Mês: agosto 2011

ATÉ QUANDO AGRESSIVOS NAS PALAVRAS?

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Nós últimos dias tenho pensado muito sobre a essência de nossas palavras e o que nos motiva a proferi-las. Muitas delas não passam pelo critério do amor, pois surgem junto com sentimentos momentâneos, como: a ira, o aborrecimento e o ódio contra o outro. Às vezes, as pessoas se deixam dominar por emoções repentinas, concedendo a elas o poder de decidir as suas atitudes. Quando se age por impulso é possível magoar aqueles que mais amamos e ferir as relações mais duradouras. Algo que, se houvesse paciência, não aconteceria. Ao agir a partir da raiva, o indivíduo assume o caminho de sua autodestruição. 

Nossas palavras têm o poder de destruir e edificar a família, iluminar e entristecer os amigos, libertar e aprisionar os que convivem conosco; até mesmo os colegas de trabalho. Por meio das palavras, agradecemos e, ao mesmo tempo, denegrimos a vida do outro. É difícil entender tamanha contradição: bondade e maldade em uma única forma de ser, agir e, principalmente, falar.

“A boca fala daquilo que o está cheio o coração!” (Lc 6,45). Por detrás do que falamos está um amplo contexto de situações e pensamentos. Não sou poucos os que deixam a panela de pressão estourar e, por isso, falam mal, humilham e xingam o outro. Irados, acabam por proferir as palavras mais insensatas para o momento. Quando a raiva passa e a cabeça esfria, ficam o vazio e o arrependimento de ter dito o que não era necessário. E mesmo que fosse indispensável tocar no assunto, a sabedoria já nos convida a tratar do conflito em momentos viáveis e serenos. Para tudo na vida há uma ocasião específica e propícia.

Só o fato de pedir ‘desculpa’, não modifica a ferida daquele coração que sofreu agressões verbais. Faz bem pensar que o melhor pedido de ‘desculpa’ é não repetir o mesmo erro de sempre. Na verdade, ‘desculpa’ não pode ser confundida com justificativa para erros que se repetem. Pelo contrário, ela é o reconhecimento mais sincero de que queremos mudar e não cederemos às novas investidas do ódio. Não estando preparado para mudar o comportamento, então é melhor, nem acelerar o pedido de desculpa para que a palavra não caia em descrédito. O mais bonito, nesse itinerário, é quando se substitui a ‘desculpa’ pelo ‘perdão’.

As palavras, filhas do nervosismo, vão e voltam. Na hora em que menos se espera lá estão elas atormentando a consciência e o coração. É infantil quem deixa o ódio usar sua boca e tomar posse de suas atitudes. Quem fica enfurecido se transforma em tudo aquilo que não gostaria de ser. Se fosse possível gravar o momento, a pessoa ficaria envergonhada de vê-la agindo com tamanha brutalidade. 

A ‘Palavra’ de Deus já nos orienta: “Aquele que não comete falta no falar, é homem perfeito, capaz de por freio ao corpo todo. A língua é um fogo, o mundo da maldade. A língua, colocada entre os nossos membros, contamina o corpo inteiro […]. Quaisquer espécies de animais ou de aves, de répteis ou de seres marinhos são e foram domadas pela raça humana; mas nenhum homem consegue domar a língua.

Ela não tem freio e está cheia de veneno mortal. Com ela bendizemos o Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. Da mesma boca sai bênção e maldição. Meus irmãos, isso não pode acontecer!” (Tg 3,1.6-10b). Voltando ao texto bíblico, verifica-se a presença do verbo ‘domar’. Para bom entendedor vale o lembrete: só se doma animal selvagem. Portanto, não podemos permitir que a língua nos torne violentos nem agressivos, como se fôssemos trogloditas.

Não convém que nos isentemos das consequências de nossas palavras. Se assim agirmos, nos tornaremos irresponsáveis com o outro e inconsequentes com o que falamos. Aquele que humilha pode se esquecer do ocorrido, mas há a possibilidade de que o insultado recorde-se das ofensas recebidas por toda uma vida; ainda mais quando não há a capacidade do perdão incondicional. No atendimento pastoral tenho visto muitas pessoas que acumulam mágoas durante vinte, trinta, quarenta anos. Alguns guardam ressentimentos até de entes falecidos, que lhes denegriram pela fofoca ou pela maledicência. É como se essas vítimas das más palavras ficassem presas a um passado distante e impedidas de cresceram na fé.

Com oração, diálogo e dedicação é possível humanizar as nossas palavras, para que mesmo dizendo a verdade, não sejamos capazes de ofender a ninguém. Santifiquemos nosso coração e apaziguemos nossos ânimos. Assim, tudo o que sair de nossa boca será para engradecer as pessoas, nunca para destruí-las. Pautados pela caridade, amemos! Alicerçados na fé, nos esforcemos! Norteados pela esperança, caminhemos com a consciência tranquila de que nossa única arma é a compreensão pelo limite do outro! Que nossas palavras sejam, sucessivamente, santificadas na Palavra do Pai. Que nunca venham a ser lançadas ao vento, nem atiradas com agressividade! Quando machucamos o outro, ferimos a face de Deus!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A EXPLORAÇÃO DO HOMEM PELO PRÓPRIO HOMEM

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Já se faz 123 anos que Lei Áurea foi assinada. Só que a situação atual tem dito o contrário. São muitas as realidades que gritam: “ainda há escravidão entre nós!”. O trabalho escravo só foi extinto no papel, mas continua, vivo e latente, na clandestinidade daqueles que fazem questão de não enxergá-lo. O importante é beneficiar-se, cada vez mais, da exploração do outro.

Muitas vezes nos colocamos na condição de assustados quando somos informados, pela mídia, que estrangeiros são escravizados em nosso amado Brasil. Isso não é nenhuma novidade. Acontece aqui, nos Estados Unidos, em Bangladesh, na China, no Sri Lanka, na Índia e em tantos outros países. Por não conhecermos a história do produto que consumimos, podemos até pensar que o tênis, a roupa e o eletrodoméstico que utilizamos foram feitos por um trabalhador em condições desumanas de trabalho. Aqui entra a nossa consciência cristã ou ética ao nos questionar: até quando sustentaremos este sistema pecaminoso e indigno?

Fundamentada no lucro alienado, a indústria agrícola, têxtil e eletrônica, confundiu a pessoa humana com a máquina, fazendo com que sua vida fosse pautada pela produção contínua, transformando-a em mais uma mercadoria. Hoje, a pessoa, motor da economia, se vê obrigada a ceder espaço para o lucro, sem proporções. O trabalho que, antigamente, enaltecia, agora, desumaniza o próprio trabalhador. Enganam-se aqueles que pensam que o trabalho dignifica o homem. Não! Ao contrário, é o trabalhador quem dignifica o trabalho!
Infelizmente, a redução da “pessoa” a condição de “escrava” tem se tornado uma marca registrada de um sistema econômico que nega a liberdade humana e a explora, visando o capital financeiro a todo e qualquer custo. O corpo deste sistema é a injustiça. E, sendo injusto por natureza, o sistema torna-se servidor do pecado, desde o começo da cadeia de produção até o final. Em suas veias corre o sangue de trabalhadores: sugados em sua dignidade e vitimados por inúmeros maus-tratos.

Quando um trabalhador, filho do Pai Eterno é impedido de retornar à sua terra de origem; quando é vendido, junto com mercadorias, sendo tratado como coisa; quando é induzido a consumir de seus proprietários, só para ficar endividado; quando seus documentos são pegos à força; quando a condição de trabalho não lhe protege, só o engana; quando é proibido de sair de seu lugar de trabalho; quando é mantido na vigilância, por meio de violência; quando a jornada de trabalho fere aquilo que foi definido pela legislação trabalhista há uma realidade de cativeiro, sujeição, desumanidade e por isso: escravidão!

Atualmente são mais de 27 milhões de trabalhadores escravos no mundo. Isso sem contar as crianças, que somam 246 milhões. Juntos, geram bilhões de dólares por ano, principalmente para a exportação. Em algumas oficinas há relatos de que a jornada de trabalho varia de 12 a 18 horas por dia. Nestes lugares, quando um funcionário demonstra sinais de cansaço chega a ser multado. 

Os escravizados trabalham exaustivamente e ficam cada vez mais pobres, sem auxílio sindical e sem uma legislação que defenda os seus direitos. “Ai daquele que constrói seu palácio desprezando a justiça, e amontoa seus andares a despeito do direito; que obrigam os outros a trabalhar de graça, sem pagar-lhes salário […]. Só tens olhos e coração para o lucro, para derramar sangue do inocente, para agir com brutalidade e selvageria” (Jr 22, 13.17).

Trabalhar para ganhar o próprio pão é um direito da pessoa. O pecado nasce na medida em que esse direito lhe é negado. “Uma sociedade onde este direito seja sistematicamente recusado, onde as medidas de política econômica não consintam aos trabalhadores alcançarem níveis satisfatórios de ocupação, não pode conseguir nem a sua legitimação ética nem a paz social” (João Paulo II).

Rezemos para que o genuíno sentido do trabalho seja resgatado em um mundo esquecido de sua origem na caridade de Deus! Não ao trabalho escravo! Não a desumanização de pessoas! Não a exploração dos inocentes! Basta de nos mantermos silenciados diante de um crime tão hediondo! Por fim, “veneráveis irmãos, não se cansem de inculcar a todas as classes da sociedade as máximas do Evangelho; façamos tudo quanto estiver ao nosso alcance para salvação dos povos, e, sobretudo, alimentem em si e acendam nos outros, nos grandes e nos pequenos a caridade, senhora e rainha de todas as virtudes. […] Queremos dizer, daquela caridade que compendia em si todo o Evangelho, e que, sempre pronta a sacrificar-se pelo próximo, é o antídoto mais seguro contra o orgulho e o egoísmo do século” (João XXIII, Rerum Novarum, nº 35).

 

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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HOLOCAUSTO SILENCIOSO!

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Muitas vezes a vida é enfocada somente na ótica do prazer e das vantagens. Por que falar de sofrimento se a vida é pura felicidade? Por que refletir sobre a dor se o mais importante é a saúde e as inovações da ciência biológica e cosmética? Vale a pena discursar sobre as decepções, as tristezas e as intempéries do cotidiano se elas causam tanto medo, revolta e aflição? Não seria melhor falar de comodidade ou vida fácil e rejeitar toda a cogitação que tentasse responder ao grande mal-estar do humano? São perguntas cruciais mantidas à distância dos que temem o significado maior da vida e censuradas por aqueles que não compreendem o sentido da existência.

A vida é dom, pois emana diretamente do coração do Pai Eterno. Deste dom, brota também o direito natural. Por meio dele sabemos que por ora nascemos e por ora também morreremos. É um ciclo vital. Em uma cultura que busca incessantemente a “fonte de sua juventude” falar de tribulação, pesar ou contrariedade é ferir os tímpanos daqueles que se deleitam e usufruem da vida como algo puramente vantajoso. Às vezes é fácil esquecer que a vida é feita de contrários.

Seguindo a lei natural, sabemos que a morte se impõe como o limite da existência terrena.  Contudo, na mentalidade pragmática a morte é uma infração à vida. É um escândalo e um atentado existencial pelo fato de interromper a jornada de outrem sem o seu respectivo consentimento. Isso acontece todas as vezes que o ser humano perde de vista a sua relação com Deus “e pensa que é critério e norma de si mesmo e julga que tem inclusive o direito de pedir à sociedade que lhe garanta possibilidades e modos de decidir a própria vida com plena e total autonomia” (João Paulo II, Evangelium Vitae, nº. 64).

Sejamos coerentes e reconheçamos que liberdade não é fazer tudo o que queremos e autonomia não é a emancipação do sujeito acima da sacralidade da vida. Pelo contrário, aqueles que se mantêm ferrenhos num discurso libertário, acabam defendendo que a eliminação da dor é o meio mais rápido de não convivermos com o limite da vida e com a finitude da existência. Construir uma sociedade alienada a morte é alicerçar uma civilização que se apodera da vida a seu bel-prazer.

Neste sentido, podemos falar da eutanásia como um crime desumano, pois gera a cultura da morte contra os idosos e os fisicamente debilitados. Infelizmente, ele continua a acontecer às escondidas. Trata-se de um caminho em que a morte é querida e procurada por aqueles que não sabem conviver com a fronteira da vida. Etimologicamente a palavra tem origem na fusão de duas expressões gregas: eu que significa “boa” e tanathos que é igual à “morte”. A eutanásia seria, então, uma falsa noção de “boa morte”.

De acordo com alguns estudos há três motivos para solicitar a eutanásia. O primeiro deles seria a dor física e neurológica do paciente em fase terminal. O segundo é o viés do sofrimento causado à pessoa. Este último impossibilita o paciente de encontrar outro tratamento paliativo, levando-o a assumir a morte como alívio final. O terceiro surge na medida em que a pessoa toma consciência de sua dita “inutilidade” e não possui mais a vontade de viver. Colocar fim à vida é o meio infantil de silenciar a dor.

Para tais justificativas valem algumas ponderações: do ponto de vista moral, ao refletir sobre a eutanásia é difícil dissociá-la do suicídio, quando a morte é desejada pela pessoa e, ao mesmo tempo, do homicídio, quando é almejada por um ente da família. Do ponto de vista jurídico a eutanásia se apresenta como um tipo moderno de suicídio assistido, pois fere a inviolabilidade da vida. Justamente por isso a legalização da eutanásia carece de validade jurídica, uma vez que a lei deve estar a favor do humano e não contra ele. Do ponto de vista científico, a eutanásia se coloca como a interrupção no processo de evolução da pesquisa e na suspensão da apropriação do conhecimento proveniente de suas técnicas.  Matar um doente é o mesmo que paralisar o esforço científico da cura. O discurso intitulado de “pacientes em fase terminal” não seria o advento de uma medicina paliativa e de um tratamento descartável, quando não gera rentabilidade financeira para o cientista?

Ademais, mesmo consciente da doença, o paciente pode encontrar em Deus, a energia necessária para projetar o presente e gerar saúde. A capacidade de encontrar forças em meio à obscuridade do caminho auxilia a pessoa na reconstrução da sua saúde. Na atualidade, os profissionais já discutem que nem sempre saúde é ausência de doenças. Existem casos de pessoas que possuem uma determinada doença e vivem com saúde, sendo chamados de pacientes em estado salutogênico. A noção de saúde também precisa ser enfocada com uma perspectiva diferente. Não se trata de conformismo, pelo contrário, trata-se de conviver com a doença, procurando a sua cura, sem ter que matar o doente por isso.

Voltemos à origem da vida que está no coração do Pai Eterno. Dele viemos. Nele somos e existimos. E para Ele haveremos de voltar após a morte! Saibamos que o menosprezo do direito à vida, ao eliminar pessoas, é uma forma destrutiva de aniquilar o dom de Deus. “Quando a Igreja declara que o respeito incondicional do direito à vida de toda pessoa inocente – desde a sua concepção até a morte natural – é um dos pilares sobre o qual assenta toda a sociedade, ela quer simplesmente promover um Estado humano. Um Estado que reconheça como seu dever primário a defesa dos direitos fundamentais da pessoa humana, especialmente da mais débil” (João Paulo II, Evangelium Vitae, nº. 101).

Que o Pai Eterno nos abençoe nesta empreitada da vida e pela vida contra o holocausto moderno da eutanásia!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

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Ser Padre segundo o coração do Pai Eterno!

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Nesta semana, por ocasião da memória de São João Maria Vianney, o famoso “Cura d’Ars”, padroeiro dos párocos, também foi celebrado o dia do padre. Na presente data rezei pelos meus irmãos no sacerdócio e passei o dia a refletir sobre o quanto é importante ser padre de acordo com o coração de Deus e não a partir dos próprios critérios ou de sentimentos pessoais.

A missão do sacerdote está inserida no mistério Divino e decorre, diretamente, dele. Assim, quanto mais mergulharmos na origem da vocação sacerdotal, mais encontramos o rosto do Pai, pois Ele é o fundamento que legitima uma verdadeira vocação. O Pai continua a peregrinar pelo mundo, tocando no interior de cada alma. Ele prossegue passando por nossas casas, nossas famílias, nossas escolas e a chamar os seus, para lhes conceder vida e plenitude. Por isso, é impossível falar de vocação sem mencionar a emoção da pertença, a característica da escolha e a eleição para um serviço tão importante como o sacerdócio. Por trás de cada vocação está a história do amor do Pai inserida na vida dos seus filhos. Fomos convocados pelo Amor!

Muito mais do que pregar e confessar o povo, o sacerdote assume o apostolado do exemplo. Mesmo sendo frágil e humano, suas atitudes devem apontar para o Evangelho. Em seus gestos mais simples, o sacerdote convida a comunidade cristã a aderir seu pensamento, vontades, sentimentos e toda a sua existência ao Evangelho de Jesus. É como se ele mesmo dissesse: “Querem conhecer o Mestre Jesus? Olhem para mim e vejam em minhas atitudes a face de Cristo!”

No coração do sacerdote está o chamado a ser ‘mestre da Palavra’, ‘ministro dos Sacramentos’ e ‘guia da Comunidade Cristã’. Não porque ele o quis ou evocou para si estes títulos. Pelo contrário, foi porque a Igreja assim o confiou. O sacerdócio não tem nada a ver com o exercício de uma profissão. Ser padre não é uma questão de aptidão pessoal. Trata-se, no fundo, de um carisma, confiado pelo Espírito Santo àqueles que Ele mesmo escolheu.

O sacerdote não é um funcionário do Sagrado nem um profissional da religião. Se fosse para categorizá-lo de acordo com a nossa mentalidade trabalhista, poderíamos dizer que: sua carteira de trabalho é o Evangelho, seu cartão de ponto é a oração e seu salário é gastar a vida pela causa dos oprimidos e abandonados. O regulamento que rege o serviço de um sacerdote é bem diferente do que a maioria está acostumada. Isso não faz dele um super-herói e muito menos alguém distante da sociedade. É inserido no tempo, consciente da fé, que o sacerdote evangeliza e também se deixa evangelizar.

Junto à missão sacerdotal está a realidade do serviço, pois o sacerdote “não veio para ser servido, mas para servir” (Mt 20,28). Sendo homem do serviço, cabe a nós sacerdotes animar os fracos; empregar esforços para uma vida, verdadeiramente, cristã nos fiéis; exortar os desanimados; edificar a Igreja com o próprio testemunho; consolar os abatidos; libertar os cativos da injustiça e, por fim, ir ao encontro de todos aqueles que necessitam da face de Deus, sempre com a consciência de que: “quem é posto à frente do povo deve ser o primeiro a dar-se conta de que é servo de todos. E não desdenhe de o ser, repito, não desdenhe de ser servo de todos, pois não desdenhou de se tornar nosso servo Aquele que é Senhor dos senhores” (Santo Agostinho).

Porém, a maturidade da fé já ensina que nenhuma vocação é um mar de rosas. Nunca nos esqueçamos dos espinhos. Muitas vezes carregados na própria carne, como dizia o apóstolo (Cf. II Cor 12,7). Da mesma forma como há aqueles que se deixam inflamar pelo amor do Pai, sendo conscientes do dom espiritual que carregam, também há uma pequena minoria que se deixa perder pelo caminho. Acabam por sucumbir à ideia de que a vocação sacerdotal é coisa do passado. Que engano, pois, as pessoas sempre terão necessidade do amor do Pai! “Deus vive, e precisa de homens que vivam para Ele e O levem aos outros. Sim, tem sentido tornar-se sacerdote: o mundo tem necessidade de sacerdotes, de pastores hoje, amanhã e sempre enquanto existir” (Bento XVI).

Em uma sociedade cada vez mais secularizada, busquemos a face do Pai e não deixemos de orar pelos sacerdotes. Antes de criticar, oremos! Hoje, a mídia questiona a vocação daqueles que tem a única missão de lhes trazer Deus. O fato de alguns terem deixado de olhar para o Mestre e passarem a olhar para suas paixões ou doenças psicológicas, a ponto de cometerem crimes é um escândalo para a fé; que merece ser punido tanto na Igreja, quanto na justiça civil. A vocação sacerdotal está acima do erro e do pecado moral desses, pois é um dom confiado pelo próprio Deus, assim como acontece com todas as vocações. Como se sabe, o dom está acima das misérias humanas.

“No coração do sacerdote não está extinto o amor” (Paulo VI). Mas, ele o exerce continuando a missão de Cristo, na caridade incondicional. É este amor que lhe confere o sentido de responsabilidade primeira pelo povo de Deus. Com a oração dos fiéis e com o esforço pessoal, a personalidade do sacerdote é amadurecida. A partir desse momento, somos capazes de carregar esse precioso dom, em nossos frágeis vasos, amparados pela força do Pai! Prossigamos!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.

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