Mês: fevereiro 2012

QUARESMA: TEMPO DE DERRUBAR ÍDOLOS!

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A Bíblia é o Livro da Esperança renovada e continuada, mesmo entre os espinhos da vida, mesmo entre as dores da existência. Quando não entendiam os sofrimentos passados, os hebreus buscavam forças na oração ao Deus Invisível. Era assim que acreditavam: “Eu o livrarei, porque a mim se apegou. Eu o protegerei, pois conhece o meu nome. Ele me invocará, e eu responderei. Na angústia estarei com ele. Eu o livrarei e glorificarei. Vou saciá-lo de longos dias e lhe farei ver a minha salvação” (Sl 91 (90),14-16). Tratava-se de uma relação gravada pela proximidade. Antes de chegar à Terra Prometida, o povo obteve algo muito mais importante que o simples leite e mel, isto é, a intimidade com Deus!

Nas entrelinhas das Sagradas Escrituras vê-se a entrega que o Pai Eterno estabeleceu com os seus filhos, desde a Aliança até à Cruz, desde a Criação até o Pentecostes. A Bíblia é o testamento do Deus Vivo que não desiste de nós e nos convida às cinzas e à conversão. Mesmo com nossos pecados, o Pai nos concede o amor como herança eterna. Há uma Divina insistência pela conversão do humano, que antes de ser pecador é filho amado.

Em nível cultural, a Bíblia é um livro bastante específico no que se refere às fontes escritas, pois nos faz entender o contexto de épocas históricas marcadas pela experiência do Povo de Deus. Dentre estas circunstâncias encontra-se a narrativa contrária a toda forma de idolatria.

A fé bíblica surgiu dentro de uma cultura monoteísta, de tradição judaica, que confessava a fé em um único Deus e não no politeísmo, constituído por várias divindades, conhecidas na Bíblia pelo nome de Baal (Baalath, Baalin ou Balaoth). Por isso que, no Antigo Testamento sempre houve a proibição à confecção de imagens (Cf. Ex 24,4ss; Jz 6,25; I Rs 11,5-8; 16,31-33; Jr 19,4s; Ez 8,5ss; Os 11,2). Era uma forma de assegurar o culto a Javé e extirpar toda espécie de adoração a deuses estrangeiros que não faziam parte da fé de Israel.

Mesmo assim, a Bíblia ainda apresenta inúmeras passagens em que as imagens foram utilizadas nas celebrações e colocadas nos Templos Hebraicos por determinação de Deus (Ex 32,1ss; Nm 21,8ss; Jz 8,26s; I Rs 12,28). Aqueles que restringem a idolatria somente às imagens pensará que houve contradição no texto bíblico. Porém, não há equívocos. Na Bíblia, a idolatria se remete a ‘todas as coisas, pessoas, lugares e ocasiões que colocamos no lugar de Deus’. É este tipo de idolatria que as Sagradas Escrituras condenam.

Pensemos no altar do nosso coração e, com sinceridade, olhemos para ver se ali há algum ídolo determinando nossas ações, orientando nossos afetos ou servindo de referencial entre o certo e o errado. Se analisarmos bem, veremos que eles estão a ocupar um lugar que pertence unicamente a Deus. Talvez sejam bens materiais, sentimentos exagerados por pessoas e até apego a cargos ou funções. Qualquer situação pode se tornar uma divindade quando a colocamos como a prioridade absoluta de nossa vida.

Às vezes, sem perceber, derrubamos um ídolo, colocamos outro e vamos revezando os interesses, enquanto Deus fica deposto do lado de fora do nosso coração. Ele respeita a liberdade humana e, como depende do nosso ‘sim’, fica a espreita aguardando o convite para entrar novamente. O Pai Eterno não é nenhum tirano nem entra em guerra para disputar um território ocupado por divindades. Paciente e bondoso, Ele aguarda até que lhe entreguemos a chave de nossa vida. Pena que alguns só fazem isso no sofrimento.

Quando somos visitados pela dor percebemos o lugar que Deus deve ocupar em nossa morada interior. É o tempo em que retiramos o incenso oferecido aos ídolos. Aqueles que se deixam dominar pelas divindades do dinheiro e do egoísmo são sugados até a alma. Também há outros manipulados pelos falsos deuses do ódio, do nervosismo e do xingamento. Não têm um pingo de paz. Tudo é motivo para irritação e discussões desnecessárias. Tornaram-se ídolos, porque ali os colocamos. Demos poder e munição diariamente a eles. Prestamos culto, reverenciamos. Transformaram-se em deuses, porque assim o fizemos.

Na Quaresma tenhamos a coragem de visitar nosso coração, vestindo-o com cinzas e peçamos perdão a Deus. O arrependimento já é o primeiro sinal da mudança. Muito mais do que olhar para a atitude de pecado, olhemos para o que nos motiva a pecar. Lá está a causa dos nossos maiores erros. Peguemos o espelho da fé e olhemos para ídolos que estão a ocupar o trono de nosso coração. Retiremos o cetro e peguemos de volta a coroa que não lhes pertence. Só há lugar para uma pessoa em nossa alma e essa Pessoa é o Pai Eterno.

Peregrinando nestes quarenta dias de arrependimento, em vista da Ressurreição, façamos uma séria revisão de vida para que não voltemos a pecar. É entrando em nossa casa interior que a fé é fortalecida, a esperança reconstruída e a caridade praticada. Que a Quaresma não seja apenas um tempo de abstinência, mas a ocasião especial para a experiência mais profunda e significativa da vida: o encontro com o próprio Deus! Somente quem experimenta Deus é capaz de se abrir a conversão, pelo simples fato de ter sido amado de maneira singular. Fora disso temos apenas discursos ou teorias.

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
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NO CARNAVAL OS SENTIMENTOS PASSAM, MAS AS CONSEQUÊNCIAS PERMANECEM!

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De tradição europeia, o Carnaval surgiu na Grécia, tempos antes de Cristo. Antes de músicas e máscaras, a festa era realizada para celebrar o fim do inverno e o início do tempo para o plantio das lavouras. Historicamente, seria um evento agrário. O sentido da ‘festa’ sempre marcou a trajetória do povo bíblico da Aliança. Desde os seus antigos calendários já havia três importantes festas, celebradas pelos hebreus, depois israelitas e hoje, nossos irmãos na fé, os judeus da diáspora.

A primeira era o Pêssach (Páscoa), de extrema importância para as famílias de Israel, por se tratar de uma celebração mais caseira, marcada pelo dia em que o povo de Deus irrompeu a escravidão do Egito e se transformou em uma nação livre. Depois vinha a Festa da Colheita ou Semanas, de caráter agrícola, para agradecer a Javé pelo dom dos frutos e dos grãos, provenientes da terra. Com o domínio grego, passou a ser mais conhecida como ‘Festa de Pentecostes’. Já a terceira era chamada de Festa do Sucot, dos Tabernáculos ou Cabanas, na qual o povo se reunia para celebrar a proteção recebida de Javé durante os difíceis anos a caminho da Terra Prometida. Seguindo o legado da tradição judeu-cristã, muitas destas festas são celebradas até os dias atuais.

Assim podemos ver que a atitude de festejar é também religiosa. Festejamos porque temos um coração agradecido e motivado pela humildade. Trata-se de um ato em que somos tomados por uma alegria saudável, não aquela passageira, mas a duradoura, capaz de conceder sentido à nossa existência. A fé não é contrária à alegria, mas tende sempre a procurar o seu genuíno significado. Nada melhor do que os ‘irmãos do Ressuscitado’ para falar sobre o legítimo sentido da comemoração e da festa.

Para o cristão, o tempo do Carnaval é vivenciado no diálogo com os foliões e no respeito à vivência da própria fé. Se o reinado de Momo é momentâneo, o de Cristo é eterno: algo muito claro para alguém que assumiu a imersão na vida de Jesus e a inserção na comunidade cristã. Banhados pela fé e revestidos pela evangelização, os cristãos não menosprezam as coisas do mundo, mas concedem um sentido pleno a elas. Na verdade, a vida cristã é um convite para que tudo e todos retornem à sua origem em Deus. Sabemos que longe da nossa procedência Divina assumimos o caminho do pecado.

Sem utilizar de mecanismos moralistas, mas pautados pela coerência, devemos reconhecer que o Carnaval tem sido marcado pelo erotismo e por um grave apelo sexual. Se alguns vão às ruas para brincar, outros vão porque buscam o sexo pelo sexo. Nada mais! A sexualidade é uma riqueza doada pelo Pai Eterno, mas deixa de ser ‘dom’ quando utilizada como ‘objeto descartável’. O verbo do momento carnavalesco é ‘ficar’. Há pessoas que se sentem mais homens ou mais mulheres pela quantidade de bocas que beijaram ou de parceiros que tiveram na noite. Claro que não convém generalizar, mas chega ser infantil legitimar a própria sexualidade a partir de ‘quantidade’, quando ela é pura ‘qualidade’.

Às vezes, a imagem que nos vem à mente é a de que alguns perderam a bonita realidade do masculino e feminino, para se reduzirem aos limites da relação simplista de macho e fêmea. Faz-se do ato sexual um episódio egoísta e instantâneo, que deveria ser conduzido pela gratuidade e pela doação total. As pessoas tornam-se ‘coisas’ e são utilizadas conforme o interesse de quem se aproxima. Não fomos feitos para o uso indiscriminado. Não somos descartáveis. Nascemos para ser amados e respeitados, por isto, sofre quem usa e quem se deixa usar. Vazio existencial não se resolve com ‘pegadas’, mas com amor verdadeiro para toda a vida.

Marchinhas de carnaval, se é que elas ainda existem, não irá saciar carência afetiva. O primeiro critério a existir entre duas pessoas é a entrega de um pelo outro, dentro das esferas do respeito e da fidelidade incondicional. O mais importante é não brincar com a própria existência e lá na frente ter a consciência tranquila ao olhar para o passado. É muito triste ver que certas atitudes, lá atrás, tinham que ter sido diferentes. Com o passar do tempo devemos sentir orgulho e não vergonha do que fizemos nos carnavais da vida. Para quem vive da fé ou para quem é ético não existem fantasias, mas sim a realidade de quem se deixa conduzir por convicções significativas e não se permite trair aquilo que acredita. Podemos fazer tudo, mas a liberdade exagerada também pode se tornar escravidão. O humano tende a se tornar servo de seus desejos, quando deveria ser livre pela razão.

Responsabilidade e juízo são palavras de comando no Carnaval. Muito mais do que demonizar as coisas do mundo, devemos transformá-las pelo nosso testemunho de vida. As palavras ajudam, mas as pessoas se convencem primeiro pelos exemplos. Que possamos celebrar a Quarta-feira de cinzas arrependidos pelos nossos pecados, mas sem o remorso dos erros contabilizados do Carnaval. Com o coração em paz e guiados pela fé, vivenciemos este feriado com respeito a nós mesmos e aos outros, inclusive no que se refere à bebida. Não nos esqueçamos de que além da folia está a nossa retidão na maneira de ser e agir. Que a fé não seja guardada em casa durante o carnaval e muito menos escondida debaixo de sete chaves, mas inserida entre as pessoas, no intuito de resignificá-las.

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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DEUS É A BÚSSOLA DA NOSSA VIDA!

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Já sei. Alguns pensarão: “O padre está sendo saudosista. Falar de Bússola quando se pode usar a linguagem do GPS?” Sim! Estou a me referir daquela envelhecida caixa, que se vale de uma pequena agulha, para indicar o eixo magnético da Terra. Não faço referência às modernas bússolas, utilizadas para prever terremotos ou mapear profundidades no oceano. Estou a discorrer sobre a antiga mesmo.
Um utensílio naval, responsável pelos grandes descobrimentos da história. Por meio dele é possível encontrar a direção entre Norte-Sul, Leste-Oeste e determinar uma trajetória. ‘Rumo’ e ‘orientação’ são as características mais importantes de uma bússola. No navio ela é conhecida como agulha de marear. Só tem utilidade devido ao seu poder de atração, gerado pelo ferro magnético, em sua seta-guia.
Por outro lado, o GPS (Global Positioning System) é comandado por sinais de satélites e dados matemáticos, capazes de indicar a exata localização de um determinado ponto geográfico. Os satélites estão a uma distância de 20.000 km, percorrendo a órbita do planeta pelo o menos duas vezes ao dia. Já a bússola esta ali, próxima de nossas mãos. O GPS é um receptor, a bússola uma orientadora. O primeiro localiza, o segundo indica. Se um determina, o outro aponta para um norte. Por isso, a linguagem da bússola combina mais com a espiritualidade cristã.
Peregrinando na imensidão de águas azuis está o barco da nossa vida. Uns possuem apenas um remo. Outros têm possantes motores. Cada um cresce com sua embarcação à medida que avança na fé. Em alguns momentos somos conduzidos por ventos leves e calmos. Mas, também há as grandes tempestades em alto mar. Elas podem demorar ou vir rapidamente. Às vezes, são tão velozes que é impossível emitir um alerta. Ninguém nunca nos enganou, dizendo que não haveria temporais na navegação. Comandantes, marinheiros e passageiros sabem muito bem disso. A culpa não é do mar, nem tanto do vento. Talvez, seja consequência de nossas escolhas. Aquela mania constante de não darmos atenção merecida à bússola da nossa vida: o próprio Deus!
Nem sempre, mas em determinados momentos nos comportamos como crianças birrentas e teimosas. Queremos aquilo e pronto, sem ao menos pensar nas implicações de nossas escolhas. Isso é inconsequência. Não correspondemos às prudentes manobras, insistindo em seguir por uma rota perigosa. Arriscamos os frutos do Evangelho em nós. Deixamos à deriva as bagagens que acumulamos, pela insistência de viver a euforia do momento. O navio da vida também encalha e para não naufragar é sustentado pelas mãos do Pai.
Quantas vezes, motivados pelo nervosismo injustificado, ferimos aqueles que estão navegando em nossas embarcações. Carregamos suas vidas, seus sonhos, suas memórias. Não os valorizamos e assim permitimos que, em meio às fortes ondas, estes se tornem desaparecidos de nossa vida. Basta agitar e retirá-los. Quando excluímos pessoas pelo seu jeito de ser e pensar, pela sua cultura e opções, catalogando-as entre puras e impuras, estamos a afogá-las nas águas, jogando-as às feras marinhas. Não nos esqueçamos de que também somos responsáveis pela salvação daqueles que entraram em nossa história. Quem sabe eles não estão ali aguardando o colete salva-vidas que possuímos?
O mar não é um lugar de aventuras. Ele também pode ser traiçoeiro, fazendo com que tenhamos que lutar pela vida: contra a desidratação, a hipotermia (perda de calor) e ao ataque de tubarões. Sobrevivemos quando saímos do naufrágio, causado pelos problemas e pelas grandes dificuldades. Não ficamos perdidos no mar, quando permitimos que Deus seja a direção que nos conduz.
Por mais que a água do oceano da vida tende invadir nosso refúgio seguro, o Pai nos concederá meios concretos para resistirmos às tribulações. Mas, precisamos ter claro de que Ele é a bússola. Nunca assumirá o nosso lugar no comando da existência. Deus não nos infantiliza, pelo contrário, nos emancipa na fé.
Não sei se você que lê este artigo é uma balsa, se está entre caravelas, se é um iate desportivo, um grande navio, uma simples canoa ou um enorme transatlântico, com a vã onipotência de suas rotas oceânicas. Nada disso importa no coração do Pai Eterno. Podemos ser apenas um bote. Independente daquilo que somos, o fundamental é se deixar guiar pela Bússola da nossa fé. Deixar-nos conduzir pelo Amor e não pelo ódio. Viver do apelo Divino e de acordo com a Sua santa vontade. Não por submissão cega, mas por escolha livre e responsável.
Termino com a letra desta bonita e significativa canção: “Se as águas do mar da vida quiserem te afogar, segura na mão Deus e vai. Se as tristezas desta vida quiserem te sufocar, segura na mão de Deus e vai. Segura na mão de Deus, segura na mão de Deus, pois Ela, Ela te sustentará. Não temas, segue adiante e não olhes para trás! Segura na mão de Deus e vai!”.

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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A DAMA DE FERRO DA JUSTIÇA: ELIANA CALMON!

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Nordestina, natural do Estado da Bahia, Bacharel em direito, Professora de Direito Processual Civil, Procuradora da República no Estado do Pernambuco e na Subprocuradoria Geral da República, Juíza Federal da Seção Judiciária da Bahia, Juíza do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Ministra Substituta do Tribunal Superior Eleitoral, Ministra do Superior Tribunal de Justiça e, hoje, Corregedora Nacional de Justiça. Eis a Ministra Eliana Calmon!

Cabe a Excelentíssima Senhora Ministra, desde 2010, a função de atuar no controle disciplinar do judiciário, aprimorar a adequada administração da justiça, averiguar “possíveis” desvios de conduta de magistrados e servidores jurídicos; apurando os fatos que lhe são trazidos ao conhecimento e realizando as inspeções necessárias. Enfim, sua atividade de Corregedora Nacional está em realizar a justiça para o próprio judiciário. Nada mais! Afinal de contas este é um órgão de controle e para isto que serve uma Corregedoria.

Nos últimos meses, algumas associações de magistrados, ciosas do poder regulador do CNJ, entraram com três representações contra a Corregedora, sustentado que a mesma teria violado o sigilo funcional de magistrados e servidores em suas fiscalizações. Tudo começou quando Eliana Calmon determinou inspeções em vários tribunais federais, trabalhistas e estaduais, apurando a “possibilidade” de desvios financeiros. Se houve pagamentos ilegais, os responsáveis serão punidos pela Justiça. Se não houve, eles serão liberados e poderão exercer suas funções com a honestidade garantida e a consciência do dever cumprido. Minha mãe sempre diz: “Quem não deve, não teme”. Por isto, não há motivo para controlar a atuação do CNJ. Ainda mais pelo fato do judiciário, no passado, não ter prestado conta dos seus atos a nenhuma instituição. Graças a Deus e ao Estado Democrático de Direito podemos falar que, no presente, há muita transparência.

Redigo este artigo no dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) mantém a autonomia de investigação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Dos 11 ministros, 6 deles defenderam que o CNJ pode iniciar as investigações independente das corregedorias regionais. Faço questão de mencionar os Ministros favoráveis à democracia do judiciário: Rosa Weber, Carmem Lúcia, Dias Toffoli, Joaquim Barbosa, Ayres Britto e Gilmar Mendes.

Não podemos sustentar, em hipótese alguma, que a justiça brasileira é corrupta. Chega a ser irresponsável pensar algo assim. Mas, em raros casos, a corrupção chegou até ela. Do mesmo modo como acontecem em todas as profissões. A grande maioria dos juízes, desembargadores e demais servidores do judiciário são pessoas éticas e honestas, que dão a vida por esta nobre e necessária causa.

Há juízes, neste imenso Brasil, que são ameaçados de morte o tempo todo, que são perseguidos por organizações criminosas e, infelizmente, mortos. Foi o que aconteceu com a juíza Patrícia Acioli, morta com 21 tiros, quando chegava em casa, na cidade de Niterói/RJ . Caso semelhante ocorreu com outro juiz, em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, chamado Antônio José Machado, assassinado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Os dois lutavam contra o crime organizado e não tiveram uma proteção policial de qualidade. Foram fuzilados ao exercer a função que lhes pertencia.

Defender e zelar pelos nossos juízes é o que o CNJ tem feito no país inteiro. Em tempos passados, os poucos magistrados desonestos eram comunicados do malfeito, por meio das Corregedorias e recebiam a aposentadoria imediata. Porém, aposentadoria não é punição, mas um benefício concedido ao contribuinte. Vendas de sentenças, utilização do cargo em benefício próprio (prevaricação), nepotismo em processos devem ser investigados e punidos, pois a lei é para todos. Leia-se bem: para TODOS.

Devido à demanda dos processos e às inúmeras etapas burocráticas, a Justiça Brasileira se tornou cara e lenta. A culpa não é dos legisladores, mas do próprio sistema. Utilizando um sério planejamento estratégico, o CNJ tem modernizado o judiciário ao acelerar o julgamento de casos, quando anteriormente, o Brasil teve que responder a processos, no Tribunal Internacional, por abuso aos direitos humanos, tamanha a demora. Metas de produtividade e definição do teto salarial dos juízes também são conquistas deste respeitoso órgão regulador.

Na condição de sacerdote e de cidadão tenho um enorme respeito pelos juízes, desembargadores, promotores, advogados e demais servidores do judiciário. Sou amigo de muitos deles. Só no Brasil são quase 17 mil juízes, distribuídos em 91 tribunais. Aos magistrados toda a nossa consideração e apreço, não só pelo poder judiciário que representam, mas pelo que são: pessoas éticas e comprometidas. Os isolados e raros casos de desonestidade já têm sido averiguados nos processos que correm na justiça.

Reduzir o poder de investigação do CNJ é atentar contra a própria Justiça. Dificultar as apurações é ferir a Constituição e o Direito Penal. A Corregedora e seu Conselho não podem ser enfraquecidos. Aqueles que resistem à Eliana Calmon são os mesmos que resistiram à criação do CNJ. Que a bravura desta mulher possa fazer com que a sociedade acredite, cada vez mais, na Justiça ao perceber que Ela também vale para os seus legisladores. Que o Pai Eterno abençoe Eliana Calmon e a absoluta maioria dos juízes do Brasil, que agem como determina a lei e não se permitem aos deslizes! Que Ele também perdoe os poucos que venderam a alma. Amém!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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