Mês: outubro 2008

A INJUSTIÇA CAPITALISTA

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De acordo com os especialistas a crise financeira dos Estados Unidos tem sido o maior colapso econômico, desde a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, em 1929. Trata-se de uma problemática assistemática no mercado imobiliário. Na verdade, a situação foi provoca devido ao financiamento de imóveis por parte das financiadoras a pessoas sem histórico de qualidade monetária e sem renda fixa. Foi uma gestação de credores de característica inadimplente que não honraram com os pagamentos dos imóveis afiançados. A consequência dos comodatos não pagos foi a supressão de novos empréstimos e a elevação hiperbólica da taxa de juros. Por conseguinte, as financiadoras continuaram com inúmeras dificuldades para angariar novos compradores. Resultado: foi só uma questão de tempo para que os bancos e o mercado imobiliário declarassem falência e investissem na lei de concordatas. Sabe-se, atualmente, que a cotação completa da crise financeira já alcançou a casa de US$ 1 trilhão.

Como o mercado capitalista funciona em torno de uma teia viciosa, vemos a crise sendo distendida. Por outro lado, também há o esforço paulatino para o controle das bolsas de valores em todo o mundo. São muitos os investidores internacionais que acabam vendendo suas ações e trocando a moeda local por dólar, no intuito de honrar seus compromissos financeiros com os Estados Unidos. Perdendo o valor das ações, as bolsas assolam em queda brusca e, ao mesmo tempo, fecham em baixa alarmante. A crise tem a característica do conhecido “efeito dominó”, ainda mais pelo fato da sociedade estadunidense viver economicamente acima de padrões realmente viáveis: “acostumados aos gastos extremos muitos cidadãos estadunidenses se viram sem saída quando o ritmo dos seus gastos superou a capacidade de quitação das dívidas” (Ítalo Paulo).

Sabemos que os valores não recebidos das hipotecas imobiliárias levaram bancos à falência, dentre eles destaca-se o quarto maior banco dos Estados Unidos: o Lehman Brothers, com 158 anos de história. A crise também fez com que somas altíssimas de dinheiro fossem lançadas no mercado financeiro. O Banco da Inglaterra injetou cerca de 19,9 bilhões de libras (US$ 35,7 bilhões) e mais 19,999 bilhões de libras (25,142 bilhões de euros) no mercado financeiro em atitude emergente. Posteriormente também foram disponibilizados 5 bilhões de libras (US$ 8,93 bilhões), com o objetivo de suprir as reservas dos bancos britânicos. Até mesmo o Banco Central Europeu colocou no mercado financeiro 70 bilhões de euros (US$ 99,4 bilhões) no tentame de minimizar os efeitos da crise na Europa.

Não temos conhecimento das novas premissas salvadoras do sistema nem como será o término da crise, uma vez que até mesmo os economistas têm concedido opiniões errôneas e dados equivocados. Muitos afirmaram que os bancos não iriam falir e o que vimos foi o contrário. Contudo, o que mais nos assusta não é a crise, mas, sobretudo, a incongruência que o mercado capitalista tem para disponibilizar montantes em dinheiro para salvar a economia da crise. Claro que é um esforço descomunal e necessário, no entanto, o questionamento parte de duas realidades intrínsecas: 1. O que move o mercado financeiro à ação desesperada? 2. Quais os interesses que estão por trás das características escusas e muitas vezes injustas do sistema. Explico-me!

Junto à crise dos Estados Unidos está a fome provocada pela má distribuição da riqueza no mundo. Os estudiosos alertam que a escassez de alimentos já atingiu cerca de 815 milhões de pessoas em todo o mundo. Destas, 777 milhões estão nos países desenvolvidos, 27 milhões nos subdesenvolvidos e 11 milhões nos países ricos. Os cientistas sociais afirmam que a fome é a grande responsável por provocar os mais variados tipos de mutilações humanas, carência de incrementos vitamínicos em bebês, debilidade mental, crimes e até ceguidade.

Somados a fome também estão aqueles que vivem abaixo da linha da pobreza. No Haiti, por exemplo, a população perdura até os 57 anos de idade e com a alimentação 80% acima do valor original devido à inflação. Os haitianos se mantêm por meio do chamado “bolo de lama”, composto por: terra, água, sal e margarina. No Japão cerca de 45 mil pessoas já vivem na miséria. No próprio Estados Unidos já são 3,5 milhões o número de mendigos. No Brasil, o número de doenças e epidemias aumentou, sem falar das epidemias globais que assolam o planeta. No Rio de Janeiro o fim da miséria custaria para os cofres públicos o investimento de 1,3 bilhões por ano. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação se comprometeu a reduzir em 15% o número da subnutrição no mundo e logo depois protelou a respectiva data para 2050. Adia-se a resolução para a fome e a miséria, mas não se protela a crise? Às vezes parece que o lema que nos rege é este: “salvem o mercado e delonguem as soluções para a miséria que chacina a África e a Ásia”.

Por fim, ainda temos as secas e as inundações ocasionadas pelas constantes mudanças climáticas. A estas também podem ser adicionadas às turbulências políticas, sociais e econômicas dos países pobres. E agora perguntemos: quais são as tentativas coletivas do sistema vigente para amenizar, equilibrar e/ou solucionar tais situações dramáticas? Isso nos faz constatar que a ética e a dignidade humana ainda estão esquecidas e acabam sendo empecilhos para o bom desenvolvimento do mercado. É como se a valorização da pessoa não fosse cotada pelas cifras do financiamento descomprometido com a história. Não se trata de ajuda caritativa dos países ricos aos pobres, mas, sobretudo, da consciência de que somos responsáveis pela fome e a miséria do mundo!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

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