QUANDO SE AMA A FIDELIDADE NADA CUSTA

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Sirvo-me de uma expressão do escritor e romancista francês, Henry Montherlant (1896-1972), para intitular o presente artigo. Ao longo do meu ministério sacerdotal sempre fui procurado por muitos casais, seja para abençoar seus compromissos, seja para acompanhá-los espiritualmente. Minha missão sempre foi a de confirmá-los na fé, fazendo recordar-lhes do motivo que um dia os uniu: a fé no amor! 

Em alguns momentos, pude me deparar com situações de sofrimento intenso, em meio a muitas lágrimas de remorso e dor. Mas, onde ainda havia amor era possível recomeçar, mesmo que fosse do zero: estabelecendo um novo compromisso, fundamentado na honestidade e no perdão verdadeiro. Uma conquista concedida por quem crê no compromisso estabelecido como entrega voluntária e não como obrigação.  

Por outro lado, também me defrontei com cenários existenciais em que um culpava o outro pela traição acontecida. Não havia diálogo nem entendimento, apenas acusações. Algo que não solucionava absolutamente nada, só agravava a intensidade do problema.  A partir daí as crises e as discussões eram certeiras. Isso sem mencionar a terrível troca de ofensas.

Eis um importante preceito para os casais: nunca tente resolver dificuldades nas ocasiões em que os ânimos estão acirrados. Quando se está nervoso a melhor postura é a do silêncio. Na hora da raiva um diz ao outro as piores frases, as mais tristes calúnias, as mais nefastas palavras’. Problema deve ser dialogado, não discutido e com o coração em paz! É melhor esperar para falar, com bom senso e educação, do que soltar palavras cortantes e se arrepender amargamente no futuro.

Apontar erros alheios é uma postura infantil, quando o objetivo é tão-somente culpar o outro. Só devemos indicar as falhas da pessoa que traiu quando o objetivo é fazê-la se reconciliar com o fundamento da relação: o amor! É válido seguir o conselho da humildade, segundo o qual a traição é um problema do casal, não apenas de um deles. Por ser uma dificuldade de ambos, deve ser resolvida em conjunto.

  

São muitos os acontecimentos que abrangem uma determinada traição, por mais injustificada que ela seja. A “busca pela novidade” e o “desejo da conquista” são fatores determinantes para aquele que trai. Mas não é só isso: antes de trair o marido ou a mulher, a pessoa traiu a si mesma; traiu o compromisso que assumiu consigo, diante do outro; traiu uma história alicerçada no amor e imprimiu nela uma ferida que, a cada nova descoberta, se torna mais dolorosa. A traição é um câncer para o relacionamento e como tal deve ser tratada para haja a cura e não chegue à metástase, atingindo todo o corpo do amor.

 

Onde não impera o diálogo ou, então, onde uma das partes desiste da outra o resultado é a triste separação. A pessoa que trai e vai embora, muitas vezes, se comporta como forte e na condição de quem tomou a melhor decisão. Talvez, seja essa uma forma de legitimar a própria escolha. Porém, lá no fundo da consciência, fica o medo frente a um futuro incerto. A pessoa que foi traída se vê sozinha e mergulhada na frustração. A descoberta da infidelidade causa um misto de dor e de indignação pelas mentiras que apareceram aos poucos. No fim das contas, fica a ‘decepção’ de si, mas, principalmente, do outro.

 

Diante da traição, a atitude mais sábia e coerente é assumi-la, sem tentar culpar quem quer que seja. Antes que a verdade venha à tona, faz bem confessá-la, pois “nada há de escondido que não venha a ser descoberto. Nada há de secreto que não venha a ser conhecido e se tornar público” (Lc 8,17). A pessoa que traiu deve ser sincera e passar a história a limpo, para que não haja suposições. Se antes havia mentira, agora deve prevalecer a verdade, por mais dolorosa que ela seja. Nos relacionamentos afetivos, a mentira sempre será a omissão de erros cometidos.

 

Um casal que se ama é capaz de superar o trauma da traição e recomeçar uma nova caminhada. Com o passar do tempo, a desconfiança vai diminuindo, desde que um dê motivos para que o outro volte a confiar. Sem confiança não existe relação. O mais importante é dialogar para compreender como aconteceu a traição, descobrindo as suas causas, para que se evitem reincidências. A ferida é cicatrizada pelo bálsamo do amor, mas ficará a cicatriz para recordar o malfeito e superá-lo com gestos de carinho e respeito, tanto por si, quanto pela pessoa amada.

 

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

 

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