Dia: 24 de Fevereiro de 2008

Vida nada “big” num mundo nada “brother”

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Um fenômeno de alcance mundial, em todas as classes e idades, tem sido os chamados reality shows. A maioria deles é produção estrangeira adaptada pela comédia da vida privada à moda brasileira. Pessoas, antes, anônimas e cidadãos comuns viram celebridades nacionais e em pouco tempo tornam-se devedores e acorrentados pelos tentáculos da mídia contraproducente. Uns são chamados de “ídolos”, outros passam pelas casas da “fama” e se autodenominam “artistas”, outros ainda assumem a “troca de família”, enquanto os demais competem violentamente, entre si, para se autoproclamarem “aprendizes” em um jogo nada justo por sinal. Todos acabamos conhecendo e sabendo do assunto, mesmo não sendo assíduos telespectadores destes programas. A mídia é muito forte e a polêmica sobre os fatos toma conta dos assuntos de roda e mesa e praticamente ninguém consegue se isentar.

A palavra fenômeno é originada do grego phainómenon e significa “coisa que aparece”. No entanto, os reality shows não só aparecem e fazem aparecer, mas, sobretudo, acabam ferindo a sacralidade da vida real, ao fazê-la um espetáculo de telespectadores ávidos pela indiscrição moral e ética. Não são poucos aqueles que acabam se projetando acima dos personagens oferecidos, a ponto de descartá-los como se faria com um objeto. Coloca-se em paredões e tira-se de cena os “rostinhos” e os “jeitinhos” que não agradam ao “gostinho” do público. Vidas são coisificadas, pessoas são instrumentalizadas, realidades viram fetiche de um mundo alienado pela vontade de controlar a existência de outrem.

O gênero do reality show possui fundamentação histórica datada de 1948, a partir do livro Mil novecentos e oitenta e quatro (1984), do escritor indiano Eric Artur Blair, mais conhecido pelo pseudônimo de George Orwell. Nesta obra, o autor utiliza do futuro para narrar um romance pessimista sobrevindo na Inglaterra. A história tem o pontapé inicial com a formação de um megabloco oceânico, que na narrativa significa a junção de todos os países, com seus cabais oceanos, em um único grupo. O respectivo bloco vive imerso no regime totalitarista, no qual Winston Smith, um funcionário do partido IngSoc, assume as vezes de ator principal. Sua missão é verbalizar as experiências sofridas pelo totalitarismo fascista da Itália e nazista da Alemanha. Por outro lado, a função do governo é reprimir pelo medo a todos aqueles que se oponham ao sistema. Todos são vigiados pela “polícia do pensamento” através de uma teletela, isto é, um aparelho de massificação, capaz de captar em áudio e vídeo a vida dos cidadãos, no intuito de controlar suas consciências. Juntas, as pessoas são procuradas e entretidas por um ser onipresente das teletelas, apontado como o “Grande Irmão” (Big Brother). Vale ainda ressaltar que até mesmo o título do livro 1984 já é uma crítica invertida à tirania dos sistemas políticos de 1948. George Orwell faz da década de 84 um trocadilho de seu tempo na década de 48.

Vigiar a vida das pessoas é uma forma de controle déspota. Colocar câmeras sobre as individualidades é fazer dos partícipes produtos da nossa alienação fugaz. A necessidade de verificar a vida alheia é um meio bestial de construir uma sociedade que não respeita mais os limites do privado. Por conseguinte, expor a vida em um reality show, na obstinação por fama e dinheiro fáceis, demonstra a carência de nossas instituições sociais que não têm mais nada a oferecer senão um complexo vazio de inventividade e valores.

Passando pelos nossos supérfluos “ídolos” brasileiros ou estrangeiros, adentramos, por exemplo, a desusada Casa dos Artistas, para nos determos no “Casamento à Moda Antiga”, no “Circo do Faustão” e logo em seguida vermos a “Dança dos famosos” com ou sem gelo, e por último nos depararmos com a Supernany de uma vida fútil. Um jogo de prazeres proveniente do besteirol capitalista com seus: Americas Next Top Model (no Brasil “Batalha dos modelos”), Extreme Makeover: Home Edition (onde se constroem casas populistas em sete dias), Laguna Beach: The Real Orange County (semelhante ao “Na Terra dos Ricos” do canal Fox), Miami Ink (um estúdio de tatuagem com depoimentos dos clientes), Popstars (é o programa original dos Ídolos no SBT e do Fama na Rede Globo), Project Runway (uma competição eliminatória de estilistas desafiados pela escravização da beleza pela moda), The Apprentice (produzido e apresentado por Donal Trump. No Brasil é comandado pelo empresário Roberto Justus), The Real Wedding Crashers (inspirado no filme Penetras Bom de Bico), The Simple Life (programa norte-americano, no qual socialaites visitam o mundo da miséria imerecida dos pobres), e por fim, para não cansar a sua cabeça, o Survivor (adaptado no Brasil em dois programas: o primeiro que deixou de ser exibido No limite e o segundo com o nome de O Conquistador do Fim do Mundo).

Estas são algumas expressões televisivas da ausência de respeito pela inferência coletiva na individualização da pessoa humana. O ser humano não foi criado para servir de divertimento às massas deturpantes da realidade, mas, pelo contrário, para ser um agente da história na construção de um mundo melhor, no qual usam-se as coisas e não as pessoas.

A mídia está diante de nós. Cabe-nos, portanto, aprender a separar o “trigo do joio”, para viver humana e dignamente como filhos amados do Pai Eterno! Do oposto sejam todos bem-vindos aos reality shows: um mundo de ilusão e falsidades! Uma conjuntura marginalizante na qual as pessoas assumem máscaras e interpretam papéis com o objetivo de serem aprovadas pela opinião – desculpem a expressão– da “galera”!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário redentorista, reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno e mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

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