IDOSOS: VÍTIMAS DO DESCASO SOCIAL!

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Na sociedade, onde o mercado exige competência e agilidade a todo e qualquer custo, a idade tornou-se um grande empecilho para o falso desenvolvimento econômico. Diante do capitalismo, aquele que não produz não serve absolutamente para nada. Há um desejo ávido pelo novo e belo e um desprezo inverossímil pelo avelhantado e experiente. Priorizam-se as pessoas pelo critério da idade e menosprezam-se a epopéia existencial dos idosos. E muitos acabam se esquecendo de que um dia também estarão sendo contados como membros da terceira idade. Não pensam que um dia perderão a flor da juventude. E justamente por isso, não aceitarão o aparecimento das rugas, não se acostumarão com a evidência de determinadas enfermidades, relutarão com a visita cotidiana aos hospitais, não se reconciliarão com a finitude da vida e o encontro bonito e fecundo com a morte.


 Muitas vezes e das mais variadas formas, a sociedade torna-se desumana com o idoso, ao não lhe conceder o direito que este acumulou durante uma vida inteira. Em vez de ser reverenciado por sua sabedoria, e ser denominado de ‘sábio’ por ela, o que vemos é um profundo desrespeito pela figura do idoso. “[…] De forma absurda e revoltante, aquele sábio foi transformado em um ser ignorado, transparente ou invisível […]. É o único ser vivo que consegue ser um ausente mesmo estando presente. Pela solidão, acentuada nas noites insones, o sábio estará vulnerável. 

 

E por estar vulnerável, estará frágil, sofrendo com o descaso, com o desrespeito e a indignidade com a qual é obrigado a conviver. O que grande parte das pessoas parece não saber é que neurônios não envelhecem. Assim como a liberdade, que uma vez conquistada, não se abre mais mão dela, assim também é a memória, as lembranças, o aprendizado, as experiências. Não tem como voltar atrás, como regredir. Está tudo lá, guardadinho num cofre mágico da mente do sábio. Basta alguém dar uma volta na chave que abre esse cofre. E isso é tão simples” (Floriano Serra).


 Assim, dia após dia, vemos o desenrolar de uma trama que foge aos moldes dos folhetins, pois é a dura realidade contra os idosos. Sem generalizações, podemos afirmar que até hoje, o Brasil não conta com uma rede nacional de apoio à saúde do idoso. Faltam médicos geriatras por toda parte. Na mesma direção, donos de clínicas são condenados por mortes e maus-tratos aos idosos, ao passo que o Estatuto do Idoso é descumprido por instituições sociais aos montes. Na verdade, poucos conhecem a existência de tal Estatuto, criado a partir da Constituição e Política Nacional do Idoso (lei 8.842/94). Também assistimos aos idosos/aposentados morrendo na fila de hospitais por não contarem com um atendimento de qualidade e diferenciado na rede pública. Acumulam-se os casos em que a terceira idade não recebe o direito à saúde no tange à doação de medicamentos, próteses e órteses, cadeira de rodas, óculos e aparelho auditivo.


 O descaso à figura do idoso é crime e por lei está sujeito à punição. Negligenciar, tratar com violência como puxões, beliscões, abusos sexuais, queimaduras, amarrar braços e pernas ou obrigar a tomar calmantes; ameaçar de punir ou abandonar, agredir verbal e fisicamente, apropriar-se de rendimentos, pensão e propriedades sem autorização; recusar-se em dar alimentação e assistência médica, impedir o idoso de sair de casa ou mantê-lo em local escuro e sem higiene é considerado um crime moral e social, ainda mais quando é praticado pela própria família (texto adaptado do Estatuto do Idoso). 


 Quanta discriminação e humilhação sofrem uma grande parcela dos idosos brasileiros! Quantos não são amparados pelos filhos maiores na velhice, na carência ou na doença! Quantos têm que viver em asilos, sendo que deveriam estar ao lado dos familiares! Contudo, o ancião experiente, para os mais novos, torna-se um estorvo e nos casos mais drásticos, um problema.
 Pouco se fala, mas também existem denúncias a asilos por tratamento desumano a idosos. “Como os sepulcros caiados a que Jesus Cristo comparou os hipócritas, alguns de nossos asilos atendem à retórica pretensamente humanística com seus jardins enfeitados e suas belas fachadas. Mas a continuação da negligência contra seres humanos que produziram e só cometeram o pecado de viver mais, […] se manifesta em seus interiores: em instalações fora dos mínimos padrões de decência sanitária, profissionais despreparados agridem fisicamente os internos. […] Cabe às autoridades autuar e punir os estabelecimentos irregulares e inadequados, além de selecionar, treinar melhor seus profissionais e punir os maus” (Marici Carpitelli).


 Por fim, vale ainda ressaltar que há famílias que amam e reverenciam seus sábios anciãos e anciãs. Há projetos localizados de políticos e de ONG’s que valorizam a terceira idade como a mesma merecem. Existem pessoas que compreendem, acolhem, amam e veneram a sabedoria destes avôs e avós, pois se colocam em seus lugares e sabem que cedo ou tarde estarão lá também. Rezemos e ajamos com zelo e amor para com os nossos santos idosos!

 
Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

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