Mês: fevereiro 2009

POR UMA EXISTÊNCIA MAIS SAUDÁVEL E ESPIRITUAL

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Atualmente, a espiritualidade tem sido considerada um suporte terapêutico para o tratamento e a cura das mais variadas enfermidades. Trata-se de um dado comprovado pela ciência e ratificado pelas pesquisas mais recentes. Para a medicina moderna, a junção entre ciência e espiritualidade, tem provocado muitas rupturas, principalmente naqueles que relativizam a importância da fé na recuperação dos pacientes. O divórcio entre saúde e espiritualidade foi um dos grandes equívocos da ciência moderna. A separação entre ciência e fé, da prática clínica, provocou a cisão da pessoa humana na sua gênese existencial em Deus.

Casos de estresse agudo, de doenças cardiovasculares, respiratórias, ósseas e musculares, depressão, câncer e Alzheimer foram equilibrados ou sanados devido à prática espiritual. Não falamos de curandeirismo mágico ou comércio da fé, mas, sobretudo, da espiritualidade, na condição de um sistema auto-imune, a partir do próprio organismo. Também não podemos confundir o processo espiritual dos pacientes como a auto-sugestão freudiana, uma vez que não é um apelo externo no influxo do sujeito, contudo, uma manifestação interna da pessoa em questão. Deus é a força operante que age em toda a recuperação. Tanto é que em pesquisa realizada entre idosos de sessenta anos acima o nível de mortalidade diminuiu naqueles que iam à Igreja pelo o menos uma vez por semana. O estudo realizado pela National Health Interview Survey assegurou que: “pessoas que nunca tiveram ou que exerceram prática religiosa irregular apresentavam risco de óbito 1,87 vez maior comparadas àquelas com prática de pelo menos uma vez por semana. Tal associação se traduziu em diferença de cerca de até sete anos adicionais, na expectativa de vida entre os grupos” (Dr. Hélio Penna Guimarães).

Sem nenhum sensacionalismo podemos afirmar que a espiritualidade tem impactado o desenvolvimento de inúmeras doenças degenerativas. Junto à fé também se acrescenta a criação de hábitos alimentares essenciais, o repouso necessário, os exercícios físicos, a amenização do nervosismo, o controle da pressão arterial e até mesmo a redução de óbitos em 25% a 30%. “Estudos […] têm enfatizado o possível incentivo que essas práticas oferecem a hábitos de vida saudável, suporte social, menores taxas de estresse e depressão. Atitudes assistenciais voluntárias ou participação em congregações têm demonstrado associação com redução de mortalidade, provendo suporte e significado de vida, emotividade de aspecto positivo ou ausência de emoções consideradas de aspecto negativo […]” (Dr. Álvaro Avezum).

No entanto, não é somente a espiritualidade que configura uma boa saúde física. Também são necessários outros elementos, que somados à fé, viabilizam aquilo que chamamos de “qualidade de vida”. Os hábitos do cotidiano determinam o nível da nossa saúde ou da nossa doença. Da forma como tratamos o nosso corpo estamos suprindo suas necessidades vitais, ou do contrário, agredindo-o. Justamente por isso, que a prática de atividades ergométricas e esportivas, a ingestão de fibras, cereais, proteínas, soja, leite e derivados, o consumo de líquidos naturais, a higiene pessoal e o repouso são mecanismos para uma vida longeva. O cuidar de si é totalmente contrário à cultura narcisista, intimista e individualista. Saúde física e espiritual é distinta de toda e qualquer tipo de ditadura de beleza imposta pela sociedade. Cuidamos para viver bem e não pela busca desesperada pela fonte da juventude, pois quem se ama, se cuida.

Na verdade, paralela à saúde também estão os fatores de risco capazes de desenvolver doenças graves, a saber: sedentarismo, colesterol alto, tabagismo, diabete, obesidade, estresse, pressão arterial alta, idade avançada e disfunções hereditárias. Todos estes fatores precisam ser eliminados e o primeiro passo é o reconhecimento de que a nossa saúde física e espiritual está intimamente ligada à fé. “Assim como a falta de comida determina uma sensação desagradável de fome física, a falta de Deus determina uma sensação desagradável de fome espiritual, um vazio somente preenchido por Deus. Um prato de alimento sacia a fome do corpo, Deus sacia a fome espiritual. Assim como uma lâmpada só pode acender quando ligada à corrente elétrica adequada, nós só podemos funcionar perfeitamente se estivermos ligados a Deus. Por quê? Porque assim fomos feitos por Deus, nosso criador. Separados dEle, temos problemas e não funcionamos bem. Logo, assim como cuidamos do corpo e da mente, precisamos cuidar do espírito” (Dr. Belmiro d’Arce).

Vejamos bem até que ponto temos dado atenção merecida à nossa espiritualidade. Não façamos da mesma um mecanismo para a cura de forma interesseira, mas como consequência da nossa relação com o Pai Eterno. Estejamos abertos ao Transcendente para que a nossa saúde transfigure o Divino e se torne fonte do Eterno! Bom domingo!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

O TRABALHO É PARA O TRABALHADOR

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A sociedade em que vivemos é resultante da Revolução Industrial. Junto ao sistema capitalista também nasceu a filosofia liberal. Fundamentada no lucro alienado, a indústria, em não raras situações, confundiu a pessoa humana com a máquina, fazendo com que sua vida fosse pautada pela produção contínua, transformando-a em mais uma mercadoria. Hoje, a pessoa, motor da economia, se vê obrigada a ceder espaço para o lucro sem proporções. Do contrário é substituída pela robótica. O trabalho que outrora enaltecia, agora, desumaniza o próprio trabalhador.

Sem exageros, vemos o retorno dos gladiadores, divididos entre patrões e funcionários, cada qual defendendo a ferro e fogo os seus interesses, sem pensar no bem comum da sociedade. “Uns detêm o capital e os meios de produção, outros apenas a força de trabalho. Em tais condições assimétricas, instala-se a lei do mais forte. Na verdade, o liberalismo econômico é um jogo de cartas marcadas, onde os mais fortes vão devorando os mais fracos, numa espécie de darwinismo social” (Pe. Alfredo J. Gonçalves S.C.).

Em contextos específicos, o trabalho já não é mais uma doação ao outro, mas, sobretudo, a consequência direta de saldos acumulativos utilizados em benefício próprio. Aqui o comunitário se reduz à esfera do individual. A produção é tão acelerada que não se pensa mais no destinatário de determinado produto. Produz-se para um ‘eu coletivo’ sem nome, história e lugar. A qualidade do produto não é medida pelo feitio da apurada peça. Pelo contrário, a qualidade é associada à quantidade de mercadorias comercializadas indiscriminadamente. Quanto mais se vende, melhor a qualidade. Quanto mais se compra mais gente se torna: “compro, logo sou!”. A produção e o consumo são os novos pilares da sociedade do lucro. Desta forma, vamos edificando a cultura da oferta em que até mesmo a vida é leiloada.

Não podemos nos esquecer que a atividade do humano é fruto do seu próprio trabalho. Na verdade, é o homem que dignifica o trabalho e não o trabalho que dignifica o homem. Infelizmente, fomos formados dentro de um costume que prioriza o investimento acima da pessoa: destino último do trabalho! Muitas vezes, o que vemos é a institucionalização da injustiça, configurada como lei emudecida: na ausência de salários dignos, no desemprego imerecido, na carência de organização sindical, na falha de atendimento médico, na omissão aos direitos trabalhistas, na supressão da consciência legal e política e no silêncio dos empregadores. Por outro lado, vemos “as pequenas causas” se transformar no templo dos pseudo-advogados, ávidos em processar empresas e realidades de modo tirano e parcial. Em alguns casos, antes da defesa do trabalhador, está a necessidade insaciável de arrancar dinheiro a todo e qualquer custo. Claro que a afirmação supracitada não é generalizada, uma vez que a grande parte dos ‘homens e mulheres do direito’ são pessoas de caráter, justos, retos com a lei e imparciais.

Se ao funcionário cabe o direito de trabalhar, ao patrão cabe o dever de pagar um salário justo e verdadeiro, capaz de suprir as necessidades do trabalhador e, por conseguinte, de sua família: “Eis que o salário, que tendes extorquido por fraude aos vossos operários, clama contra vós: e o seu clamor subiu até aos ouvidos de Javé” (Tg 5,4). O funcionário deve servir à verdade, evitando lesar seu patrão, ao passo que o patrão tem a obrigação existencial de não tratá-lo como escravo ou coisa parecida. O lugar do trabalho não é uma ‘sociedade de exploração’, todavia, uma ‘sociedade de pessoas’ no amor (Cf. Centesimus Annus, nº 43).

Trabalhar para ganhar o próprio pão é um direito da pessoa. O pecado nasce na medida em que esse direito lhe é negado. “Uma sociedade onde este direito seja sistematicamente recusado, onde as medidas de política econômica não consintam aos trabalhadores alcançarem níveis satisfatórios de ocupação, não pode conseguir nem a sua legitimação ética nem a paz social” (João Paulo II). Junto à negação também está o fenômeno em cobrar da pessoa algo para além de suas forças. Trata-se de um assalto à corporalidade. Esquece-se de que o físico também tem um limite. Depressão e estresse são palavras modernas provenientes de uma sociedade que perdeu o bem senso diante do trabalho a ponto de tornar-se hiperbolicamente ativista.

Na mesma direção também nos vem à memória a chamada ‘ociosidade’, inverso do trabalho. O ócio também é um mal, configurado como pecado social. Nele reconhecemos a inatividade existencial, fundamentada no ódio a toda espécie de trabalho ou empenho físico. “Quem não quer trabalhar, também não há de comer” (2 Ts 3, 10)!

Rezemos para que o genuíno sentido do trabalho seja resgatado em um mundo esquecido de sua origem na caridade de Deus! Por fim, “veneráveis irmãos, não se cansem de inculcar a todas as classes da sociedade as máximas do Evangelho; façamos tudo quanto estiver ao nosso alcance para salvação dos povos, e, sobretudo, alimentem em si e acendam nos outros, nos grandes e nos pequenos a caridade, senhora e rainha de todas as virtudes. […] Queremos dizer, daquela caridade que compendia em si todo o Evangelho, e que, sempre pronta a sacrificar-se pelo próximo, é o antídoto mais seguro contra o orgulho e o egoísmo do século” (João XXIII, Rerum Novarum, nº 35).

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

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