Mês: março 2010

FORTES EM DEUS!

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Ao longo de nossa peregrinação terrestre, muitas são as adversidades, temporárias ou contínuas, que nos arroubam o sentido da existência. Não é de se estranhar a angústia profunda e a desolação que demonstramos quando a vida assume o viés crítico das dificuldades. Às vezes, o cotidiano torna-se doloroso ao extremo, sendo capaz de minimizar todas as nossas potencialidades. Focamos no problema e nos esquecemos da solução. Ficamos fracos na fé, confusos na mente, perdidos no coração, doentes na alma e desesperançados quanto ao futuro.

 Nos casos mais extremos, a vida vai adquirindo características de crueldade, ao passo que alguns chegam a compará-la com uma selva. Outros, afirmam ainda, que no sistema selvagem só sobrevivem os mais fortes. Mas onde buscar forças diante de problemas tão graves? Como recuperar o equilíbrio depois de tantos surtos? Quais os meios concretos para superar um grande trauma do passado? Como resolver problemas sem nos deixar sucumbir por eles? Tratam-se de perguntas existenciais que nos remetem ao fundamento de nossa fé: o rosto amoroso do Divino Pai Eterno! Ele nos ensina que a vida é um desafio em longo prazo!

 Estudos recentes já evidenciam que problemas, ocasionados pelo medo e a ansiedade, alimentam vários tipos de fobia. Inclusive a tão difundida síndrome do pânico. Há tempos que a raiva acumulada está associada às doenças cardíacas e aos derrames cerebrais. Até mesmo a falta do perdão tem gerado incontáveis casos cancerígenos. Por trás de algumas doenças encontram-se sérios sintomas de quem não conseguiu superar obstáculos porque não acreditou em si e também não teve fé. A própria ciência moderna reconhece a importância da fé para suplantar-se após fatos traumáticos da vida.   

 A capacidade cristã de superação e adaptação a situações emblemáticas está vinculada à esperança. Por meio dela, tornamo-nos aptos em ultrapassar a realidade que nos cerca. Sem esperança não há espaço para a fé agir e desta forma, as dificuldades transformam-se em doenças afetivas e emocionais. Deter-se nas dificuldades não gera resultados positivos, pelo contrário, a fórmula matemática do problema exige uma solução satisfatória ou pelo o menos qualitativa. 

 Assim sendo, não podemos nos esquecer de que em Deus saímos do negativo para adentrar ao positivo. Tornamos-nos felizes e realizados. Damos ênfase nas forças interiores e não nas fraquezas da alma. Utilizando uma linguagem figurada, digo que passamos a olhar para o infortúnio com os Olhos Divinos. Sem sombra de dúvida, a espiritualidade nos faz passar da enfermidade à saúde, da incerteza à fé, da hesitação à confiança e à persistência! No coração de Deus encontramos o bem estar, o contentamento e a esperança que configuram o sentido para a vida. A plenitude acontece quando esse sentido é encontrado. “Na verdade, ninguém ama sem sentido, ninguém espera sem sentido, mas antes porque existe uma razão para amar e esperar. Por outro lado, quem ama e espera, contribui para a busca e o encontro do sentido” (Patrícia Nunes). Em Deus, a vida não é vista como “morte adiada”, mas, sobretudo, como “plenitude alcançada” daqui para a eternidade! Nele resgatamos nossa capacidade de contínua evolução! Deus nos ensina a amar-nos de verdade:

“Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades. Hoje sei que isso é… Autenticidade. Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de… Amadurecimento. Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes. Hoje descobri a… Humildade. Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é… Plenitude. Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada” (Charles Chaplin).

 Tudo isso é isso é ser forte em Deus, nosso único fundamento! 
 

 

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

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