NÃO MAIS ESCRAVOS DA DEPRESSÃO!

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Das mais variadas perspectivas, a síndrome depressiva sempre foi caracterizada como o mal do século. Não são poucos os psicólogos, psicanalistas, filósofos, psicopatologistas, sociólogos, psiquiatras, teólogos e antropólogos que se debruçam sobre esse fenômeno tão complexo.

 De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão atinge cerca de 340 milhões de pessoas em todo mundo, sendo a causa de 850 mil suicídios. Já há dados concretos de que 740 milhões de indivíduos sofrem de doenças mentais, provocadas pela depressão. Só em nosso país, existem mais de 13 milhões de brasileiros vitimados por tal transtorno. 

 Etimologicamente, a palavra ‘depressão’ é derivada do latim deprimere. Termo associado a afundar, abaixar ou mergulhar.  A depressão se configura como uma ferida subjetiva de sofrimento intenso. Trata-se de uma dor que não diminui com o tempo, pois se encontra em uma realidade atemporal, ou seja, sem espaço cronológico.

 A marca registrada da síndrome depressiva não é o sofrimento transitório, mas, sobretudo, o sofrimento contínuo. O problema fica ainda mais complexo quando o trabalho pessoal torna-se fracassável, as desilusões com maior incidência na auto-estima e o isolamento como sinal de aversão ao mundo e, por conseguinte, às pessoas.  

 O depressivo vive imerso em uma experiência perene de perda do sentido da vida. Nele não se encontra uma simples tristeza. Na verdade, “o deprimido vive a sua realidade como um infortúnio cotidiano, ou como um horrível equívoco do destino, ou como um fracasso que ele a si mesmo não perdoa. O que lhe sucede não lhe agrada, não lhe convém, não corresponde à sua expectativa. Por muito que sua vida seja bem-sucedida aos olhos dos amigos, ele a estimará inútil ou desinteressante. Portanto, a sua depressão nascerá de uma apreciação negativa da realidade” (Charles Gellman).

 A depressão sempre será o indicador de algo. Ela é significativa por natureza. Em sua origem é possível encontrar um misto na perda da estima de si, na culpa exagerada, na solidão infindável, na sensação de abandono, no sentimento de inferioridade extremado e na reclusão subjetiva descomunal.

 A qualidade e a quantidade de desapontamento com o modo de vida é o que postula a transição da tristeza para o quadro de depressão. Em síntese, o deprimido “sofre de uma profunda dor emocional […]. Pode fazê-lo inútil, desesperançado e indefeso. […]. Muitas pessoas descrevem seus sentimentos de depressão como uma nuvem negra ou uma sombra escura sobre suas vidas” (Guia Essencial da Depressão – Associação Médica Americana).

 Também é necessário compreender que há uma ponte, muito próxima, entre depressão e suicídio. Isso não quer dizer que todo depressivo será um suicida nato. Só podemos afirmar que, na realidade, o depressivo grave não possui nem mesmo forças para atentar contra a própria vida. Justamente por isso, que em alguns casos, o suicídio acontece quando a pessoa está se recuperando e retomando as suas forças motivacionais. Infelizmente, ‘pensamentos suicidas’ são recorrentes nesses casos.

 Portanto, ao perceber os primeiros sintomas, o depressivo deve procurar ajuda espiritual e profissional. Um problema desse porte só pode ser solucionado quando espiritualidade e ciência caminham juntas. A doença psicológica pode ser apenas a ponta do iceberg de uma grave enfermidade espiritual: mágoas constantes, revolta com os problemas, traumas do passado, repetidas decepções, perda de um ente querido, solidão no projeto de vida demonstram as possíveis causas de um quadro depressivo.   

 

 Por fim, se faz necessária uma atenção especial ao nosso ‘eu interior’, pois todos nós, independente da idade e do modo de vida, podemos desenvolver a doença depressiva. Principalmente as mulheres, uma vez que estão mais sujeitas às mudanças hormonais do que os homens.   

 Tenhamos a coragem da fé para enfrentar o problema e a humildade existencial para reconhecê-lo. Perda de apetite e de sono, falta de concentração, morosidade no trabalho, apatia em depreciação à competência de outrora, necessidade de dormir para fugir das dificuldades, falta de sentido para a vida são sintomas que podem denotar o início de uma depressão. Quanto mais adiado o tratamento, mais agravante fica a situação! Que o Pai Eterno, fundamento de nossa vivência, seja o porto seguro a nortear nossas emoções e a fundamentar nossos sentimentos. Nele é possível se curar de toda e qualquer depressão!

 

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

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