Mês: abril 2011

O GRITO DE REALENGO DENUNCIA A SAÚDE DO BRASIL!

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Muitas vezes as tragédias carecem de explicação. Só não é possível a atitude de silêncio, pois a denúncia à violência não pode permanecer omitida. As explicações não justificam o ocorrido, mas ajudam a compreender as reais circunstâncias dos fatos. Hoje, profissionais da área de saúde mental, como: psicanalistas, psicólogos e psiquiatras se debruçam sobre o que motivou a chacina na Escola Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro. Afirmo que nada justifica o crime, nem mesmo uma doença mental.

 Em meio ao cenário de dor, com pais transtornados e crianças traumatizadas, surgem as mais variadas análises. A tragédia de Realengo colocou em cheque a segurança, oferecida pelo Estado; bem como a qualidade do sistema de saúde, destinado às pessoas acometidas por transtornos mentais. Ou o Brasil assume uma nova postura para tratar daqueles que têm sofrimento psíquico grave ou, caso contrário, tragédias, como as provocadas pelo atirador de Realengo, poderão se repetir. Não faz muito tempo que o jovem, Edmar Aparecido Freitas, entrou atirando no Colégio onde estudava, em Taiúva – SP, ferindo oito pessoas e se matando, logo em seguida. Também não podemos nos esquecer do caso em que Mateus da Costa Meira, entrou em um cinema de São Paulo e atirou contra várias pessoas, matando três delas.

 No mundo há sessenta e sete milhões de esquizofrênicos. Atualmente, nem mesmo os psiquiatras conseguiram investigar a dimensão da doença e muito menos classifica-la. Só se conhecem alguns sintomas, tratados por antipsicóticos. A esquizofrenia afeta o pensamento, as emoções e o comportamento. Trata-se de uma doença grave, em vários níveis, nos quais a grande maioria dos doentes se aproxima do irrecuperável. Claro que há exceções, porém são poucas. Seria o mesmo que dizer que não há cura, mas há tratamento e controle da mesma. A situação ainda se agrava, como no caso do atirador Welinton, quando a doença é misturada a uma ideia errônea de religião, gerada pelo fanatismo, pelas alucinações e pelos delírios.

 A ciência já comprovou que todas as pessoas carregam estruturas para o desenvolvimento de transtornos mentais. As minorias os desenvolvem, enquanto a grande maioria não. Sabe-se também que “a esquizofrenia é uma doença incapacitante e crônica, que ceifa a juventude e impede o desenvolvimento natural. Geralmente se inicia no fim da adolescência ou no começo da idade adulta de forma lenta e gradual. O período de conflitos naturais da adolescência e a lentidão de seu início confundem as pessoas que estão próximas. Os sintomas podem ser confundidos com “crises existenciais”, “revoltas contra o sistema”, “alienação egoísta” e “uso de drogas”” (Dr. Rodrigo Marot).

 Reconheço que a famílias que possuem um filho com esquizofrenia sofrem muito. Há um misto de vergonha, medo e dor.  “Num primeiro movimento, tenta-se esconder a doença por causa do preconceito social. Quando a doença não passa, os sonhos se desfazem, a preservação da imagem não tem mais sentido porque a doença é mais grave que o preconceito. A doença não pede licença: impõe e obriga-nos a mudar de postura diante da vida, diante da dor” (Dr. Rodrigo Marot). Os pais conscientes devem encaminhar seus filhos à terapia e aos médicos desde os primeiros sintomas.

 É possível oferecer tratamento de qualidade aos esquizofrênicos e a todos os acometidos por sofrimento psíquico grave. Basta um investimento maior na área de saúde e da pesquisa mental. É para isso que os brasileiros pagam tantos impostos. Os chamados “loucos” devem ser colocados em hospitais psiquiátricos e ser tratados. Não basta confiná-los em instituições que beiram mais aos antigos manicômios.

 Se, atualmente, não há meios médicos de recuperar a pessoa, deve-se ao menos tratá-la ou, então, ela se tornará um risco para a sociedade. Aos doentes mentais não cabe camisa de força, mas remédios, terapia e tratamento constante. Um bom sistema de saúde é deve identificar os esquizofrênicos, capazes de matar, e conduzi-los ao tratamento. Quando esses não são identificados acabam por gerar vítimas como os adolescentes de Realengo.

 A dor dos pais não cessará com indenizações nem com pronunciamentos de condolências das autoridades. Como as famílias do Brasil terão a consciência tranquila quando seus filhos entrarem pelo portão das escolas? O que aconteceu naquela escola pública também pode acontecer nas particulares. Hoje, qualquer pessoa, delinquente ou não, pode entrar nas salas de aula e fazer o que Wellington fez. Quem saberá se ali está um vendedor de materiais pedagógicos ou um esquizofrênico em alto grau? É necessário políticas mais sérias, segurança nas instituições educacionais e tratamento de qualidade por parte do Estado aos que, mesmo doentes, são capazes de matar. Situações como a de Realengo exigem responsabilidade para com o dom da vida!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

NEM TUDO É MOTIVAÇÃO!

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É necessário crer em um futuro melhor? Afirmo que sim. É importante motivar-se para uma carreira de sucesso? Lógico! Quanto maior for a capacidade de motivação, melhor serão os resultados. É indispensável ver a vida de forma otimista e positiva? Óbvio, pois o modo como interpretamos a realidade influencia, diretamente, na maneira como encaramos as dificuldades ou superamos situações complicadas.

Encontrar-se motivado, no dia-a-dia, é uma qualidade que faz a diferença no trabalho, em casa, nos estudos e até mesmo na convivência com pessoas difíceis. Estar motivado nos leva a superar adversidades com o sentimento de missão cumprida. Quando há motivação, sonhos tornam-se realidade e nunca nos damos por satisfeitos, uma vez que sempre há algo a realizar, pelo nosso bem e pelo bem daqueles que amamos. A motivação pode, assim, ser definida como a característica que nos leva a ‘ir além’ do esperado.

 A pessoa motivada vê o problema, mas com ele também enxerga a solução. Está aí uma grande conquista! O equívoco só aparece quando acreditamos que a motivação é a força para todos os sucessos e fracassos da existência. Pensar em dinheiro, não nos fará ricos. Pensar com otimismo, não nos livrará das dificuldades. Pensar positivamente não fará da mente um ímã poderoso, capaz de atrair fama, sucesso e poder. Se fosse assim, bastava imaginar algo para que se tornasse realidade.

 Alguns acabam se esquecendo de que unido ao pensamento está: a força de vontade, o entusiasmo e a determinação, mesmo sem resultados imediatos. O mais respeitável consigo é aquele que, ao longo do caminho, reconhece que haverá quedas. Sempre corremos o risco de tropeçar e de nos machucar. Ainda mais pelo fato de que a vida não é só um mar de rosas. Também existem os espinhos. O ‘segredo’ está no modo como se levanta após cada queda. Quem cai conhece as adversidades do buraco, as pedras do caminho e as noites escuras da alma. Após a queda é possível se levantar com maior coragem e com a força renovada para continuar na luta, sempre avante.

 Sabe-se que, na atualidade, há um grande número de autores que vendem a motivação como uma mercadoria rentável. As editoras, enfocadas na literatura de autoajuda, têm feito doutores em pensamento positivo. Já há casos de obras que venderam mais de 19 milhões de cópias, entre outras com seus 9,2 milhões de exemplares comercializados. Livros aos montes, traduzidos para os mais importantes idiomas. Isso sem mencionar os autores estrangeiros que oferecem palestras motivacionais ao valor de 10 mil dólares. Eis uma indústria cultural se alicerçando em torno do templo da motivação.

 Admiro quem escreve para ajudar as pessoas e faz da escrita uma profissão. Porém fazer da dificuldade alheia uma cifra para acumular riqueza não é algo tão elogiável. E se não houvesse problemas e dificuldades? Como é ficariam os ‘experts’ da motivação? Perderiam eles a razão de ser e de existir? Se o objetivo é que todos encontrem o sucesso, chegará um momento em que não haverá necessidade de livros, pois os leitores já o terão alcançado. E aqui aparece o dilema: ou os autores estão dando tiro no pé ou os seus ensinamentos só serão testados quando as pessoas pararem de comprar. Seguindo essa ordem, chegará um tempo em que a lei do pensamento positivo estará consolidada, não havendo necessidade de novos ensinamentos. Portanto, aguardemos.

 Frases como: “O poder está na sua consciência”, “O seu destino é o sucesso”, “A motivação é o segredo para a felicidade sem limites”, “Mentalize seus desejos e eles acontecerão” e “O futuro está nas suas mãos” refletem uma ideia de que a realidade depende mais do pensamento que das atitudes. Um duvidoso resultado, por sinal. Faz bem ter motivação, mas é de suma importância agir com força, ânimo e disciplina; respeitando limites e superando defeitos. Veja os grandes empresários de sucesso: alguns tiveram que perder dinheiro no início. Outros beiraram a falência e deram a volta por cima. Outros ainda sofreram com a desonestidade de pessoas próximas, perderam bens e se esforçam para que as crises econômicas não afundem seus negócios. Estranho constatar que os doutores do pensamento positivo não falam do fracasso. Qualquer teoria deve ser inserida em uma margem de erro, inclusive para ser legitimada.

 Não é correto defender o sofrimento pelo sofrimento. Contudo, apresentar somente o sucesso sem mencionar as dificuldades é infantilizar as pessoas, pois a realidade é bem diferente do que alguns livros de automotivação propõem. O que acontece com aquele que pensa em dinheiro e não o tem ou com aquela que deseja perder peso e não o perde? Estariam ambos com um déficit no que desejam ou estariam atraindo desejos contrários às suas motivações? O segredo, para o primeiro, talvez seja organizar melhor as finanças, cortar gastos supérfluos, viver do necessário e investir naquilo que rende. Já para a segunda a solução estaria no acompanhamento com um bom nutricionista ou endócrino, fazendo uma reeducação alimentar satisfatória, deixando de comer por ansiedade ou por decepção.

 Os dois casos, acima ilustrados e tantos outros, são importantíssimos à motivação. Mas deve-se ter a consciência de que a motivação não é uma ‘força do pensamento’ que tudo faz e realiza. Pelo contrário, a motivação é uma força para a ação. Ela é o que move atitudes coerentes, justas e éticas. Ela não pensa, ela age. É fundamental confiar em si mesmo, mas também fica o lembrete: Nem só de “motivação” vive o homem, mas de toda Palavra que procede da boca de Deus (Cf. Mt 4,4).

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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