Mês: abril 2012

POR QUE SOFREMOS TANTO?

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Por mais que a vida nos convide à realidade e nos conscientize de que somos os grandes responsáveis pela transformação social, às vezes insistimos em uma existência desprovida de problemas. Há ocasiões em que sonhamos com um mundo perfeito, onde não exista dor ou qualquer tipo de sofrimento. É o ambiente da fantasia, daquela imaginação ingênua e, talvez, um pouco acriançada, em que não precisamos solucionar nada, pois já está tudo resolvido. No íntimo do coração humano há sempre o sonho do paraíso terrestre. No deserto da existência não aceitamos que a miragem seja perdida, pois acreditamos na utopia. Graças a Deus!

Quando abatidos pelo sofrimento nos sentimos fracos. Vem ao coração o sentimento de que estamos perdendo o combate. Há um misto de desilusão e de medos injustos, sem falar das lágrimas que são constantes. Tornamo-nos necessitados, clamamos para que o mal fique longe de nós, chegamos ao extremo de nossa fé. Alguns conseguem passar pela dor de uma maneira sóbria, concedendo força aos demais. Mesmo na tempestade, mantêm a mansidão. Outros ficam agitados, levantam-se contra tudo e contra todos. Nos últimos casos, tornam-se vítimas de seus próprios sofrimentos. Independente do modo como administramos as intempéries vida, o mais importante é reconhecer o problema sem acusar quem quer que seja.

Diante dos tormentos, somos tentados a culpar pessoas ou situações. É possível que a responsabilidade do sofrimento esteja além de nós, contudo, faz bem pensar que as pessoas só fazem conosco o que permitimos e até quando permitimos. A fé cristã sempre nos conscientizará de que somos agentes de nossa própria história. Não podemos conceder aos outros o poder de conduzir as rédeas da nossa vida. Sendo a existência um espetáculo não ensaiado, cabe a nós a missão de protagonistas, não de figurantes.

Nos momentos mais extremos algumas perguntas vêm à tona: “O que fiz para merecer isso?”, “Até quando, meu Deus?”, “Por que estou pagando pelos pecados cometidos?”. Estes questionamentos são contrários à fé. Em hipótese alguma Deus pode ‘enviar’ ou ‘permitir’ o mal. Sua natureza paternal não estabelece nenhuma relação com as dificuldades. Se nos é possível pensar na Essência Divina, podemos dizer que ela é movida por um amor gratuito, envolto em bondade, cheio de misericórdia e, acima de tudo, incondicional. Assim revelou Jesus (Cf. Jo 8,38).

Eis um Deus que não impõe condições para amar, que age com ternura, porque é Pai! Frente ao Seu amor tudo se transforma. Onde habitava o pecado, agora vive a esperança da graça; no lugar das constantes tristezas, passa a habitar o dom da alegria; nas ocasiões em que o ódio mandava, agora quem comanda, é o perdão. É impossível se aproximar do Pai e não ser tocado pelo Seu amor, sem restrições.

Ao criar o mundo, Deus não podia criar a Si mesmo. Justamente por isso que a existência humana não pode ser perfeita. Na verdade, ela tem as características da limitação e da finitude. Por não ser acabado, mas construído, o mundo possui certas extremidades que agem como obstáculos à nossa realização. Dessa forma, podemos ser felizes e plenos, mas dificilmente livres do sofrimento. Pela fé, devemos confiar cada dificuldade ao Pai, para que assim Ele nos impulsione a superá-las, concedendo a força e os mecanismos necessários para a prática do bem. É como dizia o mais importante escritor cristão do Século II: “Somos as mãos de Deus agindo no mundo” (Santo Irineu).

O Pai Eterno não é rival do ser humano, não nos impõe pesados fardos nem nos enche de sofrimentos. Ele é puro amor e legítima salvação. Não nos diminui, pelo contrário, nos potencializa. Deus acredita em nós e não deve ser confundido com a imagem da tirania e do medo, pois são avessas à fé. Não há temor no amor; ao contrário, o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor implica um castigo, e o que teme não chegou à perfeição do amor. Quanto a nós, amemos, porque ele nos amou primeiro” (I Jo 4,18-19).

Seguindo a tradição da Igreja, na Sua realidade de Mãe e Mestra, olhemos para as Sagradas Escrituras, sem fundamentalismo. Lá encontraremos o Deus anunciado por Jesus. É urgente a tarefa de olhar para a totalidade bíblica a partir dos Evangelhos, do testemunho das primeiras comunidades cristãs, tendo como critério as orientações emanadas do Sagrado Magistério.

A fé nasce do testemunho das testemunhas. Ela vem pelo ouvir (Cf. Rm 10,17). Já o sofrimento surge da autonomia existencial do mundo: “O mal é uma realidade mundana e um problema humano universal, por isso deve ser tratado enquanto tal. […]. O problema do mal deve ser tratado em e por si mesmo. Isso quer dizer que o mundo não é mau em si, mas, devido a sua limitação, o mundo se apresenta como condição de possibilidade, que torna inevitável a existência do mal” (Andrés Torres Queiruga).

Nos últimos tempos, tenho aprendido que a possibilidade de um mundo sem mal depende de cada um de nós! Juntos e amparados pelo Pai Eterno, podemos lutar por uma sociedade mais ética e por uma família mais santa. Não neguemos a nossa responsabilidade. A fé conta comigo e contigo! Sendo o sofrimento algo inerente ao mundo, olhemos para o Pai, pois Ele está à frente de toda pedra que aparecer em nosso caminho rumo ao céu! Para além da dor há um Rosto. Olhemos e não tenhamos medo! É o Pai!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

A EVANGELIZAÇÃO COMEÇA PELOS SENTIDOS

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Seguindo o critério da Filosofia Aristotélica, lá na Grécia Antiga, sabemos que o humano é um ser sensorial. Por ‘sensorial’ compreende-se os cinco tradicionais sentidos: a visão, o olfato, o paladar, a audição e o tato. Mas, para as Ciências Biológicas e para a Neurologia possuímos mais de 20 sentidos. Eles trabalham em conjunto e atuam no modo captamos o mundo a nossa volta.

Independente da quantidade, as características sensoriais podem ser concentradas em dois critérios mentais: sensação e percepção. Quando um órgão do sentido deixa de funcionar é recompensado por outro imediatamente. As famílias que têm alguém com perda total ou parcial da visão sabem que, com o passar do tempo, a pessoa desenvolve novas capacidades, percebendo sons e ruídos que antes desconhecia. Chega a distinguir pelo barulho dos passos, pela feição do rosto ou pelo som da voz. Mesmo longe e por anos seguidos, ela sabe diferenciar quem é quem. Dificilmente erram no reconhecimento.

No cérebro existem os chamados nervos sensoriais, capazes de receber as mensagens do ambiente externo e transmiti-las para o sistema nervoso central. É assim que percebemos o frio, degustamos o sabor e o azedume dos alimentos, ouvimos barulhos, sentimos o cheiro e o odor das coisas; como também vemos a totalidade do que nos cerca.

Neste artigo, prefiro falar dos sentidos na ótica da espiritualidade, enquanto metáforas da fé. Comecemos, portanto, pela visão, tradicionalmente associada às retinas dos olhos. Por ela caracterizamos a cor e a forma dos objetos. Mas, também rotulamos pessoas e geramos preconceitos, até mesmo inconscientes. Às vezes, rompemos com o dom do diálogo, porque só vemos o nosso ponto de vista. Não há espaço para enxergar a situação a partir do outro. Julgamos fatos ilusórios e imaginamos situações que, talvez, nem existiram. Há alguns que só veem as suas próprias verdades. Não conseguem reconhecer que estão erradas. Têm uma enorme dificuldade de pedir perdão, principalmente quando é necessário se colocar no lugar do outro. Nessas circunstâncias a visão necessita ser evangelizada.

Próximo à visão está o olfato, vinculado às cavidades nasais, mas conhecidas como narinas. Os cristãos ou, pelo o menos, as pessoas mais éticas devem ter um olfato bem aguçado, para sentir o cheiro do pecado por onde ele se alastra. Todos os dias somos tentados a trair nossa fé e abandonar os nossos valores mais profundos. Por isso, devemos espalhar o aroma da esperança no ambiente de trabalho, a fragrância da compreensão dentro de casa, o perfume da caridade entre os pobres e rescender a transparência da verdade no campo profissional. Tudo que assumimos precisa ser marcado pelo selo da fé. Este é um dos caminhos para fazer diferença no mundo.

Abaixo das narinas se encontra língua e junto a ela o paladar: sensível ao ácido, ao doce, ao amargo, ao salgado e ao umami (presente em pratos japoneses e em produtos industrializados prontos). Dentre os órgãos do sentido, a língua é um dos mais usados, tanto para o bem, quanto para o mal. No dia a dia elogiamos alguns e criticamos outros, recriminamos esses e acolhemos aqueles, louvamos e, sem perceber, insultamos (Cf. Tiago 3). A língua é o espelho do nosso eu interior. Ela reflete nossas mágoas, nossas intrigas, mas também, nossas bondades. Quer conhecer uma pessoa? Preste bastante atenção nos seus olhos e no modo como ela fala. São dois caminhos possíveis para perceber o que está por trás das palavras ditas e dos olhos refletidos.

Nas extremidades da face estão os ouvidos, que nos permitem identificar os sons pelos nervos auditivos. Muitas vezes falamos o que queremos e ouvimos o que não gostamos. Tratamos logo de rebater as críticas, as fofocas e as contendas, quando o mais sábio é manter o silêncio, para só depois dialogar. Há momentos em que insistimos “não levar desaforo para casa”. Gastamos uma energia desnecessária ao tirar satisfação de conversinhas soltas, vivendo em função do que os outros dizem a nosso respeito. Se não houver evangelização, dificilmente conseguiremos nos libertar dos comentários maldosos e das rixas do passado.

Recobrindo todo o corpo está o tato, associado à pele. É ali que desenvolvemos as sensações térmicas do calor e do frio, do quente e do gelado. A pele que reveste o cristão é a fé. Eis o termômetro utilizado para medir a temperatura da vida espiritual. Somos aferidos pelo o que cremos e praticamos. Nossas obras devem dar testemunho da nossa fé, pigmentando o mundo de esperança.

A evangelização não é um fenômeno isolado. Pelo contrário, ela nasce da experiência que fazemos no coração do Pai Eterno e vai tomando conta de todo o nosso ser. Nada lhe é estranho. Diante dela tudo pode ser salvo: espírito, alma, corpo e mente. A evangelização começa pelas nossas feridas e só chegará à plenitude quando a nossa totalidade conhecer o rosto amoroso de Deus. Aí então seremos humanizados e ressuscitados. Alcançaremos uma existência permeada de significado e destituída de vazio, depressão e desafetos. Mergulhemos de cabeça na experiência de Deus, permitindo que Ele evangelize os nossos sentidos, até que a fé deixe de ser comparada a sentimentos e se torne convicção.

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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A MORTE LEGALIZADA DOS ANENCÉFALOS

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Constantemente, a vida humana é ameaçada por aqueles que a compreendem como uma simples coisa, um mero objeto de estudo destituído de seu valor no coração do Pai Eterno. De forma incisiva, a Igreja não se cala perante tantas e tamanhas violações. Diante da vida não há preço, muito menos barganha. Ela é ofertada e gerada, não podendo ser interrompida; é sonhada, jamais adulterada; é transmitida, nunca reprimida. Ninguém é proprietário de um dom recebido das mãos de Deus. Ele é o doador da existência. Nós somos apenas administradores.

A dignidade da vida nos impede de reduzi-la a discursos politizados ou puramente científicos, que só reconhecem o que é provado ou manipulado. Por uma questão de responsabilidade moral, devemos olhar para a vida a partir do que ela é: Sagrada e Divina. Apontando para a consciência ética, cabe-nos defendê-la, concebendo a individualidade do feto ou do embrião, para que não seja expulso do ventre materno, ‘com’ ou ‘sem’ condições de vitalidade.

O Pai Eterno é o autor da existência. Nele está o fundamento que sustenta o sopro de todo ser que respira. A gênese da vida está nas entranhas de Deus. Mesmo assim, no dia em que escrevo este artigo, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela interrupção da gravidez de fetos anencéfalos, passando a confiar às famílias a escolha entre a vida ou a morte do feto com má formação congênita. Antes desta decisão, o aborto era prescrito como crime, pelo Código de Direito Penal, com a detenção de até três anos para quem o praticasse.

Com todo respeito à Suprema Corte e aos seus Meritíssimos Ministros, há de se pensar que a vida não é somente um assunto da esfera jurídica, mas também, do campo moral e, sobretudo, da ética. Por se tratar de uma ação em sociedade, a religião tem o dever, não só o direito, de proteger a vida, pois nem tudo que é legalizado pode ser considerado humano, bondoso e saudável, ainda mais quando há o objetivo cruel de eliminar a existência de um inocente.

A anencefalia é uma palavra de origem latina e designa o feto que é gerado sem o encéfalo. Anatomicamente, o encéfalo é uma parte do sistema nervoso central, contida no crânio e formada pelo cérebro, cerebelo, mesocéfalo e bolbo raquidiano. Na verdade, o problema está na ausência de soldadura no tubo neural do próprio encéfalo. Não há cura para a doença e suas causas ainda são obscuras, atacando tanto meninos, quanto meninas durante a 23° e 26° semana de gestação.

O anencéfalo é gerado com a ausência total ou parcial do cérebro. Na maioria dos casos, a morte se dá no desenvolvimento do feto ou durante o parto. Aqueles que ultrapassam o nascimento chegam a viver por poucas horas e até meses. São raríssimas as ocorrências de sobrevivência por anos seguidos.

Independente do momento em que a morte acontece, importa reconhecer que o valor da vida não está em defeitos congênitos, em anomalias uterinas, em dificuldades financeiras ou na visão sanitarista, por mais intencionadas que elas sejam. “Em nome de qual justiça se realiza a mais injusta das discriminações entre as pessoas, declarando algumas dignas de ser defendidas, enquanto a outras esta dignidade é negada? Deste modo e para descrédito das suas regras, a democracia caminha pela estrada de um substancial totalitarismo. O Estado deixa de ser a ‘casa comum’, onde todos podem viver segundo princípios de substancial igualdade e transforma-se num Estado tirano, que presume poder dispor da vida dos mais débeis e indefesos, como a criança ainda não nascida, em nome de uma utilidade pública que, na realidade, não é senão o interesse de alguns” (João Paulo II, Evangelium Vitae, nº 20).

Percebe-se que uma decisão de grande impacto social é tomada aos poucos até que se chegue à sua totalidade. A decisão do STF é apenas a ponta do iceberg para abrir precedência à liberalização do aborto, em todas as suas variantes; bem como à eutanásia, na morte sem dor ou sofrimento, à pena de morte pelos delitos sociais e à violação da vida, por meio da clonagem, das pesquisas com células-tronco embrionárias e da fertilização in vitro.

É impossível não pensar na figura da mulher e no sentimento de culpa que vem à tona logo após a prática do aborto ou passados alguns anos. Com ou sem encéfalo, ela permitiu a execução de um inocente, deixando de lado a maternidade, para supervalorizar o ego particular. Hoje, há inúmeros relatos de esterilidade por ansiedade, de depressão grave e de perigosas fobias condicionadas à experiência abortiva. Não se trata de gerar medo em quem lê este artigo, mas de pensar nas consequências dos atos assumidos para toda a história pessoal.

Diante da vida não pode haver privilégio exclusivo para os pais. A eles cabe acolher e respeitar a dimensão de Mistério, contida na existência. Sem extremismo é possível dizer que a interrupção da gravidez de anencéfalos é tirana e perversa. Aqueles que deveriam defender a vida dos próprios filhos escolhem a injustiça de assassiná-los, colocando vontades pessoais acima da existência de inocentes que não pediram para nascer! Que nossas mãos não estejam marcadas pelo sangue das pequenas vítimas, quando nos depararmos com a nossa própria morte, pois não há justificativa para quem decide violar a realidade mais sagrada do humano: a vida confiada por Deus!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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A MORTE NÃO TEVE A ÚLTIMA PALAVRA!

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A vida não é apenas uma dádiva da natureza. Para além da ordem natural das coisas, está Deus que tudo move, orienta e fecunda ao nos conceder o dom da vida. Ele é o fundamento de uma existência alicerçada no serviço incondicional aos irmãos. Todos os momentos que deixamos de lado o egoísmo, nos abrindo à caridade; todas às vezes que renunciamos ao ódio e nos abrimos à experiência libertadora do perdão; todas as ocasiões em que abandonamos o nervosismo e somos pacificados pela fé: estamos vivendo a vida em plenitude!

A existência só tem significado quando é gasta em função das pessoas. Como é sem sentido o cotidiano de alguém que pensa somente em si, nas suas próprias picuinhas, querendo se beneficiar a todo e qualquer custo, em detrimento aos demais. Jesus viveu o oposto de tudo isso. Seu olhar se pautava pela fidelidade ao Pai e perscrutava o coração humano. Ele conhecia as feridas da alma e os graves problemas que atormentavam aqueles que passavam pelo Seu caminho. Nesta perspectiva, Sua existência tornou-se dom porque foi consumida em função dos outros, principalmente das minorias excluídas.

O Amor triunfa de uma existência voltada para a prática do bem. Assim foi a vida do Filho amado do Pai Eterno. A Ressurreição é consequência direta deste gastar-Se até as últimas consequências, sem medo do futuro. Era impossível que a morte cale-se uma vida que foi exemplo de doação total e de abnegação de Si. Não há silêncio diante de Alguém que foi maior que o sofrimento imposto pela Cruz.

O cristão, que assume a missão de continuar Jesus no mundo, não é dominado pela dor nem pelas dificuldades. As tormentas vêm, mas não conseguem roubar a paz de espírito. Cada vez que evangelizamos, pelo testemunho; perdoamos quem nos deseja o mal e temos o amor como única rivalidade: estamos ressuscitando e gerando ressurreição. Portanto, a Páscoa não é um evento do passado, pelo contrário, é atualizado no presente, em vista de um futuro como o de Jesus. Mesmo que tenhamos que passar pelas cruzes da vida e sejamos experimentados pelos sofrimentos.

O sepulcro vazio é a prova mais concreta de que “o Ressuscitado põe tudo em agitação, desperta tudo o que dorme, desarruma a ordem natural das coisas, desencadeia o turbilhão da vida que vence todas as mortes” (Vitor Gonçalves). Cedemos à morte quando falamos mal das outras pessoas; quando podíamos ajudar, mas não o fazemos, pois nos incomoda; quando não damos de comer ou de beber àqueles que são vítimas da imerecida injustiça social (Cf. Rm 12,9-21).

Por meio da Ressurreição acolhemos o dom de Deus em nossa vida. Passamos a agir pela ótica do amor. Sepultamos a pessoa velha e renascemos como pessoas renovadas em Cristo. O mais bonito da Ressurreição é que a mensagem de Jesus continua viva e atualizada por cada um de nós. Seus ensinamentos, Suas ações, Sua morte na Cruz não foram em vão.

Fundamentados na fé das primeiras testemunhas da Ressurreição confessemos: “O Senhor Ressuscitou, verdadeiramente, aleluia!”. Portanto, tenhamos a coragem de dialogar com as opiniões diferentes dentro de casa, lutar por uma família mais unida e uma sociedade mais justa, conscientizando pessoas em busca de seus direitos, a começar pela prática de seus deveres.

Não devemos ter medo de nos entregar a Cristo. O Mestre de Nazaré não nos tira nada de satisfatório, pelo contrário, nos concede tudo que necessitamos para viver em plenitude. É hora de renovar as esperanças diante de todos que estão à nossa volta. Não nos é correto desistir das pessoas, pois Deus nunca desistiu de nós, mesmo com nossos pecados.

O coração da fé cristã é a Ressurreição!A fé no Ressuscitado nos impulsiona a ir ao encontro dos crucificados de hoje, nos colocar a seu lado, para partilhar com eles este sorriso, a certeza alegre que Deus está vivo no meio de nós, ressuscitando, libertando da morte e fazendo uma nova criação” (Instituto Humanitas Unisinos). Que nesta Páscoa permitamos rolar a pedra do ódio, do rancor e do desamor. Deixemos o sepulcro do medo vazio e, de mãos atadas com Cristo, ressuscitemos com Ele.

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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E SE O NARIZ CRESCESSE NO DIA DA MENTIRA?

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Muito além do mundo fantasioso de Walt Disney, está a história de Pinóquio, contada pelo jornalista e escritor italiano, Carlo Collodi, entre 1881 e 1883. É estranho falar do imaginário infantil ocidental sem mencionar este clássico da literatura, proveniente do simbólico boneco de madeira que sonhava ser humano.

O conto tem início a partir de um dedicado carpinteiro, chamado Gepeto.  Mesmo se sentindo muito só, não deixava de trabalhar na pequena vila italiana, em que morava. Certo dia, ele resolveu talhar um menino na madeira. Quando terminou disse: “Serás o filho que nunca tive e vou chamar-te, Pinóquio”.

No anoitecer, uma fada madrinha apareceu na oficina de Gepeto e acabou encontrando o boneco de madeira. Ao tocar em Pinóquio, disse: “Vou dar-te a vida, mas deves ser sempre bom e honesto”. Pela manhã, o carpinteiro acordou e chegando à carpintaria viu que seu sonho tinha sido realizado. Pinóquio havia se tornado um boneco vivo, mas cada vez que mentia seu nariz aumentava de tamanho. Hoje, não é estranho ver alguns pais dizendo aos filhos que se mentirem terão o mesmo fim: o nariz crescido.

Ao falarmos de mito de Pinóquio nos vem à memória dia da mentira, celebrado popularmente na data de hoje. Este surgiu em 1564, quando o Rei Carlo IX, determinou que, na França, o Ano Novo seria celebrado apenas no dia 01 de janeiro. Antes a comemoração acontecia por dias seguidos, de 25 de março a 01 de abril. O objetivo do monarca era aplicar o calendário gregoriano a todos os franceses. Aqueles que resistiram à mudança foram chamados de ‘bobos de abril’, sendo bastante caçoados na época.

Por mais que seja uma data, marcada por brincadeiras e pegadinhas entre amigos, é válido pensar um pouco sobre o caráter real do mentir. Algo que vai além de qualquer divertimento. A mentira não é uma distração ou um passatempo. Do contrário, é uma conduta pela qual a pessoa engana a outra, de forma intencional, fantasiando o verdadeiro, quando já sabe que ele é falso.

Fora os casos involuntários de mitomania, em que o desequilíbrio psicológico leva a pessoa a dizer inverdades sem perceber, a mentira tem um propósito: conduzir ao erro, desvirtuando a verdade das palavras, gerando os pecados da língua. “Meus irmãos, não queirais todos ser mestres, pois sabeis que estamos sujeitos a julgamento mais severo. Todos nós tropeçamos em muitas coisas. Aquele que não peca no uso da língua é um homem perfeito, capaz de refrear o corpo todo. Ora, também a língua é um fogo! É o universo da malícia! Está entre os nossos membros contaminando o corpo todo e pondo em chamas as rodas da vida. Com ela bendizemos o Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos as pessoas, feitas à imagem de Deus. Da mesma boca saem bênção e maldição. Ora, meus irmãos, não convém que seja assim” (Tg 3,1-2.6.9-10).

Por mais que não haja justificativas para o ato de mentir, percebemos que determinadas pessoas o fazem quando elogiam alguém, apenas para agradar; quando temem ser prejudicadas de alguma forma ou quando se sentem desvalorizadas e querem projetar uma imagem irreal. A mentira também é utilizada nas ocasiões em que o foco é se beneficiar à custa da dor alheia.

Talvez, o grande problema não esteja somente na mentira, mas no modo como ela rompe com o vínculo da confiança: a base de todas as relações! Perde-se a fé depositada em alguém. Já não há espaço para a convivência familiar e muito menos partilha de vida. É estabelecida uma ferida existencial. Parafraseando, é como acontece com o papel, uma vez amassado, fica difícil fazê-lo voltar ao normal. Só pela fé.

A mentira gera peso na consciência. A alma é invadida pelo sentimento de culpa. Fica-se inseguro ao acreditar nas próprias inverdades. Cria-se uma ruptura entre ‘palavras’ e ‘atitudes’. Portanto, busquemos o dom da verdade e não caiamos nas armadilhas da mentira. Tragamos no comportamento o selo da transparência e aprendamos com Jesus: “Se permanecerdes em minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos e conhecereis a verdade, e a verdade vos tornará livres” (Jo 8,31-32). Deixemos Pinóquio somente na literatura, para não atualizarmos sua falha no presente.

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