A EVANGELIZAÇÃO COMEÇA PELOS SENTIDOS

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Seguindo o critério da Filosofia Aristotélica, lá na Grécia Antiga, sabemos que o humano é um ser sensorial. Por ‘sensorial’ compreende-se os cinco tradicionais sentidos: a visão, o olfato, o paladar, a audição e o tato. Mas, para as Ciências Biológicas e para a Neurologia possuímos mais de 20 sentidos. Eles trabalham em conjunto e atuam no modo captamos o mundo a nossa volta.

Independente da quantidade, as características sensoriais podem ser concentradas em dois critérios mentais: sensação e percepção. Quando um órgão do sentido deixa de funcionar é recompensado por outro imediatamente. As famílias que têm alguém com perda total ou parcial da visão sabem que, com o passar do tempo, a pessoa desenvolve novas capacidades, percebendo sons e ruídos que antes desconhecia. Chega a distinguir pelo barulho dos passos, pela feição do rosto ou pelo som da voz. Mesmo longe e por anos seguidos, ela sabe diferenciar quem é quem. Dificilmente erram no reconhecimento.

No cérebro existem os chamados nervos sensoriais, capazes de receber as mensagens do ambiente externo e transmiti-las para o sistema nervoso central. É assim que percebemos o frio, degustamos o sabor e o azedume dos alimentos, ouvimos barulhos, sentimos o cheiro e o odor das coisas; como também vemos a totalidade do que nos cerca.

Neste artigo, prefiro falar dos sentidos na ótica da espiritualidade, enquanto metáforas da fé. Comecemos, portanto, pela visão, tradicionalmente associada às retinas dos olhos. Por ela caracterizamos a cor e a forma dos objetos. Mas, também rotulamos pessoas e geramos preconceitos, até mesmo inconscientes. Às vezes, rompemos com o dom do diálogo, porque só vemos o nosso ponto de vista. Não há espaço para enxergar a situação a partir do outro. Julgamos fatos ilusórios e imaginamos situações que, talvez, nem existiram. Há alguns que só veem as suas próprias verdades. Não conseguem reconhecer que estão erradas. Têm uma enorme dificuldade de pedir perdão, principalmente quando é necessário se colocar no lugar do outro. Nessas circunstâncias a visão necessita ser evangelizada.

Próximo à visão está o olfato, vinculado às cavidades nasais, mas conhecidas como narinas. Os cristãos ou, pelo o menos, as pessoas mais éticas devem ter um olfato bem aguçado, para sentir o cheiro do pecado por onde ele se alastra. Todos os dias somos tentados a trair nossa fé e abandonar os nossos valores mais profundos. Por isso, devemos espalhar o aroma da esperança no ambiente de trabalho, a fragrância da compreensão dentro de casa, o perfume da caridade entre os pobres e rescender a transparência da verdade no campo profissional. Tudo que assumimos precisa ser marcado pelo selo da fé. Este é um dos caminhos para fazer diferença no mundo.

Abaixo das narinas se encontra língua e junto a ela o paladar: sensível ao ácido, ao doce, ao amargo, ao salgado e ao umami (presente em pratos japoneses e em produtos industrializados prontos). Dentre os órgãos do sentido, a língua é um dos mais usados, tanto para o bem, quanto para o mal. No dia a dia elogiamos alguns e criticamos outros, recriminamos esses e acolhemos aqueles, louvamos e, sem perceber, insultamos (Cf. Tiago 3). A língua é o espelho do nosso eu interior. Ela reflete nossas mágoas, nossas intrigas, mas também, nossas bondades. Quer conhecer uma pessoa? Preste bastante atenção nos seus olhos e no modo como ela fala. São dois caminhos possíveis para perceber o que está por trás das palavras ditas e dos olhos refletidos.

Nas extremidades da face estão os ouvidos, que nos permitem identificar os sons pelos nervos auditivos. Muitas vezes falamos o que queremos e ouvimos o que não gostamos. Tratamos logo de rebater as críticas, as fofocas e as contendas, quando o mais sábio é manter o silêncio, para só depois dialogar. Há momentos em que insistimos “não levar desaforo para casa”. Gastamos uma energia desnecessária ao tirar satisfação de conversinhas soltas, vivendo em função do que os outros dizem a nosso respeito. Se não houver evangelização, dificilmente conseguiremos nos libertar dos comentários maldosos e das rixas do passado.

Recobrindo todo o corpo está o tato, associado à pele. É ali que desenvolvemos as sensações térmicas do calor e do frio, do quente e do gelado. A pele que reveste o cristão é a fé. Eis o termômetro utilizado para medir a temperatura da vida espiritual. Somos aferidos pelo o que cremos e praticamos. Nossas obras devem dar testemunho da nossa fé, pigmentando o mundo de esperança.

A evangelização não é um fenômeno isolado. Pelo contrário, ela nasce da experiência que fazemos no coração do Pai Eterno e vai tomando conta de todo o nosso ser. Nada lhe é estranho. Diante dela tudo pode ser salvo: espírito, alma, corpo e mente. A evangelização começa pelas nossas feridas e só chegará à plenitude quando a nossa totalidade conhecer o rosto amoroso de Deus. Aí então seremos humanizados e ressuscitados. Alcançaremos uma existência permeada de significado e destituída de vazio, depressão e desafetos. Mergulhemos de cabeça na experiência de Deus, permitindo que Ele evangelize os nossos sentidos, até que a fé deixe de ser comparada a sentimentos e se torne convicção.

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

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