Mês: junho 2012

O PAI NOS ACOMPANHA, NOS ALENTA E NOS ENSINA A AMAR!

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O Pai Eterno nos ama livremente, não por necessidade, não por motivos históricos e muito menos por obrigação. Muitas vezes, trata-se de um Amor que ama quem não merece, mas precisa ser amado. Incondicional em Seu mistério, gratuito em Seu esforço e incompreensível em Sua manifestação: assim é o amor do Pai por mim e por você, leitor! Antes de sermos servos, somos filhos; antes de evangelizadores, somos evangelizados pelo Amor.

Na medida em que assumimos a nossa filiação estamos aptos a ser cristãos, pois na origem da nossa fé está o Pai que nos impulsiona a amar. Olhemos para as Sagradas Escrituras, testemunha fiel da salvação e lá encontraremos a face do Amor: “Se toda escritura se pusesse a falar, se, por um prodígio qualquer, se transformasse de palavra escrita em palavra anunciada a uma voz, esta voz, mais poderosa do que as ondas do mar, clamaria: ‘Deus vos ama!’” (Raniero Cantalamessa).

O amor do Pai confirma a nossa humanidade e nos conduz à vivência fraterna! Quanto mais distantes do Amor, mais desumanizados ficamos. Tornamo-nos egoístas, passamos a julgar o comportamento dos outros ou condenamos sem ao menos tentar compreender as situações e os erros alheios. Mas, por outro lado, é o Amor que nos ensina a aceitar as pessoas por mais difíceis que elas sejam ou por mais desgosto que nos causem.

E aqui cabem alguns questionamentos: Quanto tempo temos gasto com as pessoas? Como a nossa vida está sendo consumida? Somente em benefício próprio ou em função dos irmãos? São muitos os meios que demonstram a nossa capacidade de amar: “um sorriso, uma pequena visita, uma pergunta sincera: ‘dormiu bem?’, ‘sente-se bem, hoje?’[…]. Basta uma palavra, um sorriso, um olhar. Que linda ‘profissão’ essa de fazer os outros felizes, mesmo que seja por um momento. Levar um copo de alegria para o próximo, que tarefa fácil e sublime!” (Inácio Larrañaga).

Em Deus está a razão de ‘sermos’ e ‘amarmos’. Fomos gerados pela vontade e pela ternura de um Deus com coração de Pai. Somos os frutos legítimos do Seu amor paterna e maternalmente redentor. Cada vez que voltamos à nossa origem existencial, em Deus, somos renovados e convertidos novamente ao Amor. Longe, nos perdemos; perto, nos encontramos.

A partir desta realidade transcendente somos capazes de reconhecer o apelo insistente do Amor: “Foi-te imposto de uma vez para sempre este breve preceito: ama e faze o que quiseres. Quer te cales, cala por amor; quer fales, fala por amor; quer corrijas, corrige por amor; quer perdoes, perdoa por amor. Haja em ti a raiz do amor; pois desta raiz nada pode proceder que não seja o bem” (Santo Agostinho).

O amor é dom gratuito do Pai Eterno. Por meio dela adentramos nas sendas da fraternidade. Sua vivência é oferta recíproca de uns pelos outros. Se olharmos, com sinceridade, para os nossos irmãos reconheceremos que somos devedores de cada um deles. Trata-se de uma dívida confirmada pelo sangue de Cristo. “O amor é a única dívida que temos para com todos. Qualquer pessoa que se achegue a ti é o teu credor, que se aproxima para cobrar a dívida que tens com ela. Deus em Cristo, outorgou-te um amor a ser partilhado com os irmãos; este amor não te pertence; teu irmãos tem o direito de reclamar a sua parte” (Raniero Cantalamessa).

Amar é gastar tempo com aqueles que convivemos ou trabalhamos juntos. Nesse mundo, em que funcionamos contra o relógio, é necessário tirar um pouco de tempo para as pessoas que estão à nossa volta. Palavras de esperança como: ‘não fique com medo’, ‘esse problema tem solução’, ‘conte sempre comigo’, ‘estou rezando por você’, ‘amanhã será um novo dia’ são capazes de iluminar vidas. Outras vezes somente a presença de alguém ao nosso lado já é o bastante para nos sentirmos amados e queridos. O Pai Eterno necessita da nossa mediação. Ele nos ama por meio daqueles que estão próximos a nós.

O amor de Deus, depositado em nossos corações, nos educa a amar sem um porquê de ser. Deixemos os questionamentos de lado! Partamos para a ação de encontrar os pobres de amor e de afeto. Busquemos e encontraremos os destinatários do Amor. O ‘próximo’ dos Evangelhos não é alguém distante, mas, sobretudo, a figura mais achegada a nós. Esse próximo pode ser um pai, uma mãe, um amigo, um colega de trabalho, a esposa ou o esposo e até os próprios filhos. Basta que tenhamos os olhos da fé bem abertos para sermos, no mundo, a face do amor de Deus! Acompanhados e alentados pelo Pai, somos convidados a amar a ponto de dar a vida, não somente com palavras, mas, sobretudo, com gestos e atitudes!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br


“ONDE VOCÊ GUARDA O SEU RACISMO?”

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Sem pretensões ou acusações que só tendem a generalizar, sirvo-me da expressão de uma campanha, voltada para a igualdade racial, iniciada em 2001, por 40 organizações da sociedade civil, cujo objetivo é suscitar “Os diálogos contra o racismo”. A ciência, por meio do Projeto Genoma, já questionou o conceito de raça, sintetizando que não existem genes raciais entre os humanos. Por isso, ao falarmos de raça estamos nos remetendo a uma construção social, não a uma verdade religiosa ou científica. Uma convenção, muitas vezes utilizada para separar negros, brancos, índios e amarelos (japoneses).

Um dos agravantes de enfatizar o conceito de raça foi o aparecimento da escravidão, no passado e do racismo, na atualidade. Por detrás da definição de racismo está aquela ideia fixa de que existem hierarquias entre os agrupamentos humanos, capazes de separar as raças em: inferiores (minorias) e superiores (maioria). Trata-se de uma ideologia que justifica a dominação de um grupo racial sobre outro. Foi o mesmo que aconteceu na Alemanha Nazista, durante a Segunda Grande Guerra, quando se defendia a raça ariana e se perseguia os judeus.

Se olharmos bem à nossa volta veremos o racismo e seus primos mais próximos: o preconceito, a discriminação e o estereótipo agindo com habilidade, mas, sobretudo, com sutileza. Um inimigo oculto, difícil de combater, pois ele não se mostra por inteiro, só às escondidas e continua a gerar exclusão social. O foco está em colocar o negro como um ser inferior, que deve ser mantido longe das conquistas sociais, sem oportunidades de ascensão e benefícios.

Junto à problemática há contextos nos quais aqueles que lutam contra o racismo são tidos como racistas. Alguns que leem este artigo podem até pensar que o padre é racista ou do contrário vê racismo em todas as partes. Não é isso! A verdade é que o racismo é enfocado somente como um problema do outro, além de nós. Não temos nada a ver com ele. “No Brasil, uma pesquisa realizada junto a uma amostra representativa da população nacional indicou que quase 90% dos entrevistados se considera não racista, ao mesmo tempo em que igual percentagem de brasileiros acredita que existe racismo no Brasil” (Marcos Lima & Jorge Vala). No mínimo é estranho uma mesma porcentagem se declarar não racista e acreditar na existência do racismo. Eis o resultado final: “eu não sou racista, mas o outro deve ser ou provavelmente o é”. O fato é que dizer-se racista causa reprovação social. É algo que deve ser mantido às encobertas, nunca às claras.

Houve ocasiões em que a história do Brasil foi contada, exclusivamente, na perspectiva do branco. Esqueceu-se a narrativa do negro e renegou-se a herança do indígena. Ao branco, o trabalho intelectual; ao negro, o trabalho braçal. Pior discriminação não há. Diante do coração do Pai Eterno somos todos iguais: “Não há mais judeu ou grego, escravo ou livre, homem ou mulher, pois todos vós sois um só, em Cristo Jesus” (Gl 3,28).

É no cotidiano que o racismo é introjetado e disseminado. Mas, o grande problema está na invisibilidade da discriminação racial no Brasil e no modo como “não se nota, não se discute nem se deseja notar ou discutir. É como se não existisse. A história narrada nas escolas é branca, a inteligência e a beleza mostradas pela mídia o são. Os fatos são apresentados por todos na sociedade como se houvesse uma preponderância absoluta, uma supremacia definitiva dos brancos sobre os negros. Assim, o que se mostra é que o lado bom da vida não é nem pode ser negro” (Hélio Santos). Muitas vezes, costuma-se ouvir: “Negro destino daquele rapaz”; “A coisa está ficando preta para fulano”; “O lado negro da vida é horrível” (Hélio Santos). Porque não se fala do lado branco da existência? Parece que há uma arrogância em associar ao negro aquilo que é ruim, depreciativo ou obscuro; quando, na verdade, o mal não possui cor.

Por mais que a discriminação seja séria, uma grande maioria parece não percebê-la. Há pessoas que não são capazes de enxergá-la, enquanto outros ainda insistem no mito da democracia racial brasileira: onde há oportunidades iguais para todos – brancos e negros. Mas, são poucos aqueles que trazem à tona a violência de alguns policiais, como se todo negro fosse perigoso e tendencioso ao crime. Com todo respeito à querida população do Rio de Janeiro, faz bem lembrar que ao serem presos, os chefes do tráfico nos morros tinham uma cor: eram brancos. O crime independe de etnia.

Constata-se que no fundo da questão está a injustificada necessidade dos brancos de se colocarem acima dos negros. A miopia nos faz ver-nos elevados. Os racistas ainda não perceberam que agindo assim estão se tornando mesmo: inferiores, tiranos e desumanos. Na condição de cristãos devemos gerar debates, ampliar a consciência das pessoas para a prevalência da igualdade racial. E aqui fica o meu pedido: “Brasil, por favor, admita-se por inteiro. Tu és negro, indígena, amarelo e também branco”!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
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QUANDO SE AMA A FIDELIDADE NADA CUSTA

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Sirvo-me de uma expressão do escritor e romancista francês, Henry Montherlant (1896-1972), para intitular o presente artigo. Ao longo do meu ministério sacerdotal sempre fui procurado por muitos casais, seja para abençoar seus compromissos, seja para acompanhá-los espiritualmente. Minha missão sempre foi a de confirmá-los na fé, fazendo recordar-lhes do motivo que um dia os uniu: a fé no amor! 

Em alguns momentos, pude me deparar com situações de sofrimento intenso, em meio a muitas lágrimas de remorso e dor. Mas, onde ainda havia amor era possível recomeçar, mesmo que fosse do zero: estabelecendo um novo compromisso, fundamentado na honestidade e no perdão verdadeiro. Uma conquista concedida por quem crê no compromisso estabelecido como entrega voluntária e não como obrigação.  

Por outro lado, também me defrontei com cenários existenciais em que um culpava o outro pela traição acontecida. Não havia diálogo nem entendimento, apenas acusações. Algo que não solucionava absolutamente nada, só agravava a intensidade do problema.  A partir daí as crises e as discussões eram certeiras. Isso sem mencionar a terrível troca de ofensas.

Eis um importante preceito para os casais: nunca tente resolver dificuldades nas ocasiões em que os ânimos estão acirrados. Quando se está nervoso a melhor postura é a do silêncio. Na hora da raiva um diz ao outro as piores frases, as mais tristes calúnias, as mais nefastas palavras’. Problema deve ser dialogado, não discutido e com o coração em paz! É melhor esperar para falar, com bom senso e educação, do que soltar palavras cortantes e se arrepender amargamente no futuro.

Apontar erros alheios é uma postura infantil, quando o objetivo é tão-somente culpar o outro. Só devemos indicar as falhas da pessoa que traiu quando o objetivo é fazê-la se reconciliar com o fundamento da relação: o amor! É válido seguir o conselho da humildade, segundo o qual a traição é um problema do casal, não apenas de um deles. Por ser uma dificuldade de ambos, deve ser resolvida em conjunto.

  

São muitos os acontecimentos que abrangem uma determinada traição, por mais injustificada que ela seja. A “busca pela novidade” e o “desejo da conquista” são fatores determinantes para aquele que trai. Mas não é só isso: antes de trair o marido ou a mulher, a pessoa traiu a si mesma; traiu o compromisso que assumiu consigo, diante do outro; traiu uma história alicerçada no amor e imprimiu nela uma ferida que, a cada nova descoberta, se torna mais dolorosa. A traição é um câncer para o relacionamento e como tal deve ser tratada para haja a cura e não chegue à metástase, atingindo todo o corpo do amor.

 

Onde não impera o diálogo ou, então, onde uma das partes desiste da outra o resultado é a triste separação. A pessoa que trai e vai embora, muitas vezes, se comporta como forte e na condição de quem tomou a melhor decisão. Talvez, seja essa uma forma de legitimar a própria escolha. Porém, lá no fundo da consciência, fica o medo frente a um futuro incerto. A pessoa que foi traída se vê sozinha e mergulhada na frustração. A descoberta da infidelidade causa um misto de dor e de indignação pelas mentiras que apareceram aos poucos. No fim das contas, fica a ‘decepção’ de si, mas, principalmente, do outro.

 

Diante da traição, a atitude mais sábia e coerente é assumi-la, sem tentar culpar quem quer que seja. Antes que a verdade venha à tona, faz bem confessá-la, pois “nada há de escondido que não venha a ser descoberto. Nada há de secreto que não venha a ser conhecido e se tornar público” (Lc 8,17). A pessoa que traiu deve ser sincera e passar a história a limpo, para que não haja suposições. Se antes havia mentira, agora deve prevalecer a verdade, por mais dolorosa que ela seja. Nos relacionamentos afetivos, a mentira sempre será a omissão de erros cometidos.

 

Um casal que se ama é capaz de superar o trauma da traição e recomeçar uma nova caminhada. Com o passar do tempo, a desconfiança vai diminuindo, desde que um dê motivos para que o outro volte a confiar. Sem confiança não existe relação. O mais importante é dialogar para compreender como aconteceu a traição, descobrindo as suas causas, para que se evitem reincidências. A ferida é cicatrizada pelo bálsamo do amor, mas ficará a cicatriz para recordar o malfeito e superá-lo com gestos de carinho e respeito, tanto por si, quanto pela pessoa amada.

 

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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