O PAPA E OS PRESERVATIVOS

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A sexualidade humana é a pulsão pela sacralidade da vida. Ela alcança sua plenitude à medida que é partilhada e fundamentada no coração do Pai Eterno. Trata-se daquele dom recíproco, no qual uma pessoa se oferta à outra, de maneira livre, compromissada, responsável e incondicional. O prazer decorrente é apenas a consequência de uma realidade muito maior, enraizada no amor fiel entre os pares. A sexualidade é o sacramental da autodoação mútua e completa, sintetizada no ato conjugal. Mas como ficam os mecanismos que parecem destruir o sentido unitivo e procriativo do ato sexual? Aqui nos deparamos com o uso do preservativo e, ao mesmo tempo, dos demais métodos profiláticos de contracepção. Nosso cuidado argumentativo-textual, de ora em diante, se deterá no primeiro.

O ensinamento da Igreja não está centrado na utilização redutiva dos preservativos. A comunidade cristã católica se detém no amor conjugal e em sua consequente plenitude, manifestada na fertilidade dos pares. A partir desta visão, nasce ‘a moral’ como um discurso elucidativo, que se estende a tudo aquilo que fere a fecundidade matrimonial e a sexualidade. A moral visa à integração da pessoa humana e não os seus possíveis fragmentos. Ela não se vincula a uma série de obrigações, impedimentos ou proibições. “Parece-me que se deva a todo o custo preservar sistemas, formulações, regras, como se Deus estivesse ali dentro (Christian Albini). O sistema moral deve ser reconhecido como um mecanismo para evitar a deturpação da sexualidade. Não é seu objetivo vigiar pelo medo, punir a consciência ou condenar o humano à obscuridade eterna. Pelo contrário, a moral cristã se fundamenta no Evangelho de Jesus e no anúncio vivo do Reino de Deus. Só assim é emitido o intérdito ao pecado, capaz de corromper o real sentido da sexualidade. 

Infelizmente, “na polaridade entre proibições (prevalente no passado) e elogio da transgressividade (hoje afirmada), perdeu-se uma visão autenticamente humana da sexualidade” (Christian Albini). É neste cenário que se encontra a voz do Papa Bento XVI, a partir do seu novo livro intitulado de: “Luce del Mondo. Il Papa, la Chiesa e i segni dei tempi” (Luz do Mundo. O Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos). A supracitada obra foi elaborada em forma de entrevista, dentro de seis horas intensivas, de perguntas e respostas, concedidas ao jornalista alemão Peter Seewald. Não podemos falar da intenção, mas, sobretudo, do pensamento do Papa em tornar a verdade cristã da sexualidade compreensiva ao mundo pós-moderno. A preocupação do Sumo Pontífice é que é que o ato sexual não seja desumanizado, viciado e muito menos pervertido. Que o mesmo não perca a sua dimensão de entrega, mútua e contínua, para se transformar em manifestação egoísta do prazer pelo simples prazer.

A polêmica criada em torno do livro está nas seguintes afirmações do Papa: “Concentrar-se só sobre o preservativo quer dizer banalizar a sexualidade, e essa banalização representa justamente a perigosa razão pela qual tantas e tantas pessoas não veem mais na sexualidade a expressão do seu amor, mas apenas uma espécie de droga, que se administram por si mesmas. Por isso, a luta contra a banalização da sexualidade também faz parte do grande esforço para que a sexualidade seja valorizada positivamente e possa exercer o seu efeito positivo sobre o ser humano na sua totalidade. Pode haver casos individuais justificados, por exemplo quando um prostituto [ein Prostituierter] utiliza um preservativo, e esse pode ser o primeiro passo para uma moralização, um primeiro ato de responsabilidade para desenvolver novamente a consciência do fato de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer tudo aquilo que se quer. No entanto, esse não é o modo verdadeiro para vencer a infecção do HIV. É verdadeiramente necessária uma humanização da sexualidade” (Bento XVI). Vale ainda ressaltar que, posteriormente, o Papa sinalizou que a terminologia ‘prostituto’ não se referia a um gênero sexual específico, mas, sim aos riscos contidos na relação sexual, seja de homens, mulheres ou transexuais.

Ademais, para o Papa, há uma cultura em relação ao sexo que é preciso educar, na fé. O uso do preservativo, nos casos de prostituição e de pessoas infectada pelo HIV, é apenas o primeiro passo para esclarecer aqueles que fomentam a liberalidade sexual a qualquer custo. Diante dos preservativos a defesa da vida humana é crucial. Orientar o uso de profiláticos, em situações específicas, é reconhecer um mal menor, uma autodefesa, uma cooperação entre os pares. “É lícito persuadir a alguém que faça um mal menor se já estiver determinado a cometer um mal maior. E a razão é que quem aconselha isso não pretende um mal, mas sim um bem, isto é, que se escolha um mal menor” (Santo Afonso Maria de Ligório). A imoralidade do preservativo é, portanto, um mal menor diante do mal maior, que é a transmissão da AIDS.

Por fim, reconheçamos que o contexto atual tende a demonstrar que a sexualidade carece de humanização. Isto só será possível quando as pessoas retornarem à fonte do amor, no ato sexual, que é o Pai Eterno. Nele as relações são amorizadas, a consciência é evangelizada e a existência é resignificada. É agarrando-se, no Pai, que não nos perderemos no egoísmo, nem reduziremos o dom da sexualidade ao simples prazer: passageiro, fútil e vazio de sentido!

 

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

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