A CRISE DO CAPITALISMO: UMA FERIDA À DIGNIDADE HUMANA!

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Hoje, não é nenhuma surpresa abrir o jornal ou acompanhar nos noticiários o câncer gerado no coração do capitalismo norte-americano e europeu. Acredita-se que o grande problema dos Estados Unidos está na especulação gerada pelo mercado imobiliário, desde 2008. Uma crise que parecia isolada se alastrou pelo mundo. Já a Europa, imersa na turbulência financeira, passou-se a gastar mais do que aquilo que recebia dos impostos.

Para que a economia não sucumbisse tragicamente países como Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda e Itália passaram a acumular dívidas. Analistas afirmam que isso causou um completo descontrole das contas públicas, pois havia uma ideia falseada de bem-estar social, financiada pelos bancos. Nos dois casos, tanto os Estados Unidos, quanto a zona do Euro foram hipotecadas. Diante de um cenário tão tumultuado os países se tornaram credores dos próprios bancos.

O problema se agravou ainda mais porque na Europa não há uma instituição que regula os gastos públicos dos dezesseis países que fazem parte da União Europeia. Não há o chamado equilíbrio fiscal para ajustar as contas e multar os inadimplentes. Pelo contrário, há um alarmante desejo de esconder a dívida pública. O Papa sugere a criação de uma autoridade internacional para controlar e gerir o mercado financeiro globalizado. Só um espírito de concórdia, que supere divisões e conflitos, permitirá que a humanidade seja autenticamente uma única família, chegando a conceber um novo mundo com a constituição de uma Autoridade pública mundial, ao serviço do bem comum” (Nota do Pontifício Conselho Justiça e Paz, Para uma reforma do sistema financeiro e monetário internacional na perspectiva de uma autoridade pública de competência universal).

Como o objetivo principal é salvar a moeda e também os créditos bancários, o governo acaba por descontar na população o resultado de sua incapacidade em gerir a economia. O resultado é a paralização nos investimentos sociais, o desemprego, a perda de confiança dos investidores no mercado e nas pessoas que deixam de consumir, porque não há geração de renda, nem vagas no mercado de trabalho. A economia fica estagnada. Eis a tão falada recessão.

O mais triste diante disso tudo é que a ênfase está em salvar os bancos, não em salvar as pessoas. O foco fica detido no lucro desenfreado, nas taxas de juros abusivas, enquanto o problema da pobreza só se agrava. Não há a mínima preocupação com a dignidade humana. O dinheiro é a divindade do capitalismo em crise. Isso sem falar que somado ao descontrole com os gastos públicos, muitos países da Europa ainda sofrem com o pecado da corrupção.

Só na Grécia o número de suicídios aumentou em 40% no primeiro semestre deste ano. No passado, a Grécia tinha o menor índice de suicídio da Europa. Tudo causado pela insegurança econômica. Pais e mães de famílias desempregados têm passado fome e vivido na miséria. “O peso da crise é simplesmente maior do que a capacidade desta sociedade para sustentá-lo” (Eleni Bekiari).

Além da decadência financeira também vem em seguida o aumento dos casos de depressão, uso abusivo de drogas e a proliferação da prostituição. A crise não justifica o mal de vender o próprio corpo. Contudo, muitas mulheres, entre 30 e 40 anos tem recorrido à prostituição como forma de sustentar a própria família. Outro grave problema é o crescente índice nas taxas de homicídio e de assaltos. Mata-se e rouba-se para se alimentar.

Muitas vezes ficamos reféns das informações que chegam até nós. Só quem vive a crise consegue expressar a crueldade de um sistema que massacra as pessoas em vista da saúde dos bancos. A lei de comando não é a superação do desemprego nem a redução dos cortes nos salários. Não! O que importa é que os bancos continuem a lucrar. O peso sempre vem sobre aqueles que não têm nada a ver com os erros praticados pelo crédito especulativo. O sistema é injusto, pois os inocentes pagam pelos culpados!

Para que os mercados se autocontrolem sem a intervenção do governo é necessário a ética e o respeito pela dignidade humana. Diante da crise, falta Deus, falta amor, falta caridade; dentro de uma ampla ausência de consideração pelo humano.

O estado se autoproclama como laico, ainda mais em uma sociedade relativizada como a Europa. Contudo, exige-se pelo o menos uma ética comum para gerir as contas públicas e investir em infraestrutura. Um governo que não respeita a sua população, pelo contrário, só a explora, é ilegítimo, pois governa para seus interesses e não para todos. “Com efeito, a economia tem necessidade da ética para o seu funcionamento correto, e não de uma ética qualquer, mas de uma ética amiga da pessoa” (Nota do Pontifício Conselho Justiça e Paz, Para uma reforma do sistema financeiro e monetário internacional na perspectiva de uma autoridade pública de competência universal).

Consciência, serenidade, ajustes financeiros, aniquilamento de créditos podres e especulativos são as palavras chaves para superar a crise dos Estados Unidos e da União Europeia. Que Deus não seja responsabilizado por uma crise criado pela ganância do mercado, mas que pela ética possamos nos reorientar a partir do valor da vida acima de toda e qualquer economia!

Finalizo este artigo com as sábias palavras de Manuel Bandeira. Que elas sejam apenas versos e não se tornem realidade da crise econômica, como vem acontecendo na Europa: Vi ontem um bicho na imundície do pátio cantando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa não examinava e nem cheirava; engolia com voracidade. O bicho não era um cão, não era um gato, não era rato. O bicho, meu Deus, era um homem”!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

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