Mês: setembro 2010

NÃO MAIS ESCRAVOS DA DEPRESSÃO!

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Das mais variadas perspectivas, a síndrome depressiva sempre foi caracterizada como o mal do século. Não são poucos os psicólogos, psicanalistas, filósofos, psicopatologistas, sociólogos, psiquiatras, teólogos e antropólogos que se debruçam sobre esse fenômeno tão complexo.

 De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão atinge cerca de 340 milhões de pessoas em todo mundo, sendo a causa de 850 mil suicídios. Já há dados concretos de que 740 milhões de indivíduos sofrem de doenças mentais, provocadas pela depressão. Só em nosso país, existem mais de 13 milhões de brasileiros vitimados por tal transtorno. 

 Etimologicamente, a palavra ‘depressão’ é derivada do latim deprimere. Termo associado a afundar, abaixar ou mergulhar.  A depressão se configura como uma ferida subjetiva de sofrimento intenso. Trata-se de uma dor que não diminui com o tempo, pois se encontra em uma realidade atemporal, ou seja, sem espaço cronológico.

 A marca registrada da síndrome depressiva não é o sofrimento transitório, mas, sobretudo, o sofrimento contínuo. O problema fica ainda mais complexo quando o trabalho pessoal torna-se fracassável, as desilusões com maior incidência na auto-estima e o isolamento como sinal de aversão ao mundo e, por conseguinte, às pessoas.  

 O depressivo vive imerso em uma experiência perene de perda do sentido da vida. Nele não se encontra uma simples tristeza. Na verdade, “o deprimido vive a sua realidade como um infortúnio cotidiano, ou como um horrível equívoco do destino, ou como um fracasso que ele a si mesmo não perdoa. O que lhe sucede não lhe agrada, não lhe convém, não corresponde à sua expectativa. Por muito que sua vida seja bem-sucedida aos olhos dos amigos, ele a estimará inútil ou desinteressante. Portanto, a sua depressão nascerá de uma apreciação negativa da realidade” (Charles Gellman).

 A depressão sempre será o indicador de algo. Ela é significativa por natureza. Em sua origem é possível encontrar um misto na perda da estima de si, na culpa exagerada, na solidão infindável, na sensação de abandono, no sentimento de inferioridade extremado e na reclusão subjetiva descomunal.

 A qualidade e a quantidade de desapontamento com o modo de vida é o que postula a transição da tristeza para o quadro de depressão. Em síntese, o deprimido “sofre de uma profunda dor emocional […]. Pode fazê-lo inútil, desesperançado e indefeso. […]. Muitas pessoas descrevem seus sentimentos de depressão como uma nuvem negra ou uma sombra escura sobre suas vidas” (Guia Essencial da Depressão – Associação Médica Americana).

 Também é necessário compreender que há uma ponte, muito próxima, entre depressão e suicídio. Isso não quer dizer que todo depressivo será um suicida nato. Só podemos afirmar que, na realidade, o depressivo grave não possui nem mesmo forças para atentar contra a própria vida. Justamente por isso, que em alguns casos, o suicídio acontece quando a pessoa está se recuperando e retomando as suas forças motivacionais. Infelizmente, ‘pensamentos suicidas’ são recorrentes nesses casos.

 Portanto, ao perceber os primeiros sintomas, o depressivo deve procurar ajuda espiritual e profissional. Um problema desse porte só pode ser solucionado quando espiritualidade e ciência caminham juntas. A doença psicológica pode ser apenas a ponta do iceberg de uma grave enfermidade espiritual: mágoas constantes, revolta com os problemas, traumas do passado, repetidas decepções, perda de um ente querido, solidão no projeto de vida demonstram as possíveis causas de um quadro depressivo.   

 

 Por fim, se faz necessária uma atenção especial ao nosso ‘eu interior’, pois todos nós, independente da idade e do modo de vida, podemos desenvolver a doença depressiva. Principalmente as mulheres, uma vez que estão mais sujeitas às mudanças hormonais do que os homens.   

 Tenhamos a coragem da fé para enfrentar o problema e a humildade existencial para reconhecê-lo. Perda de apetite e de sono, falta de concentração, morosidade no trabalho, apatia em depreciação à competência de outrora, necessidade de dormir para fugir das dificuldades, falta de sentido para a vida são sintomas que podem denotar o início de uma depressão. Quanto mais adiado o tratamento, mais agravante fica a situação! Que o Pai Eterno, fundamento de nossa vivência, seja o porto seguro a nortear nossas emoções e a fundamentar nossos sentimentos. Nele é possível se curar de toda e qualquer depressão!

 

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

POR UMA CONSCIÊNCIA POLÍTICA!

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Toda pessoa, consciente de sua respectiva legitimidade social e do sentido da cidadania, é um ser político por natureza. Justamente por isso, é impossível dissociar a política da vida humana. Enganam-se aqueles que a reduzem ao simples ato de votar de dois em dois anos. Seria uma minimização considerá-la a partir das urnas, ao passo que a mesma se vincula a todas as esferas da sociedade: família, instituições, religião, saúde, educação, emprego, moradia, recursos hídrico-sanitários e economia, entre outros. Portanto, falar de política é também discorrer sobre as cabais realidades que fecundam e concedem sentido à vida humana, organizada em agrupamentos sociais. Hoje, não é possível mencionar o termo “política” distante das implicações pessoais que sua articulação nos condiciona. É errônea qualquer expressão na qual a pessoa se isenta da vida política, como se esta não lhe tivesse nenhuma consequência particular. Aqui, vale o dito do historiador britânico Arnold Toynbee: “O maior castigo para estes que não se interessam por política é que serão governados por quem se interessa”. Acredito que o problema surge ao confundirmos “política” com “politicagem”: palavras derivadas na etimologia, mas completamente diferentes na vivência.

 

De acordo com a legislação brasileira todas as pessoas entre 18 e 70 anos são obrigadas a votar. Aos abaixo de 18 (até os 16 anos), aos acima de 70 e aos analfabetos o voto é opcional. No entanto, a idade cronológica não pode ser o critério suficiente. Para exercer, com discernimento e, por conseguinte, responsabilidade o ato de votar, faz-se necessária a constituição de uma consciência política sadia, madura e crítica. Esta deve ser apreendida desde a mais tenra idade. Caso contrário, são os fatos do cotidiano que nos conduzem à construção da consciência política crível e justa.

 

Por consciência política compreende-se a pessoa capaz de desempenhar sua cidadania de modo livre, sem condicionamentos previdentes ou mercantis. Trata-se do indivíduo que não coloca os interesses pessoais acima dos interesses da população. Contudo, são muitas as realidades nefastas que deturpam o genuíno sentido da consciência política, acabando por feri-la ou deformá-la na prática, a saber:

 

1. Fazer do voto um objeto financeiro, desqualificando-o de responsabilidade individual pelo bem ou mal estar da população;
2. Praticar o voto sem analisar a vida do candidato e sua trajetória profissional, humana e religiosa;
3. Subornar o voto de pessoas destituídas de formação profissional qualificada em troca de dinheiro, emprego, cesta básica ou quaisquer tipos de benefícios pessoais;
4. Corromper o sentido do voto por troca de favores para si ou para familiares (nepotismo) e amigos;
5. Fazer da política um carreirismo salarial ou arrimo para a prosperidade pessoal, através do desvio de verbas públicas;
6. Utilizar da boa fé do eleitor fazendo promessas puramente “eleitoreiras” que durarão somente o tempo da campanha, uma vez que o Estado pode não possuir verbas suficientes para tal;
7. Empregar de mecanismos desfalcados ou da formação de psicólogos e publicitários, no intuito de angariar eleitores, de forma inconsciente ou de modo falseado e alienado;
8. Buscar a política pela própria política, desmerecendo a participação da população nas grandes decisões além do período de votação;
9. Agredir, por meio de poluição sonora e visual, a cidade e a vida dos eleitores, sem adesão ou permissão;
10. Deixar-se influenciar pela estética do candidato e não por suas propostas políticas e seu planejamento.

 

Sabemos bem que “todo o poder emana do povo, muito embora pouco dele em seu nome seja exercido” (Gercinaldo Moura). Assim sendo, saibamos valorizar o nosso voto como um ato lícito. Reconheçamo-lo como a oportunidade de mudarmos a vida política e a estrutura social que nos norteia. Não permitamos vendas, trocas e muito menos a corrupção do ato de votar. Sejamos honestos para elegermos pessoas corretas e íntegras. Se quisermos candidatos éticos no pleito precisamos efetivar a nossa cidadania com ética. Votar por coação é o mesmo que anular o próprio voto.  Vale ainda ressaltar que existem duas ferramentas para aqueles que almejam exercer a consciência política: o voto e o impeachment. Pena que este último, na evolução histórica da política brasileira, só foi aplicado ao Chefe de Estado da Nação e do Governo. Se o voto representa a esperança de dias melhores para a população e a renovação das instituições sociais, o impeachment significa que o poder concedido, também pode ser negado por dignos parlamentares e, ademais, pela população: início, meio e fim de toda e qualquer gestão política!

 

 

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

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