Mês: julho 2010

FAZER A VONTADE DO PAI ETERNO!

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O segredo da santidade cristã está na realização da vontade Divina. Ela se efetiva na medida em que temos claro o objetivo da salvação, destinada a todas as pessoas. A vontade de Deus reafirma o caráter da nossa fé e concede testemunho às nossas obras. Dessa forma, somos inclinados a agir como Deus age, a amar como Ele ama, a perdoar da mesma maneira que Ele perdoa e a ser continuação redentora do Seu Evangelho no mundo. 

 
 Na vontade está a intenção, consciente e reflexiva, de realizar os sonhos de Deus. Vontade coagida não é vontade, pelo contrário, é alienação. Justamente por isso que o Pai, em sua infinita amabilidade, não nos manipula nem nos controla. A vontade Divina não nos transforma em marionetes e muito menos em fantoches de um desejo alheio. Falar da vontade do Pai Eterno é o mesmo que tomar conhecimento da nossa essência de ser e existir. Trata-se de um convite à plenitude da liberdade.

 
 A vontade de Deus resgata a capacidade pessoal de agir em favor do bem. Muito aquém de intervencionismo, ela é suscitada no interior de cada coração. Assim, comparamos, discernimos, julgamos e escolhemos entre o certo e o errado. Pela vontade Divina o ser humano se assume e se realiza como filho de Deus.

 
 Por ser sinal de maturidade ninguém consegue “resistir à vontade de Deus” (Rm 9,19). Por conseguinte, devemos nos ofertar, dia após dia, para que a nossa vida seja penhor de uma oferta contínua à vontade do Pai: “aqui me tendes, meu Deus, fazei de mim o que quiserdes” (Santa Teresa de Jesus). Eis uma entrega sincera quando conseguimos exclamar com fé: “Sou vosso, salvai-me!” (At 22,10). A pergunta existencial que deve impregnar nossa alma deve ser: “Senhor, que queres que eu faça?” (At 22,10). No final das contas, desembocaremos naquele caminho pelo qual nasce a descoberta de que “a vontade de Deus é a nossa santificação” (1Ts 4,3).

 
 O pecado nos submete, escraviza e reprime; ao passo que a vontade Divina nos liberta na fé, nos emancipa no amor e nos cativa na esperança. Tal vontade está contida em um processo que exige da pessoa: o desejo, a finalidade, a escolha e por último, o desempenho. “Não devemos nos deixar levar pelo desânimo e arrastar fraquezas, sem fazer esforço algum para romper com o egoísmo e os pecados. Sem perder a coragem, o ânimo e a confiança em Deus, com humildade, paciência e firmeza, procura valer-te da oração e dos sacramentos, do Evangelho e da devoção a Nossa Senhora, prosseguindo a caminhada para o alto. Não percas tempo desejando coisas sublimes […], o que interessa é a graça da oração, o amor de Deus e zelo pela salvação dos irmãos. E se não for do agrado de Deus levar-nos a tão sublime grau de perfeição e glória, tudo bem; o mais importante é o cumprimento de Sua vontade santa e santificadora” (Santo Afonso Maria de Ligório).

 
 A vida é a escola pela qual somos educados no método da obediência libertadora! Nosso amor, por Deus, fica evidente quando fazemos o possível e o impossível para agradá-Lo! Não é isso que acontece com os enamorados? A paixão conduz por caminhos outrora desconhecidos e leva à realização de metas, antes impraticáveis. Com Deus não é diferente. A única coisa que muda é que a paixão assume as características da eternidade. Vale ressaltar que a vontade de Deus estabelece nossa aliança com o Sagrado e diviniza aquilo que foi desumanizado pelo mal cometido.

 
 O que o Pai Eterno tem sonhado para mim e para você? Só seremos felizes quando desvendarmos esse questionamento! Como é bom sonhar os sonhos de Deus! Como é satisfatório contemplar, com olhos da fé, a salvação Divina acontecendo em nosso cotidiano. Na verdade, “o que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, foi isso que Deus preparou para aqueles que o amam” (I Cor 2,9).

 
 Fiéis à vontade do Pai Eterno, desejo a todos uma santa e abençoada Festa de Trindade! Neste itinerário, lembremos sempre do preceito que o próprio Jesus nos deixou no Evangelho: “Sed fiat voluntas tua”: mas faça-se a tua vontade! 

 

 
Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

FAZER A VONTADE DE DEUS!

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A espiritualidade cristã, fundamentada no altruísmo, tem a missão de unir a vontade humana com a vontade Divina. Por essa via, acontece o retorno à nossa origem existencial, quando não havia separação de vontades, mas unidade de anseios no amor. Antes de existirmos, potencialmente, éramos um com Deus e Ele era tudo em nós. De fato, “a lei divina entra na nossa vontade, a nossa vontade identifica-se com a sua, tornando-se uma única vontade, e assim estamos realmente livres, podemos verdadeiramente fazer o que queremos, porque queremos com Cristo, queremos na verdade e com a verdade” (Bento XVI).

 

 
Fomos nutridos no amor do Pai, sonhados individualmente e amados em elevada ternura. Portanto, todas as nossas atitudes deveriam ser consequência desse amor vital, quando consistíamos em ‘essência’ e não em ‘existência’. Infelizmente, o pecado fez com que perdêssemos o contato direto com a Sagrada voz da consciência. E assim, ficamos confusos na fé, pois era ela quem orientava para a execução da vontade de Deus em nós e por nós. O maior pecado, cometido pelo humano, será o fugir do amor e da vontade Divina que tudo faz pela nossa felicidade.

 
A fé é a testemunha perene de que nossos desejos mais profundos e nossas aspirações mais ocultas tornam-se consonantes a Deus, na medida em que nos abrimos ao Seu amor e nos deixamos conduzir por Ele. Nesse itinerário espiritual moldamos nossos comportamentos de acordo com o Evangelho, amorizamos nossa vivência, canalizamos nossas energias, enraizamos nossa vida na fraternidade e por fim, nos apresentamos como pessoas cativas às Sagradas Escrituras e aos Sacramentos. 

 
Só seremos capazes de compreender a vontade Divina quando nos unirmos a Ela e passarmos a enxergar a vida sob a ótica de Deus. Não se trata de uma vontade tirana nem manipuladora. Pelo contrário, os desígnios do Pai são convites para a plenitude da liberdade humana. Ele quer filhos, não marionetes. Eis um tipo de vontade que se difere das outras ao não exigir uma submissão alienada, mas, sobretudo, uma adesão recíproca. A confiança mútua é o cordão umbilical que  nos liga ao coração do Pai!  

 

 
E aqui são de suma importância alguns questionamentos: temos a Deus, mas será que Deus nos tem? Onde está enraizado nosso pensamento, com seus afetos e emoções? Em que lugar está fundamentada a nossa vida? Na rocha da fé ou na areia da desesperança? Quem é a figura que vem ocupando o lugar primordial de Deus em nós? Estamos nos moldando à imagem e semelhança do Pai ou estamos querendo fazê-Lo à nossa imagem e semelhança? Será que a criatura almeja ocupar o lugar do Criador? Onde nos encontramos? Em Babel ou em Pentecostes? Há quanto tempo temos prolongado a vontade Divina, enfocando-a como irrealizável e impossível? Por que continuamos a antepor o advento do amor realizado pela vivência do agradar a Deus? Sem generalizações, as perguntas supracitadas acima necessitam de uma séria análise para evoluir em conversão.

 
A vontade de Deus solicita sabedoria e discernimento para ser aplicada com afinco. Não são nos grandes feitos que ela concretiza-se, todavia, no cotidiano. É pela vontade Divina que conhecemos o rosto do Pai Eterno que se doa a si mesmo, no amor. Por meio dela descobrimos que a “nossa vida não existe por acaso, não é ocasional. A minha vida é querida por Deus desde a eternidade. Eu sou amado, sou necessário. Deus tem um projeto comigo na totalidade da história; tem um projeto precisamente para mim. O amor eterno criou-me em profundidade e espera por mim” (Bento XVI).

 
Vale ainda ressaltar que a vontade Divina encontra-se junto à prática solícita do bem. O termômetro para sabermos se a estamos realizando é a ocorrência de atitudes benéficas em vista do Reino de Deus e dos irmãos! É assim que o dom do amor maior se consolida e a vida assume a dimensão de plenitude. Dessa forma, somos humanizados e nos tornamos pessoas mais redentoras! A vontade Divina é a forma pela qual permitimos que Deus continue existindo em nós! Falar da vontade do Pai é o mesmo que raciocinar sobre a nossa razão de ser e existir!

 
Que unidos a Jesus de Nazaré possamos exclamar: Pai, “não seja feita a minha vontade, mas a Tua” (Lc 22,42). Que a celebração, desses dez dias de romaria, nos conscientize sobre a real importância de integrar os sonhos de Deus aos nossos sonhos. Que não sejamos conhecidos só pelos nossos nomes, mas, principalmente, pelas nossa adesão contínua ao Evangelho! Que nossas obras deem testemunho de que somos filhos legítimos da vontade do Pai Eterno! Sejam muito bem-vindos à Festa de Trindade 2010!

 

 

 
Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

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