Mês: fevereiro 2011

VALE A PENA SE EXPOR?

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Antigamente as pessoas, principalmente as mulheres, possuíam o costume de redigir diários com os fatos marcantes do cotidiano. Umas eram fiéis, escrevendo todos os dias, mesmo que não houvesse grandes acontecimentos. Outras só relatavam as situações que se sobressaíam ao habitual. O importante era testemunhar, pela escrita, determinadas opiniões, sentimentos e apreensões. Também havia ali uma ampla partilha da vida, de modo que seria possível conhecer, panoramicamente, uma pessoa lendo a sequência de seus diários. Estes ficavam trancados e muito bem guardados. O sigilo se estendia das pessoas mais próximas até aos estranhos. O maior medo era que a intimidade fosse exposta pelo outro.

Nos diários estavam experiências pessoais e, sobretudo, íntimas. Na maior idade ou, então, quando os fatos se distanciavam da redação nascia a necessidade de recorrer à leitura do diário. Era possível constatar o amadurecimento ou os pontos nos quais a pessoa precisava melhorar. Havia uma linha muito próxima entre o reviver e o recorrigir-se, sempre que constatados os erros. Talvez, a escrita funcionasse como uma forma de purificar as situações do passado e, ao mesmo tempo, se autoconhecer.

Profissionais da área da psicologia enfatizam a importância da escrita no processo de amadurecimento humano. “As pessoas seriam muito mais nobres e melhores se, no final de cada dia, pudessem rever seu próprio comportamento e pesar o que fizeram de bom e de mau. Automaticamente tentariam melhorar a cada manhã, e depois de algum tempo, certamente realizariam muita coisa” (Anne Frank).

Hoje, a situação é bastante diferente. Se no passado havia a necessidade de preservar aquilo que era íntimo e pertencia à esfera do privado; na atualidade cresce o desejo da exposição exagerada. O surgimento da internet, sobretudo, das redes sociais, tem despertado uma nova forma de comunicação, cada vez mais rápida, livre e em alguns casos até mesmo inconsequente. Isso se deve ao fato de ainda não haver uma legislação específica para aquilo que é postado no mundo virtual. Algo que poderia fazer a internet ser mais comprometida com a dignidade humana, sem despertar preconceitos e garantindo a liberdade de expressão.

Enquanto uns utilizam a internet como ferramenta profissional e de conhecimento, outros a acessam com o objetivo de se exibirem sem limites. Há exageros na quantidade de horas que se passa em frente ao computador. Já existem até mesmo terapeutas que tratam de pessoas viciadas em internet. No mundo há de 50 a 100 milhões de internautas viciados.

Também é possível reconhecer que um número significante de pessoas, mais centradas, faz da internet um espaço de conversação e de entretenimento contínuo. Alguns chegam a utilizá-la como uma facilitadora de relacionamentos, de troca de experiências, de participação integrada, de debates intelectuais; criando, assim, novos espaços de sentimentos e também de ações pelo cultivo da espiritualidade.

Só no Brasil, as redes sociais contam uma das parcelas mais significativas de participantes no mundo. Dentre elas destacam-se o Orkut, com 26 milhões de pessoas; o Youtube, com 20 milhões; o Twitter, com 9,8 milhões; Facebook, com seus 9,6 milhões de membros; Formspring, com 4 milhões e Flickr, com 3,5 milhões. Outros números menores, mas não menos expressivos como é o caso do Sonico, com 2 milhões e MySpace 1,5 milhão. Eis um mundo farto, rodeado de interatividade e partilha de informações!

É necessário ter critérios para a exposição pessoal. Somos nós os maiores responsáveis pela imagem que transmitimos às pessoas. Uma palavra mal colocada pode gerar situações constrangedoras e, em alguns casos, demissões. Já existem recrutadores de serviços que pesquisam o que os pretendentes às vagas postam em seus perfis sociais. Dependendo do que é colocado, a contração é efetivada ou, nas piores consultas, o candidato é dispensado por não possuir o perfil que a empresa almeja. Fotos, interesses e comunidades são dados que podem contribuir ou denegrir com a imagem de alguém. Portanto, qualquer postagem deve ser bastante analisada, mediante o critério da responsabilidade e do cuidado de si. Caso contrário, os danos serão irreparáveis!

Outra observação necessária se refere ao tempo que os adolescentes passam em frente ao computador. É fundamental que os pais comecem a compreender as ferramentas da internet, inclusive para acompanharem seus filhos e coibirem determinadas circunstâncias, capaz de prejudicá-los no rendimento escolar e, sobretudo, na formação humana, moral e ética. Sem entrar em questão de valores há uma grande diferença em ter um computador com internet junto à família, na sala, por exemplo, ou tê-lo dentro do próprio quarto.

Por fim, vale ainda ressaltar o critério da privacidade: “palavra valorizada por muitos, desconhecida por outros. Tem gente que simplesmente não teme se expor. Para elas, existe um mundo ideal, onde a discrição não tem vez. A internet, esse mundo infinito, onde cada palavra também é eterna. Caiu na rede, é de todos. Quem usa, sabe. Ou deveria saber. A internet não perdoa. Registra tudo: fotos, mensagens, blogs… Os arquivos digitais são públicos e, atenção, permanentes. A internet não esquece” (Fonte: Bom dia Brasil).

A internet é uma facilitadora e como tal não deve ser sobrepor à vida do usuário. Ela precisa permanecer como ferramenta e não como detentora da vontade alheia, instrumentalizando pessoas e manipulando consciências. A internet significa o desejo de guardar em um único lugar todo o conhecimento da humanidade, para fazê-lo histórico e disponível sempre. Assim como acontecia na antiguidade, por meio da Biblioteca de Alexandria. Tenhamos consciência da nossa missão de cristãos e filhos do Pai Eterno, para fazer da internet um lugar de convivência, conhecimento e, principalmente, de evangelização!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

Twitter: @padrerobson

Site: www.paieterno.com.br

SENTENÇA DE MORTE EM GOIÁS

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O humano é transcendente por natureza! Isso quer dizer que ele existe para além de si. Enraizada no Pai Eterno está a sua dignidade. Ela é única e não se repete. Na verdade, nunca se dignifica o que já é digno desde sempre. Assim acontece com todos os homens e mulheres. Na medida em que há o sopro da vida, simultaneamente, já passou a existir a dignidade humana.

As pessoas possuem dignidade, já as coisas, valor! A partir desde dado kantiano e, mais ainda, partindo da Revelação Cristã, é possível perceber que a dignidade, concedida ao humano, não foi confiada a nenhum outro ser. Tudo o que foi criado deve ser respeitado como obra da Criação. Contudo, somente um é a imagem e semelhança de Deus. Não se trata de colocar a pessoa como centro das demais criaturas, para o qual tudo converge. Pelo contrário, trata-se de reconhecer a dignidade Divina, impregnada na condição humana, de modo que não há mais duas dignidades, mas uma só: a nossa e a de Deus!

A Igreja tem a missão de promover a dignidade humana como exercício primeiro da fé que Ela mesma anuncia. Cabe a nós cristãos valorizar o que é digno, na pessoa, e denunciar tudo o que a desumaniza. À luz do Evangelho, a Igreja proclama que a verdade do indivíduo está em sua dignidade. Muito mais a frente de características externas, de cor de cabelo e altura, de sistema genético ou psicológico; a dignidade é uma ‘condição existencial’, concedida ao humano pelo Pai Eterno.

Por isto, é de se entristecer quando vemos a vida, filha direta da dignidade, sendo tratada como objeto descartável. Infelizmente ainda há uma ideia, não confessada por muitos setores sociais, de que o pobre, dentre outras minorias, deve ser exterminado quando: indesejado, problemático e recorrente. É como se a solução do conflito fosse a morte. Aqui e acolá se ouvem vozes a dizer: “Deu problema? Mate!” “É irrecuperável? Elimine!” “Não tem conserto? Descarte!”. Assim proliferam-se situações onde a pessoa humana torna-se coisa, sendo usada de acordo com interesses pessoais. Neste sentido, é ainda mais alarmante quando pessoas são assassinadas pelo simples fato de serem o que são: inocentes e vítimas!

Jesus, nosso referencial de fé e religião, atuou contra o pecado, pessoal e social; evangelizou as profundezas ocultas do humano, condenou a doença da culpa e o peso da lei dos fariseus, combateu a marginalização injusta e foi capaz de ouvir o grito da pobreza, partindo do critério da dignidade. “Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes. Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores” (Mc 2,17). A atividade de Jesus “é serviço à vida, já que Ele se apresenta como alternativa de ‘vida’ diante da situação de ‘morte’” (Marciano Vidal).

Situações como as ocorridas recentemente em Goiás acabam por esvaziar a vida de sua própria dignidade e significado. Cito como exemplo concreto a ‘Operação Sexto Mandamento’, formada por agentes federais, na busca e apreensão de policiais militares, suspeitos de integrar um grupo de extermínio.

Entre as vítimas estariam crianças indefesas, adolescentes não delinquentes e mulheres em horário de trabalho. O dado assustador é que nenhum deles possuía qualquer tipo de envolvimento com os crimes dos quais são acusados. Haveria, então, uma espécie de simulação para que tais delitos fossem vistos como cometidos pelas vítimas.

De acordo com as investigações, até mesmo viaturas da corporação foram utilizadas, clandestinamente, pela suposta organização criminosa. A Operação Sexto Mandamento contou com a participação de 131 agentes federais e mais 12 policiais militares do Estado de Goiás.  Os presos irão responder pelos crimes qualificados de formação de quadrilha, tráfico de influência, falso testemunho, tortura e até mesmo ocultação de cadáver, somando de 40 a 50 assassinatos!

E pensar que o grupo agia com tamanha segurança na impunidade que chegava a estampar em viaturas a seguinte frase, no português errado: “Papai faz, mamãe cria e nóis mata”. É de ficar pasmo quando se constata que, mesmo denunciados pela Justiça, muitos desses policiais foram promovidos por “mérito” às mais altas patentes da Polícia Militar. Com todo respeito aos militares honestos e seus respectivos superiores afirmo que tal sistema de promoção necessita de uma séria reforma.

Onde fica o sofrimento das mães e das famílias das mulheres assassinadas? Onde encontrar forças para identificar possíveis corpos que não foram ocultados? Como selecionar melhor os futuros militares para que não denigram a imagem de uma instituição social tão importante como é o caso da Polícia Militar? De que modo as famílias encontrarão forças para recomeçar a vida, sabendo que seus parentes foram assassinados de forma tão cruel e desumana? Até onde a morte de inocentes será cometida por aqueles que se sentem no direito de romper com a primazia da dignidade humana? Expressões como: silenciados, torturados e injustiçados ainda são insuficiente para expressar o sofrimento dessas vítimas!

Que Goiás, terra do Pai Eterno, não se torne um gueto para o desenvolvimento de milícias, como aconteceu no Rio de Janeiro. Estas eram formadas por policiais, vigilantes, agentes penitenciários, bombeiros e militares. Nossos agradecimentos à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, ao Ministério Público do Estado de Goiás, ao Poder Judiciário de Goiás, à Secretaria de Segurança Pública de Goiás, aos Agentes Federais, aos Comandos da Polícia Militar e da Polícia Civil e também a todos os militares honestos que arriscam suas vidas, servindo a sociedade e fazendo jus à missão que lhes foi confiada pelo Estado! Minhas mais sinceras condolências e orações às famílias das vítimas!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

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A CONSCIÊNCIA: ENTRE O PODER E A AUTORIDADE

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Enganam-se aqueles que imaginam o ‘poder’ e a ‘autoridade’ caminhando de mãos dadas. Nem todos os que possuem poder têm autoridade, da mesma forma, que nem toda ‘autoridade’ é exercida com ‘poder’. Por isto, se faz necessário definir bem as duas terminologias. A palavra ‘poder’ é proveniente do latim potere e está associada à figura mandatária, que age pela força e pela tirania, mediante decretos. Já ‘autoridade’ vem do latim autoritas e se vincula a quem atua com legitimidade, sendo capaz de influenciar pessoas por convicções, não por normas ou regras. A lei sempre será necessária, desde que tenha como critério a dignidade humana.

O poder tem como base a ameaça pela força. É tomado, não doado. Nele há uma relação entre domínio e dominado. Sua proveniência é externa. O DNA do poder é encontrado no furto da liberdade ao criar consciências submissas. Ditado, torna-se ilegítimo, pois monopoliza uma só vontade em detrimento às demais. Quando mal utilizado se transforma em opressão. Contrariando a lógica do poderio está a autoridade como característica interna e subjetiva. Trata-se de um dom e de uma qualidade de caráter. A autoridade está em profunda consonância com o espírito de serviço. Só é possível lavar os pés daqueles que nos feriram, perdoar suas ofensas, reconciliar-se com o passado quando se tem consciência de si e da autoridade que possui.

Falar de autoridade é contradizer o vínculo com qualquer sistema autoritário.  No poder há vassalos, na autoridade há companheiros.  Quem trata os outros com o poder tem mãos de ferro. Ao oposto, quem influencia, com autoridade, é capaz de servir livre e gratuitamente. O emprego do poder é limitado e permanece durante o tempo em que é concedido. A autoridade não tem limites, pois independe de cargos e funções. É uma condição do ser.

Jesus não possuía poder político e muito menos financeiro. Muitas vezes, sua missão foi patrocinada por mulheres (Cf. Lc 8,1-3) Não era um ditador de cláusulas, um déspota de preceitos nem um tirano de vontades. O Filho amado do Pai Eterno tinha um só objetivo: fazer acontecer o Reino de Deus! Viveu como pobre por condição e opção. Nazaré, sua pátria, era pequenina e insignificante. Jesus conheceu a perseguição do Império Romano, a incompreensão de um Sinédrio, a dureza de corações. Também experimentou a miséria e a dor mais profunda do humano. Foi traído por seguidores, humilhado por desconhecidos. Sua sentença final era o tratamento de subversor da ordem estabelecida.

Jesus não era um revolucionário político, mas sua mensagem foi capaz de revolucionar a consciência de pessoas, a ponto de entregarem suas vidas pela causa do Reino.  Nele está o maior exemplo de autoridade e a mais ampla denúncia ao poder desmedido. Seu Evangelho não apresenta nenhum modelo político, mas tem muito a ensinar no que se refere à autoridade exercida pelo critério do serviço: “Se alguém quer ser o primeiro, deverá ser o último, e ser aquele que serve a todos” (Mc 9,35).

Hoje, o cenário mundial vive um período de crise, principalmente na queda de ditaduras autocráticas. Elas se configuram na contramão das dignidades humana, moral e ética. Seu objetivo é submeter qualquer característica de liberdade de expressão ou opinião. O ditador concentra em sua pessoa todo o poder, acabando por se impor como governo. Não há espaço para a participação popular, somente para a força. Infelizmente, a política ainda é usada para ferir princípios constitucionais, inclusive na democracia.

Nas ditaduras a única lei é a vontade do dominador. A queda dos ditadores do Egito, Hosni Mubarak e da Tunísia, Zine Al Abidine Ben Ali são exemplos clássicos de que as pessoas não aceitam mais a imposição e o emudecimento da consciência. As palavras de comando agora são outras: corresponsabilidade na fé, coparticipação na esperança e coerência na caridade.

Mais que uma crise política, o desfecho histórico da ditadura tunisiana e egípcia significa um despertar da consciência coletiva, pela liberdade responsável, sem opressão. A transferência do governo para os militares é apenas o primeiro passo no intuito de que a democracia seja estabelecida, sem autoritarismo ou extremismo. No advento da era digital, a transição pacífica deve ser mantida com eleições diretas e livres. Que as antigas ditaduras não sejam substituídas por outras novas.

A crise sempre será oportunidade para o crescimento. Portanto, cabe às religiões, dentre elas católica e islâmica, o auxílio na razão de pensar e agir dos seus seguidores, para que nasça uma nova estrutura de comunidade, humanizada nas relações plurais, na convivência com o diferente e no diálogo verdadeiro. Pela fé é possível construir uma sociedade de paz, cujo maior interesse é a felicidade do outro.

Que o advento da era digital seja capaz de unir corações na defesa dos interesses coletivos, a partir do respeito às demais confissões de fé e às prioridades da nação. Que a mensagem de Jesus continue a atingir todas as pessoas, transformando-as em operárias do Evangelho, na construção da civilização do amor. Peço ao Pai Eterno que os cristãos da Tunísia e do Egito continuem a dar o testemunho merecido de sua fé. Que suas vidas permaneçam pautadas por atitudes sérias e não por palavras vãs. A realidade atual clama pelo nosso testemunho! No interior da consciência evangelizada está a voz do Pai nos esclarecendo do que realmente somos: filhos! Ajamos, assim, com autoridade e não com poder.

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

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SONEGADOS PELOS IMPOSTOS

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Todos os anos, no Brasil, fala-se sobre a sonegação de impostos. Tanto o Direito Civil, quanto o Penal abordam as personalidades, jurídica e física, dos cidadãos capazes de adquirir direitos e contrair obrigações. Um dos compromissos a ser cumprido por aqueles que têm personalidade de direito é o custeamento dos gastos públicos, a partir dos impostos tributados pelo Estado. Estes devem ser utilizados com a única finalidade de garantir segurança, saúde, cultura e educação de qualidade para todos, sem distinção entre ricos e pobres.

Os impostos são contabilizados de acordo com o acúmulo financeiro de cada pessoa, de modo especial sobre o salário e o patrimônio que ela possui. À medida que se oculta da fiscalização da lei, subtrai-se despesas, nega-se ou esquiva-se, na prestação de contas, estamos a formar um Estado deficiente no atendimento às necessidades da população. Aquele que se recusa a pagar seus impostos acaba por fraudar vários setores da sociedade, que dependem das verbas arrecadas. Quem não contribui, fielmente com a União, torna-se, portanto, um devedor da nação. Neste bonito sistema teórico, o Estado seria o gerenciador e nós os mantenedores dos gastos públicos.

Por mais que haja algumas objeções a certa ausência, na prestação de contas do dinheiro recebido pelo Governo, só é possível constatá-la quando os investimentos em infraestrutura de rodovias, aeroportos e portos e o custeio de bens de serviço, na saúde, educação e moradia tornam-se visíveis. Assim os impostos deixam de ser uma contribuição obrigatória, para consolidarem-se como investimento no próprio Estado.

A história brasileira menciona que a primeira ideia de tributos à população foi criada em 1534, na época da colônia. Eram as chamadas ‘Provedorias da Fazenda Real’. O objetivo dessas antigas repartições era destinar os impostos para a Coroa Portuguesa. O grande representante do tesouro real, intitulado de Erário Régio, passou por várias transformações na nomenclatura. Desde 1808, com a chegada da família real no Brasil até 1968, com a criação da Secretaria da Receita Federal havia um único intuito: acompanhar o rápido desenvolvimento do país, arrecadando e administrando os impostos.

Deixando o merecimento histórico um pouco de lado, voltemos ao cerne da questão. Na atualidade, são muitos os analistas econômicos a afirmar que o Brasil tem uma das maiores taxas tributárias do mundo. Aqui uma pessoa trabalha quatro meses ao ano só para custear as despesas do Governo, com prestação de serviços e atendimento à população. Um carro popular tem aproximadamente 65% só de taxas de impostos. Usa-se até mesmo a expressão pejorativa ‘mordida do leão’, para associar uma resistência sonegante e não declarada à arrecadação feita pelos Governos: Federal, Estadual e Municipal.

Contudo, junto ao discurso da sonegação deveria surgir também o argumento da exorbitante taxa de impostos que assolam o Brasil e clamam por uma justa ‘reforma tributária’. Só em 2010 o Governo arrecadou o montante de 1 trilhão e 270 bilhões de reais. Isto sem mencionar os impostos indiretos, implícitos e inflacionários, articulados para suprir a resistência na contribuição de alguns. Há mais de 84 tipos de tributos, taxas e contribuições pela melhoria do Brasil.

No âmbito Federal os impostos mais conhecidos são: o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras – em empréstimos e financiamentos); IPI (Imposto sobre Produto Industrializado – pago pelas Indústrias); IRPF (Imposto de Renda Pessoa Física – sobrevém na renda individual); IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica – calha nos lucros obtidos pelas empresas); ITR (Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – tributação feita aos trabalhadores do campo); FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – alíquota do salário dos trabalhadores de carteira assinada, que é depositada pelas empresas empregatícias) e por fim o INSS (Instituto Nacional de Seguro Social – cobrado dos funcionários e empregadores, para custear as despesas do trabalhador, no auxílio à saúde. Já na esfera Estadual e Municipal os destaques são os abaixo relacionados: ICMS (Imposto sobre circulação de Mercadorias – cobrado sobre o transporte e sobre a telefonia); IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), ITCMD (Imposto sobre a Transmissão Causa ‘Mortis’ e Doação – recai sobre as heranças) e por último, o IPTU (Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana).

No cenário das arrecadações está também a realidade ‘custo-benefício’. Estando o Brasil no patamar das maiores taxas tributárias do mundo, é de se estranhar o fato dele ocupar o 38º lugar na qualidade de vida. Por isso, é fundamental apertar gastos, principalmente com salários estratosféricos nas repartições federais e com contratações desnecessárias.

O problema não são os impostos, mas, sobretudo, o modo como os investimentos são feitos para a consolidação de uma sociedade digna: capaz de erradicar a pobreza e solucionar o problema da miséria; apropriada para garantir uma educação de qualidade; apta a viabilizar uma segurança nacional efetiva, sociabilizando infratores e cuidando da população amedrontada; hábil a construir e reformar rodovias, para evitar tantos acidentes fatais; competente para aperfeiçoar os antigos e criar novos portos, em vista da importação e exportação nacional; aparelhada para resolver o problema aeroportuário do país e consolidada na democracia. Olhando para o rosto de cada brasileiro, filho amado do Pai Eterno, seremos capazes de instituir um Brasil que concede lições de justiça social a começar lá na fonte, ou seja, no salário. Este não é renda e como tal nem deveria ser tributado. Jesus já nos ensina que é começando de baixo que se renova todo o sistema!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

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