A CONSCIÊNCIA: ENTRE O PODER E A AUTORIDADE

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Enganam-se aqueles que imaginam o ‘poder’ e a ‘autoridade’ caminhando de mãos dadas. Nem todos os que possuem poder têm autoridade, da mesma forma, que nem toda ‘autoridade’ é exercida com ‘poder’. Por isto, se faz necessário definir bem as duas terminologias. A palavra ‘poder’ é proveniente do latim potere e está associada à figura mandatária, que age pela força e pela tirania, mediante decretos. Já ‘autoridade’ vem do latim autoritas e se vincula a quem atua com legitimidade, sendo capaz de influenciar pessoas por convicções, não por normas ou regras. A lei sempre será necessária, desde que tenha como critério a dignidade humana.

O poder tem como base a ameaça pela força. É tomado, não doado. Nele há uma relação entre domínio e dominado. Sua proveniência é externa. O DNA do poder é encontrado no furto da liberdade ao criar consciências submissas. Ditado, torna-se ilegítimo, pois monopoliza uma só vontade em detrimento às demais. Quando mal utilizado se transforma em opressão. Contrariando a lógica do poderio está a autoridade como característica interna e subjetiva. Trata-se de um dom e de uma qualidade de caráter. A autoridade está em profunda consonância com o espírito de serviço. Só é possível lavar os pés daqueles que nos feriram, perdoar suas ofensas, reconciliar-se com o passado quando se tem consciência de si e da autoridade que possui.

Falar de autoridade é contradizer o vínculo com qualquer sistema autoritário.  No poder há vassalos, na autoridade há companheiros.  Quem trata os outros com o poder tem mãos de ferro. Ao oposto, quem influencia, com autoridade, é capaz de servir livre e gratuitamente. O emprego do poder é limitado e permanece durante o tempo em que é concedido. A autoridade não tem limites, pois independe de cargos e funções. É uma condição do ser.

Jesus não possuía poder político e muito menos financeiro. Muitas vezes, sua missão foi patrocinada por mulheres (Cf. Lc 8,1-3) Não era um ditador de cláusulas, um déspota de preceitos nem um tirano de vontades. O Filho amado do Pai Eterno tinha um só objetivo: fazer acontecer o Reino de Deus! Viveu como pobre por condição e opção. Nazaré, sua pátria, era pequenina e insignificante. Jesus conheceu a perseguição do Império Romano, a incompreensão de um Sinédrio, a dureza de corações. Também experimentou a miséria e a dor mais profunda do humano. Foi traído por seguidores, humilhado por desconhecidos. Sua sentença final era o tratamento de subversor da ordem estabelecida.

Jesus não era um revolucionário político, mas sua mensagem foi capaz de revolucionar a consciência de pessoas, a ponto de entregarem suas vidas pela causa do Reino.  Nele está o maior exemplo de autoridade e a mais ampla denúncia ao poder desmedido. Seu Evangelho não apresenta nenhum modelo político, mas tem muito a ensinar no que se refere à autoridade exercida pelo critério do serviço: “Se alguém quer ser o primeiro, deverá ser o último, e ser aquele que serve a todos” (Mc 9,35).

Hoje, o cenário mundial vive um período de crise, principalmente na queda de ditaduras autocráticas. Elas se configuram na contramão das dignidades humana, moral e ética. Seu objetivo é submeter qualquer característica de liberdade de expressão ou opinião. O ditador concentra em sua pessoa todo o poder, acabando por se impor como governo. Não há espaço para a participação popular, somente para a força. Infelizmente, a política ainda é usada para ferir princípios constitucionais, inclusive na democracia.

Nas ditaduras a única lei é a vontade do dominador. A queda dos ditadores do Egito, Hosni Mubarak e da Tunísia, Zine Al Abidine Ben Ali são exemplos clássicos de que as pessoas não aceitam mais a imposição e o emudecimento da consciência. As palavras de comando agora são outras: corresponsabilidade na fé, coparticipação na esperança e coerência na caridade.

Mais que uma crise política, o desfecho histórico da ditadura tunisiana e egípcia significa um despertar da consciência coletiva, pela liberdade responsável, sem opressão. A transferência do governo para os militares é apenas o primeiro passo no intuito de que a democracia seja estabelecida, sem autoritarismo ou extremismo. No advento da era digital, a transição pacífica deve ser mantida com eleições diretas e livres. Que as antigas ditaduras não sejam substituídas por outras novas.

A crise sempre será oportunidade para o crescimento. Portanto, cabe às religiões, dentre elas católica e islâmica, o auxílio na razão de pensar e agir dos seus seguidores, para que nasça uma nova estrutura de comunidade, humanizada nas relações plurais, na convivência com o diferente e no diálogo verdadeiro. Pela fé é possível construir uma sociedade de paz, cujo maior interesse é a felicidade do outro.

Que o advento da era digital seja capaz de unir corações na defesa dos interesses coletivos, a partir do respeito às demais confissões de fé e às prioridades da nação. Que a mensagem de Jesus continue a atingir todas as pessoas, transformando-as em operárias do Evangelho, na construção da civilização do amor. Peço ao Pai Eterno que os cristãos da Tunísia e do Egito continuem a dar o testemunho merecido de sua fé. Que suas vidas permaneçam pautadas por atitudes sérias e não por palavras vãs. A realidade atual clama pelo nosso testemunho! No interior da consciência evangelizada está a voz do Pai nos esclarecendo do que realmente somos: filhos! Ajamos, assim, com autoridade e não com poder.

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

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