HOLOCAUSTO SILENCIOSO!

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Muitas vezes a vida é enfocada somente na ótica do prazer e das vantagens. Por que falar de sofrimento se a vida é pura felicidade? Por que refletir sobre a dor se o mais importante é a saúde e as inovações da ciência biológica e cosmética? Vale a pena discursar sobre as decepções, as tristezas e as intempéries do cotidiano se elas causam tanto medo, revolta e aflição? Não seria melhor falar de comodidade ou vida fácil e rejeitar toda a cogitação que tentasse responder ao grande mal-estar do humano? São perguntas cruciais mantidas à distância dos que temem o significado maior da vida e censuradas por aqueles que não compreendem o sentido da existência.

A vida é dom, pois emana diretamente do coração do Pai Eterno. Deste dom, brota também o direito natural. Por meio dele sabemos que por ora nascemos e por ora também morreremos. É um ciclo vital. Em uma cultura que busca incessantemente a “fonte de sua juventude” falar de tribulação, pesar ou contrariedade é ferir os tímpanos daqueles que se deleitam e usufruem da vida como algo puramente vantajoso. Às vezes é fácil esquecer que a vida é feita de contrários.

Seguindo a lei natural, sabemos que a morte se impõe como o limite da existência terrena.  Contudo, na mentalidade pragmática a morte é uma infração à vida. É um escândalo e um atentado existencial pelo fato de interromper a jornada de outrem sem o seu respectivo consentimento. Isso acontece todas as vezes que o ser humano perde de vista a sua relação com Deus “e pensa que é critério e norma de si mesmo e julga que tem inclusive o direito de pedir à sociedade que lhe garanta possibilidades e modos de decidir a própria vida com plena e total autonomia” (João Paulo II, Evangelium Vitae, nº. 64).

Sejamos coerentes e reconheçamos que liberdade não é fazer tudo o que queremos e autonomia não é a emancipação do sujeito acima da sacralidade da vida. Pelo contrário, aqueles que se mantêm ferrenhos num discurso libertário, acabam defendendo que a eliminação da dor é o meio mais rápido de não convivermos com o limite da vida e com a finitude da existência. Construir uma sociedade alienada a morte é alicerçar uma civilização que se apodera da vida a seu bel-prazer.

Neste sentido, podemos falar da eutanásia como um crime desumano, pois gera a cultura da morte contra os idosos e os fisicamente debilitados. Infelizmente, ele continua a acontecer às escondidas. Trata-se de um caminho em que a morte é querida e procurada por aqueles que não sabem conviver com a fronteira da vida. Etimologicamente a palavra tem origem na fusão de duas expressões gregas: eu que significa “boa” e tanathos que é igual à “morte”. A eutanásia seria, então, uma falsa noção de “boa morte”.

De acordo com alguns estudos há três motivos para solicitar a eutanásia. O primeiro deles seria a dor física e neurológica do paciente em fase terminal. O segundo é o viés do sofrimento causado à pessoa. Este último impossibilita o paciente de encontrar outro tratamento paliativo, levando-o a assumir a morte como alívio final. O terceiro surge na medida em que a pessoa toma consciência de sua dita “inutilidade” e não possui mais a vontade de viver. Colocar fim à vida é o meio infantil de silenciar a dor.

Para tais justificativas valem algumas ponderações: do ponto de vista moral, ao refletir sobre a eutanásia é difícil dissociá-la do suicídio, quando a morte é desejada pela pessoa e, ao mesmo tempo, do homicídio, quando é almejada por um ente da família. Do ponto de vista jurídico a eutanásia se apresenta como um tipo moderno de suicídio assistido, pois fere a inviolabilidade da vida. Justamente por isso a legalização da eutanásia carece de validade jurídica, uma vez que a lei deve estar a favor do humano e não contra ele. Do ponto de vista científico, a eutanásia se coloca como a interrupção no processo de evolução da pesquisa e na suspensão da apropriação do conhecimento proveniente de suas técnicas.  Matar um doente é o mesmo que paralisar o esforço científico da cura. O discurso intitulado de “pacientes em fase terminal” não seria o advento de uma medicina paliativa e de um tratamento descartável, quando não gera rentabilidade financeira para o cientista?

Ademais, mesmo consciente da doença, o paciente pode encontrar em Deus, a energia necessária para projetar o presente e gerar saúde. A capacidade de encontrar forças em meio à obscuridade do caminho auxilia a pessoa na reconstrução da sua saúde. Na atualidade, os profissionais já discutem que nem sempre saúde é ausência de doenças. Existem casos de pessoas que possuem uma determinada doença e vivem com saúde, sendo chamados de pacientes em estado salutogênico. A noção de saúde também precisa ser enfocada com uma perspectiva diferente. Não se trata de conformismo, pelo contrário, trata-se de conviver com a doença, procurando a sua cura, sem ter que matar o doente por isso.

Voltemos à origem da vida que está no coração do Pai Eterno. Dele viemos. Nele somos e existimos. E para Ele haveremos de voltar após a morte! Saibamos que o menosprezo do direito à vida, ao eliminar pessoas, é uma forma destrutiva de aniquilar o dom de Deus. “Quando a Igreja declara que o respeito incondicional do direito à vida de toda pessoa inocente – desde a sua concepção até a morte natural – é um dos pilares sobre o qual assenta toda a sociedade, ela quer simplesmente promover um Estado humano. Um Estado que reconheça como seu dever primário a defesa dos direitos fundamentais da pessoa humana, especialmente da mais débil” (João Paulo II, Evangelium Vitae, nº. 101).

Que o Pai Eterno nos abençoe nesta empreitada da vida e pela vida contra o holocausto moderno da eutanásia!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

Twitter: @padrerobson

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