Dia: 20 de dezembro de 2010

ENTRE O ‘EU’ E OS ‘OUTROS

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A solidão é a ferida da alma. Ela se revela no aprisionamento do coração humano em sofrimentos silenciosos, lágrimas constantes e remorsos culposos. Trata-se de uma emoção agressiva, uma vez que destrói a pessoa a partir de seu interior. Junto à solidão também está o vazio existencial e o isolamento recorrente. Já não há mais espaço para ser sociável, pois a pessoa se sente, completamente, fragmentada. A solidão é o sentimento pelo qual o indivíduo perde o contato consigo mesmo e até com suas emoções mais vitais. Eis aquela força operante, capaz de destruir motivações pessoais, ao agir como uma espécie de câncer para a consciência. Em síntese, a solidão é má por natureza!

Dentre várias manifestações, a ausência de pessoas também é uma forma de solidão, mesmo que suscitada pela carência. Aqui há um destaque especial para alguém chamado ‘outro’. Por mais que não percebamos, somos dependentes daqueles que estão à nossa volta. Se todos compreendessem esta real dependência não haveria um determinismo para o sentimento de autosuficiência. Seríamos mais resolvidos ao aceitar que necessitamos dos outros, não de forma infantil, mas, sobretudo, de maneira adulta, ao perceber que não podemos fazer tudo sozinhos. Trancafiado em si, ninguém é feliz! A realização pessoal nasce quando emitimos passos concretos na direção das pessoas: perdoando-as e amando-as como elas são e não como gostaríamos que elas fossem.

O outro é a figura que surge para diferenciar e completar, seja na vida eclesial e profissional, seja na afetiva ou intelectual. O outro é alguém desigual, distinto e dessemelhante de mim e também de você. Ele possui uma forma única de agir e um modo, exclusivamente, diverso de pensar. Há uma disparidade visível entre o ‘eu’ e o ‘outro’. Por isso, faz bem compreender o outro a partir do outro e não como extensão de si. O grande problema nos relacionamentos, em suas mais variadas esferas, acontece quando abarcamos as demais pessoas mediante nossas vontades e ideias. Assim, projeta-se em alguém o que ele não é. Cria-se um personagem, que foge à realidade, porque não passa de uma invenção, devido à incapacidade de aceitar alguém que difere de nós.

Só tornamo-nos “sujeitos a partir do outro” (Emerson Arruda). Na verdade, “ninguém é sujeito na solidão […], sempre se é sujeito entre outros sujeitos: o sentido da vida humana não é um monólogo, mas provém do intercâmbio de sentidos […]” (Savater). O outro é capaz de gerar em nós uma séria de emoções em cadeia. À medida que nos esforçamos para reconhecê-lo em sua singularidade nasce o dom da empatia: aquela disposição de sentir em si as emoções de outrem. Em decorrência também aparece a autencidade. Ela motiva a atitude nobre de arrancar máscaras e abandonar personagens. Quando se é seguro de si, não há necessidade de interpretar papéis. Uma coisa é ser afetuoso, outra é querer agradar a todos. Ser autêntico exige maturidade. Por isso, é fundamental ouvir aquela voz interior que nos diz: “Torne-te aquilo que és!” (Nietzsche) Seja, simplesmente, você!

No olhar do ‘outro’ o ‘eu’ se reconhece. Assim, é capaz de confirmar sua identidade, na revelação de si, a partir de outrem. O existencialismo cristão já nos ensina que a pessoa é uma substância incompleta e só torna humana na medida em que se relaciona. “A existência humana é, em seu nível mais fundamental, inerentemente, relacional. […] Tanto no amor como na amizade, um ingresso de um no outro e não somente uma postura de um ao lado do outro” (Terezinha Perez).

Tenhamos o coração aberto para acolher todas as pessoas que entrarem em nossas vidas, no intuito de imprimir em seus corações, a marca do amor do Pai Eterno. Sejamos mensageiros desta boa-nova, apta a curar vidas e restaurar existências. Vale a pena fazer do cotidiano uma experiência de encontro consigo, a partir do outro. Não temos nada a perder ao adentrar nesta experiência plena e fecunda!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

www.paieterno.com.br

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