Educados pela violência!

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É com o coração entristecido, mas esperançoso que tenho lido e acompanhado o mapa da violência no Brasil. Nos últimos anos ele tem avançado cada vez mais. Não é de hoje, que nas Missas da Visita, com a Imagem Peregrina do Pai Eterno, a população local tem clamado pela paz, no intuito de combater a violência. São mães desesperadas, pais desconsolados, educadores perdidos e peritos divididos: uns lutando pelos direitos humanos, ao defender que a violência é fruto da delinquência social; outros batalhando pela redução da maioridade penal, ao acreditar que os menores infratores são cruéis e devem pagar pelos crimes que cometeram.  Independente da causa o problema precisa ser debatido, com seriedade, em vista da solução.

Hoje, há um saldo incontável de vítimas, não só nas capitais, mas também no interior do país. A violência não é mais um reflexo das grandes metrópoles, mas fruto de contextos sociais, econômicos e culturais. Para compreender a origem da violência, onde ela nasce e é semeada, é necessário analisar o cenário em que a mesma surgiu: agressão física e verbal dentro do ambiente familiar, alcoolismo dos pais, amizades desestruturadas, falta de diálogo na família e ausência da prática da fé. Isso sem mencionar a educação antipedagógica, concedida pelos jogos de luta e morte, bem como pelo lado obscuro da internet.

A violência é um fenômeno que se aprende e se repete. Atualmente, jovens de 12 a 19 anos têm cometido os mais variados crimes, provocados pelo racismo, pelo preconceito e até mesmo pelo fundamentalismo religioso. O alvo é sempre o outro que ameaça e incomoda o agressor. O outro que, muitas vezes, não provocou, não instigou nem disse algo para despertar a fúria desses menores infratores. É uma espécie de agressão gratuita. Agride-se pelo simples fato do outro ser o que é. 

Foi-se o tempo em que havia somente a chamada ‘violência estrutural’, responsável pelos mais variados crimes, espancamentos e assassinatos. Falava-se dos 29 milhões de jovens brasileiros que viviam em condição de miséria total e por esse motivo se tornavam delinquentes.

No presente, há uma diferença que chega a gerar disparidade, pois a delinquência tem sido praticada, principalmente, por menores de classe média alta e baixa. Onde está a consciência social desses jovens? Onde fica o sentimento de tolerância e respeito? Como os movimentos neonazistas e arianos têm retornado? Quem se responsabilizará por esses crimes: o Estado, a família, as escolas ou os próprios jovens? Essas são perguntas que surgem a todo instante e carecem de resposta!

 

Enquanto isso, vemos a violência se alastrar. Não é necessário ir muito longe para encontrar situações de ridicularização pública, de depreciação grupal e de ações humilhantes. Às vezes, a própria violência é instigada em manuais. Basta uma simples pesquisa para constatar o modo como agressões são arquitetadas em páginas de relacionamento social ou colocadas como ferramenta para a organização de um determinado grupo. Meu Deus, como pode a violência ser a causa de uma aliança, quando sua vigência só tende a agredir e denegrir as pessoas? É algo assustador.

 

Infelizmente, tudo aquilo que diverge de uma concepção pré-definida ou de uma ideia estabelecida pode ser alvo de uma perseguição silenciosa. A partir de então está aberto o cenário para a intolerância e o desrespeito à dignidade humana. É urgente a missão dos pais e dos educadores em filtrar os valores negativos que têm influenciado os nossos jovens. A capacidade de colocar limites e de não se deixar intimidar pela violência fragilizada dos filhos também é um bom começo.

A falta de limite é um problema sério. Quando uma criança só entende o ‘sim’ e se rebela contra o ‘não’ uma ferida é instalada no coração da família. Há jovens que se colocam como senhores e mandatários dentro de casa. Acabam por manipular situações e inverter a razão de ser da família, ao se tornarem ‘pais dos próprios pais’. Já não são mais os filhos, pelo contrário, são os pais que devem dar satisfações e explicações aos menores. Não falo de bater nos filhos e muito menos de agredi-los para impor medo. De forma nenhuma. Falo de um mínimo de respeito e consideração: características cada vez mais esquecidas nas famílias.

Talvez, o problema esteja enraizado na dificuldade de educar. É com humildade que alguns precisam reconhecer que sozinhos não conseguirão orientar, corrigir e se responsabilizar pela criação de quem quer que seja. Nem todos têm facilidade para educar e constituir família. É difícil ensinar aquilo que nunca se experimentou. Aqueles que almejam criar seus filhos precisam fazer a experiência da educação pela prática do bem, do respeito pela aquisição da ética, da tolerância pelo reconhecimento do diferente, da reverência à dignidade humana pelo critério da fé. Enquanto xingamentos, provocações verbais, avacalhações e chacotas humilhantes continuarem a fazer parte do ambiente familiar, as famílias poderão se tornar centros divulgadores da violência, da intransigência e do preconceito. Que a educação pela paz supera a educação pela violência!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

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