Mês: maio 2012

VINDE, ESPÍRITO SANTO E HUMANIZAI O NOSSO CORAÇÃO!

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A Solenidade de Pentecostes, festejada pelos cristãos católicos, no dia de hoje e pelos cristãos ortodoxos, em 03 de junho próximo, é uma das celebrações mais remotas do Antigo Testamento (Cf. Lv 23,15-21). No início foi chamada de Festa da Colheita, sendo celebrada pelos israelitas que traziam produtos agrícolas, trigo e cevada, para o culto agrário.

Reunidos, o Povo de Israel, celebrava a Iahweh (Javé) como Doador da terra, sem se esquecer de comemorar a libertação do Egito. Junto ao Pentecostes encontrava-se o agradecimento pela fidelidade Divina, que tirou o Povo de Israel da escravidão, vivenciada durante 430 anos, aproximadamente. Só depois que essa celebração recebeu o nome de Pentecostes, devido o domínio do Império Grego.

Os cristãos, irmãos mais próximos dos judeus, trataram de continuar o Pentecostes, cinquenta dias após a Páscoa e sete dias após a Ascensão de Jesus: “Tendo-se completado o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído como o agitar-se de um vendaval impetuoso, que encheu toda a casa onde se encontravam. Apareceram-lhes, então, línguas como de fogo, que se repartiam e que pousaram sobre cada um deles. E todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia se exprimissem” (At 2,1-4).

Naquela ocasião os apóstolos e discípulos, junto com Maria e mais algumas mulheres, estavam trancados dentro do Cenáculo, ainda no luto pela morte injusta de Jesus. Sofriam a dor de ter perdido o Mestre, mas estavam confiantes na Sua promessa de enviar o Espírito Consolador: “Quando vier o Paráclito, que vos enviarei de junto do Pai, o Espírito da Verdade, que vem do Pai, ele dará testemunho de mim” (Jo 15,26).

Atualizado no presente da nossa vida, o Pentecostes é uma ocasião para refletirmos sobre todas aquelas realidades que insistem nos desumanizar. Todos os dias, a pessoa de fé é convidada a se esforçar para viver aquilo que acredita, concedendo as razões de sua fé e os fundamentos de sua esperança. Onde impera a maldade, ela é convocada a agir em favor do bem; quando a ordem é manter o ódio, ela deve atuar pelo perdão; nos momentos em que a maledicência prevalece, cabe a ela cobrir os difamados com o manto do silêncio, agindo com caridade, até que as pessoas tenham condições de se defender ou de assumir o erro cometido.

Quem é conduzido pelo Espírito Santo está imerso na vida de Cristo e inserido na comunidade cristã. Aprende, aos poucos, como é bom viver de Deus e para Deus, como é significativo gastar a vida pelos mais abandonados e como é saudável ter paciência para enfrentar os desafios da vida. O Espírito não é uma propriedade exclusiva da Igreja. Pelo contrário, a Igreja O reconhece como Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, servindo-O e se colocando à Sua disposição para evangelizar, atualizando no mundo, a missão de Jesus.

Às vezes, somos instigados a provocar, a tecer comentários pesarosos, a falar da vida alheia, a sermos intransigentes, a humilharmos pessoas, a cobiçarmos aquilo que não nos pertence, quando os frutos do Espírito nos conduzem a um rumo contrário, ao agirmos com “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio. Contra estas coisas não existe lei. Se vivemos pelo Espírito, pelo Espírito pautemos também a nossa conduta” (Gl 5,22-23.25).

Diariamente, necessitamos nos inspirar no Espírito do Pai para compreender a missão de Jesus e continuá-la junto às pessoas. Nossas obras concedem testemunho à nossa fé, mas são as nossas atitudes que demonstram o Deus que cremos. Portanto, se não há mudança de vida, se não há uma verdadeira conversão, é porque não temos permitido que o Espírito Santo aja em nós, humanizando-nos a partir do amor livre e incondicional.

Vale lembrar que não somos marionetes ou fantoches nas mãos do Espírito Santo. Tudo o que Ele realiza em nós é de acordo com a nossa liberdade. A ação Divina nunca é arbitrária ou tirana. O Paráclito, prometido por Jesus, sempre necessitará do nosso ‘sim’, do mesmo modo como foi com Maria. E é unido ao Espírito que guiou e conduziu Jesus, que me ponho a rezar junto com você leitor:

“Querido Senhor, ajudai-me a espalhar a Vossa fragrância onde quer que eu vá. Inundai a minha alma com o Vosso Espírito e com a Vossa vida. Adentrai e possuí todo o meu ser, tão completamente, que toda a minha alma seja uma irradiação de Vós. Brilhai através do meu ser e mostrai-Vos de tal forma em mim, que cada alma que eu encontre possa sentir a Vossa presença. Que elas ergam o olhar e não me vejam, mas apenas a Vós Senhor. Ficai comigo para que eu comece a brilhar como Vós e brilhe de tal forma que seja a luz dos outros. A luz, ó Senhor, virá toda de Vós, nenhuma será minha, sereis Vós a brilhar diante dos outros através de mim. Permiti, pois que Vos louve da forma que Vós mais amais, brilhando sobre aqueles que Vos rodeiam. Deixai que Vos pregue sem pregar, não por palavras, mas pelo meu exemplo, pela força do entendimento, pela influência simpática daquilo que faço como prova do amor que o meu coração sente por Vós. Amém” (Beata Teresa de Calcutá).

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

DEPRESSÃO NÃO É BRINCADEIRA!

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Da mesma forma que: “nem só de pão vive o homem”, assim também: nem só de tristeza vive a depressão. Na verdade, ela é uma doença, cujo sofrimento psíquico é intenso e de uma angústia interminável. A pessoa depressiva traz na alma aquela dor profunda, que consome suas motivações, energias e, o mais grave, esgota o seu sentido de vida. É uma realidade sufocante. Não há sonhos nem perspectivas futuras. Palavras como: ânimo, disposição, humor, coragem, desejo e vontade são retiradas do dicionário do depressivo.

Infelizmente, o alcance da depressão, na vida de uma pessoa, é bastante amplo. De primeiro, ela pode atingir o organismo, causando distúrbios no sono. O indivíduo dorme demais para fugir da dor, sabendo que quanto menos acordado ficar, menos sofrerá. Há outros que desenvolvem fortes crises de insônia. Vale lembrar que nem toda insônia é provocada pela depressão. Contudo, entre os depressivos, o ato de não conseguir dormir é um sintoma causado devido à angústia permanente.  Ainda na dimensão orgânica, pode se observar alterações no apetite (se alimentar demais ou de menos), cansaço sem justificativa, imunidade baixa e ideia permanente de doenças imaginárias (hipocondria).

Na perspectiva da inteligência, o conhecimento da pessoa é comprometido. A imagem que ela possui de si é, extremamente, negativa. Não costuma culpar aos outros. Pelo contrário, culpa a si. Sente-se vitimada pela vida e por aqueles que estão à sua volta. Não possui iniciativa, ficando indecisa e impotente quando é convidada a agir. Nesse caso, escolhe ficar reclusa, escondida em suas dores, do que ter que tomar decisões. É o início do isolamento social. Amigos e qualquer evento que envolva pessoas são deixados de lado. O depressivo prefere a escuridão e o falso refúgio do quarto. Ali é seu espaço seguro e o cárcere, onde sua esperança é enterrada aos poucos.

As lágrimas são recorrentes. O depressivo chora não pela situação em si, mas, sobretudo, pela dor existencial que não passa: aquela angústia enraizada no íntimo da alma. Se há uma doença que consegue ferir a realidade mais profunda da pessoa, o nome dela é depressão. Ninguém fica depressivo porque quer ou porque é fraco. Em sã consciência, ninguém escolhe tamanho sofrimento.

Muitas são as suas causas, podendo ser provocada por uma disposição natural, de caráter hereditário ou biológico, repassado de pais para filhos ou na baixa quantidade de serotonina e norepinefrina (neurotransmissores / neuroreceptores) no desempenho das funções mentais. Ela também é ocasionada por pensamentos e percepções no ambiente familiar e à interpretação que damos às pessoas e fatos, de modo negativo. Em outros casos, suas razões estão na dificuldade de resolver problemas graves, tais como: perseguição no trabalho, crise financeira, traição, perda de um ente muito querido, separação conjugal, entre outros. E, por último, nas respostas que concedemos aos estímulos do meio externo, por introversão, desamparo, pessimismo ou por crises de inadequação. Essas são apenas algumas causas. Na real, a depressão é um verdadeiro iceberg.

A pessoa depressiva necessita de fé, aprendendo a acreditar em si, para só depois confiar em Deus. Dia após dia, é fundamental ressignificar o sentido da vida, sabendo que a sua continuidade também depende da determinação. A partir de casos clínicos e grupos de experimentos, já foi comprovado que os pacientes de fé respondem mais rápido ao tratamento. Aqueles que não creem também se recuperam com qualidade, mas de forma mais pausada ou lenta. Talvez, pelo sentimento que nós religiosos possuímos de querer prolongar a vida.

A partir da fé, é fundamental procurar a ajuda terapêutica de um bom psicólogo. Nesse importante acompanhamento, o profissional auxiliará o depressivo a modificar a visão negativa que possui de si e do contexto em que está inserido. Juntos, paciente e psicólogo, traçarão metas para superar o mal da depressão. A fonte de tamanho sofrimento é vista de forma real, sem defeitos, erros, culpas e remorsos. É como se um peso enorme fosse retirado das costas da pessoa.

Só quem viveu a depressão, acompanhou ou conviveu com um depressivo compreende a intensidade dessa dor. Diante de um alguém com um sofrimento psíquico ou espiritual é necessário respeito, dedicação e reverência. Perder a calma com um depressivo ou subestimar o que ele é capaz de fazer é um verdadeiro desacato para com sua dor física, psíquica e moral.

Hajamos com fé e caridade, tendo a esperança de que a cura é real e possível, antes que atinja níveis altíssimos, inclusive com a possibilidade de atentado contra a própria vida. Às vezes, vemos a depressão a partir de nós, querendo que a pessoa se recupere a todo e qualquer custo, chegando a pensar que aquilo não passa de frescura ou de doença de rico. Não é assim. Ela deve ser enfocada com fé, seriedade e tratamento. No fim das contas, além da angústia interminável, está o amor incondicional do Pai: “E agora, eis o que diz o Senhor, aquele que te criou, Jacó, e te formou, Israel: Nada temas, pois eu te resgato, eu te chamo pelo nome, és meu. Porque és precioso a meus olhos, porque eu te aprecio e te amo, permuto reinos por ti, entrego nações em troca de ti!” (Is 43,1.4).

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
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REVISITAR OS VALORES PARA NÃO ESQUECÊ-LOS

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Desde os tempos mais antigos os nossos irmãos judeus falavam do coração como o recinto para a experiência de encontro com Deus: horizonte onde nasce a fé e se alicerça a esperança. É a linguagem da alma. No coração estão as nossas feridas e os fatos do passado, ainda não resolvidos. Uma memória registrada do tudo o que sentimos, padecemos e precisamos superar. Só quem conheceu o sofrimento tem consciência das dores que necessitam ser curadas pelo amor do Pai. Apenas quem tocou o seu “eu interior” é capaz de descobrir os próprios erros e acertos.  Por mais que as neurociências centralizem as emoções no cérebro, a espiritualidade associará o coração como o espaço dos afetos e desafetos da alma.

Para alguns a subjetividade humana é uma verdadeira desconhecida. Esses concebem a sua realidade mais profunda como a estranha que se deve tomar distância. Justamente por isso, fazem de tudo para não pensar nas verdadeiras motivações das atitudes que tomam no cotidiano. O fato é que quanto mais adentramos os labirintos do coração, mais encontramos Deus. Os verbos “submergir”, “embrenhar” e “entrar” são bastante utilizados na vida espiritual de quem não tem medo de si nem de seus sentimentos.

No dia a dia enfrentamos situações, resolvemos problemas, tomamos decisões, ficamos chateados, esbanjamos alegria, mas não questionamos o que está por trás de nossas ações. Toda atitude supõe um comportamento com certa finalidade. Só agimos porque possuímos uma intenção, que pode ser motivada pela raiva, pela mágoa, pelo agradecimento, pela gratuidade ou, simplesmente, pelo amor. Tudo depende da ocasião e do momento específico. Por esse motivo é tão importante conhecer o “eu interior”, pois é lá que habita o Pai Eterno e os sentimentos que persistem arrombar a porta do nosso coração.

Junto às emoções estão os nossos valores: ensinados e aprendidos na infância, colocados em prática na juventude e impregnados em nossa essência por toda a vida. Uns são vivenciados e outros, infelizmente, acabam esquecidos. A influência do meio que vivemos, determinadas amizades, a convivência no ambiente de trabalho e o amadurecimento pessoal confirmam os nossos valores ou os negam.

Feliz é a pessoa que se deixa orientar por um princípio de vida, seja ele religioso, ético ou moral. Importa fundamentar a existência a partir de uma convicção interna que nos faz ser melhores. Falo de valores que nos humanizam! Falo de sentido que orienta! Falo de significado que não nos deixa ser vazios nem superficiais!

Uma séria revisão de vida nos faz pensar no modo como temos vivenciado os nossos valores. Será que ao olharmos para a nossa história encontraremos valores escondidos, deixados ao léu ou colocados em prática? Ao término de cada dia é importante olhar para as próprias atitudes e perceber onde pecamos e como poderíamos ser aprimorados na santidade. Fazendo este exercício diário tomaríamos consciência dos erros cometidos e acertaríamos mais, também reconheceríamos os nossos valores e os vivenciaríamos com frequência.

Pensemos no altar do nosso coração e, com sinceridade, olhemos para ver se ali há algum ídolo determinando nossas ações, orientando nossos afetos ou servindo de referencial entre o certo e o errado. Se analisarmos bem, veremos que eles estão a ocupar um lugar que pertence unicamente a Deus. Talvez sejam bens materiais, sentimentos exagerados por pessoas e até apego a cargos ou funções. Qualquer situação boa ou má pode se tornar um valor quando o colocamos como a prioridade absoluta de nossa vida.

A pessoa de valor sempre age de forma diferente, pois sua vida é pautada pelas qualidades mais nobres do humano. Ela não escuta a voz da galera e não vive de acordo com os aplausos da maioria. São os valores que justificam suas ações. Quando muitos falam que se deve pagar o mal com o mal, ela oferece o perdão incondicional. Quando outros insistem na fofoca, ela prefere se silenciar. Se não pode falar bem, também não fala mal. Quando alguns escolhem ferir corações, ela opta pelo bálsamo do amor, derramando paz, paciência e diálogo onde antes imperava o ódio.

Permitamos que o Tempo Pascal nos ensine a viver de acordo com aquilo que cremos. Que não haja espaço para uma vida com dois sentidos. Não se pode viver de acordo com a ocasião, somente em vista de benefícios pessoais. Que a coerência seja o primeiro critério para que Jesus venha ressuscitar em nossos corações! Termino este artigo com o sentimento de que a fé solicita de mim e de você um compromisso sincero e firme com os nossos valores! Que nossas atitudes deem testemunho do Deus que acreditamos!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.

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