POR QUE SOFREMOS TANTO?

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Por mais que a vida nos convide à realidade e nos conscientize de que somos os grandes responsáveis pela transformação social, às vezes insistimos em uma existência desprovida de problemas. Há ocasiões em que sonhamos com um mundo perfeito, onde não exista dor ou qualquer tipo de sofrimento. É o ambiente da fantasia, daquela imaginação ingênua e, talvez, um pouco acriançada, em que não precisamos solucionar nada, pois já está tudo resolvido. No íntimo do coração humano há sempre o sonho do paraíso terrestre. No deserto da existência não aceitamos que a miragem seja perdida, pois acreditamos na utopia. Graças a Deus!

Quando abatidos pelo sofrimento nos sentimos fracos. Vem ao coração o sentimento de que estamos perdendo o combate. Há um misto de desilusão e de medos injustos, sem falar das lágrimas que são constantes. Tornamo-nos necessitados, clamamos para que o mal fique longe de nós, chegamos ao extremo de nossa fé. Alguns conseguem passar pela dor de uma maneira sóbria, concedendo força aos demais. Mesmo na tempestade, mantêm a mansidão. Outros ficam agitados, levantam-se contra tudo e contra todos. Nos últimos casos, tornam-se vítimas de seus próprios sofrimentos. Independente do modo como administramos as intempéries vida, o mais importante é reconhecer o problema sem acusar quem quer que seja.

Diante dos tormentos, somos tentados a culpar pessoas ou situações. É possível que a responsabilidade do sofrimento esteja além de nós, contudo, faz bem pensar que as pessoas só fazem conosco o que permitimos e até quando permitimos. A fé cristã sempre nos conscientizará de que somos agentes de nossa própria história. Não podemos conceder aos outros o poder de conduzir as rédeas da nossa vida. Sendo a existência um espetáculo não ensaiado, cabe a nós a missão de protagonistas, não de figurantes.

Nos momentos mais extremos algumas perguntas vêm à tona: “O que fiz para merecer isso?”, “Até quando, meu Deus?”, “Por que estou pagando pelos pecados cometidos?”. Estes questionamentos são contrários à fé. Em hipótese alguma Deus pode ‘enviar’ ou ‘permitir’ o mal. Sua natureza paternal não estabelece nenhuma relação com as dificuldades. Se nos é possível pensar na Essência Divina, podemos dizer que ela é movida por um amor gratuito, envolto em bondade, cheio de misericórdia e, acima de tudo, incondicional. Assim revelou Jesus (Cf. Jo 8,38).

Eis um Deus que não impõe condições para amar, que age com ternura, porque é Pai! Frente ao Seu amor tudo se transforma. Onde habitava o pecado, agora vive a esperança da graça; no lugar das constantes tristezas, passa a habitar o dom da alegria; nas ocasiões em que o ódio mandava, agora quem comanda, é o perdão. É impossível se aproximar do Pai e não ser tocado pelo Seu amor, sem restrições.

Ao criar o mundo, Deus não podia criar a Si mesmo. Justamente por isso que a existência humana não pode ser perfeita. Na verdade, ela tem as características da limitação e da finitude. Por não ser acabado, mas construído, o mundo possui certas extremidades que agem como obstáculos à nossa realização. Dessa forma, podemos ser felizes e plenos, mas dificilmente livres do sofrimento. Pela fé, devemos confiar cada dificuldade ao Pai, para que assim Ele nos impulsione a superá-las, concedendo a força e os mecanismos necessários para a prática do bem. É como dizia o mais importante escritor cristão do Século II: “Somos as mãos de Deus agindo no mundo” (Santo Irineu).

O Pai Eterno não é rival do ser humano, não nos impõe pesados fardos nem nos enche de sofrimentos. Ele é puro amor e legítima salvação. Não nos diminui, pelo contrário, nos potencializa. Deus acredita em nós e não deve ser confundido com a imagem da tirania e do medo, pois são avessas à fé. Não há temor no amor; ao contrário, o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor implica um castigo, e o que teme não chegou à perfeição do amor. Quanto a nós, amemos, porque ele nos amou primeiro” (I Jo 4,18-19).

Seguindo a tradição da Igreja, na Sua realidade de Mãe e Mestra, olhemos para as Sagradas Escrituras, sem fundamentalismo. Lá encontraremos o Deus anunciado por Jesus. É urgente a tarefa de olhar para a totalidade bíblica a partir dos Evangelhos, do testemunho das primeiras comunidades cristãs, tendo como critério as orientações emanadas do Sagrado Magistério.

A fé nasce do testemunho das testemunhas. Ela vem pelo ouvir (Cf. Rm 10,17). Já o sofrimento surge da autonomia existencial do mundo: “O mal é uma realidade mundana e um problema humano universal, por isso deve ser tratado enquanto tal. […]. O problema do mal deve ser tratado em e por si mesmo. Isso quer dizer que o mundo não é mau em si, mas, devido a sua limitação, o mundo se apresenta como condição de possibilidade, que torna inevitável a existência do mal” (Andrés Torres Queiruga).

Nos últimos tempos, tenho aprendido que a possibilidade de um mundo sem mal depende de cada um de nós! Juntos e amparados pelo Pai Eterno, podemos lutar por uma sociedade mais ética e por uma família mais santa. Não neguemos a nossa responsabilidade. A fé conta comigo e contigo! Sendo o sofrimento algo inerente ao mundo, olhemos para o Pai, pois Ele está à frente de toda pedra que aparecer em nosso caminho rumo ao céu! Para além da dor há um Rosto. Olhemos e não tenhamos medo! É o Pai!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

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