Dia: 26 de Fevereiro de 2012

QUARESMA: TEMPO DE DERRUBAR ÍDOLOS!

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A Bíblia é o Livro da Esperança renovada e continuada, mesmo entre os espinhos da vida, mesmo entre as dores da existência. Quando não entendiam os sofrimentos passados, os hebreus buscavam forças na oração ao Deus Invisível. Era assim que acreditavam: “Eu o livrarei, porque a mim se apegou. Eu o protegerei, pois conhece o meu nome. Ele me invocará, e eu responderei. Na angústia estarei com ele. Eu o livrarei e glorificarei. Vou saciá-lo de longos dias e lhe farei ver a minha salvação” (Sl 91 (90),14-16). Tratava-se de uma relação gravada pela proximidade. Antes de chegar à Terra Prometida, o povo obteve algo muito mais importante que o simples leite e mel, isto é, a intimidade com Deus!

Nas entrelinhas das Sagradas Escrituras vê-se a entrega que o Pai Eterno estabeleceu com os seus filhos, desde a Aliança até à Cruz, desde a Criação até o Pentecostes. A Bíblia é o testamento do Deus Vivo que não desiste de nós e nos convida às cinzas e à conversão. Mesmo com nossos pecados, o Pai nos concede o amor como herança eterna. Há uma Divina insistência pela conversão do humano, que antes de ser pecador é filho amado.

Em nível cultural, a Bíblia é um livro bastante específico no que se refere às fontes escritas, pois nos faz entender o contexto de épocas históricas marcadas pela experiência do Povo de Deus. Dentre estas circunstâncias encontra-se a narrativa contrária a toda forma de idolatria.

A fé bíblica surgiu dentro de uma cultura monoteísta, de tradição judaica, que confessava a fé em um único Deus e não no politeísmo, constituído por várias divindades, conhecidas na Bíblia pelo nome de Baal (Baalath, Baalin ou Balaoth). Por isso que, no Antigo Testamento sempre houve a proibição à confecção de imagens (Cf. Ex 24,4ss; Jz 6,25; I Rs 11,5-8; 16,31-33; Jr 19,4s; Ez 8,5ss; Os 11,2). Era uma forma de assegurar o culto a Javé e extirpar toda espécie de adoração a deuses estrangeiros que não faziam parte da fé de Israel.

Mesmo assim, a Bíblia ainda apresenta inúmeras passagens em que as imagens foram utilizadas nas celebrações e colocadas nos Templos Hebraicos por determinação de Deus (Ex 32,1ss; Nm 21,8ss; Jz 8,26s; I Rs 12,28). Aqueles que restringem a idolatria somente às imagens pensará que houve contradição no texto bíblico. Porém, não há equívocos. Na Bíblia, a idolatria se remete a ‘todas as coisas, pessoas, lugares e ocasiões que colocamos no lugar de Deus’. É este tipo de idolatria que as Sagradas Escrituras condenam.

Pensemos no altar do nosso coração e, com sinceridade, olhemos para ver se ali há algum ídolo determinando nossas ações, orientando nossos afetos ou servindo de referencial entre o certo e o errado. Se analisarmos bem, veremos que eles estão a ocupar um lugar que pertence unicamente a Deus. Talvez sejam bens materiais, sentimentos exagerados por pessoas e até apego a cargos ou funções. Qualquer situação pode se tornar uma divindade quando a colocamos como a prioridade absoluta de nossa vida.

Às vezes, sem perceber, derrubamos um ídolo, colocamos outro e vamos revezando os interesses, enquanto Deus fica deposto do lado de fora do nosso coração. Ele respeita a liberdade humana e, como depende do nosso ‘sim’, fica a espreita aguardando o convite para entrar novamente. O Pai Eterno não é nenhum tirano nem entra em guerra para disputar um território ocupado por divindades. Paciente e bondoso, Ele aguarda até que lhe entreguemos a chave de nossa vida. Pena que alguns só fazem isso no sofrimento.

Quando somos visitados pela dor percebemos o lugar que Deus deve ocupar em nossa morada interior. É o tempo em que retiramos o incenso oferecido aos ídolos. Aqueles que se deixam dominar pelas divindades do dinheiro e do egoísmo são sugados até a alma. Também há outros manipulados pelos falsos deuses do ódio, do nervosismo e do xingamento. Não têm um pingo de paz. Tudo é motivo para irritação e discussões desnecessárias. Tornaram-se ídolos, porque ali os colocamos. Demos poder e munição diariamente a eles. Prestamos culto, reverenciamos. Transformaram-se em deuses, porque assim o fizemos.

Na Quaresma tenhamos a coragem de visitar nosso coração, vestindo-o com cinzas e peçamos perdão a Deus. O arrependimento já é o primeiro sinal da mudança. Muito mais do que olhar para a atitude de pecado, olhemos para o que nos motiva a pecar. Lá está a causa dos nossos maiores erros. Peguemos o espelho da fé e olhemos para ídolos que estão a ocupar o trono de nosso coração. Retiremos o cetro e peguemos de volta a coroa que não lhes pertence. Só há lugar para uma pessoa em nossa alma e essa Pessoa é o Pai Eterno.

Peregrinando nestes quarenta dias de arrependimento, em vista da Ressurreição, façamos uma séria revisão de vida para que não voltemos a pecar. É entrando em nossa casa interior que a fé é fortalecida, a esperança reconstruída e a caridade praticada. Que a Quaresma não seja apenas um tempo de abstinência, mas a ocasião especial para a experiência mais profunda e significativa da vida: o encontro com o próprio Deus! Somente quem experimenta Deus é capaz de se abrir a conversão, pelo simples fato de ter sido amado de maneira singular. Fora disso temos apenas discursos ou teorias.

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

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