Dia: 5 de dezembro de 2011

QUANTA INCOERÊNCIA, MEU DEUS!

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Antes de escrever este artigo parei um pouco para orar ao Pai Eterno. Logo em seguida passei a refletir sobre as incoerências que estão à nossa volta. E não sou poucas! Penso que sábia é a pessoa que se deixa orientar por um princípio de vida, seja ele religioso, ético ou moral. Importa fundamentar a existência a partir de uma convicção interna que nos faz ser melhores. Falo de valores que nos humanizam! Falo de sentido que orienta! Falo de significado que não nos deixa ser vazios nem superficiais!

Começo pelas nossas relações. Elos que estabelecemos com aqueles que nos identificamos. Não é preciso ir muito longe para perceber a ausência daquela gratuidade desinteressada, que nos faz valorizar o outro pelo que ele é, não pelo que ele tem ou faz. Hoje, muitos escolhem os ditos amigos a partir do que eles podem oferecer. Muda-se a ordem das relações quando usamos as pessoas para a nossa satisfação. São as coisas que devem ser usadas, não aqueles que nos relacionamos. Para começo de conversa não existe relação se há um jogo de interesses.  

Há situações em que se sorri por fora, quando é nutrida a raiva por dentro. Trata-se alguém com profunda educação e meia hora depois, desce-se a lenha na pessoa. Há uns que puxam o tapete dos outros quando se sentem ameaçados. Inventam-se situações, difundem-se maledicências e arquiteta-se contra a reputação alheia. Isso acontece principalmente no ambiente de trabalho. É o mal da inveja na vontade obsessiva de ser o outro e de possuir aquilo que ele tem.

A incoerência também se estende no meio religioso, educacional e político. Parece que ninguém está isento dela. É o velho ditado popular: “Cumpra o que eu falo, não o que eu faço”. ‘Dar exemplo’ é uma qualidade, totalmente, excluída na vida de alguns. Falar em ‘testemunho de vida’ é balela e assunto de gente que não tem o que fazer. Há pessoas tão incoerentes que são capazes de acreditar em suas próprias mentiras. Defendem-na até o fim, quando, na verdade, seria muito mais fácil dizer: “Sim! Eu errei. Peço desculpas e perdão, se necessário for”.  

Mestres que esquecem as teorias que outrora defendiam; partidários que não assumem a representatividade do povo, pois lutam somente por interesses pessoais; maridos que vivem uma vida duvidosa, com mulher e amante; esposas que traem como forma de se vingar da falta de atenção e carinho do cônjuge; filhos que tem uma vida contestável, porque mentem para quem lhes concede amor.  Uns pagam o mal com mal, xingamento com injúrias, maledicências com difamação. Claro que não podemos generalizar. Existe muita bondade presente no mundo. Existem corações muito coerentes, por sinal! Porém, é a própria benevolência que nos faz enxergar o que é errado.

Em contrapartida, humildade, reconhecimento, bem querer, diálogo, sinceridade sem ofensas e transparência são palavras cada vez mais esquecidas para o incoerente. Ele está mais acostumado com as dissonâncias da vida, as inconsequências do seu agir egoísta e, por fim, com o famoso comportamento contraditório. Diz uma coisa hoje e faz outra amanhã.

Fundamentados no amor do Pai precisamos desenvolver em nós a autenticidade e a assertividade. A primeira nos ensina a ser verdadeiros, principalmente com a nossa consciência. É muito bom colocar a cabeça no travesseiro com o sentimento de dever cumprido pela retidão de vida. Já a segunda nos motiva a dizer verdades, sem magoar ou afrontar quem quer que seja. Assim, passamos a fazer as coisas de bom coração e não com segundas intenções. Agiremos por sermos bons, não por interesse.

A Palavra de Deus já nos orienta ao dizer: “Diga apenas ‘sim’, quando é ‘sim’; e ‘não’, quando é ‘não’. O que você disser, além disso, vem do Maligno. Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo, e odeie o seu inimigo!’ Eu, porém, lhe digo: amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês! Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu, porque ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva cair sobre justos e injustos. Pois, se vocês amam somente aqueles que os amam, que recompensa vocês terão?  Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? E se vocês cumprimentam somente os seus irmãos, o que é que vocês fazem de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sejam misericordiosos como é misericordioso o Pai de vocês que está no céu” (Mt 5,37. 44-48).

Sem nenhum exagero é possível afirmar que muitos não creem no Cristianismo pelo contra testemunho de certa parcela que afirma ser cristã. Não confiam no Mestre Jesus pela incoerência de seus seguidores. As pessoas não acreditam pelas palavras, mas pelo testemunho coerente. Fé e vida devem caminhar de mãos dadas, sem distâncias injustificáveis.

Permitamos que o Tempo de Advento nos ensine a viver de acordo com aquilo que cremos. Que não haja espaço para uma vida com dois sentidos. Não se pode viver de acordo com a ocasião, somente em vista de benefícios pessoais. Que a coerência seja o primeiro critério para que o Menino Jesus venha nascer em nossos corações, no Natal! Termino, ainda em oração, com o sentimento de que a fé solicita de mim e de você um compromisso sincero e firme com o dom da verdade! Que nossas atitudes deem testemunho do Deus que acreditamos! Amém!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

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