Dia: 6 de Janeiro de 2008

Lutar contra a vida fútil!

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Atualmente vivemos em um sistema que se apóia tanto no individualismo quanto no consumismo para instaurar a legitimação da pessoa. Trata-se de uma conjuntura pensada e articulada para gerar a idolatria do eu e, ao mesmo tempo, a necessidade exagerada de consumir. Ambas as realidades acabam por se tornarem pura ilusão na medida em que se apresentam como uma pseudo-autonomia do sujeito.

Por individualismo compreende-se um conjunto sistematizado “de costumes, de sentimentos, de idéias e de instituições que organiza o indivíduo partindo de atitudes de isolamento e defesa” (Emmanuel Mounier). Trata-se de um ser, movido pelo falseação da verdade e sem nenhum tipo de vínculo social. O individualismo forma a pessoa na desconfiança com os outros, permeando-a em vontades exclusivistas, egocêntricas e cheias de reivindicações autoritárias. Uma das mais importantes tarefas do individualista é centrar atenção sobre si mesmo.

Na perspectiva humana e ética, vemos que o individualismo faz parte da chamada “ideologia moderna”. Por trás deste movimento de emancipação da pessoa, está a alienação paulatina daquilo que compreendemos por livre-arbítrio e autonomia. A liberdade passa a ser enfocada no fazer o que quer, quando quer e como quer. E assim o indivíduo se adota na condição de senhor de si, com a capacidade de se autodeterminar como bem entende. E sujeitos assim são aplaudidos em platéias de Gugu, Faustão e Big Brothers, quando afirmam isto em suas falas!

É a autonomia sem valores humanos morais que confere embasamento ao individualismo. A partir do momento que nos associamos ao império ególatra do eu, deixamos de lado o origem primeira do “viver em sociedade”. A concretude desta última afirmação pode ser averiguada quando exclamamos em alto e bom tom: “aquilo que não nos prejudica, não é problema nosso”.

No individualismo a pessoa se depara com a secularização de si e dos demais. Justamente por isso seu único objetivo é a busca da própria realização. No individualista encontramos a necessidade imperativa e a penúria de “protagonismo na insistência exagerada sobre o próprio bem-estar físico, psíquico e profissional; a preferência pelo trabalho independente e pelo trabalho de prestígio e de nome; a prioridade absoluta dada às próprias aspirações pessoais e ao próprio caminho individual, sem pensar nos outros e sem referências à comunidade” (Somalo).

No entanto, poucos se recordam que a vida em sociedade é contínua passagem do “Eu” ao “Nós”. Neste sentido, já não são mais coerentes determinadas afirmações como: o meu carro, o meu computador, a minha casa, a minha vida… Destituída de um espírito de partilha.

Enraizado ao individualismo, está o consumismo. É o mundo do ter pelo ter de forma imerecida, muitas vezes. Suas características são a busca de ascensão do conceito de vida, grande abundância de bens e mercadorias e a cultuação de propriedades. A lei de consumo faz com que a pessoa adquira o supérfluo hoje, para pagar no dia seguinte, até mesmo em prestações escravizantes. E o mercado continua a repetir: “Você é aquilo que consome.” A qualidade de vida passa a ser medida por aquilo que cada um tem e possui pela quantidade de consumo. É muito triste perceber que estes conceitos estão arraigados em muitas e muitas mentes.

Sejamos claros! Ter exageradamente não é nenhum triunfo. A posse que o mundo oferece não é uma conquista. Ao falar sobre o desenvolvimento da pessoa, não podemos nos confundir e muito menos nos fundamentar no acúmulo de posses desnecessárias. As propriedades, os bens, os atributos externos não são valores absolutos para aqueles que buscam uma existência mais humana, com maior sentido. Saibamos e nos convençamos: “Evangelho que prega vida fácil, que defende prosperidade sem limites, sem lutas e esforço pessoal, que compra as bênçãos de Deus não é Evangelho de Jesus Cristo! Na verdade, “a pessoa só se encontra quando se perde. A sua fortuna é o que lhe fica quando se despojou de tudo o que tinha – o que lhe fica à hora da morte” (Sung). Não nos é lícito assumir o caminho de escolhidos por Deus e abençoados pelo mercado. Pelo contrário, busquemos um coração mais simples e fundamentemos nossa esperança naquele Deus que, sendo rico, se fez pobre por amor de nós.

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário redentorista, reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno e mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

www.paieterno.com.br

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