O TRABALHO É PARA O TRABALHADOR

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A sociedade em que vivemos é resultante da Revolução Industrial. Junto ao sistema capitalista também nasceu a filosofia liberal. Fundamentada no lucro alienado, a indústria, em não raras situações, confundiu a pessoa humana com a máquina, fazendo com que sua vida fosse pautada pela produção contínua, transformando-a em mais uma mercadoria. Hoje, a pessoa, motor da economia, se vê obrigada a ceder espaço para o lucro sem proporções. Do contrário é substituída pela robótica. O trabalho que outrora enaltecia, agora, desumaniza o próprio trabalhador.

Sem exageros, vemos o retorno dos gladiadores, divididos entre patrões e funcionários, cada qual defendendo a ferro e fogo os seus interesses, sem pensar no bem comum da sociedade. “Uns detêm o capital e os meios de produção, outros apenas a força de trabalho. Em tais condições assimétricas, instala-se a lei do mais forte. Na verdade, o liberalismo econômico é um jogo de cartas marcadas, onde os mais fortes vão devorando os mais fracos, numa espécie de darwinismo social” (Pe. Alfredo J. Gonçalves S.C.).

Em contextos específicos, o trabalho já não é mais uma doação ao outro, mas, sobretudo, a consequência direta de saldos acumulativos utilizados em benefício próprio. Aqui o comunitário se reduz à esfera do individual. A produção é tão acelerada que não se pensa mais no destinatário de determinado produto. Produz-se para um ‘eu coletivo’ sem nome, história e lugar. A qualidade do produto não é medida pelo feitio da apurada peça. Pelo contrário, a qualidade é associada à quantidade de mercadorias comercializadas indiscriminadamente. Quanto mais se vende, melhor a qualidade. Quanto mais se compra mais gente se torna: “compro, logo sou!”. A produção e o consumo são os novos pilares da sociedade do lucro. Desta forma, vamos edificando a cultura da oferta em que até mesmo a vida é leiloada.

Não podemos nos esquecer que a atividade do humano é fruto do seu próprio trabalho. Na verdade, é o homem que dignifica o trabalho e não o trabalho que dignifica o homem. Infelizmente, fomos formados dentro de um costume que prioriza o investimento acima da pessoa: destino último do trabalho! Muitas vezes, o que vemos é a institucionalização da injustiça, configurada como lei emudecida: na ausência de salários dignos, no desemprego imerecido, na carência de organização sindical, na falha de atendimento médico, na omissão aos direitos trabalhistas, na supressão da consciência legal e política e no silêncio dos empregadores. Por outro lado, vemos “as pequenas causas” se transformar no templo dos pseudo-advogados, ávidos em processar empresas e realidades de modo tirano e parcial. Em alguns casos, antes da defesa do trabalhador, está a necessidade insaciável de arrancar dinheiro a todo e qualquer custo. Claro que a afirmação supracitada não é generalizada, uma vez que a grande parte dos ‘homens e mulheres do direito’ são pessoas de caráter, justos, retos com a lei e imparciais.

Se ao funcionário cabe o direito de trabalhar, ao patrão cabe o dever de pagar um salário justo e verdadeiro, capaz de suprir as necessidades do trabalhador e, por conseguinte, de sua família: “Eis que o salário, que tendes extorquido por fraude aos vossos operários, clama contra vós: e o seu clamor subiu até aos ouvidos de Javé” (Tg 5,4). O funcionário deve servir à verdade, evitando lesar seu patrão, ao passo que o patrão tem a obrigação existencial de não tratá-lo como escravo ou coisa parecida. O lugar do trabalho não é uma ‘sociedade de exploração’, todavia, uma ‘sociedade de pessoas’ no amor (Cf. Centesimus Annus, nº 43).

Trabalhar para ganhar o próprio pão é um direito da pessoa. O pecado nasce na medida em que esse direito lhe é negado. “Uma sociedade onde este direito seja sistematicamente recusado, onde as medidas de política econômica não consintam aos trabalhadores alcançarem níveis satisfatórios de ocupação, não pode conseguir nem a sua legitimação ética nem a paz social” (João Paulo II). Junto à negação também está o fenômeno em cobrar da pessoa algo para além de suas forças. Trata-se de um assalto à corporalidade. Esquece-se de que o físico também tem um limite. Depressão e estresse são palavras modernas provenientes de uma sociedade que perdeu o bem senso diante do trabalho a ponto de tornar-se hiperbolicamente ativista.

Na mesma direção também nos vem à memória a chamada ‘ociosidade’, inverso do trabalho. O ócio também é um mal, configurado como pecado social. Nele reconhecemos a inatividade existencial, fundamentada no ódio a toda espécie de trabalho ou empenho físico. “Quem não quer trabalhar, também não há de comer” (2 Ts 3, 10)!

Rezemos para que o genuíno sentido do trabalho seja resgatado em um mundo esquecido de sua origem na caridade de Deus! Por fim, “veneráveis irmãos, não se cansem de inculcar a todas as classes da sociedade as máximas do Evangelho; façamos tudo quanto estiver ao nosso alcance para salvação dos povos, e, sobretudo, alimentem em si e acendam nos outros, nos grandes e nos pequenos a caridade, senhora e rainha de todas as virtudes. […] Queremos dizer, daquela caridade que compendia em si todo o Evangelho, e que, sempre pronta a sacrificar-se pelo próximo, é o antídoto mais seguro contra o orgulho e o egoísmo do século” (João XXIII, Rerum Novarum, nº 35).

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

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