Mês: fevereiro 2008

Vida nada “big” num mundo nada “brother”

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Um fenômeno de alcance mundial, em todas as classes e idades, tem sido os chamados reality shows. A maioria deles é produção estrangeira adaptada pela comédia da vida privada à moda brasileira. Pessoas, antes, anônimas e cidadãos comuns viram celebridades nacionais e em pouco tempo tornam-se devedores e acorrentados pelos tentáculos da mídia contraproducente. Uns são chamados de “ídolos”, outros passam pelas casas da “fama” e se autodenominam “artistas”, outros ainda assumem a “troca de família”, enquanto os demais competem violentamente, entre si, para se autoproclamarem “aprendizes” em um jogo nada justo por sinal. Todos acabamos conhecendo e sabendo do assunto, mesmo não sendo assíduos telespectadores destes programas. A mídia é muito forte e a polêmica sobre os fatos toma conta dos assuntos de roda e mesa e praticamente ninguém consegue se isentar.

A palavra fenômeno é originada do grego phainómenon e significa “coisa que aparece”. No entanto, os reality shows não só aparecem e fazem aparecer, mas, sobretudo, acabam ferindo a sacralidade da vida real, ao fazê-la um espetáculo de telespectadores ávidos pela indiscrição moral e ética. Não são poucos aqueles que acabam se projetando acima dos personagens oferecidos, a ponto de descartá-los como se faria com um objeto. Coloca-se em paredões e tira-se de cena os “rostinhos” e os “jeitinhos” que não agradam ao “gostinho” do público. Vidas são coisificadas, pessoas são instrumentalizadas, realidades viram fetiche de um mundo alienado pela vontade de controlar a existência de outrem.

O gênero do reality show possui fundamentação histórica datada de 1948, a partir do livro Mil novecentos e oitenta e quatro (1984), do escritor indiano Eric Artur Blair, mais conhecido pelo pseudônimo de George Orwell. Nesta obra, o autor utiliza do futuro para narrar um romance pessimista sobrevindo na Inglaterra. A história tem o pontapé inicial com a formação de um megabloco oceânico, que na narrativa significa a junção de todos os países, com seus cabais oceanos, em um único grupo. O respectivo bloco vive imerso no regime totalitarista, no qual Winston Smith, um funcionário do partido IngSoc, assume as vezes de ator principal. Sua missão é verbalizar as experiências sofridas pelo totalitarismo fascista da Itália e nazista da Alemanha. Por outro lado, a função do governo é reprimir pelo medo a todos aqueles que se oponham ao sistema. Todos são vigiados pela “polícia do pensamento” através de uma teletela, isto é, um aparelho de massificação, capaz de captar em áudio e vídeo a vida dos cidadãos, no intuito de controlar suas consciências. Juntas, as pessoas são procuradas e entretidas por um ser onipresente das teletelas, apontado como o “Grande Irmão” (Big Brother). Vale ainda ressaltar que até mesmo o título do livro 1984 já é uma crítica invertida à tirania dos sistemas políticos de 1948. George Orwell faz da década de 84 um trocadilho de seu tempo na década de 48.

Vigiar a vida das pessoas é uma forma de controle déspota. Colocar câmeras sobre as individualidades é fazer dos partícipes produtos da nossa alienação fugaz. A necessidade de verificar a vida alheia é um meio bestial de construir uma sociedade que não respeita mais os limites do privado. Por conseguinte, expor a vida em um reality show, na obstinação por fama e dinheiro fáceis, demonstra a carência de nossas instituições sociais que não têm mais nada a oferecer senão um complexo vazio de inventividade e valores.

Passando pelos nossos supérfluos “ídolos” brasileiros ou estrangeiros, adentramos, por exemplo, a desusada Casa dos Artistas, para nos determos no “Casamento à Moda Antiga”, no “Circo do Faustão” e logo em seguida vermos a “Dança dos famosos” com ou sem gelo, e por último nos depararmos com a Supernany de uma vida fútil. Um jogo de prazeres proveniente do besteirol capitalista com seus: Americas Next Top Model (no Brasil “Batalha dos modelos”), Extreme Makeover: Home Edition (onde se constroem casas populistas em sete dias), Laguna Beach: The Real Orange County (semelhante ao “Na Terra dos Ricos” do canal Fox), Miami Ink (um estúdio de tatuagem com depoimentos dos clientes), Popstars (é o programa original dos Ídolos no SBT e do Fama na Rede Globo), Project Runway (uma competição eliminatória de estilistas desafiados pela escravização da beleza pela moda), The Apprentice (produzido e apresentado por Donal Trump. No Brasil é comandado pelo empresário Roberto Justus), The Real Wedding Crashers (inspirado no filme Penetras Bom de Bico), The Simple Life (programa norte-americano, no qual socialaites visitam o mundo da miséria imerecida dos pobres), e por fim, para não cansar a sua cabeça, o Survivor (adaptado no Brasil em dois programas: o primeiro que deixou de ser exibido No limite e o segundo com o nome de O Conquistador do Fim do Mundo).

Estas são algumas expressões televisivas da ausência de respeito pela inferência coletiva na individualização da pessoa humana. O ser humano não foi criado para servir de divertimento às massas deturpantes da realidade, mas, pelo contrário, para ser um agente da história na construção de um mundo melhor, no qual usam-se as coisas e não as pessoas.

A mídia está diante de nós. Cabe-nos, portanto, aprender a separar o “trigo do joio”, para viver humana e dignamente como filhos amados do Pai Eterno! Do oposto sejam todos bem-vindos aos reality shows: um mundo de ilusão e falsidades! Uma conjuntura marginalizante na qual as pessoas assumem máscaras e interpretam papéis com o objetivo de serem aprovadas pela opinião – desculpem a expressão– da “galera”!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário redentorista, reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno e mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

Um ícone chamado Perpétuo Socorro

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Antes da leitura prévia deste artigo, paremos um pouco diante do ícone de Nossa Senhora da Paixão, mais conhecido pelo título de “Perpétuo Socorro”, tão venerado nas Igrejas de Goiânia e nos locais por onde passaram os Missionários Redentoristas. Deixemo-nos interpelar pelo olhar desta mulher que nos segura pelas mãos. Permitamos que Maria incite a nossa mente e o nosso coração para o Cristo. Aceitemos que ela mesma nos aponte o seu Filho como caminho para que a nossa vida tenha um norte e a esperança tenha sentido. Contemplemos na realidade mais profunda do nosso ser a presença simples daquela que invocamos como a “Mãe do Perpétuo Socorro”.

A palavra “perpétuo” é proveniente do latim “perpetuu” e significa: aquilo que dura para sempre, que é contínuo, sem interrupção, inalterável e eterno no Coração de Deus. Já a palavra “socorro” se aproxima de socorrer, derivada do latim “succurrere”. Esta última traz em seu sentido etimológico as seguintes expressões: defender com a própria vida, proteger um indivíduo, prestar auxílio a outrem, acudir nos momentos de dificuldades, prestar socorro em perigo de morte, remediar para prover do necessário, evitar o mal e, por fim, esmolar o favor de alguma pessoa. São títulos fortes que expressam a realidade espiritual e cristã da manifestação artística do Sagrado.

A arte dos ícones contradiz o fetiche capitalista e a existência mercantil ultramoderna, pois não é produzido pelas leis do mercado, todavia, pelas leis da fé. Antes de ser pintado, o ícone é rezado. Anterior à confecção está a contemplação. O discurso sagrado que fundamenta a feição dos ícones orientais é a teologia da encarnação. Neste sentido, é o próprio Deus quem se encarna nas formas artísticas para ser adorado e reconhecido como Deus e Senhor nosso.

Agora, detendo-nos mais precisamente no ícone do Perpétuo Socorro, visualizamos o quadro original, medindo 53 x 41,5 cm, com o rosto pobre e sofredor de uma mulher. Ela está no centro artístico, contudo, não é o centro teológico da obra. Por trás da consternação de Maria apresentam-se os símbolos da dor e da paixão que ora se aproximam do pequeno Jesus. Os olhos de Maria são grandes e pintados de forma exagerada para expressar sua atenção diligente por nossas necessidades. No entanto, os lábios são apoucados para demonstrar o silêncio e a reverência pelas dificuldades perenes de nossa história. Estamos defrontes à Mulher que há todos os instantes nos remete ao homem Jesus quando afirma: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).

Maria está vestida com uma túnica vermelha, roupa esta utilizada pelas virgens nos tempos de Nazaré. A cabeça e o restante do corpo são revestidos por um manto de cor azul com forro verde que significam a maternidade e a divindade de Maria, presente também em todas as Marias dos tempos hodiernos. Outras interpretações vão afirmar que as cores azul, vermelha e verde eram distintivas da realeza e só utilizadas pelas Imperatrizes do passado. No manto azul, robustecido com traços dourados, há uma estrela de oito pontas que pode ter sido acrescentada por um artista posterior no intuito de demonstrar que Maria é a estrela que reflete o sol da justiça. Trata-se de uma teologia oriental que apresenta mais Maria da fé do que a Maria histórica que viveu ocultamente em Nazaré. No entanto, ambas as realidades, fé e história, vão conceder força e vigor para aquilo que chamamos de “Perpétuo Socorro”.

Além da figura mariana, verifica-se mais adiante a presença substancial de dois arcanjos. Seus nomes são denotados pelas letras gregas sob suas cabeças que diz: Miguel e Gabriel. Estes dois, antes mesmo de serem apresentados como emissários da glória majestosa de Deus, como bem se percebe na doutrina angelical tomista (de São Tomás de Aquino), são colocados como mensageiros da paixão. Eles não trazem nem trombeta apocalíptica nem a harpa angélica, mas sim os instrumentos da dor e da agonia de Jesus de Nazaré: a cruz e as lanças. No ícone também se inverte o relato evangélico da anunciação de Maria. Em vez de anunciar o nascimento do Filho do Homem, o anjo prediz a morte do Filho de Deus.

No colo de Maria está uma figura trêmula e frágil, um Deus que parece mais humano que Divino. Estamos diante da Criança que tem medo da paixão e, por conseguinte, da morte: fruto de sua opção pelo Reino do Pai em vista dos pobres e abandonados. É um Menino que, contemplando os instrumentos da paixão, corre tão velozmente para os braços da Mãe que deixa as sandálias perder do pé. No simbolismo da sandália está a insegurança de alguém com a vida sob o pêndulo. Na narrativa bíblica, os pés são lavados e beijados, enquanto que no ícone ficam desprotegidos. Perder a sandália é não conseguir andar por muito tempo nos caminhos pedregosos da existência. É prefiguração da morte. Ficar sem sandálias é despojar-se de si mesmo para assumir a ferida do humano. Não possuir sandálias nos pés é adentrar o caminho da mais absoluta entrega por meio da encarnação, paixão e ressurreição.

Adentrar o caminho iconográfico do Perpétuo Socorro é por fim tornar-se “perpétuos socorros” para o mundo que tem fome e sede de Deus. Ser cristão é assumir a missão de agir como socorro perpétuo em vista do amor e da consagração da vida. Vale ainda ressaltar que o “Perpétuo Socorro” nos faz assumir uma nova visão de Deus debaixo para cima, do temporal para atemporal, do finito para infinito. Também nos faz descobrir um novo rosto de vida cristã, entendendo-a como serva e não como senhora. Por fim, a amorização da vida nos faz compreender as novas e futuras relações na Igreja e na sociedade em vista da implantação cotidiana do “Perpétuo Socorro” de Deus em nós e por nós!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário redentorista, reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno e mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

Um grito pela vida!

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Criada em 1962, ano que marcou o início das reformas pastorais do Concílio Vaticano II, a Campanha da Fraternidade vem se consolidando como uma reflexão espiritual, catequética, bíblica e científica sobre as mais variadas questões pertinentes à população. O objetivo maior é conscientizar as pessoas endereçadas e, ao mesmo tempo, evangelizar os diversos setores da sociedade que têm menosprezado uma determinada área do País e por isso ferido a dignidade humana ao gerar um pecado social. Anualmente, após uma aprofundada análise de conjuntura por parte de peritos e especialistas, é escolhido uma matéria de maior enfoque para a Nação. Este ano, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) oferece como tema: “Fraternidade e Defesa da Vida”, e como lema: “Escolhe, pois, a Vida” (Dt 30,19). Esta já é a 45ª Campanha da Fraternidade. No entanto, vale ressaltar que ela não é promovida somente pela Igreja Católica Romana, mas também pelas Igrejas membros do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (Conic). Cito a Igreja Cristã Reformada (ICR), Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (Ieab), Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Igreja Síria Ortodoxa de Antioquia (ISO) e Igreja Presbiteriana Unida (IPU). Vinculadas pela fé, estas e outras instituições sociais buscam a defesa e a promoção da vida humana desde a concepção até a morte.

Diante de uma temática tão complexa, são inúmeras as abordagens que podemos emitir. Assim sendo, pela brevidade deste artigo e pela importância do debate, saliento algumas prerrogativas significativamente importantes para tomadas de decisões no presente, principalmente em relação ao crime do aborto. Destarte, há ainda um tripé existencial que deve ser levado em consideração pela ética do humano e pela moral do agir: na dignidade intrínseca da pessoa, no desejo de liberdade que é diferente de quaisquer correntes de independência ou autonomia e por fim na experiência da responsabilidade pela própria vida.

A palavra “aborto” é proveniente do latim aboriri que significa “perecer”. Logo, concluímos que tal prática é o próprio perecimento da vida, sinônima de infanticídio. Contudo, e além de etimologias, é no Brasil que uma das grandes ameaças à vida tem ocorrido: a clandestinidade do aborto, que hoje chega à margem de 300 por ano. O número não pára por aí; de acordo com o Sistema Único de Saúde (SUS), a quantidade de extenuações maternas, por conseqüência do aborto, tem atingido a proporção de 115 a 150 mortes anuais. Por conseguinte, essa situação gera uma dupla mortalidade, tanto do feto quanto da mãe, muitas vezes desprovida de informações e influenciada por pressões de outrem. Paulatinamente e obscurecida pela imprensa, a legalização do aborto tem conseguido muitos adeptos, influenciados por pseudo-informações, que dizem conter a mortalidade e a morbidade materna, o número de abortos e o gasto público com os investimentos na área da Saúde. Alguns nos deixam boquiabertos ao afirmar que o aborto é um “mal necessário” para a conquista da emancipação feminina. Desde quando matar é um direito? Seria uma inconseqüência social e um retardamento histórico a confusão entre a norma do direito e o crime do assassinato. Legalizar o aborto é voltar às origens primitivas da evolução histórica ao permitir que as forças não racionais decidam quem deve viver e quem deve morrer na disputa entre clãs.

Na mesma direção, não podemos nos esquecer que a legalização abortiva tem implicações jurídicas ao negar os direitos do nascituro, médicas ao matar o feto e possivelmente a mãe, éticas ao desprezar o valor da vida, científicas ao se colocar a serviço da morte de inocentes, sociais ao instituir a violência e o descontrole da natalidade, factuais ao não dignificar a mulher nem diminuir a quantidade de abortos, e religiosas ao agredir com veemência o fundamento de todas as religiões que defendem a vida como dom do Criador.

Muito pouco é noticiado, mas nas clínicas que comercializam embriões in vitro os fetos são tratados como cobaias humanas e torturados até a morte em vista de um falso desenvolvimento da Ciência, pois aquela que deveria gerar a vida, agora se torna a grande inquiridora da morte. Seriam mesmo científicas as investidas sanguinárias de empresas que reduzem o ser humano a um objeto de pesquisa descartável? Saibamos e defendamos que não se justifica um bem por um mal.
Hoje, precisamos escolher entre o caminho que conduz à vida e o caminho que leva à morte! Não nos isentamos em optar por Aquele que é o caminho, a verdade e a vida (Jo 14, 6) e que nos convida a viver em abundância (Jo 10, 10). Vejamos bem se não estamos criando para as futuras gerações uma sociedade obstinada pelos resultados terapêuticos como fuga da morte ou como longevidade industrial. Que Jesus de Nazaré, assassinado por se opor à lei escravista e ao Estado déspota, nos ensine a não violentar, mas, sobretudo, exaltar nossa humanidade tão dilacerada ao ser reconhecida como mera mercadoria.

Oxalá que os defensores do aborto possam pôr a mão na consciência e se silenciar diante do mistério da vida! O que seriam deles se também tivessem sido abortados por suas mães? O mesmo direito que eles tiveram de nascer deve ser estendido a todos! Àqueles que se ocupam da Saúde e que atuam em clínicas clandestinas vale a sentença: deixem de trair o juramento de suas profissões e assumam com honestidade social o encargo que lhes foi confiado em nome de Deus. Às mulheres violentadas, peço que a graça divina possa despertá-las para não reproduzir na vida de inocentes a violência que lhes foi sofrida por parte de agressores. Saibam que interromper a gestação não é nenhuma conquista ou superação do problema, mas pelo contrário, uma derrota e talvez a maior derrota de suas existências. Aos políticos, e de modo especial ao Legislativo, que as decisões em voga e tramitadas no Congresso não façam dos senhores promulgadores da morte e geradores de uma não-política, ao serem desacreditados pela sociedade civil. Depois da corrupção maquiavélica, só falta a legalização do aborto para deixarmos de acreditar que este País ainda tem motivos para crer em dias melhores. Por favor, não nos decepcionem! Fazei jus à fé de um povo sofredor e permiti o nascimento daqueles que não têm berço esplêndido para dormir e muito menos o direito de ver o céu formoso e límpido deste Brasil! Que o sofismo do chamado “Estado laico” não seja conseqüência de uma “nação desumana” ao instaurar o sacrifício dos inocentes, apedrejando-os até a morte!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário redentorista, reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno e mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

Jesus Cristo é o Senhor!

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Atualmente vivemos submersos em uma sociedade em que há incontáveis quantidades de senhores. Falamos dos soberanos de empresas religiosas aqui e dos dominadores das consciências acolá. E assim, determinadas realidades vão sendo construídas nas quais as pessoas valem mais por aquilo que produzem e fazem do que pelo que são de fato. Na civilização do mercado, evidencia-se o detrimento constante em relação à verdade mais profunda do ser humano: sua dignidade, seus valores, sua história. No entanto, a tradição ultramoderna faz com que a pessoa seja deixada de lado, para que a primazia do poder possa se elevar sobre toda e qualquer realidade existencial importante. Quantas mentes são manipuladas pela chamada teologia da prosperidade, e, deste modo, vamos construindo uma cultura de títulos, em que até mesmo o título passa a denominar quem é a pessoa humana em sua totalidade? Conseqüentemente, para estes últimos, perder um título é perder uma identidade. Não possuir mais o título adquirido é permitir o esmaecimento da própria história. Sem título não há pessoa, é o que prega o atual sistema sociocultural e também neopentecostal, que somos convidados a transformar mediante a escola evangélica do serviço livre e desinteressado de Jesus de Nazaré.

Neste sentido, podemos falar do título primordial de Jesus como contestação a um conjunto de verdades inventadas pela lei do mercado neoliberal. Para tal, é a comunidade primitiva dos cristãos que nos orienta na proclamação de que Jesus é o único Senhor! Destarte, proclamar o senhorio de Jesus é, ao mesmo tempo, reconhecer sua condição divina emanada das trilhas históricas de Nazaré e, por conseguinte, entremostrar sua dimensão de serviço testemunhada no lava-pés. A partir de então, o Senhorio de Jesus torna-se uma verdade de fé, testemunhada até mesmo com o sangue dos mártires. Estes últimos entregavam a vida por não aceitarem o senhorio de outras divindades pagãs e muito menos do Imperador Romano. É nesta comunidade de fé que o Senhor se faz presente de modo místico e corpóreo em cada um dos fiéis.

No Senhorio de Jesus, a Igreja se faz povo novo e resgatado. A verdade de fé que imprime a marca indelével da comunidade cristã é a que todos os batizados são povo de Deus. O laicato, os religiosos, as religiosas, os bispos, os metropolitas, o colégio cardinalício e o Sumo Pontífice são povo de Deus, com ministérios diferentes, pois todos pertencem ao mesmo Senhor. Pela consagração batismal todos ensinam, todos governam, todos santificam, todos têm a responsabilidade de organizar a comunidade eclesial e, por fim, todos são separados e reservados para a missão específica da Igreja. Toda a vida cristã está fundamentada no Batismo. Por meio dele, somos incorporados à vida do Senhor. Pelo batismo formamos a comunidade de fé capaz de comungar de uma mesma carne e de um mesmo sangue para formar um só corpo. Justamente por isso que a Igreja pode ser chamada de escola de irmãos em que o poder ou o senhorio se transforma em serviço livre e desinteressado, tendo Jesus como o modelo Daquele que tirou o manto, “símbolo do poder”, cingiu a cintura para lavar e beijar com o próprio ser a história salvífica de seus discípulos e discípulas. Falaríamos hoje de beijar os pés de toda a humanidade sofrida e dilacerada pelo pecado social.

De fato, perde-se muito quando o Senhorio deixa de ser atribuído a Jesus de Nazaré e passa a ser associado a determinadas empresas religiosas, intituladas “igrejas” ou, então, a alguns membros destas instituições. Vale ainda ressaltar que, ao utilizar o Senhorio de Cristo como forma de alienação, estamos usurpando sua história. Evangelho que prega vida fácil, que fala de prosperidade o tempo todo não é Evangelho de Jesus Cristo. O Senhorio redentor nos faz assumir uma nova visão de Deus, na categoria de quem desce dos céus para nos encontrar, que vem do atemporal para o temporal, que surge do infinito para redimir o finito humano. Também nos faz descobrir um novo rosto de Igreja Católica, na qual os cristãos vão se apresentando como servos e não na condição de senhores. Por fim, o Senhorio nos faz compreender as novas e futuras relações na comunidade de fé e na sociedade em vista da implantação cotidiana do Reino de Deus.

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário redentorista, reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno e mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

Missas

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Missas: 7h, 10h e 17h30

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Missas Segunda, quinta e sexta: 7h
Quarta: 9h
Sábado: 7h e 17h30
Domingo: 5h45, 8h e 17h30

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Missas Domingo: 8h Novena dos Filhos do Pai Eterno Todos os dias: 13h