Dia: 9 de Fevereiro de 2008

Um grito pela vida!

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Criada em 1962, ano que marcou o início das reformas pastorais do Concílio Vaticano II, a Campanha da Fraternidade vem se consolidando como uma reflexão espiritual, catequética, bíblica e científica sobre as mais variadas questões pertinentes à população. O objetivo maior é conscientizar as pessoas endereçadas e, ao mesmo tempo, evangelizar os diversos setores da sociedade que têm menosprezado uma determinada área do País e por isso ferido a dignidade humana ao gerar um pecado social. Anualmente, após uma aprofundada análise de conjuntura por parte de peritos e especialistas, é escolhido uma matéria de maior enfoque para a Nação. Este ano, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) oferece como tema: “Fraternidade e Defesa da Vida”, e como lema: “Escolhe, pois, a Vida” (Dt 30,19). Esta já é a 45ª Campanha da Fraternidade. No entanto, vale ressaltar que ela não é promovida somente pela Igreja Católica Romana, mas também pelas Igrejas membros do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (Conic). Cito a Igreja Cristã Reformada (ICR), Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (Ieab), Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Igreja Síria Ortodoxa de Antioquia (ISO) e Igreja Presbiteriana Unida (IPU). Vinculadas pela fé, estas e outras instituições sociais buscam a defesa e a promoção da vida humana desde a concepção até a morte.

Diante de uma temática tão complexa, são inúmeras as abordagens que podemos emitir. Assim sendo, pela brevidade deste artigo e pela importância do debate, saliento algumas prerrogativas significativamente importantes para tomadas de decisões no presente, principalmente em relação ao crime do aborto. Destarte, há ainda um tripé existencial que deve ser levado em consideração pela ética do humano e pela moral do agir: na dignidade intrínseca da pessoa, no desejo de liberdade que é diferente de quaisquer correntes de independência ou autonomia e por fim na experiência da responsabilidade pela própria vida.

A palavra “aborto” é proveniente do latim aboriri que significa “perecer”. Logo, concluímos que tal prática é o próprio perecimento da vida, sinônima de infanticídio. Contudo, e além de etimologias, é no Brasil que uma das grandes ameaças à vida tem ocorrido: a clandestinidade do aborto, que hoje chega à margem de 300 por ano. O número não pára por aí; de acordo com o Sistema Único de Saúde (SUS), a quantidade de extenuações maternas, por conseqüência do aborto, tem atingido a proporção de 115 a 150 mortes anuais. Por conseguinte, essa situação gera uma dupla mortalidade, tanto do feto quanto da mãe, muitas vezes desprovida de informações e influenciada por pressões de outrem. Paulatinamente e obscurecida pela imprensa, a legalização do aborto tem conseguido muitos adeptos, influenciados por pseudo-informações, que dizem conter a mortalidade e a morbidade materna, o número de abortos e o gasto público com os investimentos na área da Saúde. Alguns nos deixam boquiabertos ao afirmar que o aborto é um “mal necessário” para a conquista da emancipação feminina. Desde quando matar é um direito? Seria uma inconseqüência social e um retardamento histórico a confusão entre a norma do direito e o crime do assassinato. Legalizar o aborto é voltar às origens primitivas da evolução histórica ao permitir que as forças não racionais decidam quem deve viver e quem deve morrer na disputa entre clãs.

Na mesma direção, não podemos nos esquecer que a legalização abortiva tem implicações jurídicas ao negar os direitos do nascituro, médicas ao matar o feto e possivelmente a mãe, éticas ao desprezar o valor da vida, científicas ao se colocar a serviço da morte de inocentes, sociais ao instituir a violência e o descontrole da natalidade, factuais ao não dignificar a mulher nem diminuir a quantidade de abortos, e religiosas ao agredir com veemência o fundamento de todas as religiões que defendem a vida como dom do Criador.

Muito pouco é noticiado, mas nas clínicas que comercializam embriões in vitro os fetos são tratados como cobaias humanas e torturados até a morte em vista de um falso desenvolvimento da Ciência, pois aquela que deveria gerar a vida, agora se torna a grande inquiridora da morte. Seriam mesmo científicas as investidas sanguinárias de empresas que reduzem o ser humano a um objeto de pesquisa descartável? Saibamos e defendamos que não se justifica um bem por um mal.
Hoje, precisamos escolher entre o caminho que conduz à vida e o caminho que leva à morte! Não nos isentamos em optar por Aquele que é o caminho, a verdade e a vida (Jo 14, 6) e que nos convida a viver em abundância (Jo 10, 10). Vejamos bem se não estamos criando para as futuras gerações uma sociedade obstinada pelos resultados terapêuticos como fuga da morte ou como longevidade industrial. Que Jesus de Nazaré, assassinado por se opor à lei escravista e ao Estado déspota, nos ensine a não violentar, mas, sobretudo, exaltar nossa humanidade tão dilacerada ao ser reconhecida como mera mercadoria.

Oxalá que os defensores do aborto possam pôr a mão na consciência e se silenciar diante do mistério da vida! O que seriam deles se também tivessem sido abortados por suas mães? O mesmo direito que eles tiveram de nascer deve ser estendido a todos! Àqueles que se ocupam da Saúde e que atuam em clínicas clandestinas vale a sentença: deixem de trair o juramento de suas profissões e assumam com honestidade social o encargo que lhes foi confiado em nome de Deus. Às mulheres violentadas, peço que a graça divina possa despertá-las para não reproduzir na vida de inocentes a violência que lhes foi sofrida por parte de agressores. Saibam que interromper a gestação não é nenhuma conquista ou superação do problema, mas pelo contrário, uma derrota e talvez a maior derrota de suas existências. Aos políticos, e de modo especial ao Legislativo, que as decisões em voga e tramitadas no Congresso não façam dos senhores promulgadores da morte e geradores de uma não-política, ao serem desacreditados pela sociedade civil. Depois da corrupção maquiavélica, só falta a legalização do aborto para deixarmos de acreditar que este País ainda tem motivos para crer em dias melhores. Por favor, não nos decepcionem! Fazei jus à fé de um povo sofredor e permiti o nascimento daqueles que não têm berço esplêndido para dormir e muito menos o direito de ver o céu formoso e límpido deste Brasil! Que o sofismo do chamado “Estado laico” não seja conseqüência de uma “nação desumana” ao instaurar o sacrifício dos inocentes, apedrejando-os até a morte!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário redentorista, reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno e mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

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