Mês: maio 2011

INFERNO: CASTIGO DIVINO OU OPÇÃO HUMANA?

Comentários: 0

Conhecido por Sheol na cultura hebraica e por Hades na mitologia grega, o inferno tem sido tema de profundos questionamentos e contundentes distorções ao longo da história. Em alguns casos, por trás da doutrina do inferno estão escondidas as maldades humanas projetadas em Deus, sendo resultado de: “agressões não trabalhadas ou não vencidas, supremacia do superego, fantasias sobre vingança e desejos de onipotência, tudo isso se deixa legitimar, recorrendo a interpretações fundamentalistas de textos bíblicos. Reações psicóticas de pânico e desejos de aniquilação se apresentam como causas macrocósmicas” (Herbert Vorgrimler).

Antes de condenar, Deus deseja salvar. Sua atuação é em vista da salvação e não da condenação eterna. Em vez de gerar a perdição, a atitude divina gera a sadia liberdade. Anterior à punição está o resgate da pessoa humana. Antes de ser juiz, Deus é Pai! Meus irmãos, estejamos convencidos de que a Mão que cria e salva, não pode ser a mesma que aniquila e castiga! E é o Evangelho que nos orienta em não conceber esta atitude divina como relapsa ou laxista: “Não vim para julgar o mundo, mas para salvar o mundo” (Jo 12,47). Mas então o que é o inferno? Ele existe ou não? É um lugar ou um estado da alma? Vejamos, portanto, quais são as atuais considerações da Igreja em seu magistério e da teologia em sua racionalidade crítica sobre este “enigma” da caminhada rumo ao coração de Deus.

A partir da concepção grega do mundo e, por conseguinte, da Divina Comédia: poema narrativo de Dante Alighieri, a Idade Média formulou a visão tradicional do inferno. Em primeiro lugar, há o diabo e os seres inferiores, chamados demônios. Todos têm aparência grotesca e corpo avermelhado. Sabemos que na literatura a cor vermelha simboliza a traição. O diabo também possui tridente: um cetro de três dentes simbolizando o domínio que exerce. Há ainda outros símbolos como: enxofre, choro, caldeirão, mar de fogo, entre outros. Vale ainda ressaltar que quanto mais símbolos têm uma determinada realidade, menos conhecimento possuímos dela. O símbolo é ausência de conhecimento.

 Partindo da fé bíblica podemos crer da seguinte forma:

1. O inferno é a total desolação da pessoa humana após a morte (clínica e real) e se consuma como a ausência de toda a graça e não-salvação;

 2. Muitas vezes e das mais variadas formas, o inferno foi utilizado e, continua sendo, por algumas denominações “ditas cristãs”, somente para submeter e amedrontar;

 3. Deus não quer e não envia ninguém para o inferno. Na verdade, este é o resultado da amargura eterna de não viver ao Seu lado. A maior dor da criatura é estar longe do Pai-Criador;

 4. O inferno é consequência direta da “limitação ou maldade da própria liberdade: é porque nós escolhemos” (Queiruga);

 5. Deus nos sonhou dentro de um projeto belo e de vida e não monstruoso e de morte, como se apresenta no inferno;

 6. No inferno temos a associação da morte como uma experiência de encontro com as nossas misérias e a nossa limitação humana. O Pai Eterno, rico em bondade, faz a sua proposta de amor à pessoa, convidando à mudança de vida: “a aceitação dessa proposta exigirá conversão total de tudo aquilo que dentro da pessoa ainda é oposto ao amor de Deus. Teoricamente, é possível que alguém, até na morte, se negue a mudar” (Renold Blank). A negação de tamanho amor é uma escolha da pessoa e não uma opção de Deus. Justamente por isso, aquele que nega está se afastando totalmente do Amor e assumindo uma morte eterna e consciente – isso é o que se pode denominar “inferno”. Existe inferno pior que este? Acredito que não;

 7. O inferno é a negação a Deus. É não aceitar Seu projeto! Nega-se em vida e agora se nega na morte ao amor de Alguém que faz tudo pela felicidade humana;

 Por fim, vale ainda ressaltar que a maior esperança do Cristianismo é o próprio Cristo! Ele é a razão da nossa esperança tanto na vida quanto na morte!“Baseados nessa esperança, somos capazes não só de superar as nossas angústias, frente a uma possível situação de inferno: seremos capazes, também, de começar a superar toda e qualquer situação de inferno, aqui na terra. E a gente se pergunta se haverá pessoas no inferno. Não sabemos. É possível. Esperamos que não” (Renold Blank).

 Por fim, não brinquemos com o inferno e nem fiquemos inculcando-o na vida das pessoas! Deus precisa de filhos e não de escravos! Ele é Pai e não um tirano do além! Quantas consciências já foram deformadas ao terem medo de Deus em vez de servi-lo por amor!? Estejamos atentos para não nos transformarmos em profetas de catástrofes na vida de um povo que vive na calamidade do cotidiano e no desastre da pobreza. Cuidado para não oprimirmos em vez de libertar! Aprendamos com Wittgenstein: “Sobre aquilo que não se pode falar, deve-se calar”.

 Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

www.paieterno.com.br

A CAPACIDADE DE ADMINISTRAR E RESOLVER PROBLEMAS

Comentários: 0

Os problemas são fatos constantes da vida. Querendo ou não, em algum momento, seremos surpreendidos por eles. Problema é tudo aquilo que nos faz sofrer, que mina nossas forças, que suscita desesperança em nosso coração, que provoca raiva, ódio e bate-bocas dentro de casa e até mesmo no ambiente de trabalho.

Quando não solucionado, ele só tende a gerar sofrimento em cima de sofrimento. O problema tem a péssima característica de fugir ao nosso controle e isso, muitas vezes, aborrece a alma, ocasionando as mais dolorosas mágoas, bem como ressentimentos.

A situação ainda se agrava quando acreditamos que os problemas são enviados pelo Pai Eterno. Imagina-se um Deus justiceiro e castigador, que paga o mal com o mal e, acaba-se esquecendo de que sua essência é puro amor. Mesmo sendo “doação total”, Deus não é bobo. Ele nos conhece por inteiro, desde as regiões mais escondidas de nosso inconsciente até aquilo que nem mesmo sabemos. Na condição de Pai, Deus jamais envia dificuldades e aflições aos seus filhos. Ele não pode nem quer o mal. A Sua natureza paterna o impede de despachar sejam tormentos, sejam agonias. Ele só quer o nosso bem e, sobretudo, se esforça para que tenhamos a felicidade em plenitude.

Se as pessoas fossem mais pacificadas certa parcela de problemas nem existiria. Como não dependem inteiramente de nós, os problemas também podem nos pegar de surpresa, principalmente nas ocasiões em que menos esperamos. Para tal se faz necessário manter os pés firmes diante dos fatos para não sucumbirmos às dificuldades que batem à nossa porta.

No cotidiano é possível encontrar pessoas que se desesperam e acham que o sentido para a vida se perdeu. Há contextos em que as lágrimas tornam-se recorrentes, abrindo espaço para todo tipo de depressão. Em um cenário assim alguns se sentem abandonados pelo Pai, como se Ele os estivesse esquecido: “Sião dizia: Javé, me abandonou, o Senhor me esqueceu! Mas pode a mãe se esquecer do seu nenê? Pode ela deixar de ter amor pelo filho de suas entranhas? Ainda que ela se esqueça, eu não me esquecerei de você. Veja! Eu tatuei você na palma da minha mão; suas muralhas estão sempre diante de mim. Juro por minha vida!” (Is 49, 14-17). O Pai nunca esquecerá aquele que saiu de Si. Somos parte da vida Divina que habita em nós. Se Deus se esquecesse de nós estaria esquecendo-se de Si mesmo.

Desta forma, devemos resgatar as nossas forças e reanimar a nossa fé, para assumirmos a missão de sermos as mãos de Deus agindo no mundo. Diante Dele não há espaço para a mágoa, não há abertura para a tristeza e muito menos angústia terminal. Pelo contrário, no Pai Eterno, alicerçamos a esperança em dias melhores; tornamo-nos pessoas mais resolvidas, maduras e menos infantis.

À medida que nos deixamos conduzir pela fé os problemas deixam de ser o fundamento de nossa vida, pois um só é o fundamento: o Divino Pai Eterno! Nele é possível sorrir novamente, crendo que o problema não é maior que o nosso Deus! Olhando para as dificuldades devemos proclamar: “Oh problema onde está a tua vitória? Onde está a tua força? Mostre-me quem tu és e eu te apresentarei o tamanho do meu Deus!”

A fé nos convida a não conceder aos problemas mais atenção do que eles solicitam. Junto aos problemas está a capacidade de resolvê-los. É importante reconhecer que não há solução para tudo, assim como reza o ditado popular: “O que não tem solução, resolvido está”. O fato de aceitar determinadas realidades nos faz gastar menos energia e a reduzir o sofrimento. ‘Aceitação’ é diferente de ‘comodismo’. Enquanto a primeira é sinal de maturidade, o segundo é consequência direta de desistência. “Somos atribulados por todos os lados, mas não desanimamos; somos postos em extrema dificuldade, mas não somos vencidos por nenhum obstáculo; somos perseguidos, mas não abandonados; prostrados por terra, mas não aniquilados” (II Cor 4,7-9).

Mergulhados no amor do Pai somos motivados a buscar soluções e não problemas. Em vez de atrairmos dificuldades, devemos gerar satisfação e excelência. Se os problemas não dependem inteiramente de nós, o modo como os administramos está associado à facilidade de geri-los e saná-los. Que o Pai Eterno nos ensine de que a vida é muito maior que nossos problemas!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

Twitter: @padrerobson

Site: www.paietermo.com.br

POR UMA MATERNIDADE RESPONSÁVEL!

Comentários: 0

 Infelizmente, certa parcela de pessoas tem perdido o cuidado necessário para com o dom da vida. Faz-se da existência uma espécie de mercadoria, segundo a qual, pode se dispor dela como se fosse um objeto. A vida é presente do céu. Ela é participação efetiva no existir do próprio Deus! Viver é vocação suprema e absoluta da natureza do Pai Eterno em nós! Dele viemos, Nele somos, nos movemos e existimos (At 17,28). E para Ele haveremos de voltar.

 A verdade cristã da vida está tanto em sua origem divina quanto em seu fim último: o Coração do Pai! Portanto, ao falarmos da vida humana estamos, ao mesmo tempo, falando da vida de Deus! Cada grito pela existência se apresenta como o clamor da criatura pelo seu Criador. É assim que a vida torna-se a manifestação sagrada do amor do Pai por nós. Por outro lado, o abandono e o possível assassinato de crianças inocentes é a manifestação mais clara e cruenta de que uma cultura de morte está se estabelecendo, dia após dia, em nossa sociedade. Infelizmente, tem se instituído uma realidade que aborta o maior dom que Deus nos deu: a vida!

 Já são inúmeros os casos, noticiados pela imprensa, em que mães colocam seus filhos em latas de lixo ou, então, joga-os do alto das janelas de seus edifícios. Alguns falam de depressão pós-parto, outros justificam que se trata de um transtorno mental, enquanto os demais afirmam que falta respeito, amor e consideração pelo recém-nascido. Independente da causa, o que está em jogo é a dignidade da criança e o seu direito privilegiado de viver. O direito à vida é único e inegável.

 Infelizmente, tem se perdido o significado maior da existência. Essas mães, perversas ou, em último caso, dementes, acabam por esquecer que são apenas doadoras da vida de seus filhos. Em hipótese alguma devem se considerar proprietárias da existência de quem quer que seja. Quando uma mãe cruel se sente dona da vida de seus filhos o mal está formado. Passa-se a conceber o recém-nascido como se ele fosse um objeto: do qual pode se dispor, abandonar e até mesmo jogar fora no lixo. Aqui a vida torna-se descartável e dispensável. É triste constatar que, em alguns casos, as caçambas de entulho tem sido uma nova espécie de aborto, ainda mais grave, pois nele está um misto de abandono, rejeição, desamparo e desprezo público pelo recém-nascido.  

 Quando uma mãe exibe a crueldade de ensacar e jogar seu próprio filho no lixo ou abandoná-lo em córregos ou ainda; atirá-lo no quintal do vizinho, logo após o parto, fica evidente a inversão de valores. Aquela que deveria cuidar, proteger e nutrir; acaba por destituir, abandonar e jogar fora alguém que foi gerado dentro de si, durante nove meses. Cá entre nós, não seria uma afronta chamar a essas pessoas pelo título de mãe? Na verdade, não passam de genitoras. Cederam apenas seu útero para que o feto fosse gerado. Nada mais que isso! Não pode ser chamada de mãe aquela que é capaz de matar lentamente o próprio filho.

 A mãe de verdade é incapaz de matar um ser que saiu de si. Pelo contrário, ela chega a passar fome, a trabalhar doente e a oferecer a vida, se necessário for, pelo bem de seus filhos. A mãe sempre será a figura mais próximo que temos para ilustrar até onde o amor pode ir. Quem é mãe sabe as últimas consequências do amor e só por isso não conhece o cansaço de amar. Mãe que é mãe nunca desiste de seus filhos. Sempre acredita em um futuro melhor, em que terá maiores condições de renda para conceder a eles tudo o que necessitam para viver bem e com dignidade. O amor de mãe é incondicional e eterno! 

 Muitas vezes a mídia centra a sua atenção, exclusivamente, na figura da mãe e se esquece do abalo psicológico da criança. Na verdade, a figura da criança deveria ser a mais levada em consideração, ao passo que a essas mães cabem àquelas medidas socioeducativas da lei ou, em raros casos, o tratamento psiquiátrico. Talvez, seja algo natural, vincular o foco na mãe, uma vez que foi ela a grande responsável pela barbárie. A partir de então, nasce aquele sentimento de indignação e o desejo de que a justiça seja feita às mães que estão aptas a matar. A lei é bem clara ao afirmar que lugar de assassino é atrás das grades.

 A mãe que ensaca seu filho e o atira ao lixo é o exemplo mais horrorizante de uma maternidade irresponsável. Uma sociedade, fundamentada no sexo pelo sexo, tem gerado filhos sem planejamento. Filho não pode ser um acidente, deve ser pensado e sonhado. O primeiro critério para a geração de uma criança não é a necessidade do ato sexual em si, mas a real capacidade financeira, mental e afetiva de educá-la como uma cidadã de bem. Se não há condições, se a realidade é insuficiente e se não há maturidade porque gerá-los? Não seria mais correto buscar a santificação da própria sexualidade, para não cometer uma barbárie nove meses depois.

 Gerar filhos, às escondidas, para depois abandoná-los no lixo, é o pior exemplo que aquela que se diz ‘mãe’ pode conceder a sociedade. Não se abandona aquele é parte de si! Não se remete ao lixo um ser indefeso! Não se cala o grito da vida! É por isso que muitas meninas que, conseguiram sobreviver à perversidade dessas mães, ganham um nome cheio de significado: Vitória! É difícil pensar que a consciência sempre acusará a mãe que abandona e mata, contudo, é a mais pura verdade! Que sejamos mais responsáveis e tratemos com maior dignidade o dom da vida! Que o futuro não nos acuse de termos sido coniventes com a desvalorização da existência. Sejamos capazes de orientar nossas adolescentes para que assumam a maternidade sem medo, com planejamento e de forma saudável. Caso contrário, os lixões continuarão a se transformar em maternidades a céu aberto! Meu Deus, até quando?!

 Um abençoado Dia das Mães a todas aquelas mulheres que são capazes de oferecer a própria vida por amor aos seus filhos!
 
Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

 

Missas

De segunda a sexta

Missas: 7h e 19h30

Sábado

Missas: 7h, 10h e 17h30

Domingo

Missas: 5h45, 8h, 10h, 12h, 15h e 17h30

Rede Vida

Segunda, terça, quinta e sexta: 7h Quarta: 9h

Sábado: 7h e 17h30

Domingo: 17h30

TV Anhanguera

Domingo: 5h30

PUC TV

Sábado e domingo: 17h30

TBC

Domingo: 8h

Rede Pai Eterno

Missas Segunda, quarta, quinta e sexta: 7h
Sábado: 7h e 17h30
Domingo: 5h45, 8h e 17h30

Novena dos Filhos do Pai Eterno Todos os dias: 4h, 12h e 22h Novena do Perpétuo Socorro Todos os dias: 2h

Rádio Difusora Goiânia

Missas Domingo: 8h Novena dos Filhos do Pai Eterno Todos os dias: 13h