Dia: 30 de julho de 2011

A IGREJA: MÃE E MESTRA!

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Passados 50 anos, vemos a atualidade da Encíclica “Mater et Magistra” (Mãe e Mestra), publicada pelo saudoso Papa João XXIII. Trata-se de um documento do Magistério, bastante contemporâneo e fundamental para compreendermos a Doutrina Social da Igreja. Nela há uma forma concreta de analisar a realidade socioeconômica em suas mais importantes dimensões. A “Mater et Magistra” foi redigida 15 anos após o colapso provocado pela Segunda Guerra Mundial, durante a comemoração dos 70 anos da “Rerum Novarum” (Das Coisas Novas), de autoria do Papa Leão XIII.

É importante verificar que essa Encíclica também serviu de embasamento para vários outros Documentos Pontifícios, escritos posteriormente, como é o caso da: “Pacem in Terris” (Paz na Terra), também de João XXIII ; “Populorum Progressio” (O Progresso dos Povos), de Paulo VI; “Laborem Exercens” (Sobre o Trabalho Humano) e “Sollicitudo Rei Socialis” (A Solicitude Social da Igreja), ambas de João Paulo II e por último “Caritas in Veritate” (A Caridade na Verdade); do nosso atual Papa, Bento XVI. 

A partir desta trajetória histórica constata-se que a Igreja não permanece calada ao grito do pobre, não se omite em Sua missão de defender a dignidade humana, não se silencia frente à violação dos direitos dos pequeninos e por último, não deixa de enfatizar a necessária verdade de que o homem e a mulher estão acima de toda e qualquer estrutura econômica.

A Igreja sempre será a Mãe e a Mestra de todos aqueles que são considerados insignificantes pelo sistema social e monetário. Sua, é a missão de ouvir os apelos dos inaudíveis. Ela é a Voz dos sem vozes. A Igreja vê o sofrimento dos imperceptíveis, porque a ganância de alguns os fez miseráveis. Ela enxerga a dor dos que são vítimas da pobreza espiritual, intelectual e, sobretudo, material. Como fiel Discípula de Jesus, a Igreja vai ao encontro dos que foram diminuídos em sua dignidade, tornando-se a ponte para o antigo abismo que separava os multimilionários dos indigentes.  

O capitalismo carrega sobre si o peso de elevar a uns e menosprezar a outros, principalmente aqueles que já não são mais importantes para o sistema, pelo simples fato de não terem condições financeiras de consumir. Para o capitalismo, saudável é aquele que consome doente e compulsivamente. Eis a realidade na qual, eu e você, valemos pelo que consumimos e não pelo que somos.

Cabe à Igreja a missão de santificar vidas, mas também de formar pessoas éticas e morais. A salvação, trazida por Jesus, engloba todas as esferas da vida humana, pois não há nada que seja humano que não careça de amor e redenção. Neste mesmo pensamento, cabe ao cristão traduzir as leis de mercado pela linguagem do Evangelho. Acima do capital, das taxas de juro, da inflação e da dívida interna do país está a pessoa que, em muitos momentos é explorada no trabalho e escravizada pela economia. A “Excelentíssima Economia” que deveria auxiliar e contribuir com uma vida digna, não raras vezes, oprime e reduz à condição de escravo aqueles que ela mesma deveria servir. A serva torna-se senhora!

Não precisamos ir muito longe para perceber as injustiças sociais provocadas pelos raros privilegiados. Eles vivem na fartura e na ostentação desregrada, enquanto a grande maioria permanece no contraste da pobreza. Ali, vidas são privatizadas e histórias são desumanizadas. Infelizmente, tudo gira em torno do dinheiro abusivo e do lucro desenfreado. Não há nenhum tipo de consideração aos limites traçados pela justiça, quanto dirá da honestidade. O importante é adquirir cada vez mais e se importar, com o outro, cada vez menos.

Tenho a impressão de que existe outra lei a reger o coração de alguns que se deixam mover pela ganância. Chega até parecer que quanto mais desonestos formos, mais felizes seremos. Errada conclusão! Na verdade, as pessoas honestas são capazes de dormir com a consciência tranquila, sabendo que não venderam suas almas para o dinheiro nem para prevaricações. Não adulteraram a sua dignidade de filhos de Deus. Sabem muito bem que tudo o que conseguiram foi com o próprio esforço, sem manipular ou tirar de alguém. O que têm não foi conquistado à custa do empobrecimento alheio.

A vida social só será humanizada quando o sistema vigente começar a olhar para os seus a partir dos critérios da justiça e da igualdade. E não é necessário ser cristão para isso, pois são princípios da ética natural, comum até pessoa bem intencionada e com retidão de vida. É triste que um trabalhador não possua um salário justo, pelo o menos o suficiente para cumprir com as suas responsabilidades familiares.

Olhemos para a “Mater et Magistra” com os olhos de filhos da Igreja. Esta mesma Igreja que não descansará enquanto não houver um equilíbrio entre salários e preços; entre expansão econômica e desenvolvimento dos serviços públicos, como saúde e educação, por exemplo; entre trabalhadores privilegiados, com seus altos salários e trabalhadores explorados, em seu cruel salário: mínimo na condição de vida, mínimo na dignidade, mínimo no respeito, mínimo no desenvolvimento, mínimo no bom senso.

Terminemos como a própria Encíclica nos convida, dando a atenção merecida às palavras do Salmista: “Vou ouvir o que Iahweh Deus diz, porque ele fala de paz ao seu povo e seus fiéis, para que não voltem à insensatez. Sua salvação está próxima dos que o temem, e a Glória habitará em nossa terra. Amor e Verdade se encontram, Justiça e Paz se abraçam; da terra germinará a Verdade, e a Justiça se inclinará do céu. A Justiça caminhará à sua frente e com seus passos traçará um caminho (Sl 84,9ss).

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

 

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