Mês: novembro 2011

O TURISMO RELIGIOSO ESTÁ CRESCENDO EM TRINDADE

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Trindade sedia hoje uma das maiores festas religiosas do mundo, a Romaria do Divino Pai Eterno. Este ano recebemos a visita de 2 milhões e 530 mil fiéis. Durante 10 dias entre o final de junho e início de julho, uma multidão tomou as ruas da cidade para louvar a Deus com demonstrações de fé e paixão. Eram peregrinos de Goiânia, do interior, de outros estados e até do exterior. Não podemos deixar de reconhecer a corrente positiva que esses fiéis formam e que dão novo alento à economia do município.

Mas Trindade, apesar de quase centenária (foi fundada em 1920), ainda não está preparada de forma adequada para receber tantos turistas. Mesmo com esforços da prefeitura, governo estadual, Sebrae Goiás e da comunidade local, não temos restaurantes, hotéis e transporte público e privado apropriados. Sem falar na segurança, que também deixa a desejar, principalmente aos finais de semana da festa – os dias mais movimentados.

Parte dos turistas ainda se hospeda em Goiânia e só vem para cá em determinados momentos da romaria. Caravanas de fiéis se espalham em diversas áreas da cidade e fazem refeições de maneira improvisada. É preciso que essas pessoas sejam bem atendidas, até para que possam voltar no ano seguinte e trazer mais amigos e parentes.

Segundo o Ministério do Turismo, mais de 15 milhões de pessoas se deslocam, anualmente, no Brasil em busca de lugares sagrados, eventos e festas religiosas, retiros espirituais, peregrinações, caravanas e romarias. Esse grupo movimenta um volume de cerca de R$ 6 bilhões por ano. Além disso, o país recebe, ao ano, 25 mil turistas estrangeiros que também visitam os nossos destinos religiosos.

Por isso, é necessário, de forma estratégica, aumentar a participação de Trindade e de Goiás nesses números. Temos de consolidar e promover o turismo religioso de maneira sustentável e ao longo de todo o ano.

Só assim vamos garantir a qualidade de vida da população, a satisfação dos visitantes e a preservação da religiosidade. Essas são as chaves do sucesso e passam, necessariamente, pelo envolvimento de comerciantes e empresários da cidade, além da população em geral.

Nesse cenário temos que reconhecer que o Sebrae Goiás vem fazendo sua parte, uma ‘mão na roda’ para a estruturação do município. Desde 2008, após a elaboração do “Planejamento Estratégico do Turismo Religioso de Trindade”, nossos empresários de micro e pequenas empresas estão sendo preparados para dar uma guinada profissional.

Nesses anos, realizamos ações de muito sucesso na cidade, como os cursos de Atendimento ao Turista Peregrino, Censo Hoteleiro e palestras sobre a Lei Geral do Turismo, além de um curso que formou 35 condutores de turismo religioso, capacitação de técnicas operacionais e de gestão para os meios de hospedagem, alimentação fora do lar, implantação do Programa Cama e Café, dentre outras.

Em um município pequeno como o nosso, com pouco mais de 100 mil habitantes, é mais do que necessário estimular o desenvolvimento de negócios relacionados ao turismo religioso. Por meio do associativismo ou cooperativismo, poderemos superar as deficiências na infraestrutura e acomodar de maneira mais organizada os fiéis, sem deixar de preservar nossa identidade religiosa.

A igreja Católica tem dado a sua contribuição para que o fluxo de turistas aumente em Trindade. No meio deste ano, lançamos a pedra fundamental do novo Santuário Basílica, que terá capacidade para acomodar 6 mil pessoas sentadas e até 10 mil fiéis em aglomeração. O novo santuário terá cúpula com 94 metros de altura, equivalente a um prédio de 30 andares.

O novo Santuário será edificado em uma área de 15 alqueires (goianos), há 1 quilômetro do atual Santuário Basílica. Haverá, ainda, espaço para missas campais, com um altar monumental e uma praça elevada, que poderá acolher cerca de 300 mil pessoas. Na praça, será erguida uma torre para conter sinos (campanário) com 110 metros de altura. O início das obras está previsto para o início do próximo ano, com término entre 2018 e 2020.

Dessa forma, vamos fazer de Trindade referência do turismo religioso, não só no Brasil, mas em todo o mundo. E essa mudança será concretizada por meio da implantação do Plano Estratégico dos diversos parceiros envolvidos no desenvolvimento do Turismo Religioso de Trindade.

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

ADVENTO: RECOLHIDOS NO PAI À ESPERA DE JESUS!

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O Advento tem a marca registrada da esperança que o Pai deposita em nós, enviando-nos seu Filho, Jesus de Nazaré, por meio do Espírito Santo. “Não é a espera vã de um Deus sem rosto, mas confiança concreta e certa daquele que já nos visitou, do esposo que assinalou com o seu sangue uma aliança eterna com a humanidade” (Beato João Paulo II). Eis um Deus que não se cansa de nos amar nem desiste de nossa conversão, por mais frágeis que somos.

Muito mais que falar de “pecado”, o Advento nos traz a realidade da “graça”, por meio da salvação que nos vem pelo nascimento, vida, morte e ressurreição de Jesus. Somos inseridos novamente na vida de Cristo e Nele emergimos renovados na fé, reconciliados na esperança e fervorosos na caridade, pela verdade!

A fé, polida na espera vigilante, traz em si o dinamismo da expectativa pela vinda do Redentor. Só por isso, somos reconstruídos na identidade de filhos e recuperamos a dignidade cristã, tão esquecida por alguns. Que sejamos capazes de testemunhar a chegada de Jesus com nossa própria vida! Que nossas atitudes, não somente nossas palavras possam dar testemunho do Deus que acreditamos.

A origem da palavra “advento” está no latim Adventus, com dois significados bem parecidos: chegada e vinda. Pela palavra ‘Adventus’, pretendia-se dizer: Deus está aqui, ele não se retirou do mundo, não nos deixou a sós. Embora não possamos vê-lo nem tocá-lo, como acontece com as realidades sensíveis, Ele está aqui e vem visitar-nos em diversos modos” (Bento XVI, Homilia das I Vésperas, 2009). Olhemos para a nossa existência, com a visão de quem crê é lá veremos a visita constante do Pai: que não nos deixou órfãos nem se esqueceu de nós. Nunca estaremos sozinhos, por mais que os problemas insistam em nos dizer o contrário.

Em nível de história, o Advento teve início no final do século VI e se desenvolveu até o século VIII, tanto no Ocidente, quanto no Oriente. Sua importância é tão grande que ele marca o início do ano litúrgico da Igreja, que difere do nosso calendário civil, iniciado somente no dia 01 de janeiro.

A Igreja estabeleceu um período diferente em seu calendário, porque vive no tempo da Graça, mediante as celebrações dos fatos mais importantes da vida de Cristo. É o tempo do Mistério, onde não há espaço nem cronologia. É o momento onde tudo se silencia para contemplar a santidade do Menino Deus, testemunhada na pobreza da gruta de Belém. Eis um Deus que foi pobre por condição e por opção! Em sua simplicidade e Divindade Ele vem nos visitar. A única coisa que ele solicitada de nós é o nosso coração. Nada mais!

Não podemos nos esquecer de que o Advento é a memória celebrada e atualizada da ocasião em que o Divino que se fez Carne em nossa carne e Sangue em nosso sangue, para que nos humanizássemos. É em nossa humanidade que Deus se manifesta em plenitude. Em um mundo tão conturbado, em uma sociedade que os semelhantes exploraram os outros em benefício próprio, em uma realidade na qual a dignidade humana é marginalizada, o Advento é este tempo forte em que Deus nos diz: “Eu acredito nas suas capacidades e jamais deixarei de colocar a minha confiança em você”.

Se nem o Pai desiste de nós, porque desistimos dos outros, principalmente daqueles que nos eram mais importantes? Porque não nos dispomos a recomeçar e ajudar aqueles que não têm mais forças? Reflita junta comigo se você já não teve que ser a força de alguém que já tinha perdido o sentido de viver. A fortaleza não era sua, mas do próprio Deus agindo em você. Não é verdade?

Por fim, o Advento é também o tempo em que a Igreja se deixa evangelizar na espera orante do nascimento de Jesus. “Evangelizadora como é, a Igreja começa por se evangelizar a si mesma. Comunidade de crentes, comunidade de esperança vivida e comunicada, comunidade de amor fraterno, ela tem necessidade de ouvir sem cessar aquilo que ela deve acreditar, as razões da sua esperança e o mandamento novo do amor. Numa palavra, é o mesmo que dizer que ela tem sempre necessidade de ser evangelizada, se quiser conservar frescor, alento e força para anunciar o Evangelho” (Papa Paulo VI, Exortação apostólica Evangelii Nutiandi).

Na condição de quem tem fé repitamos com toda a Igreja: “Maranatha, vem, Senhor Jesus” (1 Cor 16,22): sentimos a Sua falta e ansiamos por Sua presença entre nós! Nosso coração tem fome e sede do Seu amor!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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REINA QUEM SERVE!

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No dia 20 de novembro, a Igreja celebra a Solenidade de Cristo, Rei do Universo. Nesta ocasião, tão importante para compreender o coração da mensagem cristã, faz-se necessário refletir sobre o que o reinado de Jesus tem a ensinar aos senhores deste mundo. A vida simples e pobre do Filho amado do Pai Eterno já é contestação a um sistema que busca reinar em detrimento ao outro. Para alguns, o que vale é lutar pelos próprios interesses. É um mundo em que ‘manda quem pode mais’, quando na verdade deveria ser: ‘Manda quem se coloca a serviço’. Olhar para Jesus, como Rei do Universo, é celebrar Aquele que tirou o manto, ‘símbolo do poder’, cingiu a cintura para lavar e beijar a história de seus discípulos: a minha e a sua história.

Precisamos percorrer o Evangelho para verificar, mais e melhor, o reinado do Filho de Deus. Devemos resgatar o significado originário que as primeiras comunidades cristãs concederam à pessoa de Jesus e o sentido que Ele próprio outorgou aos seus seguidores. Não se trata de voltar ao passado, mas, de trazer à tona as raízes da nossa fé e as fontes do ser cristão no mundo. Só assim é possível compreender em que o reinado de Jesus difere dos reinados do passado e do presente. Toda às vezes em que interesses pessoais e financeiros são colocados acima da dignidade humana: nasce uma forma de reinado, no qual as consciências são dominadas e a vida é desvalorizada.

Jesus assume a história do humano a começar por todos aqueles que viviam à margem da sociedade. Seus companheiros eram os pobres, as mulheres, as crianças; bem como as prostitutas, os leprosos, as viúvas, os homens da terra e os cobradores de impostos, convertidos. Ele reina na medida em que serve a estes excluídos.

O Filho de Deus não fez pacto com o pecado e muito menos se alienou pela lei que separava os bons dos maus, os puros dos impuros, os justos dos pecadores (Cf. Mt 5,45). Pelo contrário, sentou à mesa e se tornou um com estes abandonados. Não é ‘um deles’, mas ‘um com eles’. Ele corre ao encontro do humano, pois não veio para condenar, mas para salvar (Cf. Jo 12,47). Veio para reinar por meio do serviço. Se quisermos ser fiéis ao Jesus dos Evangelhos precisamos existir para as mesmas pessoas que Ele existiu e assumir as posições que Ele assumiria se vivesse em nosso tempo.

O serviço sempre foi a marca registrada de Jesus. Assim como o Pai Eterno reina e serve, o Filho também o faz. Aqueles que se tornaram filhos, em Jesus, precisam viver como Ele viveu. Quando pessoa por pessoa, declarar, para si mesma, a responsabilidade cristã que lhe cabe haverá: pão em todas as mesas, perdão dentro dos lares, reconciliação entre os pares, fraternidade entre as religiões e diálogo entre os povos. Eis o Reino de Deus! Eis o reinado de Jesus!

Na fé cristã é assim só tem autoridade quem serve. Serviço não se prova: vivencia-se! Serviço não se esconde: testemunha-se! Serviço não se penhora: proclama-se! Serviço não é só informação, mas, também experiência de Deus!

O Evangelho proclama que Jesus é o nosso único Rei! Assim, proclamar este reinado é reconhecer Sua condição divina, emanada das trilhas históricas de Nazaré e, ao mesmo tempo, vislumbrar Sua dimensão de serviço, testemunhada no lava-pés. Ao olhar para o Rei do Universo não vejamos somente a coroa, mas o jarro, a bacia e a toalha. Nunca nos esqueçamos de que a vida cristã está fundamentada na dimensão do serviço. Por meio dele, somos incorporados ao Senhor. Pelo serviço, formamos a comunidade de fé, capaz de comungar de uma mesma Carne e de um mesmo Sangue para formar um só corpo.

Diante do serviço “a dor não é suprimida, não somos libertados da tentação, nem livrados da morte, pois nada disso foi poupado a Jesus. Não nos é prometido triunfo algum sobre a terra, mas, pelo contrário, é atirado diante de nós o irremediável fracasso da cruz” (Andrés Torres Queiruga). A dor, o peso da vida, os problemas do cotidiano, as doenças e as tristezas são acolhidas em Deus e envolvidas na esperança que é o próprio Cristo! Não há reinado maior do que este. Deixemos, então, Deus ser Deus em nossa existência e permitamos que o nosso coração se funda no coração de Jesus, para que construamos uma história bela, que depende exclusivamente de nós! Jesus de Nazaré é o companheiro de viagem, o amigo fiel que nos ensina a servir se quisermos ser felizes e realizados nesta vida. É servindo que nos tornamos a mão de Deus agindo no mundo!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO!

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O último domingo do ano litúrgico, o XXXIV  do Tempo Comum, nos traz de volta para a fonte e o ápice da nossa fé. Nós celebramos, na verdade, hoje, a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Toda a liturgia da Palavra e a Liturgia da Eucaristia, que são os dois momentos essenciais da Missa, fazem-nos espiritualmente desfrutar deste grande tema de relevância teológica e moral para todo crente.

E é o apóstolo Paulo a compreender os aspectos essenciais do tema no texto da Primeira Epístola aos Coríntios (1Cor 15,20-26.28), que podemos ler e meditar hoje: “Irmãos, Cristo ressuscitou dentre os mortos, as primícias dos que morreram, porque, se por meio de um homem a morte veio até nós, também por meio de um homem veio a ressurreição dos mortos, e, como todos morrem em Adão, assim todos serão vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo, as primícias, depois na sua vinda aqueles que são de Cristo. Então virá o fim, quando Ele entregar o reino a Deus Pai, depois de reduzir a nada toda autoridade e todo poder. Pois Ele deve reinar até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. E quando tudo tiver sido sujeito, Ele, o Filho, estará sujeito Àquele a que sujeitou todas as coisas, que Deus seja tudo em todos”.

A recapitulação de todas as coisas em Cristo é a chave para o mistério da criação e da redenção do homem e da humanidade. Cristo é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim de tudo. Ele, que revelou o Pai e o Espírito Santo, é o mediador da única e eterna aliança entre Deus e a humanidade; é Ele o Redentor e Salvador, o Messias que veio e que devemos esperar novamente pela segunda e definitiva vinda à Terra para julgar os vivos e os mortos para a instauração do Reino definitivo e de sua realeza para sempre. O seu reinado no mundo já está se desenvolvendo na expectativa da realização plena. É a inicial fase da instauração do seu Reino, que, em sua plenitude, há de se manifestar no final da história. Um reino que é construído a cada dia através do trabalho daqueles que acreditam em Cristo e nos valores proclamados por Ele.

Lembra-nos, em poucas palavras, o Prefácio da Solenidade de hoje: “Fostes vós, ó Deus, que com óleo de alegria consagrastes Sacerdote eterno e Rei do Universo o vosso único Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor. Ele se sacrificou como vítima imaculada de paz sobre o altar da Cruz, atuou o mistério da redenção humana, sujeitando ao seu poder todas as criaturas, ofereceu a sua majestade infinita, o reino eterno e universal: reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, amor e paz”.

Centra-se sobre estes valores o texto do Evangelho de Mateus (Mt 25,31-46), que percebemos como o do Juízo Final, que será expresso, sobretudo, em ordem à caridade e (o) ao amor concreto com o qual vivemos nossa existência terrena: “Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, recebei em herança o reino preparado para vós desde a fundação do mundo. Porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, eu era peregrino e recolhestes-me, nu e me vestistes, doente e visitastes-me, na prisão e fostes ver-me. Então os justos lhe perguntarão: ‘Senhor, quando te vimos com fome e nós te alimentamos? com sede e te demos algo para beber? Quando te vimos peregrino e te acolhemos? sem roupa e te vestimos? E quando te vimos doente ou na prisão, e fomos visitar-te? Em resposta, o rei dirá a eles: Em verdade eu vos digo: cada vez que fizestes isso a um desses meus irmãos mais pequeninos, fizestes a mim.”

E é em cima da caridade que seremos julgados se somos dignos ou não de adentrar no Reino de Deus. Uma caridade vivida no dia-a-dia no serviço aos pobres e aos necessitados de toda espécie. A caridade que vem do coração e vai ao coração, que não faz cálculos ou conta o tempo e o espaço para servir a causa dos últimos e marginalizados.

Jesus nos ensina a entrar nesta dinâmica de amor e de experimentar este amor, porque a verdadeira grandeza do homem, sua verdadeira realeza, a nobreza, especialmente do coração e da mente, é precisamente este amor que se manifesta e sempre é capaz de doar-se. É como o Bom Pastor que vai em busca da ovelha perdida, que cuida do doente, que cuida de todas as ovelhas do seu rebanho, e se alguma está em falta não se resigna à sua perda, mas a busca com insistência. É a ação da graça de Deus agindo silenciosamente e de maneiras misteriosas para a conversão do coração e da vida daqueles que vivem em comunhão com Ele, consigo mesmo e com os outros.

E é impressionante o efeito cenográfico e visual do pastor trazido à nossa atenção por meio da passagem do profeta Ezequiel, que é a primeira leitura da Palavra de Deus hoje (Ez 34,11-12.15-17), na Solenidade de Cristo Rei: “Assim diz o Senhor Deus: ‘Eis que eu mesmo vou procurar as minhas ovelhas e vou cuidar delas. Como um pastor busca o seu rebanho, quando está entre as suas ovelhas que estavam dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas e vou resgatá-las de todos os lugares onde foram espalhadas, nos dias nublados e escuros. Eu mesmo conduzirei minhas ovelhas… Esse tema é repetido também no texto do salmo responsorial, tirado de Salmo 22: “O Senhor é meu pastor, nada me faltará, Ele me faz repousar em verdes pastos, guia-me mansamente em águas tranquilas”. Ele me leva por sendas direitas por amor do seu nome. Mesmo que eu ande pelo vale escuro, não temerei mal algum, porque ele estará comigo… e habitarei na casa do Senhor para sempre.”

Com estes sentimentos no coração, podemos concluir o ano litúrgico e dar graças a Deus por todas as bênçãos espirituais que Ele nos deu neste ano, com a esperança de que tenhamos contribuido de modo substancial no caminho para a santidade. Porque cada ano que passa, seja esse litúrgico ou do calendário, é um processo lento, mas seguro, na aproximação final do ingresso definitivo do Reino de Deus. Ingresso que será sancionado com a nossa morte, o último inimigo a ser destruído por este Rei único e especial, humilde e generoso, que veio entre nós, viveu e morreu por nós e ressuscitou por nós.

Dom Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro – RJ

O TEMPO LITÚRGICO DO ADVENTO

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O tempo litúrgico do Advento é um tempo de renovada esperança e de alegre espera da vinda de Jesus. “Possui dupla característica: sendo um tempo de preparação para as solenidades do Natal, em que se comemora a primeira vinda do Filho de Deus entre os seres humanos, é também um tempo em que, por meio desta lembrança, voltam-se os corações para a expectativa da segunda vinda de Cristo no fim dos tempos” (Normas sobre o Ano Litúrgico e o Calendário – NALC, N. 39).

O tempo litúrgico do Advento é formado por quatro semanas Nas duas primeiras semanas somos convidados a vigiar, esperando a vinda gloriosa do Salvador.  Nas últimas duas semanas, lembrando a espera dos profetas e de Maria, somos convidados a nos preparar para celebrar – fazer a memória, tornar presente – em nossa vida e em nossa história o nascimento de Jesus em Belém.

Um símbolo que pode nos ajudar a entender e viver o sentido do tempo litúrgico do Advento é a Coroa do Advento, que é feita de um círculo de galhos sempre verdes, simbolizando o amor infinito de Deus para com todos os povos. As quatro velas, acesas e colocadas no círculo – uma a cada semana do Advento – nos lembram a luz de Deus que vem ao mundo para iluminar nossa existência e nossa história.

Na abertura do tempo litúrgico do Advento escutamos a antífona: “Anunciai a todos os povos: Deus vem, nosso Salvador” (I Vésperas do 1º domingo do Advento), que ressoa durante todo o Ano Litúrgico. A Liturgia “convida a renovar seu anúncio a todos os povos e o resume em duas palavras: ‘Deus vem’. Esta expressão tão sintética contém uma força de sugestão sempre nova. Detenhamo-nos um momento a refletir: não usa o passado – Deus veio -, nem o futuro – Deus virá -, mas o presente: ‘Deus vem’. Se prestarmos atenção, trata-se de um presente contínuo, ou seja, de uma ação que sempre acontece: está acontecendo, acontece agora e acontecerá mais uma vez. Em qualquer momento, ‘Deus vem’. O verbo ‘vir’ apresenta-se como um verbo ‘teológico’, inclusive ‘teologal’, porque diz algo que tem a ver com a natureza própria de Deus. Anunciar que ‘Deus vem’ significa, portanto, anunciar simplesmente o próprio Deus, através de uma de suas marcas essenciais e significativas: é o ‘Deus-que-vem’ (Bento XVI. Meditação sobre o Advento, 10/12/2006 – www.cnbbco.org.br).

O tempo litúrgico do Advento é um tempo forte de espiritualidade. E a espiritualidade é, antes de tudo, uma espiritualidade humana.Ela envolve o ser humano todo, em todas as suas dimensões e relações: pessoais, sociais, econômicas, políticas, culturais e ecológicas. Ela perpassa, impregna e absorve a totalidade do ser humano, a totalidade de sua existência no mundo.

Para os cristãos, a espiritualidade humana – à luz da fé – se torna espiritualidade cristã (do seguimento de Jesus de Nazaré). Não pode, porém, ser espiritualidade cristã se não for primeiro (no sentido lógico e não cronológico) espiritualidade humana. A espiritualidade cristã é uma espiritualidade radicalmente humana. Precisamos os cristãos ser especialistas em humanidade. Não temos o direito de sermos indiferentes e omissos diante dos desafios que o mundo de hoje nos apresenta como apelos de Deus, mas devemos estar sempre na linha de frente em todas as lutas que visam tornar a sociedade e o mundo mais humanos.

“As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos seres humanos de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo. Não se encontra nada verdadeiramente humano que não lhes ressoe no coração” (Concílio Vaticano II. A Igreja no mundo de hoje – GS, 1).

“Eu vim – diz Jesus – para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10). “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo.16, 4). Somos os cristãos “discípulos missionários de Jesus Cristo, para que nele todos os povos tenham vida” (Tema da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe – CELAM).

A espiritualidade cristã é uma espiritualidade pascal: cristológica, pneumatológica e trinitária (comunitária, eclesial). Brota da vivência, sempre mais profunda e sempre mais envolvente, do Ano Litúrgico, que inicia com o Advento e tem como centro a Páscoa (passagem da morte para a vida: vida nova em Cristo, vida segundo o Espírito). A Liturgia é a celebração do mistério pascal na vida e a celebração da vida no mistério pascal. “A celebração litúrgica repercute na vida e a vida é celebrada. Celebração e vida estão intimamente ligadas. Como seguidores de Jesus Cristo progressivamente nos tornamos uma coisa só com ele. É um processo (…) que atinge todo o universo e que se dá concretamente no cotidiano da nossa história. Cristo, embora tenha passado pela morte, venceu-a. Nós também venceremos. Acreditemos na vida” (Ir. Veronice Fernandes, pddm – www.cnbbsul1.org.br – 25/03/08).

Perfazendo seu próprio caminho pascal, cada pessoa está ao mesmo tempo participando e colaborando na Páscoa de todo o tecido social, de toda a realidade cósmica (Cf. Rm 8, 18-25)) até à plena comunhão, quando Deus será tudo em todos (Cf. 1Cor 15, 28)” (Ione Buyst. Viver o mistério pascal de Jesus Cristo ao longo do Ano Litúrgico: um caminho espiritual. Semana de Liturgia, São Paulo, outubro de 2002).

O tempo litúrgico do Advento nos leva a uma mudança de vida e nos prepara para celebrar e viver o Natal de Jesus à luz de sua Páscoa, que é também a nossa Páscoa, a Páscoa de toda a humanidade, a Páscoa do mundo inteiro.

Frei Marcos Sassatelli, OP

A CRISE DO CAPITALISMO: UMA FERIDA À DIGNIDADE HUMANA!

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Hoje, não é nenhuma surpresa abrir o jornal ou acompanhar nos noticiários o câncer gerado no coração do capitalismo norte-americano e europeu. Acredita-se que o grande problema dos Estados Unidos está na especulação gerada pelo mercado imobiliário, desde 2008. Uma crise que parecia isolada se alastrou pelo mundo. Já a Europa, imersa na turbulência financeira, passou-se a gastar mais do que aquilo que recebia dos impostos.

Para que a economia não sucumbisse tragicamente países como Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda e Itália passaram a acumular dívidas. Analistas afirmam que isso causou um completo descontrole das contas públicas, pois havia uma ideia falseada de bem-estar social, financiada pelos bancos. Nos dois casos, tanto os Estados Unidos, quanto a zona do Euro foram hipotecadas. Diante de um cenário tão tumultuado os países se tornaram credores dos próprios bancos.

O problema se agravou ainda mais porque na Europa não há uma instituição que regula os gastos públicos dos dezesseis países que fazem parte da União Europeia. Não há o chamado equilíbrio fiscal para ajustar as contas e multar os inadimplentes. Pelo contrário, há um alarmante desejo de esconder a dívida pública. O Papa sugere a criação de uma autoridade internacional para controlar e gerir o mercado financeiro globalizado. Só um espírito de concórdia, que supere divisões e conflitos, permitirá que a humanidade seja autenticamente uma única família, chegando a conceber um novo mundo com a constituição de uma Autoridade pública mundial, ao serviço do bem comum” (Nota do Pontifício Conselho Justiça e Paz, Para uma reforma do sistema financeiro e monetário internacional na perspectiva de uma autoridade pública de competência universal).

Como o objetivo principal é salvar a moeda e também os créditos bancários, o governo acaba por descontar na população o resultado de sua incapacidade em gerir a economia. O resultado é a paralização nos investimentos sociais, o desemprego, a perda de confiança dos investidores no mercado e nas pessoas que deixam de consumir, porque não há geração de renda, nem vagas no mercado de trabalho. A economia fica estagnada. Eis a tão falada recessão.

O mais triste diante disso tudo é que a ênfase está em salvar os bancos, não em salvar as pessoas. O foco fica detido no lucro desenfreado, nas taxas de juros abusivas, enquanto o problema da pobreza só se agrava. Não há a mínima preocupação com a dignidade humana. O dinheiro é a divindade do capitalismo em crise. Isso sem falar que somado ao descontrole com os gastos públicos, muitos países da Europa ainda sofrem com o pecado da corrupção.

Só na Grécia o número de suicídios aumentou em 40% no primeiro semestre deste ano. No passado, a Grécia tinha o menor índice de suicídio da Europa. Tudo causado pela insegurança econômica. Pais e mães de famílias desempregados têm passado fome e vivido na miséria. “O peso da crise é simplesmente maior do que a capacidade desta sociedade para sustentá-lo” (Eleni Bekiari).

Além da decadência financeira também vem em seguida o aumento dos casos de depressão, uso abusivo de drogas e a proliferação da prostituição. A crise não justifica o mal de vender o próprio corpo. Contudo, muitas mulheres, entre 30 e 40 anos tem recorrido à prostituição como forma de sustentar a própria família. Outro grave problema é o crescente índice nas taxas de homicídio e de assaltos. Mata-se e rouba-se para se alimentar.

Muitas vezes ficamos reféns das informações que chegam até nós. Só quem vive a crise consegue expressar a crueldade de um sistema que massacra as pessoas em vista da saúde dos bancos. A lei de comando não é a superação do desemprego nem a redução dos cortes nos salários. Não! O que importa é que os bancos continuem a lucrar. O peso sempre vem sobre aqueles que não têm nada a ver com os erros praticados pelo crédito especulativo. O sistema é injusto, pois os inocentes pagam pelos culpados!

Para que os mercados se autocontrolem sem a intervenção do governo é necessário a ética e o respeito pela dignidade humana. Diante da crise, falta Deus, falta amor, falta caridade; dentro de uma ampla ausência de consideração pelo humano.

O estado se autoproclama como laico, ainda mais em uma sociedade relativizada como a Europa. Contudo, exige-se pelo o menos uma ética comum para gerir as contas públicas e investir em infraestrutura. Um governo que não respeita a sua população, pelo contrário, só a explora, é ilegítimo, pois governa para seus interesses e não para todos. “Com efeito, a economia tem necessidade da ética para o seu funcionamento correto, e não de uma ética qualquer, mas de uma ética amiga da pessoa” (Nota do Pontifício Conselho Justiça e Paz, Para uma reforma do sistema financeiro e monetário internacional na perspectiva de uma autoridade pública de competência universal).

Consciência, serenidade, ajustes financeiros, aniquilamento de créditos podres e especulativos são as palavras chaves para superar a crise dos Estados Unidos e da União Europeia. Que Deus não seja responsabilizado por uma crise criado pela ganância do mercado, mas que pela ética possamos nos reorientar a partir do valor da vida acima de toda e qualquer economia!

Finalizo este artigo com as sábias palavras de Manuel Bandeira. Que elas sejam apenas versos e não se tornem realidade da crise econômica, como vem acontecendo na Europa: Vi ontem um bicho na imundície do pátio cantando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa não examinava e nem cheirava; engolia com voracidade. O bicho não era um cão, não era um gato, não era rato. O bicho, meu Deus, era um homem”!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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Missas

De segunda a sexta

Missas: 7h e 19h30

Sábado

Missas: 7h, 10h e 17h30

Domingo

Missas: 5h45, 8h, 10h, 12h, 15h e 17h30

Rede Vida

Segunda, terça, quinta e sexta: 7h Quarta: 9h

Sábado: 7h e 17h30

Domingo: 17h30

TV Anhanguera

Domingo: 5h30

PUC TV

Sábado e domingo: 17h30

TBC

Domingo: 8h

Rede Pai Eterno

Missas Segunda, quarta, quinta e sexta: 7h
Sábado: 7h e 17h30
Domingo: 5h45, 8h e 17h30

Novena dos Filhos do Pai Eterno Todos os dias: 4h, 12h e 22h Novena do Perpétuo Socorro Todos os dias: 2h

Rádio Difusora Goiânia

Missas Domingo: 8h Novena dos Filhos do Pai Eterno Todos os dias: 13h