Mês: dezembro 2011

A MELHOR PROMESSA PARA 2012!

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Estabelecer metas para o próximo ano é uma das marcas registradas deste tempo. Mesmo que não sejamos capazes de cumpri-las, lá estão as famosas promessas. Há bonitos desafios propostos por aqueles que sonham parar de fumar ou de beber, pois são atordoados pelo vício. Outros procuram exercer o dom da paciência diante dos sofrimentos da vida, fazendo da dor uma escada para a superação. Também é possível verificar de perto determinadas pessoas, vítimas de transtornos alimentares ou da ansiedade, se comprometendo a emagrecer, com o objetivo de ter uma vida saudável, gerando saúde. Independente do compromisso, o importante é ser coerente no propósito, desde que seja algo bom e edificante.

Neste fim de ano é necessário rever a nossa vida, percebendo de perto se temos sido coerentes com a fé que professamos e com o Deus que acreditamos. Enquanto há vozes destoantes dizendo: “Odeie seu irmão”, nós que cremos, devemos testemunhar: “Amem os seus inimigos e rezem por aqueles que perseguem vocês” (Mt 5,44). Quando muitos estão a falar com raiva: “Não perdoe e se vingue”, temos que colocar o amor em prática demonstrando: “Não paguem a ninguém o mal com o mal; a preocupação de vocês seja fazer o bem a todos os homens. Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber” (Rm 12,17.20).

Se disserem que somos bobos, por não seguirmos o mandamento ditado pela vingança, é aí que estamos sendo sensatos. O Evangelho é visto nas ocasiões em que não nos deixamos vencer pelo mal, mas vencemos o mal com o bem (Cf. Rm 12,21). O cristão perdoa, quando poderia odiar; ama, quando o incitam a se vingar. Visitado pelas dificuldades, prefere orar, ao invés de se jogar aos prantos. Não é frágil, pois sua fortaleza é a fé. Não é tolo, porque vive a sabedoria da Cruz. Não é interesseiro, pelo simples fato de assumir uma existência de gratuidade!

O cristão sabe que acima de todas as determinações, que colocamos sobre nós mesmos, está a meta mais importante para uma vida feliz: o próprio Deus! Ele é a garantia da nossa vitória! A promessa mais eficaz para 2012 é fazer do Pai o fundamento de nossas vidas; a Esperança que tudo contorna; o Amor que compreende, não acusa e dignifica!

Para nós que confiamos, a fidelidade Divina nos ensina a ser fiéis no propósito da fé. A existência terrena é transitória, mas se torna significativa quando vivenciada como peregrinação. Em Deus está a nossa verdadeira morada, o nosso descanso eterno. Graças à fé temos podido reconhecer que nos braços do Pai se encontra o nosso destino último e o sentido do nosso viver. Mesmo que insistamos em procurar outros horizontes, sempre retornaremos Àquele que nos gerou.

No ano que se inicia, guiados pelo exemplo de Santa Maria, Mãe de Deus, procuremos manter os olhos fixos no Pai. Não desistamos de amar, não cedamos lugar ao ódio, não abandonemos nossos valores, não culpemos os familiares, não julguemos os irmãos, não mintamos para os outros nem para nós mesmos. Que a fé seja a nossa guia, a esperança a nossa companheira constante e a caridade o testemunho mais concreto de que vivemos a verdade do Evangelho! Verdade esta que consegue dialogar com o mundo e evangelizar pessoas.

Antes de toda e qualquer promessa para 2012, assumamos o compromisso de renunciar o pecado e acolher a redenção em nós! São as metas espirituais que dão sentido às outras áreas de nossa vida. Uma existência voltada para Deus se torna cheia de sentido e contrária a toda alienação. Tornamo-nos evangelhos vivos!

O Pai Eterno espera a renovação do meu e do seu “SIM”. Que estejamos preparados para juntos evangelizar com atitudes e só depois com as palavras. Nunca nos esqueçamos que antes de ser proclamada, a fé necessita ser vivenciada. Não são as pregações que convencem, mas o testemunho.

Que o Ano Novo não fica restrito somente a confraternizações. Que ele seja reconhecido como um divisor de águas, em vista de tudo aquilo que nos esforçaremos para cumprir diante de Deus! Que em vez de pensar em profecias irreais para o fim de 2012, pensemos no que tem fundamento: o amor do Pai! Se há espaço para algum ‘fim’ que seja para o término do pecado, da maldade e da injustiça no mundo! A fé é dom e quer contar conosco você neste Ano Novo! Desejo a você, meu querido irmão, minha querida irmã, um 2012 abençoado e cheio de conquistas! Felicidades!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

Twitter: @padrerobson

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NEM OURO, INCENSO OU MIRRA, MAS O NOSSO CORAÇÃO!

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Pobre por condição e opção! Nascido em uma pátria insignificante. Crescido em uma pequena aldeia. Organizado por algumas dúzias de famílias. Desprovido de condições dignas de vida, devido à carência social da Galileia. Um simples carpinteiro teve que assumir o ofício do pai. Constatou de perto o sofrimento de seu povo no cativeiro da lei e no cativeiro do Império Romano, com seus altos impostos.

Não priorizou a língua dos grandes comerciantes, o grego; nem o idioma religioso da época, o hebraico. Utilizava de um dialeto, o aramaico, para anunciar a mensagem evangelizadora do Reino de Deus. É provável que o grego e o hebraico só tenham sido usados quando extremamente necessários. Em uma época marcada pela pobreza, pela fome, pelo desemprego e pelo endividamento: nasceu o Menino Jesus, sacramento do amor do Pai!

Hoje, bastante diferente da simplicidade do presépio, o Natal tem se tornado uma grande disputa, cada vez mais comercial e menos religiosa. Divididas estão as pessoas entre o Evangelho da Fé e o evangelho do mercado, entre o belo-supérfluo dos presentes e o singelo-necessário do presépio. Vozes e mais vozes ecoam com o ‘Jingle Bells’ e fazem esquecer a ‘Noite Feliz’!

Há uma séria dificuldade em compreender onde tudo começou. Custa para alguns aceitar que o Mestre de Nazaré, nasceu em um estábulo, conhecido, na época, como um lugar para recolher cavalos e o gado em geral. Ali eles dormiam, ficavam protegidos do frio, da chuva e se alimentavam. Isso sem falar da manjedoura. Dentro da realidade da estrebaria, a manjedoura é um cocho, onde se põe comida para os animais e foi lá que Jesus nasceu. Com todo respeito ao ‘bom velhinho’, não convém que o espírito do Natal seja confundido com uma mágica entrega de presentes, que só nos faz mais consumistas e menos espirituais.

A essência do Natal está em um Deus que se fez criança. Ele não nos ameaça em nada. Pelo contrário, necessita de nosso cuidado e dedicação. Só por isso temos podido contemplá-lo. Somos iluminados por Ele: “Para os que habitavam na terra da escuridão uma luz começou a brilhar” (Is 9,1). Esvaziou-se de Si mesmo, exceto de sua condição Divina, para partilhar de nossas dores e pobreza. Conheceu na própria pele as feridas do sofrimento e da extrema pobreza, pois não tinha “onde reclinar a cabeça” (Mt 8,20).

A grande verdade é que “o Verbo se fez carne” (Jo 1,14) e aqui pensamos: “Como é possível? O Verbo e a carne são realidades opostas entre si; como pode a Palavra eterna e onipotente tornar-se um homem frágil e mortal? Só há uma resposta possível: o Amor. Quem ama quer partilhar com o amado, quer estar-lhe unido […]” (Bento XVI). O Natal sempre será a feliz memória de um Deus louco de amor por nós. Ele nos recorda toda a intensidade da fé no Pai Eterno, que não mede condições nem impõe limites para amar.  Para os que não creem isso se parece com a reprodução de insanidades ou de mitos antigos, atualizados pelos cristãos. Não esquentemos a cabeça. O mais importante é que esta Solenidade é celebrada há mais de dois mil anos, independente daqueles que a vivenciam, daqueles que a deturpam e também daqueles que não a compreendem. O Menino Deus nasceu para todos!

Aquele que deposita a fé no Natal, com toda a sua verdade, é capaz de atualizar a encarnação do Amor todos os dias: falando bem, quando os outros o instiga a falar mal; se silenciando, onde a fofoca e a calúnia imperam; dando de comer e de beber aos inimigos, na ocasião em que os magoados o incita a pagar o mal com o mal; falando a verdade, quando também poderia mentir, mas não o fez; sendo taxado de bobo e fraco, em um sociedade que prioriza o ditado de não levar desaforo para casa; compreendendo o limite dos outros, quando poderia agir com egoísmo; utilizando o diálogo para chegar a um denominador comum, frente a desculpa: “Falo tudo o que penso. Sou assim mesmo e não vou mudar”.

Todas às vezes que agimos com ética no trabalho, com respeito à dignidade do outro, com consideração àqueles que estão a nossa volta, com disposição para conviver entre as feridas alheias e, aos poucos, transformá-las pelo amor do Pai: o Verbo se faz carne novamente! Isto serve para os que creem, como também para os ateus e céticos. Independente de ter fé ou não, o que vale é a honestidade pessoal, a retidão nas atitudes e um comportamento coerente de acordo com as suas verdades. Talvez, este seja o maior apelo do Natal, meu querido irmão, minha querida irmã!

Deus se torna humano em Jesus. Este é o mistério da encarnação! Ele nasce para devolver o dom da esperança a cada um de nós. Que, na noite do Natal, possamos renovar a nossa espera confiante, sabendo que “passou o que era velho, eis que tudo se fez novo” (2 Cor 5,17). Não percamos a fé nem deixemos de crer na evangelização, pois “manifestou-se a graça de Deus, que traz a salvação para todos” (Tt 2,11).

Mesmo com toda a importância simbólica do ouro, do incenso e da mirra, o Menino Jesus está a pedir uma única coisa: o meu e o seu coração! Não tenhamos medo desta entrega, pois foi assim que um dia Ele se ofereceu a nós: entre animais, palhoças e na mais absoluta pobreza. Sua única riqueza era o Amor! Algo que o humano procura até hoje, vagando pelo mundo, perdido no vazio existencial, sem rumo e sem paz. Sendo a fé o caminho para o Pai Eterno, não nos esqueçamos de que o presépio é o atalho. Portanto, corramos para Belém. Lá o Amor espera por nós! Feliz Natal!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

Twitter: @padrerobson

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NA CHINA, “O SANGUE DOS MÁRTIRES É A SEMENTE DOS CRISTÃOS”

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Sirvo-me de uma expressão de Tertuliano, um dos maiores teólogos da Igreja Primitiva, para intitular este artigo, referente ao sangue dos cristãos derramado pelo comunismo chinês. Há uma ferida à dignidade humana no coração deste gigante comercial.

Nos últimos anos, a República Popular da China tem sido enfocada como a nova grande potência, devido os avanços da sua economia. A projeção é que a mesma supere até os Estados Unidos em questão de décadas. O aumento de renda dos trabalhadores, a industrialização em massa, as exportações mundo a fora escondem a triste realidade das perseguições aos cristãos. Dentre eles, nossos irmãos católicos.

Tudo começou com uma revolução iniciada em 1927 e concluída em 1949. O movimento, em sua primeira fase, fez eclodir uma guerra civil, entre nacionalistas e comunistas, no sul do país. O conflito perdurou durante três anos. Mais adiante, o líder do Partido Comunista Chinês (PCCh), Mao Tsé-Tung conduziu uma reviravolta, quando trabalhou a revolução em parceria com os camponeses das zonas rurais.

A partir de então, o movimento alastrou-se por todo o país. Milhões de pessoas pegaram as armas, em nome de uma guerrilha, que visava destruir o temível exército nacionalista. Houve uma ‘Longa Marcha’ (1934-1935), quando os comunistas percorreram mais de dez mil quilômetros, pelo interior do país, até chegarem à Província de Shensi: berço estratégico da revolução.

No ano de 1937, o Japão invadiu a China. O Exército Nacionalista passou a combater os japoneses, deixando de concentrar esforços para conter o movimento revolucionário de Mao Tsé-Tung. Fortalecidos na Província de Shensi, os comunistas organizaram o Exército Popular de Libertação, composto pela massa de camponeses que viviam na miséria. Eram milhões de campesinos, transformados em revolucionários. A lavoura foi trocada pela luta armada.

Como os japoneses eram muito fortes militarmente e estavam dominando a China, os nacionalistas e os comunistas se uniram para destruir um adversário em comum: o Japão. Após a derrota dos japoneses, o conflito é retomado. O exército do país e o exército revolucionário se opõem de novo. Em 1949, os comunistas vencem o conflito e os nacionalistas se refugiam na ilha de Taiwan. Cria-se a República Popular da China.

De acordo com dados históricos, cerca de dois milhões de proprietários rurais foram assassinados por não aceitarem a reforma agrária e por resistirem ao comunismo. Os opositores do novo sistema eram declarados ‘inimigos do povo’. As pessoas eram instigadas a denunciá-los em troca de proteção da República.

Dentre estes ‘inimigos’ estavam os católicos. O plano de Mao Tsé-Tung era exterminar todas as religiões da China. Como não havia possibilidade de concluir essa estratégia, foram criadas igrejas nacionais: budistas, islâmicas e também protestantes. No ano de 1957 foi fundada uma associação patriótica, controlada pelo Partido Comunista. Cabia a ela fiscalizar as igrejas nacionais e punir os oponentes. O Vaticano condenou a Associação e a voz do Papa Pio XII se fez ecoar.

Os bispos que se opuseram aos comunistas e à sua associação foram presos, torturados, permanecendo de 20 a 30 anos em trabalhos forçados. Muitos deles, desaparecidos, agora são encontrados mortos. Os que conseguem escapar são chamados de ‘clandestinos’: reconhecidos pelo Vaticano e perseguidos pelos comunistas. Ao todo são 37 bispos que não pertencem à igreja oficial. São vigiados, dia e noite, por policiais. O crime destes bispos perseguidos é não abdicar da fidelidade ao Evangelho e de sua obediência ao Papa.

A repressão é tão grande que até mesmo os bispos vinculados aos comunistas vêm sendo controlados e seguidos, principalmente nas suas viagens pastorais. O fato é que eles escreveram ao Vaticano e pediram perdão por terem se submetido à igreja nacional. Com isso, foram reintegrados à comunhão católica. Tantos os bispos oficiais (aprovados pelo regime comunista), quanto os bispos clandestinos (obedientes ao Vaticano) sofrem com a perseguição de um sistema ditador e tirano.

Que na aurora do nascimento de Jesus, preparada pelo tempo do Advento, possamos agradecer ao Pai Eterno, por vivermos em um país que respeita a liberdade religiosa. Também não nos esqueçamos de orar pelos nossos irmãos chineses, vítimas de um sistema econômico que os escraviza nas indústrias. Acreditemos que o Espírito do Pai age além de todo poder terreno. Os comunistas podem saciar a sede de pão e moradia, mas não são capazes de saciar a fome espiritual do povo chinês. E aí está a ruína do próprio sistema.

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
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ALEGRIA DE MARIA

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Todos sentimos verdadeira decepção quando somos injustiçados em nossos direitos. Mas no ganho da causa em relação a isso, nossa alegria é evidenciada. Fez-se justiça!  Nos dizeres bíblicos vemos a grande realidade da ação de Deus que nos dá a garantia de sua ação: “Assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente, assim o Senhor Deus fará germinar a justiça e a sua glória diante de todas as nações” (Isaías 61, 11). Baseado nessa ação do Senhor, o povo judeu teve a sustentação de sua euforia (Cf. Isaías 61, 10), repetida por Maria no Magnificat: “Meu espírito se alegra  em Deus” (Lucas 1,47).

A alegria de Maria é a nossa também! Ela foi escolhida para nos dar o Salvador. Estávamos perdidos para sempre. De repente a invenção de um projeto divino mudou nossa história. Não somos mais condenados à tristeza, conseqüência do desatino de nos colocarmos no lugar de Deus, deixando-O de lado no nosso encaminhamento de vida. Sem Ele não somos capazes de cuidar com verdadeiro amor do planeta e de quem vive nele. O senhorio de Deus nos enriquece de satisfação em tudo, contando com seu amor e suas coordenadas. Viver em Deus e deixá-lo viver em nós é causa de nossa realização humana. O próprio Jesus nos assegura: “Sem mim, nada podeis fazer”!

Já perto da celebração da presença humana de Deus em nossa história, somos convidados a rever nossa caminhada para percebermos até que ponto O deixamos agir em nós para termos a grande graça e a certeza de que com Ele vencemos nossos limites. Assim, somos capazes de promover a vida de realização plena para todos, mesmo dos mais decepcionados ou desesperançosos. Não são os sofrimentos, os limites humanos, os desafios da caminhada, os empecilhos que vão nos tirar a certeza da vitória e da superação de nossos limites. Com o amor trazido pelo filho de Maria somos capazes de recomeçar uma vida mais saudável e cheia de esperança, motivo de nossa alegria brotada da fé no Emanuel.

Nem as incompreensões e injustiças acontecidas com Jesus anularam a confiança de sua mãe. Ela acreditava nele. Acompanhou-o por toda a vida, até mesmo ao túmulo. Mas viu-o também ressuscitado! Pode verificar seu poder divino, espalhando a toda a humanidade o resultado de seu sacrifício redentor! Mais: ela viu a Igreja nascente a espalhar  até para povos distantes o Evangelho da promoção da vida. Torna-se verdadeira mãe de todos, pois, cooperou com a salvação da humanidade, dando-lhe o Salvador!

Como é bom vermos o resultado de nosso sacrifício para realizar um projeto de grande extensão na vida! Quando realizamos o projeto do Criador, temos a certeza do resultado positivo. Nossa alegria então se verifica, não só num momento, mas sempre. É a alegria duradoura, garantida pelo próprio Deus, que age em nós! Nosso compromisso com a implantação do Reino de Deus nos torna aptos a contribuir com a implantação da justiça. Esta nos leva a trabalhar pela construção da verdadeira cidadania para todos. Como Maria, nossa alegria se torna indizível!

Dom José Alberto Moura, CSS
Arcebispo Metropolitano de Montes Claros – MG

QUANTA INCOERÊNCIA, MEU DEUS!

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Antes de escrever este artigo parei um pouco para orar ao Pai Eterno. Logo em seguida passei a refletir sobre as incoerências que estão à nossa volta. E não sou poucas! Penso que sábia é a pessoa que se deixa orientar por um princípio de vida, seja ele religioso, ético ou moral. Importa fundamentar a existência a partir de uma convicção interna que nos faz ser melhores. Falo de valores que nos humanizam! Falo de sentido que orienta! Falo de significado que não nos deixa ser vazios nem superficiais!

Começo pelas nossas relações. Elos que estabelecemos com aqueles que nos identificamos. Não é preciso ir muito longe para perceber a ausência daquela gratuidade desinteressada, que nos faz valorizar o outro pelo que ele é, não pelo que ele tem ou faz. Hoje, muitos escolhem os ditos amigos a partir do que eles podem oferecer. Muda-se a ordem das relações quando usamos as pessoas para a nossa satisfação. São as coisas que devem ser usadas, não aqueles que nos relacionamos. Para começo de conversa não existe relação se há um jogo de interesses.  

Há situações em que se sorri por fora, quando é nutrida a raiva por dentro. Trata-se alguém com profunda educação e meia hora depois, desce-se a lenha na pessoa. Há uns que puxam o tapete dos outros quando se sentem ameaçados. Inventam-se situações, difundem-se maledicências e arquiteta-se contra a reputação alheia. Isso acontece principalmente no ambiente de trabalho. É o mal da inveja na vontade obsessiva de ser o outro e de possuir aquilo que ele tem.

A incoerência também se estende no meio religioso, educacional e político. Parece que ninguém está isento dela. É o velho ditado popular: “Cumpra o que eu falo, não o que eu faço”. ‘Dar exemplo’ é uma qualidade, totalmente, excluída na vida de alguns. Falar em ‘testemunho de vida’ é balela e assunto de gente que não tem o que fazer. Há pessoas tão incoerentes que são capazes de acreditar em suas próprias mentiras. Defendem-na até o fim, quando, na verdade, seria muito mais fácil dizer: “Sim! Eu errei. Peço desculpas e perdão, se necessário for”.  

Mestres que esquecem as teorias que outrora defendiam; partidários que não assumem a representatividade do povo, pois lutam somente por interesses pessoais; maridos que vivem uma vida duvidosa, com mulher e amante; esposas que traem como forma de se vingar da falta de atenção e carinho do cônjuge; filhos que tem uma vida contestável, porque mentem para quem lhes concede amor.  Uns pagam o mal com mal, xingamento com injúrias, maledicências com difamação. Claro que não podemos generalizar. Existe muita bondade presente no mundo. Existem corações muito coerentes, por sinal! Porém, é a própria benevolência que nos faz enxergar o que é errado.

Em contrapartida, humildade, reconhecimento, bem querer, diálogo, sinceridade sem ofensas e transparência são palavras cada vez mais esquecidas para o incoerente. Ele está mais acostumado com as dissonâncias da vida, as inconsequências do seu agir egoísta e, por fim, com o famoso comportamento contraditório. Diz uma coisa hoje e faz outra amanhã.

Fundamentados no amor do Pai precisamos desenvolver em nós a autenticidade e a assertividade. A primeira nos ensina a ser verdadeiros, principalmente com a nossa consciência. É muito bom colocar a cabeça no travesseiro com o sentimento de dever cumprido pela retidão de vida. Já a segunda nos motiva a dizer verdades, sem magoar ou afrontar quem quer que seja. Assim, passamos a fazer as coisas de bom coração e não com segundas intenções. Agiremos por sermos bons, não por interesse.

A Palavra de Deus já nos orienta ao dizer: “Diga apenas ‘sim’, quando é ‘sim’; e ‘não’, quando é ‘não’. O que você disser, além disso, vem do Maligno. Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo, e odeie o seu inimigo!’ Eu, porém, lhe digo: amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês! Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu, porque ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva cair sobre justos e injustos. Pois, se vocês amam somente aqueles que os amam, que recompensa vocês terão?  Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? E se vocês cumprimentam somente os seus irmãos, o que é que vocês fazem de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sejam misericordiosos como é misericordioso o Pai de vocês que está no céu” (Mt 5,37. 44-48).

Sem nenhum exagero é possível afirmar que muitos não creem no Cristianismo pelo contra testemunho de certa parcela que afirma ser cristã. Não confiam no Mestre Jesus pela incoerência de seus seguidores. As pessoas não acreditam pelas palavras, mas pelo testemunho coerente. Fé e vida devem caminhar de mãos dadas, sem distâncias injustificáveis.

Permitamos que o Tempo de Advento nos ensine a viver de acordo com aquilo que cremos. Que não haja espaço para uma vida com dois sentidos. Não se pode viver de acordo com a ocasião, somente em vista de benefícios pessoais. Que a coerência seja o primeiro critério para que o Menino Jesus venha nascer em nossos corações, no Natal! Termino, ainda em oração, com o sentimento de que a fé solicita de mim e de você um compromisso sincero e firme com o dom da verdade! Que nossas atitudes deem testemunho do Deus que acreditamos! Amém!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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