NA CHINA, “O SANGUE DOS MÁRTIRES É A SEMENTE DOS CRISTÃOS”

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Sirvo-me de uma expressão de Tertuliano, um dos maiores teólogos da Igreja Primitiva, para intitular este artigo, referente ao sangue dos cristãos derramado pelo comunismo chinês. Há uma ferida à dignidade humana no coração deste gigante comercial.

Nos últimos anos, a República Popular da China tem sido enfocada como a nova grande potência, devido os avanços da sua economia. A projeção é que a mesma supere até os Estados Unidos em questão de décadas. O aumento de renda dos trabalhadores, a industrialização em massa, as exportações mundo a fora escondem a triste realidade das perseguições aos cristãos. Dentre eles, nossos irmãos católicos.

Tudo começou com uma revolução iniciada em 1927 e concluída em 1949. O movimento, em sua primeira fase, fez eclodir uma guerra civil, entre nacionalistas e comunistas, no sul do país. O conflito perdurou durante três anos. Mais adiante, o líder do Partido Comunista Chinês (PCCh), Mao Tsé-Tung conduziu uma reviravolta, quando trabalhou a revolução em parceria com os camponeses das zonas rurais.

A partir de então, o movimento alastrou-se por todo o país. Milhões de pessoas pegaram as armas, em nome de uma guerrilha, que visava destruir o temível exército nacionalista. Houve uma ‘Longa Marcha’ (1934-1935), quando os comunistas percorreram mais de dez mil quilômetros, pelo interior do país, até chegarem à Província de Shensi: berço estratégico da revolução.

No ano de 1937, o Japão invadiu a China. O Exército Nacionalista passou a combater os japoneses, deixando de concentrar esforços para conter o movimento revolucionário de Mao Tsé-Tung. Fortalecidos na Província de Shensi, os comunistas organizaram o Exército Popular de Libertação, composto pela massa de camponeses que viviam na miséria. Eram milhões de campesinos, transformados em revolucionários. A lavoura foi trocada pela luta armada.

Como os japoneses eram muito fortes militarmente e estavam dominando a China, os nacionalistas e os comunistas se uniram para destruir um adversário em comum: o Japão. Após a derrota dos japoneses, o conflito é retomado. O exército do país e o exército revolucionário se opõem de novo. Em 1949, os comunistas vencem o conflito e os nacionalistas se refugiam na ilha de Taiwan. Cria-se a República Popular da China.

De acordo com dados históricos, cerca de dois milhões de proprietários rurais foram assassinados por não aceitarem a reforma agrária e por resistirem ao comunismo. Os opositores do novo sistema eram declarados ‘inimigos do povo’. As pessoas eram instigadas a denunciá-los em troca de proteção da República.

Dentre estes ‘inimigos’ estavam os católicos. O plano de Mao Tsé-Tung era exterminar todas as religiões da China. Como não havia possibilidade de concluir essa estratégia, foram criadas igrejas nacionais: budistas, islâmicas e também protestantes. No ano de 1957 foi fundada uma associação patriótica, controlada pelo Partido Comunista. Cabia a ela fiscalizar as igrejas nacionais e punir os oponentes. O Vaticano condenou a Associação e a voz do Papa Pio XII se fez ecoar.

Os bispos que se opuseram aos comunistas e à sua associação foram presos, torturados, permanecendo de 20 a 30 anos em trabalhos forçados. Muitos deles, desaparecidos, agora são encontrados mortos. Os que conseguem escapar são chamados de ‘clandestinos’: reconhecidos pelo Vaticano e perseguidos pelos comunistas. Ao todo são 37 bispos que não pertencem à igreja oficial. São vigiados, dia e noite, por policiais. O crime destes bispos perseguidos é não abdicar da fidelidade ao Evangelho e de sua obediência ao Papa.

A repressão é tão grande que até mesmo os bispos vinculados aos comunistas vêm sendo controlados e seguidos, principalmente nas suas viagens pastorais. O fato é que eles escreveram ao Vaticano e pediram perdão por terem se submetido à igreja nacional. Com isso, foram reintegrados à comunhão católica. Tantos os bispos oficiais (aprovados pelo regime comunista), quanto os bispos clandestinos (obedientes ao Vaticano) sofrem com a perseguição de um sistema ditador e tirano.

Que na aurora do nascimento de Jesus, preparada pelo tempo do Advento, possamos agradecer ao Pai Eterno, por vivermos em um país que respeita a liberdade religiosa. Também não nos esqueçamos de orar pelos nossos irmãos chineses, vítimas de um sistema econômico que os escraviza nas indústrias. Acreditemos que o Espírito do Pai age além de todo poder terreno. Os comunistas podem saciar a sede de pão e moradia, mas não são capazes de saciar a fome espiritual do povo chinês. E aí está a ruína do próprio sistema.

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

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