Mês: outubro 2011

ONDE ESTÁ O TEU DEUS?

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Jesus é a testemunha por excelência do Pai! Se quisermos conhecer o Pai devemos olhar para Jesus: “rosto divino do homem, rosto humano de Deus” (João Paulo II). Encontraremos em Sua vida despojada, em Sua entrega incondicional e em Seu testemunho de pobreza as marcas do amor de Deus! Não há divisão entre o Pai e Jesus: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30). Pelo contrário, o que há é uma unidade absoluta: “Aquele que me vê, vê aquele que me enviou” (Jo 12,45). Onde não há malfeitos nasce o testemunho!

Jesus tinha como reflexo de Si uma existência voltada exclusivamente para o Pai. Seu alimento era cumprir a vontade Daquele que o havia enviado. Chega-se a conclusão de que a vida de Cristo só tinha sentido no Pai, numa total dedicação àquilo que a fé lhe solicitava no coração.

A percepção de uma vida radicada no coração de Deus nos faz pensar sobre a realidade atual, tão carente de ícones significantes. Vivemos em uma sociedade enfastiada. Realmente cansada de tantas palavras e pouquíssimos testemunhos. Vemos somente pequenos lampejos aqui e ali. Todos os dias somos bombardeados por informações de que aqueles que deveriam dar o exemplo foram pegos na propina, na corrupção, nos escândalos e até mesmo no desvio de verbas públicas. Usurparam seus cargos e mancharam suas biografias. Em alguns ambientes parece que a lei vigorar é a da carreira jogada na lama e não a da reputação ilibada.

A triste situação não é só política, mas também nas escolas e no coração das famílias. Pais e mães alcoolizados, homens agressores de mulheres, filhos sem referenciais, perda constante de valores. Até na religião é possível encontrar o contratestemunho. Nos últimos anos temos visto fatos do passado vindo à tona por parte daqueles que sucumbiram à pedofilia. Estes trocaram o coração do Evangelho por uma perversão sexual. O Santo Padre e os bispos, em união com ele, têm se esforçado ao máximo para que os pedófilos doentes sejam afastados do ministério sacerdotal e tratados pela psiquiatria. O empenho também é o mesmo para que os demais pervertidos sejam punidos pela Justiça e paguem pelo crime desumano que cometeram contra os indefesos. Em tudo a misericórdia, mas diante do crime só cabe a justiça.

Em um cenário com tantos maus exemplos a fé parece ficar desacreditada. Às vezes, nas pequenas comunidades, que se reúnem para rezar todas as semanas, aqueles que deveriam amar, não amam, pelo contrário, vivem falando mal uns dos outros; aqueles que têm a missão de esclarecer, não elucidam, só complicam a cabeça das pessoas; aqueles que deveriam ajudar não ajudam, pois são manipulados pelo egoísmo e se esqueceram de palavras como: solidariedade, partilha e serviço desinteressado. “Deixaram de lado o Evangelho segundo Jesus Cristo e começaram a ler o evangelho segundo eu” (Alessandro Manenti).

Se não estou muito enganado há a impressão de que alguns parecem brincar com a própria fé, ao não encará-la com a seriedade merecida. O primeiro critério de quem tem fé é a busca insistente pela verdade, acima de toda e qualquer hipocrisia. O ser verdadeiro é contrário à mentira e ao fingimento. Não era São Leão Magno que dizia: “Ó cristão, toma consciência da tua dignidade”?

É o testemunho de vida quem nos dignifica como filhos do Pai e irmãos de Jesus. ‘Ser cristão’ não é um título honorífico nem uma medalha comemorativa, mas uma graça concedida pelo Espírito Santo. Ele nos ensina a continuar o Evangelho no mundo. Ele abre o nosso coração para que permitamos a existência de Jesus em nossas atitudes. Ele nos ensina a ser para as pessoas a face do Amor.

A esperança continua a clamar por um testemunho sério e coeso. Um testemunho que compreenda a fé como dom e não como uma obrigação. Basta de tanta incoerência. Muito mais que ‘ouvir falar de Deus’, as pessoas querem ‘ver Deus’ em nossas atitudes. Que o nosso comportamento fale de nossa fé.

Portanto, cabe a cada um de nós dar testemunho do Deus que acreditamos. Que olhando para nós as pessoas possam conhecer o rosto amoroso do Pai. Estamos no mundo para fazer a diferença e não para viver na mesmice do pecado. Na verdade, falamos muito do pecado e nos esquecemos do que a graça de Deus pode fazer em nós. Não fiquemos detidos nos erros, olhemos também para os acertos e apostemos que podemos ser melhores: mais santos e mais coerentes em Deus. Ele acredita em nós. Deposita Sua confiança em nosso coração! Só depende de nós a mudança interior! Que ao nos perguntarem: “Onde está o teu Deus?” Possamos responder: “Ele está em nosso testemunho!”.

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

A DITADURA: MEMÓRIA ESQUECIDA É MEMÓRIA REPETIDA!

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O Brasil, assim como grande parte dos países latino-americanos, conheceu a realidade da ditadura militar. Esta teve início com a situação política que derrubou o presidente João Goulart, em 1964 e se estendeu até a eleição de Tancredo Neves, em 1985.

A ditadura possui algumas características que a contrapõe à democracia, como por exemplo: chegada ao poder, por meio do golpe de estado; supressão ou controle dos partidos políticos; Executivo dominando o Legislativo e substituindo o Judiciário; liberdade de expressão censurada; isso sem mencionar o tratamento dado aos que são contrários à ditadura, tidos como inimigos políticos, sendo presos, torturados e, em alguns casos, mortos.

Na ditadura as liberdades das pessoas são sacrificadas. O poder fica a serviço de uma só pessoa: o ditador! Não existe o poder que emana do povo como na democracia.  Junto à ditadura está a realidade da violência, pois desde o primeiro momento ela visa destituir os direitos das pessoas. E por ser violenta não é legítima, uma vez que se impõe.

Os registros históricos apontam que por mais dolorosa que seja, a ditadura brasileira foi um pouco mais branda se comparada àquela sofrida na Argentina, com mais de 20 mil mortos e a do Chile, com 5 mil assassinatos; enquanto que no Brasil o número de desaparecidos políticos variou de 400 a 500 pessoas. Independe dos números, maiores ou menores, o fato é que são vidas massacradas pela tirania. Algo inadmissível!

Como se sabe, o sangue derramado, o silêncio forçado e a tortura deflagrada serão investigados, a partir de agora, pela chamada ‘Comissão Nacional da Verdade’. Esta tem a responsabilidade de apurar as graves violações aos direitos humanos. Um passo fundamental para amadurecer e consolidar a nossa tão frágil democracia. Nosso desafio hoje é uma corrida contra o tempo: as memórias ainda vivas não podem ser esquecidas, e somente conhecendo as práticas de violação desse passado recente evitaremos violações no futuro” (Trecho da carta dos Ex-Ministros e da Ministra da Secretaria Especial dos Direitos Humanos apoiando a criação da Comissão da Verdade).

A Comissão será formada por sete profissionais idôneos, que terão a difícil missão de analisar os casos de tortura, de ocultação de cadáveres, de desaparecimento de presos políticos e de prisões arbitrárias, resultantes em mortes. O período a ser verificado se estende de 1946 até 1988. Infelizmente, a equipe é muito reduzida e o tempo, de apenas dois anos, é insuficiente para considerar tantos anos de sofrimento.

Junto às investigações a comissão também encaminhará aos Órgãos Competentes as informações que podem auxiliar na reconstrução deste triste período da nossa história. Com certeza, muitos corpos e situações virão à tona. Devido à lei da Anistia, de 1979, nenhum dos acusados poderão ser punidos, mas há possibilidade de serem convidados a prestar depoimento. Um convite poder ser aceito ou não. É o que foi definido pelo Supremo Tribunal Federal.

Aqui está um grande problema. A Comissão da Verdade também deveria ter o poder de suscitar a justiça, ainda mais em uma época em que os direitos humanos foram esquecidos e exilados da atividade do Estado. Claro que estamos falando de uma época histórica, que não pode ser aplicada às Forças Armadas atuais. Tudo é fruto de um contexto e difere de tempo em tempo.

O trabalho da Comissão da Verdade foi suavizado e, talvez, tenha perdido um pouco de sua importância em trazer fatos do passado à consciência atual. Ela não pode convocar, só convidar; não pode punir, só esclarecer; não pode apurar, só fazer exames. E aí vem a pergunta: para que serve então esta Comissão? Não se pode colocar como ‘segredo de Estado’ algo tão complexo e repressor como foi a ditadura no Brasil. Inclusive este mesmo Estado também deve satisfações às famílias que até hoje não sabem o que foi feito dos corpos dos seus familiares, perseguidos como presos políticos. Não tiveram nem mesmo a chance de enterrá-los com dignidade. Não nos vem ao caso intitulá-los de comunistas ou muito menos terroristas. Diante da ferida ao humano só cabe uma palavra: a caridade! Não nos é permitido questionar se eles eram seguidores das máximas de Stalin, Lenin, Marx ou Engels. Basta sabermos que nos pautamos pelo Evangelho, acima de todo capital ou luta de classes. No Evangelho nos deparamos com o amor do Pai Eterno, incapaz de impor condições para amar.

A Comissão da Verdade, por todos os problemas que atualmente enfrenta, resumidamente analisados aqui, corre o risco de consagrar a mentira. Se a honradez do real está em causa, a prova de que será respeitada cabe a cada um […]. É o que se espera aconteça, em nome do povo, da democracia, do Estado Democrático de Direito, da dignidade humana e dos direitos humanos fundamentais previstos na nossa Constituição Federal” (Antônio Cechin e Jacques Távora).

O medo à verdade só tende a criar novas omissões históricas. O trabalho fundamental desta comissão é não nos deixar esquecer a gravidade que foi a ditadura, para que assim, aprendamos a não repeti-la no futuro. Sempre afirmo que memória esquecida é memória repetida. Aquilo que fazemos questão de esquecer e deixar entregue ao tempo, como fato isolado, só tende a retornar, ainda com mais força.

Não se trata do Estado pedir desculpas à nação. Pelo contrário, é o Estado que necessita converter a sua consciência e aprender a considerar a dignidade humana como um direito fundamental da democracia. Cabe à República o papel de servir, nada mais que isso. Que o Pai Eterno nos ajude a olhar para a história com os olhos do Seu amor e a reconhecer cada pessoa em sua mais alta sacralidade!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
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