! Os miseráveis, os humilhados, os esquecidos, todos morrendo no matadouro social. Os frutos da prostituição – prostituição de homens, mulheres e crianças, de carne, osso e fulgor de espírito; enfim, os frutos da prostituição do trabalho. Se isso é o melhor que a civilização pode fazer pelos humanos, então, nos dêem a selvageria nua e crua. Bem melhor ser um povo das vastidões e do deserto, das tocas e cavernas do que ser um povo da máquina e do abismo.”

Que não sejamos nós os próximos a conceder os pêsames e a celebrar a missa de sétimo dia para a Justiça e a política do Brasil!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário redentorista, reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno e mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

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