Dia: 22 de agosto de 2011

A EXPLORAÇÃO DO HOMEM PELO PRÓPRIO HOMEM

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Já se faz 123 anos que Lei Áurea foi assinada. Só que a situação atual tem dito o contrário. São muitas as realidades que gritam: “ainda há escravidão entre nós!”. O trabalho escravo só foi extinto no papel, mas continua, vivo e latente, na clandestinidade daqueles que fazem questão de não enxergá-lo. O importante é beneficiar-se, cada vez mais, da exploração do outro.

Muitas vezes nos colocamos na condição de assustados quando somos informados, pela mídia, que estrangeiros são escravizados em nosso amado Brasil. Isso não é nenhuma novidade. Acontece aqui, nos Estados Unidos, em Bangladesh, na China, no Sri Lanka, na Índia e em tantos outros países. Por não conhecermos a história do produto que consumimos, podemos até pensar que o tênis, a roupa e o eletrodoméstico que utilizamos foram feitos por um trabalhador em condições desumanas de trabalho. Aqui entra a nossa consciência cristã ou ética ao nos questionar: até quando sustentaremos este sistema pecaminoso e indigno?

Fundamentada no lucro alienado, a indústria agrícola, têxtil e eletrônica, confundiu a pessoa humana com a máquina, fazendo com que sua vida fosse pautada pela produção contínua, transformando-a em mais uma mercadoria. Hoje, a pessoa, motor da economia, se vê obrigada a ceder espaço para o lucro, sem proporções. O trabalho que, antigamente, enaltecia, agora, desumaniza o próprio trabalhador. Enganam-se aqueles que pensam que o trabalho dignifica o homem. Não! Ao contrário, é o trabalhador quem dignifica o trabalho!
Infelizmente, a redução da “pessoa” a condição de “escrava” tem se tornado uma marca registrada de um sistema econômico que nega a liberdade humana e a explora, visando o capital financeiro a todo e qualquer custo. O corpo deste sistema é a injustiça. E, sendo injusto por natureza, o sistema torna-se servidor do pecado, desde o começo da cadeia de produção até o final. Em suas veias corre o sangue de trabalhadores: sugados em sua dignidade e vitimados por inúmeros maus-tratos.

Quando um trabalhador, filho do Pai Eterno é impedido de retornar à sua terra de origem; quando é vendido, junto com mercadorias, sendo tratado como coisa; quando é induzido a consumir de seus proprietários, só para ficar endividado; quando seus documentos são pegos à força; quando a condição de trabalho não lhe protege, só o engana; quando é proibido de sair de seu lugar de trabalho; quando é mantido na vigilância, por meio de violência; quando a jornada de trabalho fere aquilo que foi definido pela legislação trabalhista há uma realidade de cativeiro, sujeição, desumanidade e por isso: escravidão!

Atualmente são mais de 27 milhões de trabalhadores escravos no mundo. Isso sem contar as crianças, que somam 246 milhões. Juntos, geram bilhões de dólares por ano, principalmente para a exportação. Em algumas oficinas há relatos de que a jornada de trabalho varia de 12 a 18 horas por dia. Nestes lugares, quando um funcionário demonstra sinais de cansaço chega a ser multado. 

Os escravizados trabalham exaustivamente e ficam cada vez mais pobres, sem auxílio sindical e sem uma legislação que defenda os seus direitos. “Ai daquele que constrói seu palácio desprezando a justiça, e amontoa seus andares a despeito do direito; que obrigam os outros a trabalhar de graça, sem pagar-lhes salário […]. Só tens olhos e coração para o lucro, para derramar sangue do inocente, para agir com brutalidade e selvageria” (Jr 22, 13.17).

Trabalhar para ganhar o próprio pão é um direito da pessoa. O pecado nasce na medida em que esse direito lhe é negado. “Uma sociedade onde este direito seja sistematicamente recusado, onde as medidas de política econômica não consintam aos trabalhadores alcançarem níveis satisfatórios de ocupação, não pode conseguir nem a sua legitimação ética nem a paz social” (João Paulo II).

Rezemos para que o genuíno sentido do trabalho seja resgatado em um mundo esquecido de sua origem na caridade de Deus! Não ao trabalho escravo! Não a desumanização de pessoas! Não a exploração dos inocentes! Basta de nos mantermos silenciados diante de um crime tão hediondo! Por fim, “veneráveis irmãos, não se cansem de inculcar a todas as classes da sociedade as máximas do Evangelho; façamos tudo quanto estiver ao nosso alcance para salvação dos povos, e, sobretudo, alimentem em si e acendam nos outros, nos grandes e nos pequenos a caridade, senhora e rainha de todas as virtudes. […] Queremos dizer, daquela caridade que compendia em si todo o Evangelho, e que, sempre pronta a sacrificar-se pelo próximo, é o antídoto mais seguro contra o orgulho e o egoísmo do século” (João XXIII, Rerum Novarum, nº 35).

 

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

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