ONDE ESTAVA DEUS NA TRAGÉDIA DO RIO DE JANEIRO?

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Boquiabertos e estarrecidos vemos as consequências do desastre ocorrido na região serrana do Rio de Janeiro: uma chaga cravada no coração do Cristo Redentor! É diante deste cenário, permeado pela dor, que surgem as mais variadas perguntas referentes ao problema do mal. Contudo, a grande indagação que vem à nossa mente é: porque Deus não evitou tamanha catástrofe? Estaria Ele passeando pelo jardim na ocasião em que seus filhos eram soterrados? Em que lugar se localizava Deus quando morros deslizavam cidade abaixo? Era possível perceber a beleza do perfume Divino, quando, na verdade, se disseminava o cheiro de lama, animais e pessoas mortas? Estaria Deus na prosperidade do céu, quando, em Teresópolis e Nova Friburgo, os sobreviventes da tragédia careciam de água, alimentos, remédios e colchões? Estaria Deus nos hospitais lotados de feridos, no trauma psicológico do desastre ou entre os mais de 500 mortos encontrados?

A cada dia a cidade maravilhosa tem sido vitimada por catástrofes geológicas sem proporções. O Centro para a Pesquisa da Epidemiologia de Desastres, sediado na Bélgica, tem coletado dados de calamidades mundiais desde 1900. Assim que o registro efetiva-se como desastre natural, o mesmo é encaminhado para a Organização das Nações Unidas (ONU). A instituição classificou o acidente no Rio de Janeiro como deslizamento, pois a maioria das vítimas morreu soterrada e não devido à enchente.

Eis o pior deslizamento da história do Brasil e um dos piores do mundo nos últimos 111 anos! De acordo com o Departamento de Redução de Desastres, vinculado à ONU, de janeiro a dezembro de 2009, o país foi atingido por dez desastres naturais, decorrentes de chuvas torrenciais, deslizamentos de terras e enchentes constantes. É justamente por isso que os Estados de Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo contam com uma atenção particular do Governo Federal, devido às pluviosidades cíclicas.

Nos desastres naturais, o sofrimento das vítimas se apresenta com um grito, capaz de romper os tímpanos de muitos que se beneficiaram de sua pobreza, por meio do populismo. Na verdade, antes de ser vítima de deslizamentos, o Rio de Janeiro é vítima da tímida vontade política para programas habitacionais de qualidade, bem como de investimentos para estudos geológicos, antes da ocupação do solo. “As pessoas não moram em áreas de risco porque querem. Moram porque não têm onde morar e aí o Estado brasileiro, na sua história, efetivamente falhou e hoje pessoas pagam com suas vidas o peso desse conjunto de problemas” (José Eduardo Cardoso). Os pobres procuram lugares mais em conta e, ao mesmo tempo, se esquecem da vulnerabilidade dessas regiões. Só no Rio há mais de 18 mil casas em lugares com risco constante de deslizamento.

Diante do desastre, na região fluminense, não cabe o silêncio e muito menos associações ao mistério que pouco explica. Também são inadmissíveis determinadas profecias apocalípticas, vinculando a fatalidade com castigo Divino. Não podemos nos emudecer, porque nem mesmo Deus se silenciou. Ele se fez presente do começo ao fim da tragédia. As lágrimas, os sofrimentos, a dor e o medo dos sobreviventes, é a lágrima, o sofrimento, a dor e o medo do próprio Deus. Portanto, é possível afirmar que Deus também é vítima dos deslizamentos, pois são os seus filhos que estão padecendo. Isto é, uma parte do Seu próprio Eu, na imagem e semelhança do Divino com o humano.

O Deus, Todo-Poderoso, criou o mundo. E por tê-lo feito, o instituiu de modo finito. Caso contrário teria criado a Si mesmo, em nível de infinitude. É neste sentido que a imperfeição e o mal também acompanham a peregrinação humana, não obstante a sacralidade de nosso livre-arbítrio. “Não é que Deus ‘não queira’ ou ‘não possa’, mas simplesmente a pergunta carece de sentido. Deus quer o bem, unicamente o bem, para o bem e a felicidade nos cria” (Andrés Torres Queiruga).

Alicerçados no amor do Pai Eterno, que supera toda a tragédia, ajamos efetivamente em favor dos sobreviventes dos deslizamentos. Há muitos que necessitam de água, alimentos, remédios e até mesmo de doação de sangue. Cada um deve se colocar no lugar destes oprimidos e ajudar da melhor maneira possível. Além da oração contínua, doações também são muito bem vindas. Finalizo, com pesar, mas também na esperança, deixando aqui o registro de contas bancárias das Igrejas Locais para doações em espécie – Cáritas Arquidiocesana (Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro): Banco Bradesco, Agência 0814-1 conta 48500-4 e Diocese de Petrópolis: Banco Bradesco, Agência 4014, conta 11.4134-1. Ambas as contas foram criadas especificamente para socorrer as vítimas da presente fatalidade. Que a consciência da caridade cristã nos motive a agir em favor do bem!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.


Twitter: @padrerobson

Site: www.paieterno.com.br

*Artigo publicado no jornal Diário da Manhã [16.01.11]

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