Dia: 9 de novembro de 2008

“HERRAR É UMANO OU ERRAR É HUMANO?

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Fomos formados dentro de uma tradição na qual os limites deveriam ser ultrapassados, muitas vezes de forma arbitrária e desumana. Limite sempre foi associado ao pecado, até tornar-se seu sinônimo, e não vinculado a determinadas situações existenciais do humano.

Contraposto ao conceito de limite surgiu o conceito de perfeição. Geralmente fomos educados dentro da escola da perfeição. Esta última foi idealizada e, de várias formas, confundida com santidade. Mas será que somos capazes de ser perfeitos? A reflexão que fazemos por ora é chamada na Filosofia de Antropologia do Limite, na Psicologia de Terapia da Imperfeição e na Teologia de Moral Transcendente. Vejamos as suas implicações em nossa vivência cristã!

Existem situações em nossa vida que não dependem de nós e dificilmente podem mudadas, como por exemplo: a história da infância, a influência do pai e da mãe, os problemas familiares do passado, as insuficiências congênitas e algumas deficiências na personalidade. Há realidades que podem ser mudadas pelo nosso esforço pessoal, outras podem ser transformadas pela graça operante de Deus e algumas jamais poderão ser modificadas. É necessário compreender o nosso limite pessoal, o limite das outras pessoas e por fim o limite da vida, para sermos mais sadios e integrados no Amor. Aquele que não aceita os seus limites não é humano, pode ser um alienígena, menos humano. Diante do conflito preferimos negar nossos limites… E quando o negamos deixamos de ser pessoa, pois o limite está na essência do nosso ser. Passamos a ser homúnculos – definição de Victor Frankl – criador da logoterapia – um ser que não pode ser chamado humano.

Vale ressaltar que se o limite está na ótica de condição existencial, o pecado está centrado na negação a Deus e na negação da potencialidade da pessoa. Limite precisa ser assumido, já o pecado renunciado. Limite se aceita paulatinamente, pecado se deixa processualmente. O limite, quando assumido, nos torna pessoas. Pecado, quando investido, nos torna ególatras do ter, mercenários do poder e idólatras do prazer. O limite gera conversão, pois aí “todo o nosso viver é, em sentido profundo e realíssimo, ser vivido por Deus. O que, ao mesmo tempo, significa que também nós vivemos com a mesma vida de Deus” (André Torres Queiruga). O limite não é condição prévia para permanecer no pecado. Limite é uma categoria humana, o pecado é uma deficiência no caráter filial que Deus impregnou em nós.

O limite se contrapõe à denominativa da perfeição. Sabemos pelo estudo crítico-histórico que a perfeição é uma verdade construída e amplamente difundida pela cultura helênica ou grega, principalmente por Aristóteles. A imperfeição na filosofia aristotélica denota falta de qualidade, falta de excelência, falta de finalidade em um ente. A partir do momento em que o Evangelho passa a ser difundido no mundo grego, o conceito de perfeição adentra a caminhada cristã. É o preço da inculturação, com seus aspectos positivos e negativos. Posteriormente, até mesmo a filosofia de Leibniz, Spinoza e Kant vai se referir ao conceito de perfeição em suas metafísicas e em suas morais.

Precisamos reconhecer que santidade é uma coisa, perfeição é outra. Os santos não foram perfeitos, mas foram santos. Estes homens e mulheres da fé tiveram que lutar a vida inteira contra o pecado, mas, ao mesmo tempo, também souberam conviver com seus limites. Enquanto a santidade é viver de Deus e para Deus, a perfeição é viver de si e para si. Aspirar à perfeição é uma imprudência consigo mesmo. Desejar a santidade é reconhecer o sentido da existência no Amor e as raízes do nosso ser em Deus.

Dos mais variados modos a perfeição foi vinculada a esforços inumanos, pois construiu a visão moral a partir de metas irreais. Na perfeição a vida, a oração e tudo aquilo que nos cerca passa a ser pautado pelos nossos ideais e não pelos nossos limites. E a passagem bíblica de Mt 5,48 que diz: “Sede perfeitos como é perfeito vosso Pai que estás nos céus”? Pelo estudo da filologia exegética do Segundo Testamento sabe-se que o termo ‘perfeito’ tem um problema na tradução, uma vez que no original aramaico o termo utilizado é hesed ou rehamin. Ambas significam misericórdia: a nossa miséria depositada no coração de Deus. Justamente por isso, a tradução mais fidedigna e literal seria misericórdia no lugar de perfeição.

Contudo, precisamos ter a cautela da fé para não justificar nossos erros pelos limites. Não se explica uma escolha pecaminosa por um limite. Pecado é uma coisa, limite é outra. Assim como santidade e perfeição são realidades amplamente diferentes. O limite nos ensina a dialogar com a realidade mais profunda de nosso ser, não para dominá-la, mas para integrá-la em Deus. “Onde quer que apareça o humano, aparece o limite. Onde se aceita o limite, aparece a humanidade do homem. Onde se recusa o limite, desaparece a humanidade do homem” (Anselm Grün). Que a partir de nossos limites reconheçamos a potencialidade de nossa vida em Deus e cientes de que “uma das coisas mais difíceis é saber perdoar os próprios defeitos e os próprios erros” (Hillesum). Difícil, mas não impossível!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

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