Mês: janeiro 2008

Use as coisas, não as pessoas!

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Vivemos no mundo mediatizado pela imagem, fruto da chamada indústria cultural. Hodiernamente, estamos defronte a um engenho capaz de gerar altas quantias em dinheiro para os seus aliciadores. Assim denominamos estes últimos, pelo fato de atraírem as pessoas a si por meio de promessas enganosas.

Na realidade pós-moderna, a imagem instrumentaliza e coisifica as relações humanas. Prestemos mais atenção no marketing das propagandas de cerveja, dos produtos de limpeza e da moda em geral, no intuito de verificarmos os meios utilizados para que a pessoa torne-se mercadoria junto ao produto por ela oferecido.

O neocapitalismo em muito contribuiu para deturpar o grande dom que Deus nos confiou, a saber: o amor. Hoje, o auto-erotismo tem marcado a vida de adolescentes e jovens, imprimindo em suas histórias o desejo da auto-satisfação imediata e compulsiva. Neste sistema, a sexualidade deixa de ser a força vivificante do humano, para apresentar-se como um produto rentável e puramente comercial. Deixa de enraizar-se no amor. E de tal modo as pessoas vão assumindo a configuração de meros objetos, que depois de utilizados tornam-se descartáveis para o mercado.

Na guerra dos magnatas em voga ganha a pessoa que tiver o corpo mais trabalhado. Tem valor aquele que se sacrifica em exercícios, não em vista da saúde, mas por puro exibicionismo. É importante aquele que ainda não sofreu com o peso da idade, que não conhece rugas e muito menos cabelos brancos. Justamente por isso, vem à tona o frenesi pelo culto ao corpo. Logo, a corporalidade não é enfocada como manifestação do sagrado, mas simplesmente, um meio para a celebração do hedonismo, no prazer pelo prazer. Por conseguinte, famílias dispersam-se, jovens ficam perdidos, adolescentes se repudiam dentro de uma sociedade que ficou doente ao fazer do sexo uma divindade. Nesta situação não há espaço para um genuíno exercício do amor.

Pouco se fala sobre isso; todavia, deveríamos estar atentos para a formação da consciência atual. Na verdade, as pessoas não estão aprendendo a conviver com os limites da idade, com as intempéries da vida, com os ocasos da ausência de saúde; pelo contrário, fazem o impossível para adiar o encontro com a experiência da finitude a partir da morte. E acabam se esquecendo de que na existência não há nenhuma fonte de juventude. Não se recordam que algumas perdas na vida são necessárias, inclusive a perda da beleza na terceira idade, pois nesta fase o que importa é a santa experiência acumulada pelos anos. O resultado final de todo este processo é a desumanização da sexualidade, e, conseqüentemente, do amor, a ponto de serem banalizados.

Até mesmo a realidade conjunta do amor na amizade, na ternura, na afeição, é corrompida. Muitas vezes e dos mais variados modos falamos de “amor” como sinônimo único e exclusivo de “sexo”. Na sexualidade há amor, mas não podemos restringi-lo somente a uma variante do humano, por mais importante que ela seja. No amor encontramos “a força que enriquece e faz crescer. Quando, pelo contrário, falta o sentido e o significado do dom do amor na sexualidade, acontece uma civilização das coisas e não das pessoas; uma civilização em que as pessoas se usam como se usassem coisas. Na civilização do desfrutamento, a mulher pode tornar-ser para o homem um objeto e os filhos um obstáculo para os pais” (Conselho Pontifício para a Família, sexualidade humana: verdade e significado, p.17).

Aqui vale uma análise clara e precisa do que é o Amor. Escrevo em maiúsculo, pois o remeto a Deus. Compreender limites, superar obstáculos, rever os erros, conviver com pessoas difíceis, procurar soluções para conflitos, optar eternamente por alguém ou por algum projeto divino faz parte da esfera do Amor. Nele e por ele somos introduzidos à vida em Deus e, por conseguinte, nos tornamos capazes de conhecer as manifestações divinas que atuam no mundo. No Amor, aprendemos a olhar para a obra da criação com sacralidade e sentimento de reverência. Na ótica do Amor também contemplamos as pessoas, não como objetos coisificados, mas, sobretudo, como filhas do Pai Eterno. Desta maneira, conseguimos perdoar mais, ficamos menos doentes espiritual e fisicamente, perdemos o medo de sorrir e ser feliz, e por fim, passamos a viver com mais autenticidade e integridade pessoal, sendo fiéis a Deus e a nós mesmos. Transformamo-nos em pessoas mais humanas e assertivas. No entanto, não podemos confundir o Amor com receitas prontas de felicidade encontradas nos manuais modernos de auto-ajuda. Além de todo psicologismo, o Amor nos convoca a uma existência mais concreta no hoje da história. Sem palavras metafóricas, sem magias, sem forças intramundanas, o Amor supõe a pedagogia da liberdade e do respeito pela sacralidade de si e dos demais. O que muitos chamam de amor não passa de auto-satisfação erótica e deturpada. É necessário ir à origem das coisas, para que na essência do humano possamos encontrar a presença amorosa de Deus e sermos para o mundo do Amor.

Respeitemos a nossa individualidade e não sejamos produtos baratos nas mãos daqueles que têm por deus o dinheiro. Na comercialização humana, propensa ao mal por natureza, devemos ser as primeiras testemunhas a proclamar que o humano está acima de toda e qualquer negociação, pois ele é parte de Deus! Que nenhuma pessoa seja confundida e muito menos associada a uma garrafa de cerveja nos bares da boa, presentes nas esquinas da vida. Se continuarmos a nos comercializar, mesmo que por imagem adjunta, também estaremos comercializando Deus, em vez de anunciá-lo!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário redentorista, reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno e mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

Lutar contra a vida fútil!

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Atualmente vivemos em um sistema que se apóia tanto no individualismo quanto no consumismo para instaurar a legitimação da pessoa. Trata-se de uma conjuntura pensada e articulada para gerar a idolatria do eu e, ao mesmo tempo, a necessidade exagerada de consumir. Ambas as realidades acabam por se tornarem pura ilusão na medida em que se apresentam como uma pseudo-autonomia do sujeito.

Por individualismo compreende-se um conjunto sistematizado “de costumes, de sentimentos, de idéias e de instituições que organiza o indivíduo partindo de atitudes de isolamento e defesa” (Emmanuel Mounier). Trata-se de um ser, movido pelo falseação da verdade e sem nenhum tipo de vínculo social. O individualismo forma a pessoa na desconfiança com os outros, permeando-a em vontades exclusivistas, egocêntricas e cheias de reivindicações autoritárias. Uma das mais importantes tarefas do individualista é centrar atenção sobre si mesmo.

Na perspectiva humana e ética, vemos que o individualismo faz parte da chamada “ideologia moderna”. Por trás deste movimento de emancipação da pessoa, está a alienação paulatina daquilo que compreendemos por livre-arbítrio e autonomia. A liberdade passa a ser enfocada no fazer o que quer, quando quer e como quer. E assim o indivíduo se adota na condição de senhor de si, com a capacidade de se autodeterminar como bem entende. E sujeitos assim são aplaudidos em platéias de Gugu, Faustão e Big Brothers, quando afirmam isto em suas falas!

É a autonomia sem valores humanos morais que confere embasamento ao individualismo. A partir do momento que nos associamos ao império ególatra do eu, deixamos de lado o origem primeira do “viver em sociedade”. A concretude desta última afirmação pode ser averiguada quando exclamamos em alto e bom tom: “aquilo que não nos prejudica, não é problema nosso”.

No individualismo a pessoa se depara com a secularização de si e dos demais. Justamente por isso seu único objetivo é a busca da própria realização. No individualista encontramos a necessidade imperativa e a penúria de “protagonismo na insistência exagerada sobre o próprio bem-estar físico, psíquico e profissional; a preferência pelo trabalho independente e pelo trabalho de prestígio e de nome; a prioridade absoluta dada às próprias aspirações pessoais e ao próprio caminho individual, sem pensar nos outros e sem referências à comunidade” (Somalo).

No entanto, poucos se recordam que a vida em sociedade é contínua passagem do “Eu” ao “Nós”. Neste sentido, já não são mais coerentes determinadas afirmações como: o meu carro, o meu computador, a minha casa, a minha vida… Destituída de um espírito de partilha.

Enraizado ao individualismo, está o consumismo. É o mundo do ter pelo ter de forma imerecida, muitas vezes. Suas características são a busca de ascensão do conceito de vida, grande abundância de bens e mercadorias e a cultuação de propriedades. A lei de consumo faz com que a pessoa adquira o supérfluo hoje, para pagar no dia seguinte, até mesmo em prestações escravizantes. E o mercado continua a repetir: “Você é aquilo que consome.” A qualidade de vida passa a ser medida por aquilo que cada um tem e possui pela quantidade de consumo. É muito triste perceber que estes conceitos estão arraigados em muitas e muitas mentes.

Sejamos claros! Ter exageradamente não é nenhum triunfo. A posse que o mundo oferece não é uma conquista. Ao falar sobre o desenvolvimento da pessoa, não podemos nos confundir e muito menos nos fundamentar no acúmulo de posses desnecessárias. As propriedades, os bens, os atributos externos não são valores absolutos para aqueles que buscam uma existência mais humana, com maior sentido. Saibamos e nos convençamos: “Evangelho que prega vida fácil, que defende prosperidade sem limites, sem lutas e esforço pessoal, que compra as bênçãos de Deus não é Evangelho de Jesus Cristo! Na verdade, “a pessoa só se encontra quando se perde. A sua fortuna é o que lhe fica quando se despojou de tudo o que tinha – o que lhe fica à hora da morte” (Sung). Não nos é lícito assumir o caminho de escolhidos por Deus e abençoados pelo mercado. Pelo contrário, busquemos um coração mais simples e fundamentemos nossa esperança naquele Deus que, sendo rico, se fez pobre por amor de nós.

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário redentorista, reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno e mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

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