EVANGELIZEMOS NOSSOS SEPULCROS!

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Paremos um pouco para refletirmos, juntos, sobre o significado do sepulcro em nosso ‘eu interior’. Isto mesmo! Muito mais que um túmulo, um jazigo ou uma sepultura, o sepulcro é uma condição existencial. Este é um preceito da espiritualidade dos monges, testemunhado, primeiramente, nos Evangelhos. No sepulcro está o lado obscuro da vida, associado a tudo que nos causa repulsa e, ao mesmo tempo, não é aceito. É o lugar do desconsolo e da insegurança, onde somos privados de nossas próprias defesas.

“Quando Jesus chegou, já fazia quatro dias que Lázaro estava no túmulo. Jesus começou a chorar. Contendo-se de novo, chegou ao túmulo. Era uma gruta, fechada com uma pedra. Jesus falou: ‘Tirem a pedra’. Marta, irmã do falecido, disse: ‘Senhor, já está cheirando mal. Faz quatro dias’. Então tiraram a pedra. Jesus levantou os olhos para o alto, gritou bem forte: ‘Lázaro, saia para fora!” O morto saiu. Tinha os braços e as pernas amarradas com panos e o rosto coberto com um sudário. Jesus disse aos presentes: ‘Desamarrem e deixem que ele ande’” (Jo 11,17.35.38-39.41b.43b-44).

O sepulcro é o espelho medonho que reflete nossos piores comportamentos. Ele inspira terror.  Insistimos não olhar para ele, acreditando no conto de que emoções agressivas podem ser esquecidas e até guardadas debaixo de sete chaves. Não reconhecemos que, quanto mais negados, mais fortes os defeitos se apresentam. Muitas vezes, colocamos uma grande pedra no sepulcro de nossa vida e não permitimos que ninguém entre ali, nem nós mesmos. Vamos escondendo sentimentos, que podem se transformam em monstros ferozes, capazes de nos destruir aos poucos. Projeções de nossas hostilidades.

As pessoas têm a tendência de fugirem de si. É o que acontece quando queremos sumir para uma montanha distante e só voltar quando tudo estiver resolvido. Somos vítimas da fuga, pois é doloroso se enfrentar. Dói reconciliar-se com o passado sofrido. É insuportável a aflição de reviver situações de desamparo e abandono; ainda mais por ter que recordar de imagens que preferíamos esquecer. Por causa disso tudo é mais fácil esconder-se, camuflar emoções e impedir que os fantasmas do passado voltem a nos atormentar.

Mas, as situações não resolvidas sempre voltarão à tona. Elas só nos deixarão em paz quando tivermos a coragem de resolvê-las. Se não há diálogo com o ‘eu interior’ fica impossível levar luz às trevas de nossa alma. Esta é a proposta da fé cristã. Precisamos descer ao sepulcro, amparados por Jesus e, junto com Ele, deixar rolar a enorme pedra enorme que lá colocamos.

No sepulcro encontraremos fatos decompostos, que carecem de remissão; descobriremos sentimentos agressivos, que necessitam de salvação; conheceremos problemas negados no trabalho e na família. No fim, seremos mais humanos, já que fomos capazes de tocar nossas próprias feridas, em vista da cura. Confrontar-se e descobrir a inveja. Enfrentar-se e encontrar o ódio latente. Encarar-se, seguindo o apelo de Jesus a dizer, com autoridade: “Saia para fora” (Jo 11,44).

Tudo aquilo que é desconhecido em nós precisa ser admitido, para só depois ser salvo pela fé. Não havendo conhecimento é difícil que as profundezas de nosso ser sejam evangelizadas. O caminho cristão também passa pelo calvário da Cruz, onde estamos sozinhos com Deus. Ali não há falatórios nem reclamações. Estamos desnudos de nossas roupagens, para sermos imersos na vida de Cristo e inseridos na comunidade cristã.

Cada um tem o seu sepulcro. Assim, quanto mais o conhecermos, mais livres seremos. Muitos correm para longe de suas inquietudes. Preferem negar a se contemplar; escolhem sofrer a se libertar; aprofundam feridas e não se lembram de que o bálsamo está logo ao lado, basta ter paciência.

Parece que alguns se transformam nas vítimas mais cruéis de seus sofrimentos. Espinham a si mesmos, sem dó nem piedade. Até quando continuaremos a nos mutilar? Não seria a hora de pegar a estrada da fé e ir à procura do nosso sepulcro, para ali dialogarmos com os sentimentos violentos, que por não serem ouvidos, insistem gritar em nós?

Guardemos no coração: aquele que foge de si está fugindo da face do Pai. Lá onde tudo é estranho, onde muita coisa é negada, onde as trevas passam longe da luz está a melhor realidade para encontrar Deus que nos espera. Nas regiões mais profundas do nosso eu acha-se a experiência Divina da libertação interior. Santo Agostinho falava do Intimo Meo, ao dizer que “Deus é mais íntimo que nossa própria intimidade”. Ele nos sonda e nos conhece!

Envolvidos por Jesus, visitemos nosso sepulcro. Tenhamos a audácia de colocar a casa da vida em ordem. Depois de um longo tempo, escutaremos a voz do Mestre nos chamando para fora. Enfaixados, menos machucados e ressuscitados sairemos livres, pois Jesus estará pronto para nos desamarrar. Ele é o companheiro fiel de toda jornada. Estará conosco até o fim, mesmo que no coração do Pai não exista término para o amor.

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

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