Dia: 13 de Janeiro de 2012

ONDE ESTÃO AS NOSSAS OBRAS, LÁ ESTARÁ TAMBÉM A NOSSA FÉ!

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Dou início a este artigo me remetendo ao poema do saudoso Manuel Bandeira: “Vi ontem um bicho na imundície do pátio, catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa não examinava nem cheirava, engolia com voracidade. O bicho não era um cão, não era um gato, não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem”. Infelizmente, esta composição poética sempre é atualizada na vida de quem é vítima da pobreza. Passam-se anos, décadas, séculos e lá está a miséria, mãe do trabalho escravo; o enriquecimento ilícito, pai da exclusão social e a conduta imoral, irmã mais próxima da corrupção.

Para nós que cremos, a fé é uma imersão na vida Divina e uma inserção de esperança na sociedade. Ela habita o nosso ser, transforma a nossa consciência, evangeliza nossas atitudes, converte o nosso coração, nos fazendo testemunhar no que cremos, de forma concreta; sem discursos, mas na prática. “Meus irmãos, se alguém que diz que tem fé, mas não obras, que adiante isso? Por acaso a fé poderá salvá-lo? Por exemplo: um irmão ou irmã não têm o que vestir e lhes falta o pão de cada dia. Então alguém de vocês diz para eles: ‘Vão em paz, se aqueçam e comam bastante’; no entanto, não lhes dá o necessário para o corpo. Que adiante isso? Assim também é a fé sem as obras, ela está completamente morta. Alguém poderia dizer ainda: ‘Você tem a fé, e eu tenho as obras. Pois bem! Mostre-me a sua fé sem obras, e eu, com as minhas obras, lhe mostrarei a minha fé. Como vocês estão vendo, o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé” (Tg 2,14-18.24).

Causa dor e é lamentável a situação de muitos oprimidos, que vivem em regime de trabalho escravo ou semi-escravidão. Dados recentes do Ministério do Trabalho e Emprego afirmam que há 294 infratores, dentre pessoas físicas e jurídicas, responsáveis por situações de serviço degradante, endividamento dos funcionários e jornada de trabalho acima de 16 horas.

Há representantes políticos do agronegócio e das empresas urbanas capazes de afirmar a possibilidade de exageros. Para eles o conceito de trabalho escravo carece de definição no Brasil. Por isto, ainda existe uma grande resistência a aprovação da PEC 438/2001, que autoriza o Governo Federal a apreender terras utilizadas para o trabalho escravo, sem indenização ao proprietário e doadas à reforma agrária. E a escravidão continua…

Pesquisas científicas já comprovam que até 2050 países como o Brasil, a China, a Índia, o México, a Turquia e a Indonésia vão duplicar o valor de suas produções; crescendo acima dos oito países mais ricos e industrializados do mundo (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Canadá e Rússia). A crise imobiliária norte-americana e o descontrole das contas públicas europeias, que têm assolado o mercado mundial, já dão os indicativos desta mudança. E aqui nos cabe perguntar: à custa de quem virá o crescimento econômico?

Pensemos na China que cresce como um gigante (me desculpem a expressão a seguir), explorando seu próprio povo. Não é novidade o caso de funcionários que se suicidam devido à precariedade do salário e a insustentável jornada de trabalho. Não há os sindicatos, defendidos pela Igreja, em sua Doutrina Social e muito menos o direito a greve, sempre que justa e necessária. Atrás de cada Made in China ‘pode’ haver uma situação deflagrada de desumanidade ao trabalhador. No gigante asiático é comum ver as indústrias mudarem de localidade sempre que encontram uma região com o salário mais baixo que a outra. Com isso chegam a lucrar 20% além de toda lucratividade já garantida.

Na mesma direção vem o trabalho infantil. De modo especial, falemos do nosso amado e injustiçado Brasil. Estatísticas já apontam que existem 5,5 milhões de crianças na escravidão. E o que mais entristece: elas começam a trabalhar com apenas 5 anos: carregando caixas, comercializando verduras, aplicando venenos, trabalhando em carvoarias, pisando barro de futuros tijolos. Age com inconsequência quem afirma que criança deve trabalhar cedo para não cair na marginalidade. Acabam se esquecendo de que é a educação quem os livrará do crime, não a exploração.

A justiça social e a honestidade estão a gritar em vários setores da sociedade. Lutam em vão aqueles que tentam silenciá-las. A dignidade humana nos convoca a agir em favor dos que sofrem daquela doença chamada: miséria imerecida. Trabalhadores morrem às traças no campo, impedidos de retornar para suas regiões de origem, enquanto crianças são esmagadas nos lixões, onde se alimentam, brincam e residem. “Não examinava nem cheirava: engolia com voracidade”.

Olhemos sinceramente para a nossa fé e reconheçamos que sem obras ela é ineficaz. Que o dom da caridade e, não o assistencialismo, motive nossas atitudes, junto à consciência social e política. Sem segundas intenções e longe de promoção pessoal ajamos pelos que vivem à margem da sociedade. Pela autenticidade da fé devemos existir para as mesmas pessoas que Jesus existiu em sua época. Ele sentou-se à mesa, junto com os cobradores de impostos; Ele perdoou a prostituta arrependida, que banhou seus pés com lágrimas; Ele curou os leprosos, amaldiçoados e jogados para fora das cidades, por serem considerados impuros. E nós? Para quem temos existido?

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

Twitter: @padrerobson

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