Dia: 19 de Fevereiro de 2012

NO CARNAVAL OS SENTIMENTOS PASSAM, MAS AS CONSEQUÊNCIAS PERMANECEM!

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De tradição europeia, o Carnaval surgiu na Grécia, tempos antes de Cristo. Antes de músicas e máscaras, a festa era realizada para celebrar o fim do inverno e o início do tempo para o plantio das lavouras. Historicamente, seria um evento agrário. O sentido da ‘festa’ sempre marcou a trajetória do povo bíblico da Aliança. Desde os seus antigos calendários já havia três importantes festas, celebradas pelos hebreus, depois israelitas e hoje, nossos irmãos na fé, os judeus da diáspora.

A primeira era o Pêssach (Páscoa), de extrema importância para as famílias de Israel, por se tratar de uma celebração mais caseira, marcada pelo dia em que o povo de Deus irrompeu a escravidão do Egito e se transformou em uma nação livre. Depois vinha a Festa da Colheita ou Semanas, de caráter agrícola, para agradecer a Javé pelo dom dos frutos e dos grãos, provenientes da terra. Com o domínio grego, passou a ser mais conhecida como ‘Festa de Pentecostes’. Já a terceira era chamada de Festa do Sucot, dos Tabernáculos ou Cabanas, na qual o povo se reunia para celebrar a proteção recebida de Javé durante os difíceis anos a caminho da Terra Prometida. Seguindo o legado da tradição judeu-cristã, muitas destas festas são celebradas até os dias atuais.

Assim podemos ver que a atitude de festejar é também religiosa. Festejamos porque temos um coração agradecido e motivado pela humildade. Trata-se de um ato em que somos tomados por uma alegria saudável, não aquela passageira, mas a duradoura, capaz de conceder sentido à nossa existência. A fé não é contrária à alegria, mas tende sempre a procurar o seu genuíno significado. Nada melhor do que os ‘irmãos do Ressuscitado’ para falar sobre o legítimo sentido da comemoração e da festa.

Para o cristão, o tempo do Carnaval é vivenciado no diálogo com os foliões e no respeito à vivência da própria fé. Se o reinado de Momo é momentâneo, o de Cristo é eterno: algo muito claro para alguém que assumiu a imersão na vida de Jesus e a inserção na comunidade cristã. Banhados pela fé e revestidos pela evangelização, os cristãos não menosprezam as coisas do mundo, mas concedem um sentido pleno a elas. Na verdade, a vida cristã é um convite para que tudo e todos retornem à sua origem em Deus. Sabemos que longe da nossa procedência Divina assumimos o caminho do pecado.

Sem utilizar de mecanismos moralistas, mas pautados pela coerência, devemos reconhecer que o Carnaval tem sido marcado pelo erotismo e por um grave apelo sexual. Se alguns vão às ruas para brincar, outros vão porque buscam o sexo pelo sexo. Nada mais! A sexualidade é uma riqueza doada pelo Pai Eterno, mas deixa de ser ‘dom’ quando utilizada como ‘objeto descartável’. O verbo do momento carnavalesco é ‘ficar’. Há pessoas que se sentem mais homens ou mais mulheres pela quantidade de bocas que beijaram ou de parceiros que tiveram na noite. Claro que não convém generalizar, mas chega ser infantil legitimar a própria sexualidade a partir de ‘quantidade’, quando ela é pura ‘qualidade’.

Às vezes, a imagem que nos vem à mente é a de que alguns perderam a bonita realidade do masculino e feminino, para se reduzirem aos limites da relação simplista de macho e fêmea. Faz-se do ato sexual um episódio egoísta e instantâneo, que deveria ser conduzido pela gratuidade e pela doação total. As pessoas tornam-se ‘coisas’ e são utilizadas conforme o interesse de quem se aproxima. Não fomos feitos para o uso indiscriminado. Não somos descartáveis. Nascemos para ser amados e respeitados, por isto, sofre quem usa e quem se deixa usar. Vazio existencial não se resolve com ‘pegadas’, mas com amor verdadeiro para toda a vida.

Marchinhas de carnaval, se é que elas ainda existem, não irá saciar carência afetiva. O primeiro critério a existir entre duas pessoas é a entrega de um pelo outro, dentro das esferas do respeito e da fidelidade incondicional. O mais importante é não brincar com a própria existência e lá na frente ter a consciência tranquila ao olhar para o passado. É muito triste ver que certas atitudes, lá atrás, tinham que ter sido diferentes. Com o passar do tempo devemos sentir orgulho e não vergonha do que fizemos nos carnavais da vida. Para quem vive da fé ou para quem é ético não existem fantasias, mas sim a realidade de quem se deixa conduzir por convicções significativas e não se permite trair aquilo que acredita. Podemos fazer tudo, mas a liberdade exagerada também pode se tornar escravidão. O humano tende a se tornar servo de seus desejos, quando deveria ser livre pela razão.

Responsabilidade e juízo são palavras de comando no Carnaval. Muito mais do que demonizar as coisas do mundo, devemos transformá-las pelo nosso testemunho de vida. As palavras ajudam, mas as pessoas se convencem primeiro pelos exemplos. Que possamos celebrar a Quarta-feira de cinzas arrependidos pelos nossos pecados, mas sem o remorso dos erros contabilizados do Carnaval. Com o coração em paz e guiados pela fé, vivenciemos este feriado com respeito a nós mesmos e aos outros, inclusive no que se refere à bebida. Não nos esqueçamos de que além da folia está a nossa retidão na maneira de ser e agir. Que a fé não seja guardada em casa durante o carnaval e muito menos escondida debaixo de sete chaves, mas inserida entre as pessoas, no intuito de resignificá-las.

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

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