Mês: maio 2009

ENVIA-NOS PROFETAS, SENHOR!

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Em uma época distante, quando o povo de Deus era oprimido em sua identidade e massacrado em sua cultura apareceram, paulatinamente, os chamados “nabis” ou “homens e mulheres da Palavra”, mais conhecidos como “profetas”.

Perdidos e desolados, os profetas se revestem da Autoridade Divina para defender os pobres e oprimidos. Assim a luz brilha entre a escuridão. A fé é readquirida e partilhada, tornando-se a força motora de um povo que resiste aos massacres do tempo e aos impérios da morte.

A profecia se multiplica na medida em que o povo compreende que a vida está sendo ferida em sua dignidade: a fé ameaçada em seus alicerces, a esperança perdendo o seu norte e a existência esquecida de sentido.

Justamente por isso, há a necessidade da profecia, como um levante de Deus em favor de alguém ou algo. Nela nos encontramos com um Deus companheiro fiel na jornada tenebrosa da vida. Eis o Emmanuel – Deus Conosco! Um Pai incondicional, bom, eterno e próximo de nós, que por meio do simbólico destrói o diabólico. Na profecia nos deparamos com a face de Deus que jamais nos abandonará nem nos deixará órfãos!

Etimologicamente, a palavra profeta é proveniente da transliteração do grego (πρoφήτης) “profétes”. O termo é conhecido desde o séc. V a.C. Diante de uma situação religiosa, social, econômica e cultural o profeta assumia a tarefa de anunciar, comunicar, tornar conhecida publicamente a mensagem Divina.

O profeta não tinha a missão de predizer algo nem podia ser confundido com um adivinho. Cabia a ele assumir-se, ontologicamente, como um proclamador da Palavra. Uma pessoa que vivia “na” e “da” Palavra emanada do coração de Deus.

Não se tratava de um vidente, de um visionário, de um repetidor ou de um milagreiro extraordinário, mas, sobretudo de uma pessoa que falava a partir da Palavra vivida e encarnada na história de um povo. Assim, também deve ser hoje! Os profetas e as profetisas foram pessoas a serviço da mensagem anunciada.

Na atualidade, o mundo carece de profetas! Quantas injustiças e maldades escancaradas e poucos são aqueles que se habilitam a agir em nome de Deus, anunciando um tempo novo e denunciando a miséria imerecida.

Reconheçamos que a mensagem do profeta faz parte de um contexto real e de uma situação que o impele ao anúncio e a denúncia. Suas intervenções não devem ser aleatórias e descontextualizadas, mas, do contrário, devem possuir um alvo e visar circunstâncias concretas. A mensagem do profeta é uma forma de colocar dificuldades a uma sociedade de caráter arbitrário e tirana.

A profecia tem a dimensão de Deus, por isso vai além de profissões de fé, de culturas, de raças e de convicções pessoais.

A postura do profeta faz com que a sua vida seja projeção do Sagrado e um convite à continuidade de seu trabalho. Ele não tem seguidores, mas, sobretudo, continuadores. É uma alguém que por meio das atitudes e só depois das palavras transparece e irradia o próprio Deus. É um evangelho vivo sem alienações, sem arrebatamentos, sem magia, todavia, com concretude histórica e raiz arraigada à realidade.

Por fim, a profecia se configura como uma resposta de um povo constituído por homens e mulheres que se deixam interpelar por Deus. Os profetas atuais não devem opor-se somente a um sistema político injusto, mas a todas as coisas que se utilizam de privilégios para empobrecer os fracos e oprimidos.

O profeta acaba enxergando o mundo sob a ótica de Deus ao perceber na ação do pobre a presença redentora de Cristo. Sua existência é um convite simples e singelo para configurar a obra da criação de volta ao coração do Criador. Eis a profecia como um grito de alerta para que não nos esqueçamos da nossa origem em Deus.

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

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A vida de Jesus: um desafio para a ciência e a fé!

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A vida cristã tem o desafio de encontrar a identidade pessoal de Jesus de Nazaré por meio da experiência da fé vinculada à razão. Cabe ao cristão suscitar a investigação real da existência humana de Jesus e a Sua manifestação divina na história. Ir ao encontro das fontes sobre a vida de Jesus é tarefa da Cristologia. Por Cristologia compreende-se a busca em reconstruir o sentido revelador da existência terrena e divina de Jesus, com a finalidade de criar novamente as raízes da Sua existência para continuarmos com seu Evangelho vivo.

Os estudiosos cristãos não consideram Jesus como um carteiro que veio nos trazer uma mensagem de Deus. Jesus não era um simples mensageiro. Pelo contrário, Jesus encarnou esta mensagem. Ele era a mensagem anunciada. Não falava da vida, mas, sobretudo era a própria vida. Não falava do caminho, era o caminho. Não falava da verdade, era a verdade em si. Neste itinerário não podemos nos esquecer de que os contemporâneos de Jesus tiveram um contato direto com Ele. A nós esta experiência nos chegou como legado e interpretada.

Jesus não veio só de cima, ele também veio de baixo, das pegadas da nossa história. Ele não foi um fenômeno extra-mundo ou uma irrupção externa ao planeta. Jesus lançou a vida na eternidade do Pai Eterno. É Deus mesmo que em seu livre-arbítrio decide se revelar em Jesus de Nazaré. Jesus age daquela forma, porque desde a eternidade, Deus quis e definiu a si próprio como Pai Eterno de Jesus. “É um dos grandes princípios do Cristianismo que tudo o que sucedeu a Jesus Cristo deve passar-se na vida dos cristãos” (Blaise Pascal). Por isso que, ao compreender Jesus estamos compreendendo a nós mesmos e ao compreender-nos, estamos compreendendo a Jesus.

Assim a encarnação ganha um novo sentido, pois não se trata de uma alma emprestada à realidade corpórea de Jesus: um círculo não pode tornar-se um quadrado. Entre Jesus e Deus, a identidade deve ser confessada; a diferença deve ser preservada, é o que nos afirmam os Concílios. Na encarnação, Jesus, de proclamador converte-se em proclamado. De Divino torna-se Humano.

Justamente por isso, não precisamos salvaguardar a divindade de Jesus como se ela fosse profanada ou ameaçada pelo mundo moderno. Pelo contrário, precisamos nos reconciliar com a modernidade e, ao mesmo tempo, utilizar das ciências para a pesquisa histórica sobre a vida de Jesus, partindo do crivo da fé.

No Segundo Testamento encontramos cinco tipos de cristologias: 1. Jesus como o último Adão (escritos paulinos), Jesus Cristo, filho de Deus (escritos de Marcos), Jesus Cristo autorizado pelo Espírito de Deus (escritos de Lucas), Jesus Cristo como sabedoria de Deus (tradição paulina e Evangelho de Mateus), Jesus Cristo como Palavra de Deus (escritos de João).

Devido a estas cinco vertentes ou modos de apresentar o Filho amado do Pai Eterno constata-se que não existe uma cristologia absoluta, única e puramente plena distante de uma intenção e de um texto, contexto e pretexto.

Neste sentido cabe à cristologia a missão de estudar Jesus a partir de baixo, de sua humanidade, para então, descobrir sua divindade, que nunca poderá ser anulada em quaisquer tipos de estudo.

A primeira verdade cristológica é a de que: Jesus foi humano! No entanto, algumas interpretações o tornaram inumano, atemporal e muitas vezes, totalmente distante da nossa realidade. “Um Deus alheio à nossa história, com ciência infusa e de uma visão que tudo sabia (inclusive desde o ventre!). Um Deus sem sofrimento, que só duvidava, orava ou perguntava para dar exemplos, pois ele não necessitava disso. Um Deus que fazia milagres espetaculares a qualquer momento. Não se trata de um Deus que quis ser igual a nós, exceto no pecado, mas de um Deus tão diferente e distante que não tem nada a nos dizer ou então um Deus que nos faz crer em metas irreais. E o pior. Tudo isso se tornou um costume propositado de asseverar a sua divindade, não a partir da sua humanidade concreta, mas, a partir daquilo que de acordo com os nossos critérios – devia ser Jesus para ser divino” (Andrés T. Queiruga).

Tenhamos a firmeza da fé para mergulhar na vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus de Nazaré e aprenderemos Dele o modo inteligente de viver como filhos queridos e amados do Pai Eterno!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

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