O GRITO DE REALENGO DENUNCIA A SAÚDE DO BRASIL!

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Muitas vezes as tragédias carecem de explicação. Só não é possível a atitude de silêncio, pois a denúncia à violência não pode permanecer omitida. As explicações não justificam o ocorrido, mas ajudam a compreender as reais circunstâncias dos fatos. Hoje, profissionais da área de saúde mental, como: psicanalistas, psicólogos e psiquiatras se debruçam sobre o que motivou a chacina na Escola Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro. Afirmo que nada justifica o crime, nem mesmo uma doença mental.

 Em meio ao cenário de dor, com pais transtornados e crianças traumatizadas, surgem as mais variadas análises. A tragédia de Realengo colocou em cheque a segurança, oferecida pelo Estado; bem como a qualidade do sistema de saúde, destinado às pessoas acometidas por transtornos mentais. Ou o Brasil assume uma nova postura para tratar daqueles que têm sofrimento psíquico grave ou, caso contrário, tragédias, como as provocadas pelo atirador de Realengo, poderão se repetir. Não faz muito tempo que o jovem, Edmar Aparecido Freitas, entrou atirando no Colégio onde estudava, em Taiúva – SP, ferindo oito pessoas e se matando, logo em seguida. Também não podemos nos esquecer do caso em que Mateus da Costa Meira, entrou em um cinema de São Paulo e atirou contra várias pessoas, matando três delas.

 No mundo há sessenta e sete milhões de esquizofrênicos. Atualmente, nem mesmo os psiquiatras conseguiram investigar a dimensão da doença e muito menos classifica-la. Só se conhecem alguns sintomas, tratados por antipsicóticos. A esquizofrenia afeta o pensamento, as emoções e o comportamento. Trata-se de uma doença grave, em vários níveis, nos quais a grande maioria dos doentes se aproxima do irrecuperável. Claro que há exceções, porém são poucas. Seria o mesmo que dizer que não há cura, mas há tratamento e controle da mesma. A situação ainda se agrava, como no caso do atirador Welinton, quando a doença é misturada a uma ideia errônea de religião, gerada pelo fanatismo, pelas alucinações e pelos delírios.

 A ciência já comprovou que todas as pessoas carregam estruturas para o desenvolvimento de transtornos mentais. As minorias os desenvolvem, enquanto a grande maioria não. Sabe-se também que “a esquizofrenia é uma doença incapacitante e crônica, que ceifa a juventude e impede o desenvolvimento natural. Geralmente se inicia no fim da adolescência ou no começo da idade adulta de forma lenta e gradual. O período de conflitos naturais da adolescência e a lentidão de seu início confundem as pessoas que estão próximas. Os sintomas podem ser confundidos com “crises existenciais”, “revoltas contra o sistema”, “alienação egoísta” e “uso de drogas”” (Dr. Rodrigo Marot).

 Reconheço que a famílias que possuem um filho com esquizofrenia sofrem muito. Há um misto de vergonha, medo e dor.  “Num primeiro movimento, tenta-se esconder a doença por causa do preconceito social. Quando a doença não passa, os sonhos se desfazem, a preservação da imagem não tem mais sentido porque a doença é mais grave que o preconceito. A doença não pede licença: impõe e obriga-nos a mudar de postura diante da vida, diante da dor” (Dr. Rodrigo Marot). Os pais conscientes devem encaminhar seus filhos à terapia e aos médicos desde os primeiros sintomas.

 É possível oferecer tratamento de qualidade aos esquizofrênicos e a todos os acometidos por sofrimento psíquico grave. Basta um investimento maior na área de saúde e da pesquisa mental. É para isso que os brasileiros pagam tantos impostos. Os chamados “loucos” devem ser colocados em hospitais psiquiátricos e ser tratados. Não basta confiná-los em instituições que beiram mais aos antigos manicômios.

 Se, atualmente, não há meios médicos de recuperar a pessoa, deve-se ao menos tratá-la ou, então, ela se tornará um risco para a sociedade. Aos doentes mentais não cabe camisa de força, mas remédios, terapia e tratamento constante. Um bom sistema de saúde é deve identificar os esquizofrênicos, capazes de matar, e conduzi-los ao tratamento. Quando esses não são identificados acabam por gerar vítimas como os adolescentes de Realengo.

 A dor dos pais não cessará com indenizações nem com pronunciamentos de condolências das autoridades. Como as famílias do Brasil terão a consciência tranquila quando seus filhos entrarem pelo portão das escolas? O que aconteceu naquela escola pública também pode acontecer nas particulares. Hoje, qualquer pessoa, delinquente ou não, pode entrar nas salas de aula e fazer o que Wellington fez. Quem saberá se ali está um vendedor de materiais pedagógicos ou um esquizofrênico em alto grau? É necessário políticas mais sérias, segurança nas instituições educacionais e tratamento de qualidade por parte do Estado aos que, mesmo doentes, são capazes de matar. Situações como a de Realengo exigem responsabilidade para com o dom da vida!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

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