Mês: agosto 2008

DEIXAR-SE AMAR PARA NÃO INVEJAR!

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Sempre é bom visitar o centro das nossas emoções e nos deparar ali com alguns sentimentos que acabam corroendo a raiz do amor que o Pai Eterno infundiu em nós. Detemo-nos, por ora, na chamada “inveja”: uma realidade que surge à medida que nos comparamos com o potencial de outrem e nos martirizamos por isso, desejando ser tal como o desejado: “A inveja, em suas variadas manifestações, é uma reação agressiva quando se sente que a própria imagem é pálida diante do resplendor da imagem do outro. A luz da imagem alheia deixa a descoberto a opacidade da própria imagem. Sente-se a necessidade de eclipsar a imagem do outro. Quanto mais obscura se vir a imagem alheia, mais brilhante se verá a própria. Quanto mais centímetros tirar da altura do outro, sentir-se-á mais alto, embora, objetivamente, não tenho crescido nada” (Inácio Larrañaga).

Na inveja está um misto de sentimentos hostis, tais como: a incapacidade de crescimento interior, a comparação doentia, o ressentimento vingativo, a frustração existencial e a inferioridade estagnada. Pessoas invejosas dificilmente se relacionam com tranqüilidade, uma vez que necessitam reafirmar posses, qualidades, valores e vantagens pessoais no intuito de diminuir as pessoas com as quais convivem. Até mesmo algumas críticas destrutivas e o fato de falar mal dos outros demonstram a capacidade dissimulada da inveja.

O pior acontece quando o invejoso não assume que possui a inveja como um dos operantes de suas atitudes invasivas. Vai se formando, então, uma espécie de falseação do ser. A pessoa torna-se vítima do sucesso alheio. Estritamente reprimida, a inveja vai tomando conta da potencialidade da pessoa a ponto de torná-la cópia de tudo aquilo que almeja, pois na raiz da inveja está o sentimento oculto de ser igual ao outro. E se este último também for invejoso, tornamo-nos, portanto, “cópia da cópia”. Na psicanálise este processo é denominado simbiose competitiva: relação na qual um indivíduo se confunde com outro no intento de ocupar o melhor lugar. Justamente por isso surgem as emoções inconscientes como raiva, agitação exterior e incapacitação diante do sucesso de outrem.

Qual é o lugar da inveja? Onde ela mora? Em que parte do humano reside? Na verdade, “a inveja habita no fundo de um vale onde jamais se vê o sol. Nenhum vento o atravessa; ali reinam a tristeza e o frio, jamais se acende o fogo, há sempre trevas espessas […]. Assiste com despeito aos sucessos dos homens e este espetáculo a corrói; ao dilacerar os outros, ela se dilacera a si mesma, e este é seu suplício” (Ovídio, poeta latino). Assim sendo, a inveja é uma resposta cíclica que vai mergulhando a pessoa em um mundo de devaneios e profundas decepções consigo mesma. A inveja tem o poder destrutivo de nos incapacitar ao amor, de aniquilar o sentimento de perdão, de arruinar os sonhos interiores e de destruir, como uma doença viral, a potencialidade da própria pessoa, conduzindo-a ao estado terminal do ser. O invejoso assume, de forma inconsciente, o suicídio lento das suas qualidades mais belas e das suas capacidades mais longínquas.

Em um mundo capitalista, no qual desde a mais tenra idade somos estimulados a competir, fica evidente o alicerce da inveja. Existe até mesmo um dito popular que diz: “Enquanto o invejado sobe os píncaros da glória os invejosos sobem o calvário das lamentações”. Devemos, deste modo, visitar o nosso interior e procurar ali todas as situações que nos remetem a ‘desejar’ aquilo que não nos pertence, a ‘almejar’ o que não é fruto do nosso suor e a ‘cobiçar’ os bens e as qualidades alheias. Saibamos que, a inveja é um desequilíbrio afetivo, emocional e espiritual. Neste sentido, o primeiro passo para a libertação é o reconhecimento sincero de possuí-la. Sem disfarçar, mas, sobretudo, tentando conviver com este mal e, ao mesmo tempo, não compactuando com ele. Não se trata de travar uma guerra interior, com o objetivo de extirpar a inveja bruscamente. Pelo contrário, devemos sim construir um itinerário místico a ponto de minimizá-la até o coração ficar livre.

Se a inveja age como uma formação reativa em vista da destruição de si e do outro, precisamos descobrir que na gratuidade divina há um espaço para a cura. Tomando consciência dos próprios valores e qualidades a pessoa torna-se mais transfigurada, sendo capaz de transpor a sua figura pela figura do amor de Deus. Destituindo as comparações ou as críticas doentias é possível viver livremente sem depender dos bens de outrem para ser feliz! Amar o próprio interior já é uma forma de sair do jugo da inveja. Reconciliar-se com o corpo, perdoar os próprios aspectos físicos e genéticos já é um meio de deixar a escravidão da inveja. Em Jesus de Nazaré encontramos o alento para começarmos a viver amando o que somos e valorizando o nosso interior, sem penhorar a nossa existência nos dons, nas características e nas propriedades dos outros!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

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