Mês: dezembro 2010

ENTRE O ‘EU’ E OS ‘OUTROS

Comentários: 0

A solidão é a ferida da alma. Ela se revela no aprisionamento do coração humano em sofrimentos silenciosos, lágrimas constantes e remorsos culposos. Trata-se de uma emoção agressiva, uma vez que destrói a pessoa a partir de seu interior. Junto à solidão também está o vazio existencial e o isolamento recorrente. Já não há mais espaço para ser sociável, pois a pessoa se sente, completamente, fragmentada. A solidão é o sentimento pelo qual o indivíduo perde o contato consigo mesmo e até com suas emoções mais vitais. Eis aquela força operante, capaz de destruir motivações pessoais, ao agir como uma espécie de câncer para a consciência. Em síntese, a solidão é má por natureza!

Dentre várias manifestações, a ausência de pessoas também é uma forma de solidão, mesmo que suscitada pela carência. Aqui há um destaque especial para alguém chamado ‘outro’. Por mais que não percebamos, somos dependentes daqueles que estão à nossa volta. Se todos compreendessem esta real dependência não haveria um determinismo para o sentimento de autosuficiência. Seríamos mais resolvidos ao aceitar que necessitamos dos outros, não de forma infantil, mas, sobretudo, de maneira adulta, ao perceber que não podemos fazer tudo sozinhos. Trancafiado em si, ninguém é feliz! A realização pessoal nasce quando emitimos passos concretos na direção das pessoas: perdoando-as e amando-as como elas são e não como gostaríamos que elas fossem.

O outro é a figura que surge para diferenciar e completar, seja na vida eclesial e profissional, seja na afetiva ou intelectual. O outro é alguém desigual, distinto e dessemelhante de mim e também de você. Ele possui uma forma única de agir e um modo, exclusivamente, diverso de pensar. Há uma disparidade visível entre o ‘eu’ e o ‘outro’. Por isso, faz bem compreender o outro a partir do outro e não como extensão de si. O grande problema nos relacionamentos, em suas mais variadas esferas, acontece quando abarcamos as demais pessoas mediante nossas vontades e ideias. Assim, projeta-se em alguém o que ele não é. Cria-se um personagem, que foge à realidade, porque não passa de uma invenção, devido à incapacidade de aceitar alguém que difere de nós.

Só tornamo-nos “sujeitos a partir do outro” (Emerson Arruda). Na verdade, “ninguém é sujeito na solidão […], sempre se é sujeito entre outros sujeitos: o sentido da vida humana não é um monólogo, mas provém do intercâmbio de sentidos […]” (Savater). O outro é capaz de gerar em nós uma séria de emoções em cadeia. À medida que nos esforçamos para reconhecê-lo em sua singularidade nasce o dom da empatia: aquela disposição de sentir em si as emoções de outrem. Em decorrência também aparece a autencidade. Ela motiva a atitude nobre de arrancar máscaras e abandonar personagens. Quando se é seguro de si, não há necessidade de interpretar papéis. Uma coisa é ser afetuoso, outra é querer agradar a todos. Ser autêntico exige maturidade. Por isso, é fundamental ouvir aquela voz interior que nos diz: “Torne-te aquilo que és!” (Nietzsche) Seja, simplesmente, você!

No olhar do ‘outro’ o ‘eu’ se reconhece. Assim, é capaz de confirmar sua identidade, na revelação de si, a partir de outrem. O existencialismo cristão já nos ensina que a pessoa é uma substância incompleta e só torna humana na medida em que se relaciona. “A existência humana é, em seu nível mais fundamental, inerentemente, relacional. […] Tanto no amor como na amizade, um ingresso de um no outro e não somente uma postura de um ao lado do outro” (Terezinha Perez).

Tenhamos o coração aberto para acolher todas as pessoas que entrarem em nossas vidas, no intuito de imprimir em seus corações, a marca do amor do Pai Eterno. Sejamos mensageiros desta boa-nova, apta a curar vidas e restaurar existências. Vale a pena fazer do cotidiano uma experiência de encontro consigo, a partir do outro. Não temos nada a perder ao adentrar nesta experiência plena e fecunda!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

www.paieterno.com.br

O PAPA E OS PRESERVATIVOS

Comentários: 0

A sexualidade humana é a pulsão pela sacralidade da vida. Ela alcança sua plenitude à medida que é partilhada e fundamentada no coração do Pai Eterno. Trata-se daquele dom recíproco, no qual uma pessoa se oferta à outra, de maneira livre, compromissada, responsável e incondicional. O prazer decorrente é apenas a consequência de uma realidade muito maior, enraizada no amor fiel entre os pares. A sexualidade é o sacramental da autodoação mútua e completa, sintetizada no ato conjugal. Mas como ficam os mecanismos que parecem destruir o sentido unitivo e procriativo do ato sexual? Aqui nos deparamos com o uso do preservativo e, ao mesmo tempo, dos demais métodos profiláticos de contracepção. Nosso cuidado argumentativo-textual, de ora em diante, se deterá no primeiro.

O ensinamento da Igreja não está centrado na utilização redutiva dos preservativos. A comunidade cristã católica se detém no amor conjugal e em sua consequente plenitude, manifestada na fertilidade dos pares. A partir desta visão, nasce ‘a moral’ como um discurso elucidativo, que se estende a tudo aquilo que fere a fecundidade matrimonial e a sexualidade. A moral visa à integração da pessoa humana e não os seus possíveis fragmentos. Ela não se vincula a uma série de obrigações, impedimentos ou proibições. “Parece-me que se deva a todo o custo preservar sistemas, formulações, regras, como se Deus estivesse ali dentro (Christian Albini). O sistema moral deve ser reconhecido como um mecanismo para evitar a deturpação da sexualidade. Não é seu objetivo vigiar pelo medo, punir a consciência ou condenar o humano à obscuridade eterna. Pelo contrário, a moral cristã se fundamenta no Evangelho de Jesus e no anúncio vivo do Reino de Deus. Só assim é emitido o intérdito ao pecado, capaz de corromper o real sentido da sexualidade. 

Infelizmente, “na polaridade entre proibições (prevalente no passado) e elogio da transgressividade (hoje afirmada), perdeu-se uma visão autenticamente humana da sexualidade” (Christian Albini). É neste cenário que se encontra a voz do Papa Bento XVI, a partir do seu novo livro intitulado de: “Luce del Mondo. Il Papa, la Chiesa e i segni dei tempi” (Luz do Mundo. O Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos). A supracitada obra foi elaborada em forma de entrevista, dentro de seis horas intensivas, de perguntas e respostas, concedidas ao jornalista alemão Peter Seewald. Não podemos falar da intenção, mas, sobretudo, do pensamento do Papa em tornar a verdade cristã da sexualidade compreensiva ao mundo pós-moderno. A preocupação do Sumo Pontífice é que é que o ato sexual não seja desumanizado, viciado e muito menos pervertido. Que o mesmo não perca a sua dimensão de entrega, mútua e contínua, para se transformar em manifestação egoísta do prazer pelo simples prazer.

A polêmica criada em torno do livro está nas seguintes afirmações do Papa: “Concentrar-se só sobre o preservativo quer dizer banalizar a sexualidade, e essa banalização representa justamente a perigosa razão pela qual tantas e tantas pessoas não veem mais na sexualidade a expressão do seu amor, mas apenas uma espécie de droga, que se administram por si mesmas. Por isso, a luta contra a banalização da sexualidade também faz parte do grande esforço para que a sexualidade seja valorizada positivamente e possa exercer o seu efeito positivo sobre o ser humano na sua totalidade. Pode haver casos individuais justificados, por exemplo quando um prostituto [ein Prostituierter] utiliza um preservativo, e esse pode ser o primeiro passo para uma moralização, um primeiro ato de responsabilidade para desenvolver novamente a consciência do fato de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer tudo aquilo que se quer. No entanto, esse não é o modo verdadeiro para vencer a infecção do HIV. É verdadeiramente necessária uma humanização da sexualidade” (Bento XVI). Vale ainda ressaltar que, posteriormente, o Papa sinalizou que a terminologia ‘prostituto’ não se referia a um gênero sexual específico, mas, sim aos riscos contidos na relação sexual, seja de homens, mulheres ou transexuais.

Ademais, para o Papa, há uma cultura em relação ao sexo que é preciso educar, na fé. O uso do preservativo, nos casos de prostituição e de pessoas infectada pelo HIV, é apenas o primeiro passo para esclarecer aqueles que fomentam a liberalidade sexual a qualquer custo. Diante dos preservativos a defesa da vida humana é crucial. Orientar o uso de profiláticos, em situações específicas, é reconhecer um mal menor, uma autodefesa, uma cooperação entre os pares. “É lícito persuadir a alguém que faça um mal menor se já estiver determinado a cometer um mal maior. E a razão é que quem aconselha isso não pretende um mal, mas sim um bem, isto é, que se escolha um mal menor” (Santo Afonso Maria de Ligório). A imoralidade do preservativo é, portanto, um mal menor diante do mal maior, que é a transmissão da AIDS.

Por fim, reconheçamos que o contexto atual tende a demonstrar que a sexualidade carece de humanização. Isto só será possível quando as pessoas retornarem à fonte do amor, no ato sexual, que é o Pai Eterno. Nele as relações são amorizadas, a consciência é evangelizada e a existência é resignificada. É agarrando-se, no Pai, que não nos perderemos no egoísmo, nem reduziremos o dom da sexualidade ao simples prazer: passageiro, fútil e vazio de sentido!

 

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

A GUERRA URBANA NO CORAÇÃO DO CRISTO REDENTOR

Comentários: 0

Nos últimos oito dias, o Rio de Janeiro vive um verdadeiro caos. A população está em pânico, trancafiada dentro de casa e isolada das ruas, devido os tiros contínuos e dispersos. Constata-se o drama de crianças traumatizadas, em um cenário de combate às facções criminosas. Escolas municipais fechadas, com 47.000 alunos, sem aula. Pais desesperados e impedidos de entrar nos morros, para salvar seus filhos. Artilharia pesada, fuzileiros navais e tanques de guerras blindados nas principais avenidas do conflito. Ambulâncias do SAMU pelas ruas, atendendo os feridos no confronto, dentre eles: policiais, civis e traficantes. 

Isso sem mencionar os hospitais de campanha, estabelecidos em vastas unidades médicas, cuidando provisoriamente das vítimas, até que tenham condições de serem transportadas para hospitais fixos. Algo assustador para os brasileiros, pois os hospitais de campanha só são utilizados na medicina de guerra ou de catástrofes naturais. Empresas públicas e privadas com expediente diminuído ou liberado. Comércios fechados por falta de clientes ou por proteção contra saques e roubos. Bombeiros espalhados pela região metropolitana da cidade. Cães farejadores em Shoppings, pela ameaça de bomba iminente e constante. Em síntese, um Estado sitiado pela ação esquematizada do narcotráfico.

Infelizmente, os Governos anteriores do Rio de Janeiro se omitiram e foram permissivos à ocupação dos morros, por questões assistenciais e populistas. As políticas públicas e a caridade cristã exigem que se deem residências aos pobres, com moradias planejadas e dignas. Algo que não aconteceu na constituição das favelas. Hoje, chamadas de comunidades, por sua nova configuração social. A realidade dos morros serviu para que delinqüentes e marginais se infiltrassem nos guetos, dominassem a população local e se tornassem mandatários das favelas. É manifesto que o território do morro possui um chefe e todos que ali vivem devem ser submissos a ele. Hoje, são 1242 favelas em todo o Estado. Muitas delas usadas para o reduto do crime, como é o caso do Complexo do Alemão (paraíso e proteção dos narcotraficantes).  

Na origem dessa onda de violência está o tráfico de drogas. Junto ao mercado do crack também se encontra o problema da corrupção entre determinados policiais, a tal ponto que, em alguns cenários, é impossível distingui-los dos traficantes. A troca de armas por drogas e dinheiro é o que mantém o crime armado no Rio de Janeiro. A grande maioria dos policiais são homens honestos, capazes de arriscar a vida, recebendo um salário irrisório. Porém, ainda há uma parte corrompida e mantenedora da delinqüência. 

É inadmissível que traficantes controlem as suas facções, direto dos presídios. Parece que a criminalidade presidiária é a mesma que está solta. A única diferença que a primeira se encontra confinada, mas parece agir da mesma forma. Urge a tarefe de isolar as penitenciárias com tecnologia avançada, vetando o trabalho de agentes desonestos, na carceragem e a entrada de familiares, mal intencionados. Como é possível que um preso tenha celular em uma penitenciária de segurança máxima? Os mandantes da violência no Rio orientaram suas facções por meio de celulares, um dia antes de serem transferidos para Porto Velho (RO).

Muitos especialistas eram contrários à intervenção federal no Rio, sempre acreditando nas forças policiais locais. Contudo, faltavam logística, planejamento e tecnologia para que a polícia estadual pudesse reprimir a marginalidade. Inclusive, muitos aparelhos foram cedidos pelo Ministério da Defesa. Sabe-se que a presença das forças armadas federais é um apoio momentâneo. Uma união operacional foi constituída entre: Polícia Federal, Força Nacional, Batalhão Florestal, Polícia Rodoviária, Militar e Civil, com o objetivo de bloquear as milícias organizadas.  Em algum tempo as forças de segurança pública local precisam retomar o controle do Rio.

Outro agravante é que o crime se beneficia da geografia do Estado. O Rio é cercado por morros. Em alguns pontos é impossível subir com os carros blindados da polícia. Nesta situação o policial é obrigado a se deslocar a pé e acaba se expondo à ação dos criminosos. Eis uma topografia que dificulta o trabalho de ocupação da polícia. 

Os chefes do tráfico governam encastelados. Sabem-se seus nomes, mas desconhecem-se seus rostos. Há uma hierarquia a ser detida até que se chegue a eles. Que o Cristo Redentor, Filho amado do Pai Eterno, seja o referencial de um Estado íntegro e com a capacidade merecida para acolher o final da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Contudo, o mais importante é o cotidiano da população que deve ser conduzido em paz e com segurança! Violência, nunca mais!

 

 Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

Missas

De segunda a sexta

Missas: 7h e 19h30

Sábado

Missas: 7h, 10h e 17h30

Domingo

Missas: 5h45, 8h, 10h, 15h e 17h30

Rede Vida

Segunda, terça, quinta e sexta: 7h Quarta: 9h

Sábado: 7h e 17h30

Domingo: 17h30

TV Anhanguera

Domingo: 5h30

PUC TV

Sábado e domingo: 17h30

TBC

Domingo: 8h

Rede Pai Eterno

Missas Segunda, quinta e sexta: 7h
Quarta: 9h
Sábado: 7h e 17h30
Domingo: 5h45, 8h e 17h30

Novena dos Filhos do Pai Eterno Todos os dias: 4h, 12h e 22h Novena do Perpétuo Socorro Todos os dias: 2h

Rádio Difusora Goiânia

Missas Domingo: 8h Novena dos Filhos do Pai Eterno Todos os dias: 13h